Blog pelo Maranhão

Zé Reinaldo Zé Reinaldo
José Reinaldo Tavares, é ex-presídente da Sudene, exministro , ex-deputado federal, ex-vice governador e governador do Maranhão. Converse com ele através do email : -zetavares@gterra.com.br

31/01/2012 às 16h11min

Onde vivem os coronéis

O Brasil está estarrecido com o que acontece aqui no Maranhão. Um dos jornalistas mais lidos do país, Lauro Jardim, da Veja, exprimiu com exatidão esse sentimento. O título da sua matéria na Veja online foi perfeito: 'Tem coisas que só acontecem no Maranhão'. Foi preciso, direto, irretocável. O país se estarrecia com a descarada tentativa de protelar e atrasar o julgamento do processo de cassação do mandato de Roseana Sarney pelos delitos que ela cometeu durante a campanha de 2010, em que desrespeitou toda a legislação eleitoral e quase quebrou as finanças do estado. Ela tentava manter-se no cargo após tomá-lo de Jackson Lago 'no tapetão'.

Para tentar evitar a cassação, o senador José Sarney conseguiu colocar no TRE pessoas da sua mais estreita relação, gestores de seus bens ou empregados indiretos do governo de sua filha, a ré. Isto é, pessoas que não tinham e não têm mínimas condições de votar contra Roseana, como acabaram de fazer novamente. Nesses casos o procedimento correto é se dar por impedido de julgar seus poderosos amigos. Mas, se eles foram colocados lá para isso, e só por isso, por que não atender amigos tão poderosos? É o Maranhão.

Sarney, tempos atrás, mandou seus caríssimos advogados examinarem o processo para saber de sua consistência. A reposta o deixou assustado. Avisaram-lhe que, se o processo fosse a julgamento, significaria cassação certa. Se não quisesse correr riscos, que tentasse protelar o julgamento até que Roseana concluísse o mandato. O temor do julgamento, a partir daí, comandou as ações do senador.

E ele nem se importa que a repercussão dos seus atos possa escandalizar a nação. E tampouco se importa que essas ações afundem cada vez mais profundamente a sua tentativa de criar uma biografia minimamente favorável a si, já que a cada ato em que impõe à sociedade a sua força, tudo piora em relação a sua imagem. Entretanto, ele precisa mostrar aos maranhenses – e faz questão de mostrar isso – que é muito maior do que as instituições do estado, como a justiça. Em cada episódio, ele só confirma o que disse a revista inglesa The Economist. Referida publicação concluiu que aqui não existe democracia, pois o direito e a justiça não estão assegurados, quando se chocam com os desejos e necessidades da família oligarca. A revista chamou o Maranhão de estado medieval.

Essa história nos remete ao passado, principalmente o passado da região nordeste do Brasil, dominada pelos coronéis regionais e suas oligarquias que deram origem ao atraso da região. No livro 'Coronel, Coronéis' de Marcos Vilaça e Roberto Cavalcanti, ambos pernambucanos, sobre o apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste, eles tratam com maestria o período em que a política do estado dependia de quatro coronéis: Chico Heráclio e José Abílio, ambos do Agreste pernambucano e Veremundo Soares e Chico Romão, do Sertão. Um dos mais fortes e influentes foi Chico Heráclio, que inclusive foi o primeiro a compreender o papel da imprensa e foi quase sempre muito bem tratado por ela, embora não fosse homem de muito estudo. O livro mostra uma visão sofisticada e complexa do mandonismo e da política em geral.

Vários casos são muito ilustrativos do poder dos coronéis do passado. E vale a pena reviver o caso famoso que envolveu o coronel Heráclio, na cidade de Limoeiro em Pernambuco: Em um aniversário da cidade resolveram fazer um jogo de futebol entre Limoeiro e Garanhuns. A rivalidade era grande e, dada a importância do evento que mobilizou a população, o coronel Heráclito, em pessoa, resolveu assistir à peleja.

Ele não conhecia o jogo, mas foi assistir e, para isso, providenciaram cadeiras de balanço para o coronel. Junto dele se sentaram o delegado, o juiz, o padre e todas as mais altas autoridades de Limoeiro. O jogo corria, quando, para evitar um gol de Garanhuns, o zagueiro do time de Limoeiro entrou com violência no atacante dentro da área e o juiz, incontinente marcou o pênalti. O povo não aceitou a marcação e correu atrás do juiz. Este, agoniado, caiu ao chão e a multidão o cercou. O coronel Heráclio levantou a bengala e a multidão parou em expectativa. O coronel exigiu explicações e o juiz explicou ao coronel que ele apenas cumpria a regra, que era a lei do jogo. Que em faltas dentro da área, perto da trave, tinha que ser batido um pênalti e para isso todos os jogadores tinham que se afastar para fora da área e ali só ficariam o goleiro de Limoeiro e o atacante de adversário. O coronel viu a gravidade do assunto, pois a marca do pênalti era muito próxima do gol, que tinha sete metros de largura, resguardado pelo goleiro sozinho, o que significava que Garanhuns iria ganhar o jogo e na circunstância agravante da presença do coronel.

Imediatamente o coronel Heráclio tranquilizou o juiz, in formando que ali se cumpria a lei e, portanto, a penalidade seria cobrada. Contudo, esta seria cobrada na outra área, conforme decidiu Chico Heráclio, ou seja, na de Garanhuns e quem iria bater era um jogador de Limoeiro. E assim foi, tudo dentro da lei, porque o coronel não admitia que esta se descumprisse... Limoeiro ganhou de 1x0.

Essa era dos coronéis não existe mais há muito tempo. Menos aqui no Maranhão, onde José Sarney incorpora Heráclio e todos os demais coronéis do Nordeste. O Maranhão é o único estado do país onde ainda manda um coronel e sua oligarquia. Como no passado, os coronéis tinham filhos e parentes deputados, juízes, prefeitos e muito prestígio e apoio do governo federal.

A lição de Heráclio foi muito estudada por José Sarney, que procurou logo formar um império de comunicações, pois eram novos tempos. No restante, as práticas são parecidas e, por isso, a revista inglesa que comentei acima classificou o senador do Maranhão de 'Coronel Eletrônico', mais modernizado.

Para que o Maranhão se livre de tudo isso, que para cá só trouxe atraso e poder para si, ainda restam alguns anos. Mas não passa de 2014.

Hoje a contribuição desse pessoal é só trazer vergonha e constrangimento ao Maranhão, tudo retratado nas terríveis estatísticas nacionais, que nos colocam em último entre todos os estados brasileiros. Mas como o Nordeste, o Maranhão ao se libertar desse jugo, crescerá rapidamente como já ficou demonstrado nos poucos períodos em que eles não governaram o estado.

E só para confirmar todo esse mandonismo, a oligarquia, eles mesmos, querem que a população acredite que a saúde do estado melhorou. E é fácil ver que na verdade a saúde que o governo oferece à população é uma das piores do país. Para verificar isso, basta ir ao Piauí, nosso vizinho estado, tão ou mais pobre que nós. O que se faz lá em matéria de saúde não tem termo de comparação com o descalabro daqui...

Para concluir, chegaram a mim informações de que na Emap, apenas dois blogs possuem acesso proibido quando se intenta acessá-los pela rede da empresa: o meu e o do jornalista Cunha Santos. Além do absurdo da medida oligárquica, eles acham que meu blog é muito perigoso para seus funcionários. O Jornal Pequeno e todos os blogs associados são permitidos, menos esses dois. Que clima...

26/01/2012 às 10h09min

Para Roseana, tudo azul

Basta observar um pouco as atitudes da governadora para constatar que ela está cada vez mais desconectada da realidade em que vive a população. Normalmente, férias de governador só se dão quando as coisas estão muito bem e que a população está satisfeita com a vida. E não sei quem lhe dá informações tão equivocadas para que ela saia de férias pela segunda vez em dois meses. Beira a alienação. Ou talvez ela não esteja mesmo se importando com nada.

Todos sabem que três setores são muito sensíveis para os cidadãos: segurança, saúde e educação. Será que a alienação da governadora a leva a crer que algum desses setores está pelo menos razoável? Pelo que faz e diz, parece que sim, mas a situação, na realidade, é pouco menos que um caos.

A violência, para começar, está fora de controle e quem atesta isso são as estatísticas nacionais. Mas, muito mais do que isso, a população vive assustada com os crimes em grande quantidade que acontecem todos os dias: desde os crimes por encomenda em que as principais vítimas são empresários; aos assaltos a ônibus – que acontecem diariamente e em todas as linhas; roubos nos estabelecimentos comerciais, residências, pessoas nas ruas, nas saídas de banco, etc.


O IML está sucateado, dificultando e muitas vezes impedindo a solução dos crimes, o que aumenta a situação de impunidade existente. O crack se alastra com rapidez em todo o estado sem nenhuma providência do governo, o que contribui enormemente para o aumento da criminalidade.

O crime campeia solto em todo o estado e na antes pacata e tranquila capital, a situação se agrava rapidamente. E tudo isso está muito bem exposto nas pesquisas e estudos especializados que informam que a situação está tão grave que do vigésimo sétimo lugar que ocupávamos há poucos anos, estamos bem distantes e agora somos quinta capital mais violenta do país. E nesse embalo, uma organização internacional, tomando como base as estatísticas nacionais de cada país, para espanto de todos, classifica São Luís também em vigésimo sétimo lugar entre as cidades mais violentas do mundo. Chocante!

Bastava isso, a situação da violência no estado, para impedir férias de qualquer governador responsável. Mas pelo visto Roseana está ‘segura’ de que isso não é importante o bastante para impedir as férias de uma governadora muito estafada… E de tirar férias em dezembro e em janeiro.

E a saúde? Estaria melhor do que a segurança? Não para a população. Até ouvindo programas das rádios de propriedade da governadora é possível constatar o grau de revolta e irritação da população com a desordem que impera no setor. Isso acarreta a precariedade do atendimento, ao sofrimento nas filas e ao mau atendimento. A pirotecnia trazida pela propaganda enganosa do governo não engana a mais ninguém.

