Blog do Feitosa Costa

Feitosa Costa Feitosa Costa
Feitosa Costa é Jornalista desde de 1977, passando por vários jornais do País. É também Bacharel em Direito.

04/05/2011 às 09h40min

Mundo sem lei

Carlos Chagas

Saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, faz muito tornou-se discussão diletante e inócua. A verdade é que os dois existem, num moto contínuo onde um sai do outro. Grave, mesmo, é verificar como a nação tecnologicamente mais poderosa do planeta desvirtuou-se a ponto de seu governo autorizar, estimular e promover, através de suas avançadas estruturas da ciência e da inteligência, a morte da lei e dos princípios democráticos inerentes à sua própria existência.

Osama Bin Laden era um assassino monstruoso, algoz de centenas de milhares de vítimas, fanático. Se quiserem, o filho predileto de Satanás. Merecia ser caçado pela eternidade. Para isso serviu, melhor do que tudo, o aparato econômico e militar dos Estados Unidos.

Mas executar o bandido sem julgamento, depois de preso, já com a decisão tomada de dar-lhe um tiro na cabeça – convenhamos, trata-se da inversão dos valores que diferenciam uma nação civilizada de um aglomerado de trogloditas. Foi no que se transformaram os senhores dos Estados Unidos ao determinar o assassinato do inimigo número um da Humanidade.

Que nazistas e stalinistas assim agissem, demonstrou a História sua condenação perpétua. Mas aqueles que se apresentam como baluarte da democracia e da liberdade, de jeito nenhum. Levá-lo a julgamento num tribunal de Nova York constituía solução ética e lógica. Mesmo prevendo-se sua inexorável condenação à pena capital.

Sinal dos tempos travestidos que vivemos foi a reação da sociedade americana às primeiras notícias do desenlace do episódio: jovens e velhos nas ruas, urrando como animais, festejando a morte já anunciada de Bin Laden como quem celebra a conquista de um campeonato de futebol.

Ficou óbvia, neste início de século, a transformação do poder público em poder celerado. Dirão alguns ingênuos e outro tanto de truculentos que tinha de ser assim mesmo. A palavra de ordem era “fazer justiça”, como disse o presidente Barack Obama. Que tipo de justiça ele não explicitou. Jamais, porém, a justiça devida ao ser humano, mesmo o mais vil de todos, prerrogativa decorrente de instituições que a civilização aprimorou através dos tempos. Até um criminoso como Bin Laden dispunha do direito a uma sentença, assim como o governo de Washington, da obrigação de encaminhá-lo a um julgamento imparcial.

O argumento ouvido de áulicos e sabujos dos atuais detentores do poder mundial é de que se Bin Laden não fosse logo eliminado serviria de mártir para a banda podre do islamismo, provocando manifestações, atentados e, depois de condenado e executado, peregrinações ao seu túmulo. Por essas razões os russos sumiram com o cadáver de Adolf Hitler e os próprios americanos tentaram por décadas esconder os restos mortais de Che Guevara. Não adiantou nada.

Está o mundo estarrecido, ainda que com medo de demonstrar, diante da negativa dos mais elementares direitos do homem, por decisão dos governantes da nação imperial. Assistimos um sofisticado esquadrão da morte e seus mentores agindo como detentores absolutos da ciência do Bem e do Mal. Tratou-se apenas de um exemplo, entre tantos registrados desde que o terrorismo assumiu proporções inimagináveis. Igualaram-se aos terroristas, no entanto, os responsáveis pelo assalto à cidadela onde se escondia o adversário. Não há evidências nem depoimentos de que os comandos americanos mataram Bin Ladem em defesa própria, no meio de um tiroteio. Entraram para matar. Tanto que já sabiam o que fazer com o defunto: joga-lo no mar, para que dele não restasse o menor vestígio.

Está o mundo sem lei, quando um dia imaginou-se que sem ela não haveria salvação. Não há mesmo.

Razão alguma existiria para esse espetáculo de vergonha encenado no Paquistão, como da mesma forma nenhum argumento justificou a carnificina tantas vezes promovida pelos irracionais chefiados por Bin Laden. O resultado é que agora parte do Islã julga-se na obrigação de prosseguir na matança e na revanche capaz de gerar no Ocidente mais ódio, mais vingança e menos lei. Regride a Humanidade, sabe-se lá até que ponto, valendo voltar ao mote inicial deste desabafo: importa pouco saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha…

12/04/2011 às 18h07min

Lesão à Receita estaria por tras da perseguição da CBF

Duas pessoas altamente bem informadas revelaram para este repórter que por tras da perseguição da CBF à nova diretoria da Federação Piauiense de Futebol existe, acima de tudo, um medo muito grande de que fatos que nunca foram imaginados pelos bem intencionados desportistas locais, sejam esclarecidos, como a utilização da entidade para a realização de bingos  que teriam lesado a Receita Federal.

Que coisa mais grave piauienses!

É bem provavel que algum procurador diligente peça uma investigação da Polícia Federal.Ai sim,poderiam vir  à tona "todas as manobras realizadas ao longo de alguns anos  por espertalhões que há muito tempo se encontram sob a observação das autoridades", comentou um dos informantes deste jornalista.

Seria a hora de se fazer "uma lavagem" nos computadores e documentos de alguns anos atras, para saber por que tanta gente endinheirada quer a volta do antigo esquema da federação de futebol.

Essa gente não tem o menor compromisso com o Estado e faz tudo para colocar seus fantoches em qualquer instituição que possam utilizar como fachada.
Um dos meus informantes é diretor da federação e está impressionado e assustado com o que foi feito lá.O negócio, segundo ele, ´"e tão escabroso que estou com medo dessa gente".

Esse quadro, que certamente não é desconhecido de muitas pessoas, configura uma situação que remete as autoridades policiais para uma investigação.