Os hospitais antigos e que funcionavam bem, hoje estão fechados e os 72 novos, prometidos pela governadora, até agora só produzem escândalos e não saúde. Até os funcionários públicos que tinham um hospital para atendê-los e que pagavam pelo funcionamento do Hospital Carlos Macieira, de uma hora para a outra, viram o hospital ser fechado para intermináveis e milionárias reformas, sem nenhum motivo, até que chegou a notícia de que seriam atendidos em um hospital alugado na Cidade Olímpica. Este alugado por um valor altíssimo, sem condições mínimas de substituir o verdadeiro, causando a revolta dos funcionários. E a notícia que chega é que esse hospital agora atenderá pelo SUS, não será mais para atender funcionários. Como isso pode ser explicado? Não há explicação possível. E na área do saneamento, a falta d’agua se tornou crônica e agora prometem resolver com as sempre suspeitas dispensas de licitação. Foram tomados de surpresa!

E na educação? Roseana tem uma ojeriza especial ao ensino médio. Agora sem explicação ou justificativa, ela, ao invés de aumentar o número de estabelecimentos de ensino médio, está é fechando os que funcionavam na capital e no interior do estado. Mas isso não é novidade… Quem conhece a história de Roseana no governo sabe que quando ela deixou seus dois primeiros mandatos, simplesmente se esqueceu de implantar o ensino médio em 157 municípios. Um crime sobre o qual os órgãos de controle nunca a questionaram. Depois jogou mais de 100 milhões de reais quando tentou uma gambiarra com o tal Tele-Ensino, um projeto contratado por dispensa de licitação, que acabou fechado envolto em retumbante fracasso.

Isso sem falar no prédio do antigo Colégio Maristas, enorme e podendo se transformar em importante instituição de ensino, e que atualmente encontra-se abandonado, sem uso, sendo depredado.

E para demonstrar a grande atenção e prioridade dada pelo governo à educação o governo, inepto, perdeu o prazo de cadastramento no Programa Pró-Jovem Urbano do governo federal, deixando milhares de estudantes maranhenses sem os recursos do Programa. Essa iniciativa, que além de uma bolsa de cem reais, garante matrícula para a conclusão do ensino médio ou curso profissionalizante, creche e alimentação para as crianças, no caso dos beneficiários serem pais. O governo nem tenta se explicar pelo desastre, mas isso tem nome: é incompetência e omissão.

E por fim, desde que a Roseana tomou o governo, os exames nacionais que medem o ensino no país colocam sempre o estado entre os últimos colocados do Brasil.

Roseana Sarney, porém, vê “tudo azul” no estado, nada depende dela, não é com ela. E assim se manda para Paris, cansada de tanta luta. Vai literalmente esfriar a cabeça no inverno europeu.

E para terminar, todas as publicações louvam o bilionário Eike Batista, o oitavo homem mais rico do mundo. E louvam a maneira como ele acumulou tanta riqueza, competindo e sem “maracutaias”. Mas vamos acreditar que é apenas desinformação, pois aqui no Maranhão, repito, talvez o empresário não saiba que o gás que vai começar a explorar teria, por determinação legal, que ser entregue à GASMAR e esta empresa estatal então distribuiria o gás para o distrito industrial, para os taxis, ônibus, dotando assim o estado da possibilidade de oferecer aos empresários energia a preços bem mais baixos, como atrativo para investirem no estado. Isto atualmente já é feito em muitas outras unidades da federação, incluindo a região nordeste nordeste, chegando até o Ceará.

Certamente desconhecendo isso, Eike Batista se prepara para usar todo o gás em lucrativas usinas termelétricas, para produzir e vender energia elétrica a um preço compensador e, nesse caso, o maior perdedor é o maranhense, pois essa energia será vendida em outros estados e o ICMS será recolhido nesses estados, pois quem paga é o consumidor final.

Assim, da exploração dessa riqueza do gás nada ficara no Maranhão e mais uma vez o estado sai perdendo por não ter quem o defenda.

O empresário, no entanto, está seguindo suas premissas, e na verdade quem devia cumprir sua obrigação era o governo.

Governo? Cadê o governo, que só vive de férias?

17/01/2012 às 18h21min

Como fabricar uma emergência

O governo de Roseana Sarney parece que se especializa em fazer quase tudo ao arrepio da lei. Mais de um bilhão de reais de obras foram contratadas por dispensa de licitação sem base legal com decretação de urgência e emergência fictícias e que não resistem a exame mais sério se os órgãos que tem essa incumbência legal resolvessem examinar os processos. Como as pessoas e entidades evitam esse exame, certamente com receios de represálias por parte da família, o governo se esmera no mal feito. Tudo tomou forma e jeito na contratação dos hospitais, que de tão abusiva a prática até se transformou em matéria de grande repercussão da revista Isto É. A revista se baseou em relatório de técnicos do Tribunal de Contas do Estado, mas o escândalo não resultou, ao que se saiba, em nenhum processo. Tudo feito ao arrepio da lei.

Agora, outra trama desse tipo vai se desenrolando, cumprindo o mesmo modelo. Como todos sabem o Sistema Italuís está com a vida útil estourada e com a tubulação exposta a corrosão ao atravessar os campos de Perizes. Já virou rotina a tubulação se romper cada vez mais a miúde, e certamente os técnicos da Caema devem ter avisado a governadora que o sistema funcionava precariamente e as bombas no Itapecuru não podiam colocar muita pressão, pois isso causaria o rompimento da tubulação. Portanto, providências tinham que ser tomadas e era urgente preparar um projeto completo de duplicação para que pudesse ser providenciada uma nova licitação. Se assim fizesse o problema já estaria resolvido há muito tempo.

Mas com Roseana é diferente. Em todo o seu governo foram realizadas poucas licitações e sempre as situações são caracterizadas como 'emergências' para driblar a lei e contratar a obra como dispensa de licitação. Sempre entregues a empreiteiros muito amigos que comparecem com enorme sobre preço, amistosamente aceitos pelo governo e nem sempre com a obrigação de entregar as obras. Assim, deixam o problema se agravar a tal ponto que tentam convencer a população que esse assunto só será resolvido com dispensa de licitação. Tudo sem projeto de engenharia, na marra.

Anunciam agora que vão gastar R$ 130 milhões para resolver o problema de água de São Luís. No seu governo passado já usavam o Italuís para esses fins. Fizeram uma 'licitação' que o Tribunal de Contas da União anulou e o Maranhão ficou prejudicado por anos a fio sem poder usar recursos federais para duplicar o Italuís, alocação essa, proibida pelo Tribunal. Agora acham que é melhor nem fazer mais licitações. O Ministério Público devia dar atenção especial para o que vai acontecer, acompanhando como é de direito todas essas dispensas e examinando a que preço essas obras serão contratadas. Para maior controle todas as contratações e pagamentos deveriam ser expostas na internet.

E cinicamente o fato é anunciado como se Roseana estivesse diligente e eficientemente resolvendo o problema da falta d'agua quase permanente na Capital.

Mas Roseana é imbatível. O Jornal Pequeno publicou domingo que a Auditoria do Estado mostrou o nível de corrupção que tomou conta das ações do governo, e como o governo trata questões sérias como as calamidades. O que aconteceu com a Região Serrana do Rio de Janeiro é fichinha perto do que aconteceu aqui, principalmente na magnitude dos valores envolvidos. Querendo tirar um Secretário do governo ela achou que precisava da ajuda da Auditoria e, assim, mandou auditar a aplicação dos recursos do Ministério da Integração Nacional com a finalidade de recuperar a região do Mearim com as enchentes de 2009. O Jornal Nacional já havia mostrado casas ainda não habitadas, recém-construídas, e que se esfarelavam com a mão além de conjuntos habitacionais inexistentes em que muitos milhões de reais haviam sido empregados a se acreditar nas prestações de conta do governo repleta de notas frias. Ela mandou a Auditoria realizar o trabalho, mostrou para o secretário em particular, o demitiu e em seguida sumiu com a documentação que era especialmente danosa ao seu governo para não ser responsabilizada. Os recursos são federais e o governo vai ter que se explicar com o Ministério Público Federal. Vai dar confusão porque o que foi feito aqui é uma verdadeira loucura, e Roseana prevaricou ao mandar fazer as auditorias, tomar conhecimento delas e não mandar apurar os desvios.

Ela pensou que o relatório estava bem escondido guardado a sete chaves. Mas para desgosto e apreensão do governo o escândalo agora é público e certamente terá consequências. A leitura não deixa dúvidas sobre as fraudes realizadas e tudo feito dentro dos padrões e procedimentos do atual governo, sempre com as indefectíveis dispensas de licitação...

E agora voltam novamente a fazer as mesmas coisas dentro do mesmo modelo nesse episódio da emergência da água. A propósito, a Associação dos Geólogos do Maranhão informou que os poços anunciados dentro do programa não tem mínimas condições de serem realizados. Enganam-se os geólogos, pois eles não estão atrás de água, o objetivo é outro...

E Roseana vai com persistência, sem esmorecimentos colocando o Maranhão e principalmente São Luís definitivamente no Mapa da Violência. Não se contentou com o quinto lugar da capital maranhense entre as 27 capitais brasileiras. Agora, para culminância do despropósito, São Luís foi apontada como a 27ª cidade mais violenta do mundo. Esse seja talvez o maior feito desse governo que vai conseguindo liquidar com São Luís. E como sempre resolveram brigar com as estatísticas ao invés de lutarem para valer contra a criminalidade em grande expansão na cidade. Mortes e assaltos, cada vez em maior número, vão se tornando parte da vida dos que moram na cidade, antes calma e aprazível capital. Não dá mais para esconder.

10/01/2012 às 17h12min

O Amapá é a salvação

O senador José Sarney deve ter se divertido muito com a história das 'vozes' que contou em uma missa de celebração no Convento das Mercês no dia 30 de dezembro último. O senador celebrava a lei da Assembleia proposta pela sua filha, a governadora Roseana Sarney, que transferiu ao estado do Maranhão as despesas e dívidas da Fundação da Memória Republicana. Como todos sabem, a entidade, mais conhecida como Fundação José Sarney, não conseguia equilíbrio financeiro e esteve ao longo dos últimos anos envolvida em escândalos por falta de prestação de contas dos recursos recebidos de vários órgãos do governo federal e inclusive sob investigação pelo Ministério Público. Com a revelação das vozes, ele evitou que o foco ficasse nas críticas a apropriação do prédio, verdadeiro palácio de valor inestimável, que hoje praticamente pertence ao patrimônio de José Sarney. Todo mundo só falou das vozes...