07/04/2011 às 19h30min

Massacre do Rio não sensibiliza noticiário noturno

O Brasil e o mundo estão chocados com o massacre de crianças e adolescentes dentro de uma escola municipal em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, no inicio da manhã de hoje.Até às l9h35min era de 13 o número oficial de mortos, sendo 10 meninas e uma menino.Essa cachoeira de sangue inocente, porem, parece não ter sensibilizado dirigentes de alguns telejornais desta noite de quinta-feira que esntristece o Brasil.
Deram um banho de insensibilidade e falta de vocação jornalística para os atônitos e revoltados telespectadores, que nesta noite de quinta não aguardavam apenas a novela das sete mas sim alguém que falasse   sobre o massacre do Rio, um psicólogo, um especialista em segurança ou alguém que nos tranquilizasse sobre o convivio de nossos adolescentes nas escolas.
Perguntas sobre como os pais devem agir quando souberem que seus filhos brigaram no colégio, bem que poderiam ter sido respondidas.Infelizmente havia coisa mais preocupante: a insegurança das agências do Banco do Brasil em dois municípios da zona norte.
Pelo amor de Deus!
A notícia deve observar como uma de suas prioridades, é verdade, a geografia, mas não em casos como o do Rio, que comoveu uma nação inteira e levou sua presidente a decretar luto de três dias.
Para completar o show de insensibilidade e falta de noção jornalística, nada melhor do que apresentar uma orquestra sinfônica.
Espero que os nossos matutinos mostrem amanhã que a maior parte de nossa imprensa é sensível e sabe avaliar o que é uma comoção popular.

30/03/2011 às 07h21min

O plano de saúde do José Alencar

“Meus respeitos à família do José Alencar. Meus respeitos aos seus fãs. Mas façam-me o favor de não exaltar exemplos que não possam ser seguidos por qualquer um que não seja poderoso”



Morreu ontem o ex-vice-presidente José Alencar, aos 79 anos. Meus respeitos. Parecia um homem sério, salvo um ou outro escorregão feio. Em 2002, ele era considerado conservador, o que em si não é problema; ao longo do governo Lula, especialmente quanto mais frequentava hospitais, o ex-vice foi ganhando outra imagem pública.

Assistindo aos telejornais e lendo o noticiário na web e em outros lugares, você vai ler uma litania de elogios à sua vontade de viver. À sua força na luta contra o câncer. Até em heroísmo vão falar. Realmente, é fofo ver um velhinho saindo do hospital e dizendo querer assistir à formatura do bisneto que ainda não tinha nascido.

Mas devagar com o andor nas homenagens. Se Alencar deixou um exemplo, é um exemplo muito difícil de seguir.

Pelo Sistema Único de Saúde, como lembrou a Leandra Lima, ele já estaria morto há muito tempo. Marcar uma consulta simples no SUS demora muito. O sistema é relativamente eficiente no básico, mas conforme a situação vai complicando fica mais difícil ter tratamento. E a situação do ex-vice era extremamente complicada.

Se ele fosse fazer todas essas cirurgias pagando como particular, não haveria dinheiro que chegasse. Ele devia ter um plano de saúde muito bom – quem não tem plano de saúde morre três vezes mais do que quem tem, segundo estudo de 2006. Mas um plano tão bom quanto o que ele usava também não é pra qualquer um.

Quanto custaria

Consultei o corretor Paulo Sérgio Dias dos Santos, com quem comprei o meu plano de saúde há algum tempo. Perguntei a ele quanto custaria um plano de saúde que cobrisse internações no Einstein e no Sírio-Libanês para procedimentos tão complexos quanto esses pelos quais o ex-vice precisou passar nos últimos anos.

Resposta: na idade dele (79 anos), para essa cobertura, custaria nada menos do que R$ 2,2 mil por mês, nas principais empresas do ramo no Brasil. Mas elas não costumam aceitar clientes novos depois de certa idade. Geralmente os pacientes que pagam tudo isso já tinham o plano há tempos.

Lembre que planos de saúde são feitos para serem pouco usados. Quando o são, o cliente sadio paga pelo cliente doente. Aos 34 anos, por exemplo, eu pago mais de R$ 200, mas dificilmente tenho consultas mais de uma vez ao mês. E geralmente consultas “light”: otorrino, nutricionista, um eventual check-up. Na teoria, acaba sendo uma espécie de poupança: hoje você paga mais do que usa para depois usar mais do que paga, se precisar.

Mesmo quando precisa, enfrenta problemas. Alguns hospitais pararam de atender pacientes de planos de saúde em suas emergências, alegando que os planos pagam pouco.

No ano passado, no Notícias MTV, mostramos algumas vezes o caso do Marcelo Yuka, ex-baterista do Rappa. Ele foi baleado e perdeu a capacidade de caminhar. Seu plano de saúde brigou na Justiça para cortar alguns dos tratamentos.

Em 2010, pelo 11º ano consecutivo, os planos de saúde foram líderes de reclamações ao Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

Geralmente é você quem paga

Por ter sido senador entre 1999 e 2002, Alencar tinha direito a um plano de saúde vitalício. Consta que teria recusado. Mas mais de 400 senadores e ex-senadores – inclusive os que serviram por apenas meses – têm direito a esse benefício, continuado em março deste ano. Ex-senadores não precisam pagar um centavo sequer por isso. Ex-deputados, por um plano semelhante, pagam R$ 280 mensais. Pouco mais do que eu pago pelo meu.

Por serem velhinhos, muitas vezes eles precisam usar esse tipo de plano para coisas caras: no ano passado, o senador Romeu Tuma recebeu um coração artificial de R$ 300 mil no dia 7 de outubro para morrer 19 dias depois. Duvido que tenham lavado o aparelho para implantá-lo em outro paciente com mais chance de viver.