Sarney em seguida, lançou um vídeo em que revelou, para surpresa geral, que é torcedor do Flamengo, certamente inspirado pelo exemplo de Lula, que hoje é confundido com o Corinthians Paulista. Quer fazer o mesmo com o Flamengo, que divide com o time paulista grande parte da torcida brasileira, e isso, quem sabe, poderia trazer-lhe alguma simpatia, tão mal amado que é.

Só que há um detalhe muito importante, pois Lula sempre foi aos estádios e Sarney nunca foi visto em nenhum, nem ninguém jamais o ouviu discutindo futebol ou comentando os resultados dos jogos. Não vai 'colar'. Além disso, ser flamenguista não é apenas decorar o time de 44, que ele, atrapalhado, falou que era o de 45, nem falar o nome dos notórios Ronaldinho Gaúcho e Tiago Neves. É esperteza demais para dar certo, e ele deve achar que tudo vale à pena para conquistar um pouco de simpatia. Até o risco do ridículo. Só falta agora vestir uma camisa do Flamengo e ir ao Engenhão assistir a um jogo e ser anunciado nos alto-falantes...

Mas tudo tem uma explicação. Vamos a ela: o mandato do senador José Sarney pelo Amapá se encerra em 2014. No último pleito a que concorreu, a duras penas venceu a disputa eleitoral pelo cargo com a atual deputada estadual Cristina Almeida e, para tanto, teve que mobilizar Lula, que esteve no Amapá por diversas vezes durante a campanha. Não bastasse isso, contou ainda com a valiosa colaboração do empresário Eike Batista, que prometeu mundos e fundos aos amapaenses, principalmente investir pesado no estado, onde não faltariam empregos.

Assim mesmo, Sarney teve que fazer de tudo, inclusive dançar músicas do folclore local na televisão, tentando demonstrar que ninguém era mais amapaense do que ele. Ganhou por pouco, levou um baita susto, um verdadeiro trauma, e naquele momento decidiu que aquele seria seu último mandato, pois mesmo com apoio total do governador e do governo do Amapá, ele sabia que enfrentar Cristina de novo seria demasiadamente arriscado e ele, nem pensar, não poderia se arriscar a ser derrotado em sua última eleição. E no Maranhão, pior ainda! Isto naturalmente a despeito – e por isso mesmo – de ter a própria filha como governadora do estado.

Ele sabe que, sem um mandato no senado, esgota-se sua fonte de poder junto ao governo federal. Viraria um 'general de pijamas', sem tropas para comandar, igual a tantos outros políticos importantes que, sem mandato, definham. No Maranhão isso significaria o fim do seu grupo político, que manda há cinquenta anos no estado, pois Roseana não tem prestígio e nem talento para sucedê-lo. Muito menos disposição! Um dilema e tanto para o experiente senador. Entretanto, no final do ano ele viu uma luz no fim do túnel. E a luz estava no Amapá. Não notaram que na missa referida acima ele disse que a tal voz tinha lhe instruído a perdoar os inimigos? Pois bem, depois que seu grupo político se desfez no Amapá, por conta de muita corrupção, ele perdeu força local e, sem campo de manobra, ponderou que lhe faltava o mínimo de chances de vitória na próxima eleição para senador. Lá, quem ele considera inimigos são o senador João Capiberibe, a deputada Janete Capiberibe e o filho deles, o atual governador Camilo. Porém, todos sabem que na verdade é o contrário, pois Sarney conseguiu cassar o mandato anterior do senador Capiberibe, levando junto na cassação o mandato de Janete, numa história do arco da velha que só a justiça eleitoral brasileira é capaz de acreditar, quando quer. Eles nunca fizeram nada a Sarney. O que ocorre é que eles apenas – e isto é pecado supremo para o senador – tinham coragem e disposição para enfrentá-lo. Isto é mais do que suficiente para se tornar um inimigo e tanto. Então, aquela frase, como vamos ver, não foi por acaso.

Vejam que Capiberibe e Janete tiveram ratificado no Supremo Tribunal Federal o direito de exercerem os mandatos para os quais foram eleitos. Janete rapidamente teve o direito respeitado pela Câmara dos Deputados e cedo foi empossada. No senado, contudo, Sarney demorou a dar posse ao senador Capiberibe. Levou meses e meses e, quando o empossou, já havia armado o palco que lhe convinha no futuro próximo. Capiberibe não desconfiava, mas pela vontade de Sarney, tinha um papel importantíssimo no futuro do senador. Era a velha raposa lutando pela sobrevivência...

Depois das dificuldades, Capiberibe só encontrou gentilezas. O governador Camilo, seu filho, esteve duas vezes visitando Sarney em seu gabinete e saiu elogiando o espírito público do anfitrião. Sarney tinha um plano e o seguia, sem desvios. Prevendo o futuro, providenciou um processo de cassação do mandato de Cristina, pretendendo tirar seus direitos políticos para que não possa enfrentá-lo em 2014.

No final do ano passou três dias em Macapá, em cuja estadia visitou o governador no palácio, onde se demorou e posou à vontade para muitas fotografias. No entanto, Sarney não foi lá apenas para as fotografias e sim para dizer ao governador que ele poderia ser um aliado muito importante junto à presidente Dilma e ao governo e poderia ajudar a levar para o estado muitos recursos, a fim de que Camilo pudesse fazer uma ótima administração.

Por exemplo, o senador Capiberibe andou fazendo comentários contrariados de Lobão, já que este não resolvia a federalização da companhia de energia do Amapá, deficitária e em maus lençóis, de modo que seria um grande alívio financeiro para o estado, se fosse encampada pelo governo federal. Com Sarney como aliado, o assunto poderia ser resolvido rapidamente, assim como muitos outros. O governador conhece bem o senador, mas deve ter ficado tentado.

E agora a fatídica pergunta: o que quer Sarney?

Ora, como ele não pode enfrentar ninguém sem correr um enorme risco de ser derrotado - e isso nem pensar! - pois reduziria mais ainda a sua biografia, ele quer, imaginem só, ser candidato único, dos Capiberibe e também do PMDB, agora na oposição. Assim, conforme vislumbra o senador, não haveria riscos a enfrentar e ele, com o mandato, continuaria com poder junto ao governo federal até 2022. Mega-Sena da virada!

Enfim, José Sarney voltou para o Maranhão achando que o jogo foi bem jogado e eis o porquê de sua felicidade, cujos eflúvios permitiram-lhe fazer graça ao dizer que ouviu vozes. Só faltou dizer que a tal voz lhe pediu que não fizesse fogueiras, mas sim, que continuasse na política...

Capiberibe já fez um acordo com Sarney no passado e até hoje dói em sua cabeça a paulada que recebeu depois. Só ele pode decidir se cairá ou não novamente nesse canto da sereia. Mas Sarney com poderes, anotem aí, vai acabar por defenestrar seu filho Camilo do governo. Quem viver verá!

Com isso, a oposição maranhense precisa ter muito juízo e não se afobar. Se jogar errado em 2012, queimará suas chances de vitória, chegando fraca em 2014 e permitindo, no mínimo, mais oito anos de domínio da oligarquia, para liquidar de vez o Maranhão.

Lembrem-se de que Sarney poderá estar renovando o seu poder em 2014.

Não podemos errar!

03/01/2012 às 16h58min

Ranking dos estados

Em recente e interessante matéria, a revista Veja publicou o primeiro ranking dos estados, mostrando quais os que estão melhores preparados para receber o fluxo recorde de investimento estrangeiro que chega ao país graças à estabilidade econômica interna e à proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.

O indicador elaborado pela Unidade de Inteligência da revista Economist analisa 25 indicadores em oito categorias para formar o ranking dos melhores locais para investir. O Maranhão ficou classificado em 24° lugar (entre 27) com 26 pontos, ocupando a última colocação entre os moderados. Os 26 pontos do estado estão muito longe da média nacional de 41,3 pontos e a distância abissal de São Paulo, que foi o primeiro do ranking com 77,9 pontos. Atrás de nós, somente o Acre com 24,7; Amapá com 20,5 e Piauí com 19,3 pontos, classificados como muito ruins, mas guardando pequena diferença para o Maranhão.

Será coincidência a péssima colocação do Maranhão e do Amapá, estados dominados pelo senador José Sarney?

Observando-se os itens isoladamente, o Maranhão teve classificação 'Ruim'. A pior, em Infraestrutura, Recursos Humanos, Regime Tributário e Regulatório e em Inovação, merecendo a classificação de Moderado apenas em Ambiente Econômico, em Políticas Para Investimento Estrangeiro, assim como em Sustentabilidade e teve a classificação de Bom apenas em Ambiente Político, certamente pela força política da oligarquia no país, embora nenhum benefício à população tenha resultado desse poder (José Sarney inclusive exerceu a Presidência da República por cinco anos). É digno de nota que o senador José Sarney e a oligarquia proclamam sempre que o Maranhão tem uma excelente infraestrutura, uma das melhores do país, e em recursos humanos, fundamental para o desenvolvimento e à atração de empresas, São Paulo tem 97,3 e o Maranhão apenas 8,3. A classificação é Ótimo, Bom, Moderado e Ruim. Estamos cada vez piores...

Assim, depois de três anos do melhor governo de Roseana, o Maranhão vai se consolidando como um dos últimos estados do país em qualquer indicador que se queira usar, tanto social quanto econômico. Esse tempo de faz-de-conta que Roseana Sarney inaugurou no Maranhão não resiste a qualquer análise mais séria realizada por qualquer instituição respeitável.

E agora cai uma das mais caras mistificações para a oligarquia – a da crença de que os seus representantes defendiam o Maranhão e o Brasil, e eram muito importantes para o estado. 'Ruim com eles, pior sem eles', ouvia-se.