Saíam dos cofres públicos para a cobertura de nossas ex-autoridades, em 2009, o equivalente a R$ 32 mil por senador, todo ano. Isso dá R$ 2.666 por mês, pago por mim, por você e por nossos pais. Fecha mais ou menos com o valor que o corretor me informou.

Não acho injusto que nossos representantes tenham um bom plano de saúde. Acho complicado apenas que eles, que ganham bem e por vezes são empresários, não precisem pôr a mão no bolso sequer para pagar um pedaço do plano.

De qualquer forma, quem tem a atribuição de alocar recursos para o sistema público de saúde passa MUITO longe dele. E isso é sempre chato.

Meus respeitos à família do José Alencar. Meus respeitos aos seus fãs. Mas façam-me o favor de não exaltar exemplos que não possam ser seguidos por qualquer um que não seja poderoso. OK, é fundamental um velhinho ter vontade de viver. Mas se não tiver como bancar, só a vontade não adianta.


( Marcelo Soares é jornalista, tradutor e instrutor em São Paulo. Em 2010, foi o responsável pelo blog e reportagens do projeto “Tome Conta do Brasil”, da MTV.}




29/03/2011 às 16h20min

Governo suspende concursos já autorizados

A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, suspendeu por tempo indeterminado os concursos que haviam sido autorizados para ocorrer em 2011.

A possibilidade de chamar profissionais já aprovados para compor os cargos da administração pública, em autarquias e fundações, publicadas até a última sexta-feira também está suspensa. A portaria foi publicada no "Diário Oficial da União" do último sábado.

Segundo o texto, o preenchimento dos cargos cujas nomeações foram publicadas até sábado continuam valendo. As contratações de temporários também poderão ocorrer durante o ano, conforme a necessidade de "excepcional interesse público", e serão avaliadas pela ministra.

29/03/2011 às 09h48min

O Caminho do Fim do PMDB

Carlos Chagas

Semana passada o PMDB celebrou 45 anos de fundação. Nos idos de 1966, chamava-se apenas MDB, Movimento Democrático Brasileiro. O parto foi difícil. O Ato Institucional número 2, editado meses antes, extinguiu os antigos partidos e criou o bipartidarismo forçado. Copiávamos tanto os Estados Unidos que até a sua experiência política chegou pelo correio, ainda que lá apenas a natureza das coisas levasse aos partidos Republicano e Democrata, podendo existir muitos outros, se quisessem. Aqui não. Seriam só dois, mesmo. As casuísticas regras do jogo impunham que para funcionar, as agremiações necessitariam determinado número de deputados e de senadores.

Logo o Congresso acuado e humilhado forneceu montes de parlamentares ávidos de formar no partido do governo, denominado de Arena, Aliança Renovadora Nacional. Uns poucos corajosos buscaram fundar a legenda da oposição. Amaral Peixoto, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Negrão de Lima, Mario Martins e outros conseguiram o número necessário de deputados, mas, na hora de fazer as contas, faltavam dois senadores. Para o governo Castello Branco seria um vexame o Brasil dispor de apenas um partido, evidência a mais da ditadura que nos assolava. Sendo assim, o próprio presidente da República convocou ao seu gabinete dois leais correligionários, Rui Carneiro, da Paraíba, e José Guiomard, do Acre.

Diz a lenda que os dois senadores imaginaram a hipótese de ser convidados para ministros, espantando-se quando um constrangido marechal apelava para ingressarem no MDB. Cumpriram a missão e foram, até o fim, dois leais servidores da oposição. Por cautela, na hora de escolherem o presidente do partido, os cardeais ditos oposicionistas foram buscar um militar. Era o senador Oscar Passos, do Acre, herói da FEB e nem por sombra ligado ao regime anterior, de João Goulart e Leonel Brizola. Ulysses Guimarães ficou com a vice-presidência.

Fazendo das tripas coração, o MDB começou a atuar de forma tímida, estabelecendo-se no país o mote de que o primeiro governo militar criara dois partidos: o do “Sim” e o do “Sim senhor”!

Vieram as eleições parlamentares e muita gente pregava o voto em branco. Para acomodar os diversos grupos antes conflitantes e agora “revolucionários” desde criancinhas, inventaram a sublegenda, capaz de abrigar no guarda-chuva da Arena desafetos tradicionais como os egressos da UDN, do PSD, do PSP e outros partidos extintos. Eram na verdade três num só, em quase todos os estados.�

Mais eleições, quatro anos depois, elegendo-se pelo MDB um grupo jovem, infenso à acomodação dos caciques, logo chamados de “autênticos”: Marcos Freire, Fernando Lyra, Chico Pinto, Lysâneas Maciel, Paes de Andrade, Alceu Collares e mais uns poucos, como deputados, esmeravam-se em tentar fazer oposição de verdade, denunciando o arbítrio dos detentores do poder. Eram tolerados, até para o governo fazer média internacional. Como Oscar Passos não se reelegeu para o Senado, passou a presidência a Ulysses Guimarães.

Sucederam-se Costa e Silva e Garrastazu Médici, com o país já sob o tacão do AI-5, o pior dos instrumentos de horror político. Cassações às centenas, o MDB chegou a pensar na auto-dissolução, mas seguiu em frente. A farsa das eleições presidenciais indiretas deu a vez ao general Ernesto Geisel, a ser “eleito” pelo Congresso, onde a Arena dispunha de dois terços dos deputados e senadores.

Coube aos autênticos engendrar uma reação: por que não lançar um anticandidato, já que a lei eleitoral permitia a propaganda pelo rádio e a televisão? Aproveitariam a campanha para expor críticas e idéias. Pensaram em Aliomar Baleeiro, então ministro do Supremo Tribunal Federal, que recusou. Fixaram-se em Barbosa Lima, Sobrinho, presidente da ABI, que aceitou. Fio quando Ulysses Guimarães, sempre presidente, reivindicou a missão, ficando o dr. Barbosa como vice. No dia do lançamento da candidatura, mais frustração: o presidente da República que saía, Garrastazu Médici, proibiu a transmissão.

E a surpresa das surpresas: o discurso do candidato oposicionista constituiu-se numa das mais belas peças da crônica republicana. Exigiu liberdade, falou em anistia para os cassados e perseguidos e empolgou autênticos e não autênticos. “A caravela vai partir. As velas estão pandas de sonho e aladas de esperança. Posto no alto da gávea pelo povo brasileiro, espero um dia poder anunciar: “alvíssaras, meu capitão! Terra à vista! À vista, a ansiada terra da liberdade!”

A campanha rendeu frutos, coincidindo com o desgaste dos governos militares. Nas eleições de 1974, para o Congresso, havia uma só vaga de senador por estado. Eram vinte, e o MDB elegeu dezesseis. Os caciques refugaram apresentar-se. Por via das dúvidas Ulysses, Tancredo e outros preferiram continuar candidatando-se à Câmara dos Deputados. O partido que selecionasse correligionários dispostos ao sacrifício, nos estados, já que o rolo compressor da Arena permanecia o mesmo.

Apresentaram-se Marcos Freire, por Pernambuco, Paulo Brossard, pelo Rio Grande do Sul, Roberto Saturnino, pelo Rio, Orestes Quércia, por São Paulo, Itamar Franco, por Minas, Leite Chaves, pelo Paraná, entre outros. Foi uma surra memorável, para o governo, prenunciando que quatro anos depois, quando seriam duas as vagas de senador por estado, a oposição dominaria a casa. Isso se não elegesse também maioria na Câmara, credenciando-se a fazer o futuro presidente da República, pelas regras do jogo impostas pela ditadura.

A volta à democracia ainda estava distante e, para não perder o poder futuro, em 1977 o general Ernesto Geisel fechou o Congresso e editou o “pacote” de abril, criando o senador indireto, biônico, estabelecendo a vinculação total de votos e outros atos de arbítrio.

Mesmo assim, a sorte estava lançada. Geisel impôs o último general-presidente, João Figueiredo, tendo o MDB lançado outra dupla de anti-candidatos: o general Euler Bentes Monteiro e Paulo Brossard, que obviamente foram derrotados.

A corrente, porém, era definitiva: Figueiredo extinguiu o bipartidarismo forçado, concedeu a anistia e preparou-se para a escolha de um civil para sucedê-lo, desde que fosse da Arena, agora transformada em PDS. O MDB passou a PMDB, obrigado a acrescentar o prefixo de “partido”. A campanha das “diretas já”, conduzida pelo partido, eletrizou a nação, ainda que sem conquistar o número necessário de votos, no Congresso. Mesmo assim, era o fim da ditadura.

Passou-se para a oposição um grupo de dissidentes do partido governista, reagindo à possibilidade de Paulo Maluf tornar-se o candidato oficial. Aureliano Chaves, José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen e outros ajudaram a dar a vitória a Tancredo Neves. Fossem as eleições diretas e o candidato seria Ulysses. Ainda indiretas, melhor o sagaz governador de Minas.

Sucedeu-se a tragédia, o novo presidente, fundador na Nova República, adoece na véspera da posse. Coube a Ulysses Guimarães, sempre presidente do partido, decidir que tomaria posse José Sarney, vice de Tancredo por conta da necessidade de composição com a dissidência governista.�

Seguiram-se cinco anos de governo do cristão-novo no poder, compartilhado por Ulysses e o PMDB, que nas eleições seguintes elegeu todos os governadores, menos um, fazendo ampla maioria na Câmara e no Senado.

Vale parar por aqui, já que com as eleições presidenciais de 1988 o PMDB desapareceu. Deixou de ser o partido de luta que era, tornando-se ainda no governo Sarney o partido do fisiologismo. Do aproveitamento das benesses e das nomeações. Foi moralmente minguando nos governos de Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula. Sequer esboçou um gesto de reação quando o sociólogo impôs ao Congresso a reeleição no exercício do cargo. Apoiando governos os mais dispares, lutando por favores e vantagens, perdendo até a coragem de lançar candidatos à presidência da República, o PMDB encontra-se a caminho do fim.

28/03/2011 às 10h09min

Partido de Jackson Lago soma forças com a bancada governista

Aline Louise



O que falta ao PDT maranhense é definir a direção. É isto que pensa o secretário do diretório estadual do partido, Cândido Lima, quanto às posturas dúbias que a bancada tem adotado desde o começo deste ano. Com atitudes cada vez mais alinhadas ao Palácio dos Leões, os quatro parlamentares pedetistas estão livres para agir de acordo com os próprios interesses até que seja definido o novo comando da sigla.

As amenidades e a cumplicidade entre o PDT em relação à bancada governista trazem à torna as rachaduras internas do partido. Com as mudanças no diretório estadual acontecendo e sem previsão para ter uma composição definida, os quatro deputados da sigla poderão continuar escolhendo o próprio destino dentro da Casa.

Desde o início do ano parlamentar, o posicionamento do PDT na Assembleia Legislativa é bastante diferente da postura adotada no período eleitoral quando a legenda disputou o comando do Estado tendo como candidato o ex-governador Jackson Lago . Sob o pretexto de fazer uma “oposição construtiva e propositiva”, o PDT tem-se visto diante de especulações em torno dos rumos que o partido deverá tomar nos próximos dias na política maranhense.

O secretário da atual direção do PDT, Cândido Lima, diz que o grupo está dividido em três correntes diferentes: uma que quer permanecer aliada ao prefeito João Castelo (PSDB), outra que prefere uma união com a governadora Roseana Sarney (PMDB) e uma terceira que defende a autonomia da sigla.