A mesma edição da revista Veja que comentei acima mostra o resultado de um trabalho de observação e análise dos parlamentares das duas casas do Congresso realizados pela revista que, para tanto, se juntou ao Núcleo de Estudos sobre o Congresso do Rio de Janeiro e também com o Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Essas instituições se aliaram para estudar o Ranking do Progresso e classificaram deputados federais e senadores com base em seu ativismo legislativo em favor de um Brasil mais moderno e competitivo. Eles aferiram como os parlamentares se posicionaram com palavras e votos em relação a questões vitais em tramitação nas duas casas do Congresso. Identificaram-se oito grandes eixos: Carga tributária menor e sistema tributário mais simples; Infraestrutura; Qualidade da gestão pública; Combate à corrupção; Qualidade da educação; Marcos regulatórios estáveis aplicados com transparência por agências independentes; Diminuição da burocracia; Equilíbrio entre os três poderes.

O resultado da análise mostrou que, do Maranhão, dois deputados federais da oposição e um ligado ao governo ficaram entre os 30 melhores avaliados - são 513 deputados - e nenhum senador, nem do Maranhão, tampouco do Amapá.

O deputado Carlos Brandão fez um trabalho tão bom que mesmo estando licenciado há vários meses, foi um dos distinguidos. Outro foi o deputado Hélio Santos - da região tocantina - que exerce o primeiro mandato. O único ligado ao governo que entrou na lista, é Gastão Vieira, este com vários mandatos e muito experiente, e que agora exerce o cargo de Ministro do Turismo. É de observar que 14 deputados federais fazem parte do grupo do governo e apenas quatro são da oposição.

Contudo, impressionante mesmo é que, embora detendo enorme poder de barganha e força e influência com o governo, ninguém (mas ninguém mesmo!) da família Sarney, entre deputados e senadores, nem do Maranhão, nem do Amapá, aparece na lista. E então, o que fazem de bom para o Maranhão? Essas três entidades esmiuçaram tudo, mas não conseguiram achar...

Assim, soube que Gastão Vieira, embora tivesse o que comemorar e fosse natural que o fizesse, foi proibido de fazer qualquer divulgação, a fim de não chamar mais a atenção dos maranhenses para a ausência dos bambas da família Sarney na lista… Aguenta Gastão, tem que se curvar!

Amapá e Maranhão, bem, deixa para lá…

Enquanto Roseana Sarney persegue o prefeito Castelo dia e noite, ela se esquece das dificuldades dos que moram na capital. São Luís poderia hoje estar com muitos dos seus problemas resolvidos, se ela não tivesse tentado tomar os recursos que Jackson Lago conveniou com Castelo, antes dela usurpar o poder, respeitando a vontade daquele que a venceu nas eleições de 2006. As obras conveniadas eram todas muito importantes e a tentativa de tomar o dinheiro, que nunca foi dela, representou uma agressão aos maranhenses. Tomou o mandato de Jackson e, não satisfeita, não quer permitir que importantes realizações que o ex-governador deixou conveniadas sejam realizadas. Dupla agressão à memória de Jackson Lago que ela devia respeitar.

Em troca, resta-nos o imobilismo administrativo que vai deixando o estado cada vez mais para trás no ranking dos estados brasileiros.

30/12/2011 às 11h15min

Plataforma de lançamento

O gabinete da governadora Roseana Sarney virou uma verdadeira plataforma de lançamento. Só que nesse caso, é para lançamento de factóides. Todos os dias um é lançado dali. E o mais interessante é que após a festa de lançamento, a governadora esquece do programa e , pior, considera o problema resolvido.

O mais recente foi protagonizado por ela e pelo Ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. O ministro, embora seja um político experiente, parece não gozar da confiança da presidente, já que é fruto de uma imposição feita pelo PMDB. Assim, neste primeiro ano da gestão Dilma, só teve um despacho com a chefe do governo. E para piorar, não tem orçamento nenhum que lhe permita fazer ou estimular qualquer coisa.

Mesmo assim, propaganda do governo fala maravilhas do encontro da governadora com o ministro, mas o release jornalístico do encontro distribuído pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos diz o seguinte: 'foi assinado acordo de cooperação técnica com o governo do Maranhão para realização de estudos e formulação de políticas que assegurem o aperfeiçoamento e desenvolvimento inclusivo do estado'.

Ou seja, uma cooperação para que sejam feitos apenas 'estudos', como se isso ainda fosse necessário para se saber o que fazer no Maranhão. Será que esqueceram a vinda dos técnicos do IPEA aqui no começo deste ano para divulgar o programa prioritário da presidente Dilma que envolve a erradicação da pobreza absoluta? Naquela ocasião, eles anunciaram que no período 2002 a 2007, o Maranhão foi o estado que mais conseguiu êxito na erradicação da pobreza, conseguindo resultados excelentes ao tirar da pobreza quase um milhão de pessoas, resultado bem melhor do que foi conseguido por qualquer estado e bem melhor do que foi conseguido pelo Brasil e pelo Nordeste. Ora, trocando isso em miúdos, aduz-se facilmente que o Maranhão já conseguiu especialização nesse assunto e que isto poderia facilmente ser aplicado em qualquer tempo, independentemente de governos ou políticas.

Todavia, como isso aconteceu no meu governo, Roseana então virou o rosto e não enviou representantes, esvaziando a reunião. Além disso, tampouco atendeu convite da presidente da República para se fazer presente em Fortaleza em reunião de governadores do Nordeste com o presidente do Banco Mundial, que anunciava 5 bilhões de dólares para emprestar para os estados nordestinos empreenderem programas de combate a pobreza extrema na região. Roseana Sarney foi a única governadora que, além de não comparecer, nem mesmo enviou representantes a reunião. Preferiu ficar fora do programa.

Sabem por quê? Porque ela e a família lutam tenazmente contra a idéia de que o Maranhão tenha o maior número de pessoas na faixa da extrema pobreza no Brasil, pois isso seria confessar para o Brasil o desastre que foi para o estado o domínio político exercido pela família oligarca durante mais de 50 anos e que só trouxe miséria e atraso à população do estado. Ao negarem a pobreza no estado, desprezam as soluções.

Em vez disso, a governadora aproveita-se de pequenas deixas e, por meio de notícias e publicidade, monta reuniões com dezenas de Secretários de Estado e técnicos, todos supostamente especialistas no combate a pobreza, tentando mostrar como se interessa pelo assunto, e pontifica que cada um vai mostrar o que está fazendo no combate a pobreza. Pelo resultado terrível das estatísticas do IBGE, que mostram um Maranhão cada vez mais pobre, o melhor a fazer, se é que ela quer mesmo fazer alguma coisa contra a pobreza, é jogar tudo isso fora e reimplementar o que fizemos durante o período em que governei o estado, pois comprovadamente deu certo...

Roseana, durante essa reunião com Moreira Franco, disse que o Maranhão está atravessando uma grande fase e esta criando 200 mil empregos. Mas, me digam, não eram 400 mil? E os outros 200 mil, onde foram parar? Incrível como tentam brincar com os números na tentativa de enganar a população! E tudo isso acontece ao mesmo tempo em que a empresa contratada para fazer a terraplanagem do terreno da badaladíssima refinaria Premium da Petrobras demite de uma só vez mil trabalhadores que ela havia contratado para o serviço. E como se não bastasse, no anúncio da Petrobras sobre seu planejamento de gastar R$ 8,2 bilhões de reais em refinarias em 2012, não há referencias às novas, a não ser a Abreu e Lima em Pernambuco. O dinheiro na verdade será aplicado para melhorar a qualidade do diesel e da gasolina, por força dos novos padrões exigidos pela legislação ambiental brasileira, que a Petrobras vinha adiando até não poder mais fazer isso.

Creio que Roseana nem se preocupa, mas o IBGE anunciou o PIB médio por estado e o Maranhão teve a segunda pior taxa de crescimento do país, que foi de 2,6%. Entre 2002 e 2007, o estado teve a melhor taxa de crescimento do Brasil, e esta agora ficou com o Piauí (12,6%), enquanto o Maranhão foi o segundo pior. Com isso, nosso estado agora é o segundo menor PIB médio e o Piauí é o último, mas graças ao 'formidável' trabalho feito por Roseana no governo, essa ordem será invertida, com o Piauí ultrapassando o Maranhão, que ocupará o último lugar já em 2012.

E os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram que, enquanto o Ceará em novembro criou 4.368 empregos líquidos, o Maranhão criou apenas 334 postos, ficando em 20o. lugar entre os 27 estados brasileiros. Onde estão os empregos que o maravilhoso melhor governo da vida de Roseana Sarney diz estar criando, me revelem mais uma vez? Aquilo que a propaganda do governo do Maranhão apregoa, as estatísticas federais mostram exatamente o contrário. O quadro é desolador.

E para comprovar toda essa inapetência, continuam mostrando que realmente não estão interessados em mudar esse quadro. Vejam que no orçamento para 2012, de quase R$ 11 bilhões, são destinados R$ 49 milhões para a Agricultura, R$ 19 milhões para a pesca e R$ 59 milhões para Comunicação e mais de R$ 100 milhões para a Casa Civil.

A Segurança, a despeito do crescimento das taxas de crimes, tanto que São Luís saiu de 27º lugar para se tornar a quinta capital mais violenta do país, vai penar com a falta de recursos, pois as prioridades de Roseana são outras, e a maior delas é a propaganda.

Rezemos a Deus para dar ao povo maranhense saúde, paz e prosperidade em 2012, embora conscientes de que esperança de mudança e de melhora de padrão de vida só mesmo em 2014. Abraços a todos os leitores e amigos.

20/12/2011 às 18h04min

Cutrim tem razão

Cutrim tem razão ao se preocupar com a fragilidade do sistema de segurança do estado. Os indicadores lhe dão inteira razão. Segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado e divulgado na semana passada pelo Instituto Sagari, em São Paulo, o Maranhão despencou (também) na área de segurança e a queda foi enorme!

O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.

Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.

E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.

Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?

O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.

Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.

E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.

Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?

Aliás, só para descontrair (se é que é possível) recentemente, andando pelo interior do Rio de Janeiro, encontrei três UPAs. Como Roseana insiste em informar à população maranhense que esse é um programa do seu governo e não do governo federal, que dá o dinheiro e o projeto, vai ver que ela não trabalha no Maranhão, está trabalhando no Rio...