Para ele, os impasses dentro do partido só poderão se resolver quando for confirmada a nova composição da direção do partido, que terá a legitimidade de impor uma postura que condiga com a decisão final sobre de que lado ficarão os pedetistas no jogo político.

Sob nova direção - pelo menos no legislativo estadual - o PDT tem o desafio de encontrar um posicionamento único, de oposição ou situação. Carlos Amorim (PDT) será o novo líder da bancada na Casa e deve ditar as regras na Casa enquanto o próprio partido não profere o ultimato. A função de comando era, antes, da deputada Graça Paz (PDT) – que deixou o Legislativo para compor o secretariado de Castelo, como chefe da pasta de Articulação Política.

27/03/2011 às 09h01min

Depois de dizer horrores de Lula e Dilma, agora Indio da Cos

Carlos Newton

Quem demonstra grande amadurecimento, no mau sentido, e realmente está aprendendo a ser um político de verdade é o ex-deputado federal Indio da Costa, do DEM, que foi candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra e participou ativamente da campanha.

Acredite se quiser, o jovem silvicola, que na disputa eleitoral fez as mais duras críticas a Lula e à candidata petista Dilma Rousseff, agora já anuncia que pode deixar o DEM para entrar no novo PSD de Gilberto Kassab e Afif Domingos. Traduzindo: Índio da Costa também quer aderir ao governo, pois esta é a proposta de Kassab-Afif.

Acredito que Indio da Costa esteja se mirando no exemplo de Eduardo Paes, que quando estava no PSDB vivia criticando Lula e depois teve de engolir tudo, para ganhar apoio do PT e se eleger prefeito do Rio pelo PMDB. Outro exemplo para Indio da Costa é o ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, que também disse horrores do então presidente Lula, depois engoliu o sapo barbudo para ser ministro da Integração Nacional, e agora joga todas fichas numa nomeação para a Diretoria da Caixa Econômica Federal, que não sai nunca e o está levando à loucura.

Figuras exóticas como Geddel, Paes e Índio da Costa são exemplos do modelo brasileiro de fazer política. Sem ideias próprias e se adaptando a qualquer situação, apenas para ficar no poder ou junto a ele.

24/03/2011 às 09h57min

Procura-se

A Polícia está procurando Salete Silva Varão (foto), por ser a autora do assassinato do seu próprio marido, Dr. Antonio Lopes Varão, ocorrido na madrugada de 11 de dezembro de 2010, dentro do hospital municipal de Bom Jardim.

O clínico Antonio Lopes Varão – ex-vereador do município por quatro mandatos – foi atender dois homens em seu plantão e recebeu dois tiros na cabeça.

O crime chocou aquele município, por se tratar do assassinato de um profissional e pai de família, dos mais honrado da região.
A recompensa é de RS 2.000(dois mil reais). Basta ligar para o disque denúncia, nos telefones: Capital: 3223-5800- Interior: 0300-313-5800.
( Com informações do Blog do Garrone )

23/03/2011 às 17h05min

Kleber Eulálio enaltece os 40 anos de fundação do PMDB

O deputado Kleber Eulálio, em entrevista a TV Assembleia, enalteceu o PMDB pela comemoração de 40 anos de fundação, e lembrou que seu pai, o ex-deputado Severo Eulálio, fundou no estado o antigo MDB e que também, sente-se honrado por fazer parte desta história.


O deputado lembra que o PMDB se construiu na trincheira pela insistência e fez história como pelo movimento das Diretas Já e que teve à frente o então deputado federal do mesmo partido, Ulisses Guimarães.

Ele destaca que através do PMDB foram originados outros partidos, como PSDB, dentre outros. O parlamentar enalteceu todos que lutaram pela redemocratização no País.

( Elizabete Carvalho /Alepi )

22/03/2011 às 16h13min

Marcos Caldas pede CPI sobre grilagem de terras

O deputado Marcos Caldas (PRB-MA) vai apresentar, ainda esta semana na Assembleia Legislativa, requerimento propondo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a ocupação de terras localizadas em municípios da região do Baixo Parnaíba.


O anúncio do pedido da CPI foi feito pelo próprio parlamentar na sessão desta segunda-feira (21). Demonstrando indignação, Marcos Caldas explicou que em cidades como Brejo, Anapurus, Santa Quitéria, Chapadinha e São Bernardo é comum constatar que pessoas, muitas delas de outros Estados, adquiriram, em um curto espaço de tempo e de forma duvidosa, grandes lotes de terra.


O deputado explicou que ele próprio iniciou uma investigação e descobriu que um homem, natural do Estado do Rio Grande do Sul, adquiriu 20 mil hectares que seriam pertencentes ao Estado. “Este gaúcho, que chegou na região sem nenhum tipo de recurso, ocupou estas terras e anda falando para todos que as mesmas são devolutas do Estado. Até onde sei, esta terra tem dono. Este é apenas um exemplo para mostrar que na região do Baixo Parnaíba está ocorrendo uma grande onda de grilagem. Estas pessoas [grileiros], como se não bastasse o fato de estarem invadindo terras alheias, ainda ameaçam a população pobre destes municípios”, disse.


Marcos Caldas afirmou que pretende ser o presidente da referida Comissão e garantiu que não irá medir esforços para desbaratar o esquema fraudulento de ocupação de terras no Baixo Parnaíba. “Estas pessoas, estes grileiros, estão impondo o medo ao povo pobre. Mas eu, como filho de Brejo e representante do povo maranhense, não tenho medo deles. E peço o apoio dos colegas deputados para que, juntos, possamos investigar este absurdo”.


A proposta de Caldas recebeu o aval positivo de vários deputados que participaram da sessão. “Como militante dos movimentos sociais, tenho conhecimento de várias irregularidades no que diz respeito a ocupação de terras. Gostaria de adiantar que serei um dos primeiros a subscrever favoravelmente à criação desta CPI”, informou Bira do Pindaré (PT).


O líder da oposição na Assembleia, deputado Marcelo Tavares (PSB), também se mostrou favorável à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito e sugeriu que o trabalho da mesma transcorra de forma mais ampla. “Esta Comissão tem que investigar os casos não apenas do Baixo Parnaíba, mas também de todas as outras regiões do Maranhão onde a grilagem ainda impera”.


A deputada Eliziane Gama (PPS) e o deputado Tatá Milhomem (DEM) também se manifestaram favoráveis à criação da CPI proposta por Marcos Caldas.

21/03/2011 às 17h03min

Ex-prefeito é considerado culpado em caso de peculato

Após denúncia oferecida pela Procuradoria da República no Maranhão, o ex-prefeito de Duque Bacelar, Francisco Estênio Cesário de Elias, foi condenado pelo desvio e apropriação de 80 mil reais em recursos repassados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na época do seu mandato, entre os anos de 1997 e 2000.


Os recursos foram repassados em duas parcelas de 40 mil, correspondentes ao convênio n. 0880/98 firmado entre o Município e a fundação. O dinheiro deveria ser utilizado na construção de um sistema simplificado de abastecimento de água para os povados de Taboleiro e Boqueirão, que consiste em poços artesianos com rede de tribuição

domiciliar.


Em relatório técnico, o engenheiro fiscal responsável pelas obras relatou que fez duas visitas aos povoados, em outubro de 98 e março de

99, e apontou que não encontrou sequer indícios de obras nos locais onde deveriam ser construídos os poços e a rede de abastecimento.


Chamado a prestar contas, o réu não atendeu às notificações da Funasa, motivando processo de tomada de contas especial. Consideradas irregulares, as contas foram reprovadas, registrando a inexecução do projeto conveniado.


O ex-prefeito admitiu que não seguiu as especificações do projeto aprovado pela Funasa porque preferiu optar pela construção de

chafarizes, para atender um maior número de moradores. A defesa, porém, não conseguiu prestar contas das possíveis construções realizadas. O réu

então foi condenado a três anos de reclusão em regime aberto na Casa do Albergado.


A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade, sete horas por semana; inabilitação para o exercício de cargo e função pública por

pelo menos cinco anos; pagamento de dez dias de multa sob o valor de um salário mínimo vigente ao tempo do crime e devidamente atualizado; além

do pagamento dos 80 mil reais indevidamente apropriados, também em valores atualizados, como reparação pelos danos causados à União.


As informações são da Procuradoria da República no Maranhão.

19/03/2011 às 10h01min

Vândalos ligados à prefeita quebram Câmara de Lago-Açu

POR OSWALDO VIVIANI


Vereadores de Conceição do Lago-Açu (a 312 km de São Luís) não puderam votar, na tarde de hoje (18), uma proposta de CPI para investigar irregularidades na gestão da prefeita do município, Marly dos Santos Sousa Fernandes (PSL). É que mais de 200 pessoas – trazidas pela prefeita e seus aliados do interior e de cidades vizinhas, segundo o Jornal Pequeno apurou – patrocinaram um violento quebra-quebra na Câmara de Vereadores, impedindo a sessão.


Prefeita Marly Sousa

De acordo com o que testemunhas do vandalismo disseram ao JP, entre os agressores estavam vários secretários municipais. Eles entraram na sede do Legislativo Municipal e logo quebraram a vidraça que separa a galeria do plenário, o que causou ferimentos em algumas pessoas que esperavam o início da sessão.

Policiais do 15º Batalhão da Polícia Militar de Bacabal foram chamados para tentar conter os vândalos.

Tiros também teriam sido disparados do lado de fora da Câmara, e o carro do presidente da Casa, vereador José Alcoforado de Albuquerque Júnior (PTB), que faz oposição à prefeita, foi apedrejado.

As irregularidades que pesam contra a administração de Marly Sousa foram elencadas num documento elaborado pelo Sindicato dos Servidores de Conceição do Lago-Açu, entregue há três meses a três órgãos investigativos – o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público Estadual (MPE) e a Controladoria Geral da União (CGU).

Dispensas irregulares de licitações, contratação de empresas fantasmas, utilização de notas frias para justificar despesas e desvios de recursos da Saúde e da Educação estão incluídos no imenso rol de irregularidades.

16/03/2011 às 09h45min

Desarmar, ninguém desarma

Quando um presidente brasileiro desembarca nos Estados Unidos, para visita oficial, seus seguranças são gentilmente convidados a deixar as armas no aeroporto. Acompanharão o chefe, é evidente, mas revólveres, pistolas e sucedâneos ficarão por conta do Serviço Secreto e do FBI, na missão de proteger o visitante de eventuais atentados. Isso acontece desde as viagens dos presidentes Eurico Dutra, João Goulart, Garrastazu Médici, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Henrique e Lula.

Não chega a gerar uma crise, mas a recíproca não é verdadeira. Brasília e Rio tornaram-se, esta semana, cidades infestadas de agentes de segurança americanos, esquadrinhando cada avenida e cada esquina por onde passará o presidente Barack Obama, sábado e domingo. Perguntem se eles deixaram suas armas no aeroporto…

14/03/2011 às 15h38min

Quem manda é ela

Carlos Chagas

Está para ser divulgada esta semana a primeira pesquisa ampla e sistematizada a respeito do governo Dilma Rousseff. Surpresa, propriamente, não haverá, até porque a opinião publicada, expressa nos editoriais dos jornalões, acopla-se à opinião pública detectada nas diversas categorias sociais e regiões do país. Ignoram-se os percentuais mas a aprovação nacional dos primeiros dois meses parece inconteste.