Na semana passada, um experiente ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, que exerceu o cargo em dois governos (no de Roseana e no meu), muito preocupado com a falta de comando no sistema de segurança do estado, declarou em discurso na Assembleia que o sistema estava fragilizado. Homem da base de apoio do atual governo de Roseana Sarney, Cutrim resolveu dar um brado de alerta, inconformado com a falta de rumo do governo.

O ex-secretário e atual deputado estadual se baseou em fatos de maior gravidade: a ameaça de morte sofrida por um importante delegado de polícia que ganhou as manchetes dos jornais da semana passada. O delegado chefia inquéritos cujo conteúdo investiga suspeitos de crimes que tiveram mandados de prisão decretados e por essa razão, foi ameaçado. Raimundo Cutrim, o autor do alerta, atribui a audácia da ameaça à fragilidade do sistema de segurança do estado e, preocupado, comparou os tempos atuais com os do assassinato do delegado Stênio Mendonça, acontecido na Avenida Litorânea, às 11 horas da manhã do dia 25 de Maio do ano de 1997.

Roseana Sarney governava o estado havia 2 anos e o crime organizado não era combatido. Naquela ocasião, Cutrim assumiu a Segurança e colocou ordem no estado. Agora, novamente com Roseana no governo pelos últimos três anos, o temor do delegado e atual deputado estadual Raimundo Cutrim é de que o crime organizado tente novamente acuar o estado, sentindo a enorme fragilidade do sistema de segurança e do governo de Roseana.Outro indicativo dessa fragilidade é que mesmo depois da PM voltar a trabalhar normalmente, a governadora pediu a prorrogação por mais noventa dias da Guarda Nacional no Maranhão, como se as forças policiais do estado não tivessem condições de dar combate à criminalidade e restabelecer a ordem no estado e necessitassem da presença e da permanência da Guarda aqui por mais tempo.

Realmente o que teria motivado esse pedido por parte da governadora? Ela não confia no Secretário ou não confia mais na Policia Militar e na Policia Civil do estado? O que estaria acontecendo? Ou é apenas mais um ato desconectado da realidade desse governo? Ela deve se sentir perdida para agir assim...

Logo, como não dar razão ao ex-secretário, quando enxerga a gravidade da situação em que tudo leva a crer que o governo está perdendo o controle para a criminalidade, chegando ao ponto de ocorrerem ameaças à vida de importantes delegados? E como fica a população, entregue a própria sorte e exposta aos bandidos?

Roseana parece não ligar para o que está acontecendo, a considerar o que diz um dos mais experientes especialistas em segurança pública do estado, e nesse caso mais uma vez deixa o barco correr para ver como é que fica... Ou melhor, prefere pedir para a Guarda Nacional ficar mais noventa dias ao invés de enfrentar o problema e de dar condições de trabalho para os policiais. Ela devia, e isso é fato, é explicar aos maranhenses o que pretende fazer. Desse jeito é que não pode ficar.


Cutrim tem razão ao se preocupar com a fragilidade do sistema de segurança do estado. Os indicadores lhe dão inteira razão. Segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado e divulgado na semana passada pelo Instituto Sagari, em São Paulo, o Maranhão despencou (também) na área de segurança e a queda foi enorme!

O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.

Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.

E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.

Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?



Aliás, só para descontrair (se é que é possível) recentemente, andando pelo interior do Rio de Janeiro, encontrei três UPAs. Como Roseana insiste em informar à população maranhense que esse é um programa do seu governo e não do governo federal, que dá o dinheiro e o projeto, vai ver que ela não trabalha no Maranhão, está trabalhando no Rio...

Enquanto isso, na renda per capita, os dados mostram cruamente o desastre que acontece no Maranhão. Em 2011 seremos o estado com a menor renda per capita do país, como era no último governo de Roseana. 'Eita' governo bom... Bom para quem?

É urgente mudar, o Maranhão não aguenta mais. De 2014 não passa.

O sentimento de Imperatriz está disseminado no estado.

A todos os meus cumprimentos de Feliz Natal! Que possamos, por enquanto, ao menos em nossos corações, alimentar a esperança de dias melhores. Um forte e carinhoso abraço.





13/12/2011 às 19h25min

Tudo obter para poder desprezar

Frase marcante de Maurice Barrès, escritor político francês, intelectual e nacionalista de grande expressão no século passado.

Essa frase parece exprimir à perfeição o que se passa com Roseana Sarney, que exerce um governo desinteressado e alheio ao que se passa no estado. Um governo preguiçoso e medíocre, em que fatos negativos se sucedem sob o olhar complacente da governadora.

E observem que enfrentou uma luta imensa para voltar a ser governadora do estado após histórica derrota em 2006. Moveu céus e terras para primeiro depor Jackson Lago, legitimamente eleito naquele pleito, e conseguindo, sabe Deus como, uma decisão do TSE que nunca se tornará jurisprudência, pois atropelou a lógica, as leis e a constituição. Sim, pois só assim poderia assumir o governo.

Depois, para se manter no poder, Roseana disputou a 'reeleição' e lançou mão de tudo para vencer, desde a presença de Lula e Dilma, a inconsequência propagandista de Duda Mendonça e, como tudo isso se revelou insuficiente, pegou empréstimos e quase quebrou financeiramente o estado, em uma orgia de gastos eleitorais como nunca antes houvera no Maranhão. Isto sem contar as promessas mirabolantes, como a de 72 hospitais no interior, que ela jurava que estariam funcionando no final de 2010, e a construção de ponte com projeto digno de ficção científica que envolveria São Luís, resolvendo a questão do trânsito na capital. Não bastasse isso, prometeu ainda a criação de mais de 400 mil empregos, que viriam de fantásticas refinarias e de uma quantidade nunca vista de empresários que não podiam resistir ao apelo da governadora e subitamente perderiam o medo da oligarquia e viriam para cá correndo. Enfim, tudo ilustrado por um trem sem janelas que passava e levava o Maranhão para o progresso, conforme a imaginosa propaganda de Duda Mendonça, e muito, muito mais...

E tudo isso para quê? Pergunta-se. Seria o 'tudo obter para depois desprezar', como caracterizou Maurice Barrès, comentando caso semelhante? Só Roseana Sarney poderia esclarecer o que acontece, o porquê de tanto abandono e desinteresse. Entretanto, ocorre que esse estado de letargia está levando o Maranhão rapidamente para o atraso, a pobreza vai aumentando e, em consequência, alargando o fosso entre o que o Maranhão poderia ser e o que restará dele quando Roseana terminar o seu nefasto mandato.

Se ela percebesse o que acontece, pararia imediatamente de jogar dinheiro fora em vias expressas que nada resolverão, em hospitais que nunca funcionarão e tanto desperdício mais e iniciaria imediatamente um grande programa de combate a pobreza e assistência as famílias situadas abaixo da linha de pobreza, assim como um programa prioritário para melhorar a educação do estado.

A crise na Europa não parece sinalizar com um final próximo, a China desacelera, os EUA, que vinham se recuperando, sentem o problema europeu que a cada dia arrasta mais países como Grécia, Portugal, Espanha, Itália e outros... O Brasil, que se afirmava imune, já dá fortes sinais de desaceleração, como no terceiro trimestre que teve crescimento zero do PIB.

Mas Roseana, encastelada no palácio, só pensa em perseguir João Castelo, em busca de um dinheiro que quer tomar violentamente da prefeitura e que foi destinado a importantes obras em São Luís. Ao mesmo tempo, se recusa a dizer onde está o dinheiro do empréstimo de R$ 1 bilhão que tomou em duas parcelas do BNDES. Ela se recusa a responder à Assembleia onde o dinheiro foi usado!

As inaugurações da governadora se resumem a UPAs, que fazem parte de um programa do governo federal realizado com recursos federais. Na outra ponta, ela massacra os servidores do estado, chegando até a lhes tomar o Hospital dos Servidores, pago com recursos descontados dos mesmos. Avançou sobre o hospital e mandou-os para o SUS, passando por cima dos seus direitos. Hoje os servidores não conseguem marcar exames e consultas, um presente inesperado da governadora.

E agora o presidente do Senado, o senador José Sarney, parte para transformar a polícia legislativa, que deveria ter sua atuação limitada a segurança das dependências da Câmara e do Senado em uma polícia pessoal. Ele agora resolveu autorizar a compra de equipamentos de rastreamento eletrônico e escuta que, segundo o Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, a Polícia Legislativa (que é apenas um nome pomposo para uma segurança institucional) não tem competência legal para usar. 'Hoje o próprio estado tem um monitoramento das escutas que ele faz e o uso dessa tecnologia. A Polícia do Senado vai pedir autorização para quem e com que finalidade vai fazer essas interceptações?', questiona Camanho.

Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, esses equipamentos deveriam ser usados apenas pela Polícia Federal e pelas polícias estaduais, seguindo critérios rigorosos. 'A intimidade e a privacidade são garantias constitucionais e que não podem ser invadidas sem o devido processo legal. Se o estado passar a atuar como detetive particular, nós deixamos de viver em um estado democrático de direito', afirma o advogado. 'Essa aquisição do Senado é sem propósito. A Polícia Legislativa não tem autonomia para fazer esse tipo de investigação e se há uma possibilidade de atentado ao Senado, a Polícia Federal é que tem que agir. Não há justificativa plausível para gastar dinheiro da nação para bisbilhotar'.

A Polícia Legislativa está conduzindo inquéritos, se armando e dando choque nas pessoas, produzindo episódios de abuso de poder como aconteceu há poucos dias em uma manifestação nas dependências do Senado.

É ilegal, mas o presidente do Senado, José Sarney, não dá a menor importância. Escutas fazem parte do arsenal dos autocratas e o que se faz no Senado não faz parte da democracia. Aqui no Maranhão, a revista Veja, na seção Radar, informou que durante a greve da Polícia Militar, o secretário de Segurança Pública do Maranhão embarcou para Israel como parte de uma comitiva que tinha a missão de adquirir equipamentos de última geração para escuta e espionagem das pessoas. E olhem que aqui já havia o Guardião, aparelho capaz de fazer 200 grampos de telefone simultaneamente além de ler e-mails.

É a grampolândia de Roseana, da qual ninguém escapa…

06/12/2011 às 15h24min

Maktub

A tradução livre dessa palavra árabe é 'está escrito' e expõe com perfeição o que ocorre atualmente na 'primavera árabe'. Tal movimento eclodiu recentemente em países que eram comandados por famílias geralmente por centenas de anos, fazendo com que esses regimes ditatoriais baseados na força começassem a desmoronar como um castelo de cartas. E isso aconteceu por força da população, que revoltada com a dualidade entre a imensa riqueza dessas famílias de um lado, e do outro a pobreza, a intimidação, o medo, a proibição de quase tudo que é reservada à população, incitou sua derrubada.

Um a um foram caindo. Quem podia supor no começo do ano uma coisa assim, tal a força que sustentava esses regimes? Só o 'maktub' pode trazer a resposta: estava escrito. Primeiro foi a Tunísia, depois o Egito, com a queda de Mubarak, seguido pela queda do nefando Kadafi, agora a Síria de Assad, e o Iêmen. Isto até agora. E vejam que essa onda vem ocorrendo no mundo inteiro, que já não suporta regimes comandados por ditadores e que se mantém no poder pela intimidação.

Parece que até o final do ano, do jeito que vai, restará apenas um regime assim ou assemelhado... Esse mesmo, amigo leitor, que você está pensando: o dos Sarney aqui no Maranhão, que já vai para mais de 50 anos e só produziu pobreza e descrédito para o povo maranhense, enquanto a família vai muito bem, obrigado. Hoje o nosso estado é o que tem mais pobres no país, o pior ensino público, a maior mortalidade infantil, o maior número de analfabetos e por aí vai.

Em 2006 poderíamos ter acabado tudo isso. O estado se recuperava rapidamente, mas um golpe de estado jurídico jogou abaixo a constituição e colocou no poder novamente a família Sarney, perdedora das eleições. E hoje tudo está de volta, ao ponto de hoje em eventos públicos não se poder anunciar o nome de ninguém dessa família, pois a saraivada de vaias estridentes vem em seguida. Não apenas no Maranhão, mas no Brasil todo. É o prenúncio do fim. Maktub!

A caótica administração de Roseana só impulsiona a grande mudança de 2014. Nesse ano teremos finalmente a 'primavera maranhense' e a democracia finalmente chegará ao nosso estado, que assim poderá se desenvolver.

Hoje em dia ninguém governa mais sem instrumentos democráticos. Todo o êxito tem como suporte a transparência, o diálogo, a discussão democrática dos anseios da população. Por exemplo, atualmente o prefeito mais popular do país é o do Município de Paulista em Pernambuco. Ele começou sendo prefeito de um pequeno e pobre município pernambucano, seu êxito foi tão grande que o município mãe do qual foi desmembrado, o qual ele administrava, mandou uma comitiva de cidadãos para convidá-lo a ser prefeito por lá. Ele foi e repetiu o êxito anterior. Mal terminava o mandato e foi uma comitiva de Paulista, um grande município, convidá-lo para ir para lá e, assim, ele é idolatrado ali também. Seu partido é o PSB e a sua receita é democracia, transparência, diálogo e honestidade. Recusa empréstimos pela dificuldade futura de pagamento.

Tudo isso é o inverso do que Roseana Sarney faz aqui, daí sua derrocada. Só propaganda não resolve mais.

O desempenho do governo nesse episódio da greve dos policiais civis e militares e bombeiros beira o grotesco, resultado do somatório do descaso, da arrogância, da irresponsabilidade, da intimidação, da falta de democracia e do desinteresse com a situação a que ficou exposta a população.

No fim, após tentar até criar um confronto entre o Exército e a Força Nacional contra os grevistas, ao insuflar o presidente da Assembleia a pedir reintegração de posse, sabendo que os militares grevistas revidariam, chegou a ponto de criar um confronto que seria notícia internacional e poderia até resultar em uma intervenção federal no Maranhão. Uma loucura e um delírio. Pesou o equilíbrio do general comandante das forças federais, que externou que a sua missão era proteger a população e não o enfrentamento com os grevistas. Foi então que a governadora, sentindo-se em um beco onde se metera e de onde não sabia como encontrar a saída, cedeu aos grevistas, com quem dizia não poder negociar já que a greve era ilegal. Passou por tremenda humilhação e ficou claro que podia. Não dá para entender tanta irresponsabilidade...

Mas não é só aqui que a família faz das suas. O senador Sarney na semana passada irritou profundamente o governo quando presidia o senado e colocou antes da hora a DRU em votação, pondo em risco a sua aprovação, tão cara para a presidente Dilma. Disse, matreiramente, que se enganou, mas ninguém acredita que um homem com sua experiência e nível de informação possa cometer erro tão primário. Os observadores experientes acham que ele quis mandar um aviso para a presidente Dilma.

Faz isso tudo por Roseana, que vive se queixando da presidente Dilma, e pela falta de atenção da presidente para com ela. Na verdade os seus pleitos, quase sempre mal elaborados e superficiais, fogem ao estilo rigoroso da presidente. E certamente também pela mania de repreender várias ministras e ministros que, em viagem ao estado, cometem o erro supremo te ter agenda própria, além da visita protocolar à governadora, o que deve chegar aos ouvidos presidenciais causando muita irritação. Daí se explica o aviso do poderoso Sarney, que, de tão poderoso, pode ameaçar veladamente os projetos da presidente.

Não é para qualquer um…

29/11/2011 às 18h02min

Caixa de Pandora

Na mitologia grega, a Caixa de Pandora é um artefato que se origina do mito da criação de Pandora, primeira mulher criada por Zeus, o Deus supremo dos gregos. Embora fosse chamada de 'caixa', o referido artefato que foi dado a Pandora era na verdade um jarro em cujo conteúdo estavam todos os males do mundo. Ao abrir o recipiente, Pandora libertou todo o seu conteúdo para o mundo, exceto um, que foi a esperança. Atualmente, à expressão 'abrir a caixa de Pandora' é atribuído o significado de criar um mal cujos resultados não se poderão desfazer.

Parece que foi isso que aconteceu com Roseana Sarney. A justiça lhe deu, numa decisão controvertida, o governo do estado, que até ali estava colocado no rumo certo, se desenvolvendo e melhorando rapidamente seus indicadores sociais. Entretanto, ao interromper tudo que estava sendo feito, a ação de Roseana cai como uma luva na metáfora da Caixa de Pandora, libertando todos os males dos seus governos passados que tinham sido neutralizados nos dois governos que a antecederam. E agora, utilizando a analogia do mito, nos resta apenas a esperança. A esperança da retomada dos destinos do estado em 2014.

Enquanto isso, os maranhenses sofrem pelos desatinos de sua governadora, que conseguiu o que nunca havia acontecido antes dela: tirou do sério a Polícia Militar, uma corporação centenária com um passado de disciplina, ordem e devotamento à causa da segurança dos maranhenses.

Roseana conseguiu com seu governo sem rumo enlouquecer os policiais ao dar-lhes só desprezo e tratamento desrespeitoso. Como ela pouco ou nada se importa com a população, entrou irresponsavelmente em uma situação da qual não sabe como sair. Orgulhosa, não quer negociar, dizendo que só o fará se voltarem ao quartel, mas foi isso que os policiais tentaram desde fevereiro, trabalhando normalmente e tentando levar aos ouvidos moucos do governo a terrível situação que enfrentavam sem aumento nem atualização de seus salários desde 2009.

Não sendo levados a sério e se sentindo enrolados pelo governo, partiram para a medida extrema da paralisação. Tudo isso causado pela absoluta falta de vontade de governar de Roseana, que parece estar com a cabeça em outro lugar e vai abrindo, assim, a sua Caixa de Pandora de males sem fim. Ela não quer receber os policiais e pensa em jogar tudo para a justiça resolver, quando na verdade o problema só pode ser resolvido pelo governo do estado. E com diálogo. 'Ai, que preguiça!'

Nesse enorme surto desenvolvimentista que só Roseana enxerga no Maranhão, seus órgãos de estatísticas informaram que o estado vai crescer este ano 0,9%. Eles sabem, mas não dizem, naturalmente, que esse valor é insuficiente ante o crescimento da população e a necessidade de criação de emprego para os jovens que acedem ano a ano ao mercado de trabalho.

Para adocicar o mau resultado, 'informam' que, com os investimentos que virão, o nosso PIB vai dobrar em cinco anos. Mas onde estão esses investimentos? Vamos então comparar com outra publicação do governo Roseana, logo que assumiu, mas que contou com dados do meu governo e do governo de Jackson Lago. O IMESC, órgão da Secretaria de Planejamento, publicou um trabalho denominado Indicadores de Conjuntura Econômica do Maranhão, mostrando que, na década de 90, o Maranhão cresceu à taxa média de 1,4%. O Nordeste cresceu 3,6% e o Brasil 2,1%. Portanto, com Roseana e Lobão, ficamos ainda mais para trás na década. A publicação chegou ao ponto de denominar o referido período de 'a década perdida'.

A mesma publicação, ao analisar os dados do Maranhão entre 2002 e 2007, meu governo e o primeiro ano do de Jackson, informa que o Maranhão cresceu a taxa média de 6,9%, enquanto o Nordeste cresceu 4,5% e o Brasil 4,0% no período. Que diferença!

No ano de 2008, o Maranhão tinha uma participação de 1,3% no PIB brasileiro e em 2009, com Roseana, caímos para 1,2%. É um assombro.

Crescer 0,9%, como está previsto para esse ano, é um desastre. Para dar emprego aos jovens que chegam ao mercado de trabalho todo ano, precisamos crescer no mínimo 4,0%.

A Caixa de Pandora que Roseana abriu, quando voltou ao governo com seus antigos métodos, já custou muito caro ao estado. Além da queda do PIB, o aumento da pobreza e a diminuição do IDH já anunciados, Roseana aumenta o endividamento do estado sem dizer onde investirá o dinheiro, jogando dívidas para o futuro. Os Cetecmas não existem mais; a Saúde está em frangalhos, com a grande maioria dos hospitais fechados; a Biblioteca Pública fechada; o aeroporto no chão; a BR-135 virou um local extremamente perigoso; as estradas estaduais cheias de buracos; a educação agora só produz últimos lugares no Saed; o sistema de segurança do estado colapsa com a paralisação da PM; as matanças pululam nas cadeias do estado e muito mais... Tudo por falta de comando e autoridade, além, por óbvio, de disposição para o trabalho.