Alguns céticos já concluem estar alguma coisa errada quando se registra a unanimidade, ou quase. Preferem ficar com Nelson Rodrigues, para quem toda unanimidade era burra.

Não há como deixar de anotar, porém, que a presidente tem o apoio da sociedade, mesmo obrigada a cortar gastos públicos e a conceder ínfimo reajuste ao salário mínimo. Seu estilo de gerentona, bem diferente dos oito anos do Lula, parece estar agradando as elites sem desagradar as massas. Claro que ela surfa no sucesso do antecessor e faz diligentemente o dever de casa.

Ao primeiro sinal de catástrofe, mandou-se para a serra fluminense, assim como puxou as orelhas de alguns ministros, preservando-se ao mesmo tempo da exposição explícita a que se dedicava seu mestre. Desenvolve outro tipo de comportamento, mais rígido e menos ostensivo.

Prefere, vale repetir, a postura austera da madre superiora do convento, ainda que se esforce por apresentar-se amena e sorridente nas audiências que concede e nas viagens que empreende. Mas enfrentou com dureza as tentativas de envolvimento e as exigências de políticos ávidos de auferir benesses, tanto quanto enquadrou as lideranças sindicais empenhadas em obter vantagens até justas para seus liderados.

Em suma, é muito cedo para conclusões, mesmo preliminares, mas uma característica emerge dessas semanas iniciais do novo governo: quem manda é ela, sem qualquer dúvida, evidência que agrada a população. Com a ressalva de que não é tempo para celebrações, muito pelo contrário.

11/03/2011 às 08h32min

Ministro da Integração Nacional visitará áreas de enchentes

A presidente Dilma Rousseff determinou, nesta quinta-feira (10), ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que viaje a Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e ao Maranhão, Estados afetados pelas fortes chuvas nos últimos dias. A finalidade é fazer um levantamento dos prejuízos e determinar medidas necessárias de auxílio às cidades.


Dilma ofereceu a ajuda do governo federal ao conversar, nesta manhã, por telefone, com os governadores de Mato Grosso, Silval Barbosa, de Mato Grosso do Sul, André Puccineli, e do Maranhão, Roseana Sarney. Ela, também, pediu informações detalhadas sobre os estragos causados pelas chuvas nos Estados.


O ministro Fernando Bezerra solicitou ao Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) que verifique a situação das barragens e pontes nas regiões afetadas e reforçou à Defesa Civil que preste assistência necessária às populações atingidas. Amanhã (11), o ministro iniciará as viagens pelos Estados afetados, de acordo com o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena.

10/03/2011 às 09h55min

E agora, José? E agora, Sarney?

Carlos Newton

É um nunca-acabar de gastar dinheiro, só comparável ao buraco negro do Banco PanAmericano de Silvio Santos. Semana passada o colunista Carlos Chagas comentou aqui no blog que Pedro Simon (PMDB-RS) recentemente subiu à tribuna, fez um discurso e denunciou que existem 13 mil funcionários no Senado.

Mas apuramos que oficialmente a Mesa Diretora só reconhece ter hoje pouco mais de 5,2 mil servidores efetivos e comissionados, e entram na folha de pagamento mais 2,4 mil aposentados e pensionistas, incluindo a partir de fevereiro os inativos Gerson Camata (R$ 26,7 mil), Marco Maciel (R$ 24,4 mil), Jader Barbalho (R$ !9,2 mil) e Cesar Borges (R$ 11,4 mil), conforme já anunciamos aqui.

A diferença nos números é brutal. Nas contas oficiais do presidente José Sarney ficam faltando 5,4 mil funcionários, que seriam os terceirizados. Mesmo que não houvesse terceirizados e só existissem esses 5,2 mil efetivos e comissionados, já seria um número assombroso.

Esse assunto é importante e revelador. Vamos voltar a ele, para mostrar em que pé está o Senado, depois do escândalo das decisões e nomeações secretas, que levaram Sarney a contratar a Fundação Getúlio Vargas para traçar um novo plano administrativo, que jamais foi adotado.

Nos atos secretos, havia todo tipo de lambança, inclusive Sarney aproveitou para nomear uma de suas noras, Rosângela Terezinha Gonçalves, para trabalhar no gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ela foi contratada depois que seu filho, João Fernando Sarney, teve que ser exonerado após a edição da súmula do Supremo que proibiu o nepotismo nos Três Poderes. O pai de João é Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Mas quem é que se lembra disso?

08/03/2011 às 15h08min

O gato comeu a CUT

Carlos Chagas

Insossa, inócua e inodora será a tentativa de inserir a CUT no movimento sindical, de oito anos e dois meses para cá. Parece haver naufragado a organização que tantos serviços prestou ao trabalhador nos anos de chumbo da ditadura e, depois, no despertar da Nova República, atormentando José Sarney, sem esquecer o período neoliberal que foi de Fernando Collor a Fernando Henrique, com o interregno de Itamar Franco.�

Com a posse do Lula e o início do governo Dilma, desapareceu a Central Única dos Trabalhadores. Raros são os que se recordam do nome de seu atual presidente, como mais difícil ainda será alinhar as campanhas desencadeadas de lá para cá. Parece que o gato comeu a CUT, porque nem mesmo lutar por melhores salários ela tem lutado. De greves e mobilizações, nem se fala.

Equivocaram-se seus líderes ao considerar encerrada sua missão na hora em que um torneiro mecânico assumiu o poder. Deixaram escoar pelos dedos a oportunidade de dar sustentação ao Lula, como agora a Dilma, para que pudessem resistir ao predomínio dos especuladores, ao lucro dos bancos, à supressão de direitos trabalhistas e, ainda agora, à compressão do salário-mínimo. Acomodou-se a CUT. É por essa razão que Dilma Rousseff receberá na sexta-feira, como figura maior do movimento operário, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva…

05/03/2011 às 09h10min

A Fantasia dos políticos

Há que abrir alas para a Câmara, nessas especulações sobre as fantasias que os políticos poderão usar no Carnaval. O desfile seria iniciado com o “Bloco dos Irmãos Metralha”, composto por quantos se encontram sendo processados por improbidade, formação de quadrilha, fraude, roubo e sucedâneos. Nem vale à pena cita-los nominalmente, mas algum destaque precisaria ser dado aos mensaleiros que conseguiram reeleger-se em outubro passado.

Maldade seria referir que o Tiririca desfilaria como ele mesmo, mas outros grupos também fariam sucesso, como o das “Viúvas do Michel Temer”, com Henrique Eduardo Alves de porta-bandeira, liderando 76 peemedebistas ávidos de nomeações para o segundo escalão do governo. “Faz Escuro Mas Eu Canto” seria o bloco do PDT, com sua dissidência entoando “Saudades do Leonel”. “Me Dá Um Dinheiro Aí” marcaria a passagem dos deputados dos pequenos partidos do Nordeste, enquanto a bancada do PTB, unida, se apresentaria com fantasias de “Avatar”.

O presidente da Câmara, Marco Maia, de bombachas, lenço no pescoço, punhal e chicote nas mãos, comandaria os gaúchos do PT cantando “Rumo ao Piratini”, samba-enredo completado pelo grupo “Tarso Genro no Planalto”. A ala dos baianos tumultuaria com o estribilho “A Vez É do Jacques”. O diabo é que saindo da Praça da Apoteose para a concentração, na contra-mão, poderia surgir o Lula, vestido de “Cristo Redentor” e empolgando as arquibancadas.

28/02/2011 às 10h51min

Você sabe quantos partidos políticos existem funcionando no

Brasil e em formação? São 57 legendas, e o prefeito prefeito Kassab vai usar uma delas para burlar a lei e entrar no PSB.
Carlos Newton

A relação oficial do Tribunal Superior Eleitoral registra a existência de 27 partidos no Brasil, funcionando e recebendo generosos recursos públicos do Fundo Partidário. E já existem outros 30 legendas em processo de organização, e nove delas já conseguiram se oficializar em Tribunais Regionais Eleitorais, mas ainda estão pleiteando o registro nacional.

Uma dessas siglas, curiosamente, é a velha UDN (União Democrática Nacional). E outra legenda em formação é o Partido Democrático Brasileiro (PDB), que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pretende usar como trampolim jurídico e burlar a lei, desfiliando-se ao DEM para depois, numa terceira etapa, entrar no PSB.

Existem também outras 15 organizações políticas que são consideradas partidos sem registro, que atuam aliadas a outras legendas, como a influente UDR (União Democrática Ruralista), o esfuziante PBM (Partido Brasileiro da Maconha) e os ultra-revolucionários PCML (Partido Comunista Marxista-Leninista) e a LBI (Liga Bolchevique Internacional).

No meio dessa esculhambação partidária e eleitoral, uma das novas legendas em formação é o Partido Militar Brasileiro (PMB), liderado por um capitão da Polícia Militar de Ourinhos (SP), Augusto Rosa, que se diz disposto a “invadir o Congresso Nacional, no bom sentido”.

No dia 29 de janeiro foi realizada a convenção nacional do partido, que já tem estatuto aprovado e, segundo o animado capitão da PM, mais de 5 mil pré-filiados nos 27 Estados – a Constituição exige pelo menos 101 membros-fundadores em nove Estados. O segundo passo para oficialização é levar a documentação à Brasília, para publicar no Diário Oficial da União, e depois fazer o requerimento ao Tribunal Superior Eleitoral e o registro no cartório de notas.

A criação de um partido militar começou a ser idealizada pelo capitão após fracassar como candidato a deputado estadual. Em 2003 então juntou simpatizantes e foi estudar como se cria um partido. Oito anos depois, a ideia parece que deu certo. “Somos mais de 1 milhão no Brasil – e em todos os mais de 5 mil municípios”, exagera ele, que se comporta mesmo como um político experiente, mentindo para valer.

Primeiro, ele não explica como um oficial da ativa (ele próprio) foi candidato. Como se sabe, militares só podem ser candidatos na reserva. Outro balela do capitão é dizer que no partido a tão importante hierarquia militar é deixada um pouco de lado. “Tem soldado que é presidente de diretório e general que é assessor dele”, afirma, como se algum dia isso pudesse ser realidade. Mas num país como o Brasil, felizmente, sonhar ainda não é proibido. Mentir, também não.

E lá vai o prefeito Gilberto Kassab (representante da mais importante cidade brasileira, que dispõe do terceiro maior orçamento administrativo do País) a mentir desbragadamente, dizendo que vai se filiar ao PDB, quando na realidade quer se filiar ao PSB. É um ato vulgar de oportunismo, porque o PSB foi o partido que mais cresceu nas últimas eleições.

A dúvida é saber se Kassab é ou não o dono do PDB. Calcula-se que a montagem de um partido, com registro no TSE, custe algo em torno de R$ 1 milhão, por que exige grande número de pessoas envolvidas nisso profissionalmente, viajando pelo estados para colher assinaturas de eleitores e tudo o mais. Se ele já gastou esse dinheiro (de onde teria saído?) , pode se filiar ao novo partido e depois liquidar com ele, ao fazer a fusão com o PSB. Mas se o partido tiver outro dono, Kassab terá de gastar muito dinheiro (R$ 1 milhão é pouco) para pagar a fusão ao PSB. Ou então ficar com o PDB atuante e apenas coligado ao PSB nas eleições. Faça as contas, prefeito, o senhor é muito bom nisso.