Nesse ínterim, o senador José Sarney se dedica integralmente a tentar modificar a sua imagem muito negativa entre os brasileiros. Contratou, com recursos do senado obviamente, uma empresa para cuidar da sua imagem e lançou mais um livro com essa finalidade. Ele sabe que a pobreza do Maranhão, após mais de 50 anos de mando absoluto da família Sarney, é que é a sua real biografia e isso, embora insista, ele não conseguirá mudar. Por esse motivo se explicam a publicação de livros e mais livros, tentando explicar a pobreza do Maranhão.

Desta vez ele foi longe demais e coloca a culpa nada mais nada menos que em Celso Furtado. Sim, porque foi ele que criou a Colone, no Alto Turi, para povoar aquela região, ainda desabitada na ocasião, com a vinda dos flagelados que fugiam das secas. E Sarney diz que a vinda dessas pessoas foi a causa do empobrecimento do Maranhão, como também 'descobriu' que os solos maranhenses não servem para nada. Segundo ele, não são agricultáveis. Assim, para Sarney, esses dois fatores foram fundamentais para o não desenvolvimento do estado, a despeito dos gigantescos esforços da oligarquia para conseguir o contário. Ele ignora o fato de que cada vez o setor primário privado produz mais e a agricultura familiar não produz o suficiente por falta de apoio de Roseana, símbolo maior desse descaso. Claro, porque em 1998, quando era governadora, ela chegou até mesmo a acabar com a Secretaria de Estado da Agricultura.

Enfim, os argumentos usados pelo senador são tão frágeis e desprovidos de sentido que basta olhar o Ceará: esse, sim, não tem solos agricultáveis, nem água e os flagelados que vieram para cá, vieram principalmente de lá, e hoje esse estado cresce muito, deixando o Maranhão de Sarney para trás.

Sabem por quê? Porque dispensou os coronéis e as oligarquias e assim pôde crescer com liberdade e rapidez, convertendo-se no grande estado de hoje, enquanto o Maranhão, sob o tacão dos Sarney, ao invés de ir para frente, vai para trás, tal qual caranguejo.

A pobreza do Maranhão é onde está irremediável e indelevelmente escrita a biografia do senador José Sarney. E se já não bastasse isso, tem seu texto atualizando negativamente todos os dias, com os agravamentos produzidos por governos como o de sua filha Roseana.

E para finalizar dou mais um exemplo: A governadora, para distrair a atenção da constatação do seu desgoverno, quer agora (ainda) tomar da prefeitura os recursos transferidos por Jackson para fazer viadutos e avenidas muito importantes para São Luís. Na verdade, quer impedir que Castelo faça obras importantes para São Luis. Lembrem que nos municípios onde ela conseguiu reaver os recursos transferidos por Jackson, como Pinheiro e Imperatriz, por exemplo, os hospitais de referência conveniados pelo governo de então para aqueles locais nunca foram feitos. Embora ela tenha prometido fazer.

Roseana não trabalha e não quer deixar ninguém trabalhar.

22/11/2011 às 17h49min

'Meu maior inimigo sou eu mesmo'

A frase que oportunamente intitula este artigo é atribuída a Átila, Rei dos Hunos. Veremos o porquê. Pelos resultados dos primeiros governos de Roseana, de 1995 até abril de 2002, não dava mesmo para esperar nada de positivo para o estado após o 'golpe de estado jurídico' tê-la colocado de volta no governo do Maranhão depois da acachapante derrota de 2006.

Assim, aquela que mergulhou o Maranhão na pobreza em quase oito anos dos seus dois primeiros mandatos, teve a oportunidade de voltar ao governo para cumprir o restante do mandato de Jackson Lago e participar de uma 'reeleição' de araque ao cargo, que quase quebrou o estado, tentando garantir um novo mandato. Hoje já se pode perguntar, tendo em vista os péssimos resultados do primeiro ano de Roseana nesse novo mandato – para quê?

O que ninguém esperava é que Roseana conseguisse um alargamento da pobreza tão rapidamente. Eu mesmo achava que a constatação de tais resultados só seria melhor visualizada alguns anos depois que ela deixasse o governo. Mas o arraso, a incompetência e o desinteresse foram tão grandes que, depois de quase três anos no governo, os resultados chegam rápido e são lamentáveis. Sendo bem específico: a pobreza e a extrema pobreza no estado aumentou. E tudo isso a despeito do enorme poder que o senador José Sarney mantém no governo federal. Por que será?

E que resultados são esses? O senador José Sarney andou falando muito que o Maranhão tinha ótimos indicadores e citava como exemplo o PIB que havia colocado o estado no décimo sexto lugar entre todos os estados brasileiros, mas se esqueceu de dizer que, quando sua filha deixou o governo em 2002, o PIB do estado mal passava de R$ 15 bilhões de reais e só cresceu no meu governo e no de Jackson. Isto ao ponto de já no final de 2007 alcançar R$ 32 bilhões, mais do que dobrando nesse período. Mas era o que Sarney citava, dando a entender que aquilo era resultado do trabalho de Roseana.

Agora nem isso poderá dizer mais, pois o trabalho dela está estampado nos jornais que divulgam: 'PIB maranhense encolhe'. O IBGE, esse órgão que 'persegue a família Sarney', ao divulgar essas estatísticas que desmentem – sempre – as propagandas tão caras do governo de Roseana, anuncia encolhimento de 0,9% no PIB do Maranhão. Ou seja, uma diminuição da riqueza e da produção do estado que, ao invés de ir para a frente, vai para trás sob a batuta de Roseana. Agora imaginem que ela está desempenhando o 'seu melhor governo'...

Querem mais? Se o PIB caiu, cairá também a renda per capita. Isto significa maranhenses mais pobres. Mais: 'Maranhão tem maior proporção de baixa renda, segundo IBGE', outra manchete recente. Segundo o Censo Demográfico de 2010, a média nacional de rendimento domiciliar per capita foi de 668 reais. Os dados do instituto só consideram pessoas e domicílios de rendimento positivo, excluindo aqueles com renda zero ou sem declaração.

O Maranhão tem proporcionalmente a maior quantidade de domicílios com moradores de baixa renda no Brasil e 26,5% das casas pesquisadas tem renda mensal de 127,50 reais per capita, o menor nível de rendimento encontrado pelo IBGE no país. Mas, se no estado temos 26,51% dos domicílios com essa renda, isto significa que somos três vezes mais pobres que a média nacional, que é de 9,16% dos domicílios. Logo acima de nós temos o Piauí e Alagoas, que sempre estavam atrás, mas com Roseana no governo, quem fica para trás é o Maranhão. Santa Catarina só tem 2,12% de domicílios com a menor renda domiciliar per capita e o Maranhão, repetindo, 26,5%.

O que podemos dizer, governadora? Também, em férias permanentes fica difícil... Assim, sem tempo e disposição para trabalhar, o Maranhão foi o único estado do Nordeste que, mesmo convidado, não foi e abriu mão de apresentar qualquer solicitação ou projeto ao presidente do Banco Mundial, que viera oferecer 5 bilhões de dólares exatamente para combate à pobreza. A governadora não foi, não mandou representante e muito menos projetos. Para que mesmo ir, se considerarmos essa riqueza toda e absoluta ausência de pobreza no estado a que se reporta Roseana Sarney? Perder tempo?

E o IDH? O Maranhão e o Rio grande do Norte foram os únicos estados do Nordeste que não tiveram crescimento no indicador, ou seja, nesses dois estados a saúde, a educação e a infraestrutura social básica não melhoraram. Ademais, o Maranhão que estava em vigésimo primeiro lugar agora é o vigésimo quarto, ultrapassado que foi por Roraima e Alagoas. Assim não dá, governadora!

O desastre é completo e este é o pior governo que o Maranhão já viu!

E o caos continua... A ação do governo se notabiliza por não pagar o piso básico aos professores; negar aumento à polícia e bombeiros – que desde 2009 não têm qualquer ajuste ou aumento em seus salários; massacrar a população do estado com esse aumento absurdo nas contas de água, acima de 86 por cento; atrasar o pagamento do salário dos professores contratados; demitir sem pagar direitos aos técnicos e professores dos Centros Tecnológicos – hoje abandonados; jogar dinheiro fora com propaganda enganosa de refinarias e indústrias que ninguém vê; abandonar a população que tem que viajar e precisa enfrentar as tendas de lona de um aeroporto improvisado e sem data prevista para a normalização do seu funcionamento; apoiar uma reclamação descabida ao Ministro dos Transportes, que anulou o edital de concorrência da duplicação da BR-135, porque quiseram fazer um edital de concorrência sem projeto, sem sondagem, sem nada e com um sobrepreço enorme que iria beneficiar alguns aliados. Neste ultimo caso, certamente Roseana pensa que o governo federal é o Maranhão que governa e onde se contratam hospitais, vias expressas e tudo mais sem projetos, como denunciou o Crea, e por isso mesmo nunca ficam prontos. Enfim, está tudo errado, é uma bagunça e uma lambança continuada e ela ainda tem coragem de se contrapor ao IBGE quando este mostra nada menos que a verdade.

E para finalizar, com certeza viram que o Jornal Nacional mostrou para o Brasil, cruamente e sem retoque, a terrível pobreza que a população maranhense enfrenta. Acabou com a propaganda da governadora, que mandou uma nota dizendo que era assim, porque as famílias eram numerosas e estavam no interior, como se no restante do Nordeste fosse diferente. Era melhor não ter mandado nada, governadora!

Assim não há biografia que resista. Férias são boas, mas tudo tem limite.

15/11/2011 às 17h17min

Como enganar o distinto público

A presidente Dilma fez uma solenidade com vários governadores para dar ciência que esses estados estavam com contas melhores do que no início de 2002 e, portanto, já podiam pleitear novos empréstimos. Foi a segunda reunião com essa finalidade, mas a primeira com outros estados também na mesma situação.

A notícia que chegou ao Maranhão foi diferente daquela publicada em jornais do Sul, que ao noticiar a solenidade, não deram destaque nenhum ao Maranhão, tampouco à governadora Roseana Sarney. Apenas relacionavam o estado como beneficiário de novos empréstimos.

Mas, aqui, a notícia publicada pelo jornal O Estado do Maranhão foi diferente. Dava a entender que a reunião da presidente foi com a governadora do Maranhão apenas, chegando ao ponto da presidente, impressionada pelo brilhante trabalho da governadora, cobri-la de elogios na solenidade. O jornal de Roseana só faltou classificá-la como uma verdadeira expoente do equilíbrio fiscal no país. Um exemplo a ser copiado!

A presidente na verdade falou genericamente para aqueles governadores, pois seus estados atendiam os parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal no que concerne à capacidade de receber novos empréstimos. Na verdade, os estados devem ter uma relação dívida financeira/receita líquida real bem menor que 2 (dois).

Quando Roseana deixou o governo em abril de 2002, essa relação era escandalosa, bem maior que o permitido e, consequentemente, deixando o estado proibido de conseguir novos empréstimos.

Todo o trabalho foi feito no meu governo, precisamente pelo mais competente técnico em finanças do país, Simão Cirineu, que assumiu a Secretaria de Planejamento do estado nesse período. O resultado de 2006, último ano do meu governo, foi comunicado ao governo do estado em 4 de dezembro de 2007, ao governador Jackson Lago, através do ofício 98 18/2007/COREM/STN e informava que o governo do Maranhão, em 2006, cumprira todas as metas (seis ao todo) e, além disso, na primeira, referente à relação dívidas financeiras/receita líquida real, a meta era alcançar 1,75 e o meu governo foi além, alcançando 1,46, habilitando assim o estado a novos empréstimos desde 2006 (quanto menor a relação, melhor).

O estado estava tão bem no programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal, que a segunda meta era conseguir resultado primário superavitário de R$ 411 milhões e conseguimos R$ 581 milhões. A terceira era limitar as despesas de pessoal em 60% da receita corrente líquida e o estado apresentou um resultado de 43,19 por cento. A quarta era alcançar receitas de arrecadação própria no valor de R$ 1.667 milhões e o estado cumpriu as metas ao alcançar R$ 2.024 milhões. A quinta era referente ao contencioso negativo herdado pelo meu governo e, nesse caso, as metas mais uma vez foram cumpridas. Finalmente, a sexta era limitar as despesas com investimento a 8,04% da receita líquida anual, mas a condição financeira do estado era tão boa que conseguimos investir 14,54% em relação a despesa liquida real. E isso foi uma repetição do que aconteceu desde final de 2004.

Jackson Lago continuou nessa mesma linha e assim Roseana pode se apresentar como uma grande administradora, usando o trabalho de outros governadores, sem mencioná-los, como seria de se esperar. Desde que ela assumiu o governo, só realizou mesmo uma grande gastança nas eleições e jogou muito dinheiro pelo ralo, principalmente nas grandes lambanças da área da saúde, que penalizaram a população maranhense com projetos mirabolantes, que acabaram por fechar importantes hospitais dos quais o povo prescinde.

Esse governo é um verdadeiro escândalo, alcançando um recorde extremamente suspeito: mais de R$ 1,2 bilhão de despesas realizadas com dispensa de licitação, todas sem fiscalização e expostas a grandes sobrepreços. Só na saúde, as dispensas chegaram a mais de R$ 800 milhões!

Como as receitas continuam a crescer, graças à competente reestruturação modernizadora empreendida por José Azzolini e sua equipe, e como ela se nega a dar aumentos aos funcionários (como professores e policiais, por exemplo), a relação dívida/receita continua baixa e ela aumenta a sede por empréstimos e a gastança descontrolada. Já é o terceiro empréstimo que ela toma e, como os outros, sem dizer para quê e sem respeitar a Constituição e a Assembleia.

Falei aqui, por várias vezes, que o Maranhão iria regredir rapidamente sob mais um governo de Roseana Sarney. Na infraestrutura é evidente, vejam-se o aeroporto e as estradas. Mais que isso seria pior ainda nos indicadores sociais do estado. E o resultado do IDH expõe a calamidade. Dos nove estados da região Nordeste, apenas dois não tiveram melhora no IDH: Maranhão e Rio Grande do Norte. O Maranhão caiu de 21 para 24, entre todos os estados brasileiros, sendo ultrapassado por Acre e Roraima. Só a oligarquia e seus interesses apartados dos interesses da população podem explicar por que o Maranhão, mesmo com tanto potencial, sob o tacão da oligarquia, anda para trás.

E a governadora acostumada ao ócio, viaja sem dizer para onde e sem se importar com o que acontece aqui. Nem as férias do próximo final do ano parecem tirar Roseana de suas férias quase permanentes...

'Eita', Maranhão.

08/11/2011 às 16h19min

O que será, que será....

Da música de Chico Buarque de Holanda: 'O que não tem governo, nem nunca terá, porque não tem juízo...'

Sinceramente, a governadora Roseana Sarney parece que não está se importando com o que acontece no Maranhão e com a população maranhense nesse momento.

Nosso estado regride a olhos vistos, a infraestrutura estadual se acaba e a governadora pega o avião e sai de férias, vai bater papo com Chávez na Venezuela como se nada tivesse importância. A população sofre sem estação de passageiros no aeroporto por um tempo interminável e a recuperação segue devagar para desespero dos funcionários dedicados das empresas aéreas e da Infraero obrigados a suportar o desconforto e o estresse todos os dias. E ninguém se arrisca a dizer quando tudo isso vai se normalizar.

Sem aeroporto, que virou motivo de piadas entre os passageiros, principalmente os visitantes, a impressão de quem chega ao Maranhão é de quem está chegando a um país africano, dos mais atrasados. Um prejuízo enorme para todos. E o que faz a governadora? Nada! Primeiro porque ela ali não pisa desde anos atrás. No hangar em que ela pega seu avião está tudo em ordem. Ela não se dignou em momento nenhum a ali fazer uma visita de inspeção, coisa que só faria se estivesse interessada em resolver. Tudo indica que não está.

Se não temos aeroporto, tampouco temos estrada. O acesso a São Luís pela BR-135 virou um grande problema e um enorme risco para quem precisa sair ou chegar à ilha. É raro o dia sem acidentes ali, quase sempre com vítimas fatais. O governo federal desde o ano passado autorizou a tão sonhada duplicação, mas premido pelo enorme poder político da oligarquia, fez o que não devia e delegou aos órgãos no estado a execução do projeto da obra. O estado queria, além disso, a delegação para execução da construção e pavimentação da estrada, ficando com o DNIT a obrigação de repassar os recursos. Mas com tudo o que aconteceu no Ministério dos Transportes, o TCU entrou em ação e constatou que no edital estava embutido um sobrepreço de dezenas de milhões de reais e comunicou ao Ministério dos Transportes. Ali, quem havia assumido era um homem muito sério e de absoluta confiança da presidente Dilma, que, alertado e tomando conhecimento da enorme lambança embutida no edital, não teve alternativa senão anulá-lo, certamente com o conhecimento da Presidência da República. Ele não tinha alternativa. Aqui o choro foi grande, mas as coisas estão diferentes no governo federal.

Assim a lambança custa, mais uma vez, muito caro à população que sonha com a duplicação. Roseana certamente estava informada de tudo, acredito, e recebeu o ministro protocolarmente apenas para mostrar seu empenho em governar...

Mas o fracasso governamental se estende para todos os lados. Para agradar o pessoal da Ponta da Areia, e lógico, os construtores - Jorge Murad, o marido, construiu no mínimo dois prédios no local - resolveu realizar um projeto antigo, do prefeito Tadeu Palácio, sem se dar ao trabalho de verificar se as premissas daquele projeto continuavam válidas nos dias de hoje. Sim, porque com a construção da barragem do Bacanga, o Aterro do Bacanga, e as intervenções quase rotineiras no Porto do Itaqui, as correntes na Baía de São Marcos sofrem grande influência que lhes altera profundamente. Basta ver que os pilares da Ponte José Sarney estão cobertas de lama e os canais que passavam ali só existem na maré cheia. Há poucos dias uma senhora caiu da ponte e mesmo com a maré seca, ela nada sofreu, pois sua queda foi amortecida pela lama, e em que pese a grande altura da queda, a lama que continua a aumentar no local, amorteceu e acolheu a sua queda. A croa, um banco de areia que surgia na maré vazante e que servia de campo de peladas para a diversão de muitos ludovicenses, hoje não existe mais. É só lama.

Assim, sem cuidado nenhum, ela faz uma licitação, vencida, naturalmente, por um amigo e gastou R$ 18 milhões na construção acelerada do Espigão da Ponta da Areia. E, é claro, fez tanta publicidade do tal quebra-mar, que os críticos, sabendo que a parte maior dessa publicidade é destinada a TV Mirante, que é dela mesmo, brincam que ela gastou R$ 18 milhões na construção e R$ 40 milhões na propaganda. Vá lá saber se é verdade...

Verdade mesmo é que, conforme extensas reportagens do Jornal Pequeno, que ouviu os barraqueiros e moradores, o espigão não funciona e não impede a erosão das praias do local, que continua a aumentar. É no mínimo irresponsável o governo que nem se abala para explicar o que está acontecendo. O espigão que mandei construir em São José de Ribamar para acabar com a erosão que derrubava as barreiras, lançando ao chão casas inteiras, foi um sucesso, mas tudo ali foi estudado em modelo reduzido efetuado pela Portobras.

É, e como se não bastasse, a ação deletéria do governo se estende a todos os setores. Os Cetecmas estão fechados há quase um ano e cerca de 600 técnicos e funcionários que trabalhavam nesses centros há mais de nove anos foram postos para fora sem nada receberem, pois hoje estão todos fechados. Um absurdo que só um governo sem compromisso com nada, nem com os direitos dos funcionários, é capaz de perpetrar.

Os emblemáticos 72 hospitais que ela prometeu inaugurar no final de 2010 e até hoje inacabados só serviram mesmo para fazer dispensas de licitação de centenas de milhões de reais e fazer a festa de empreiteiros amigos. Em compensação, Roseana fechou quase todos os que funcionavam, sobrecarregando os Socorrões da Prefeitura de São Luís. Um primor de descaso, incompetência e má-fé.

Das promessas de campanha nada foi feito. Nada de refinaria, nem gás, nem celulose. Nada de Via Monumental ou Ponte do Quarto Centenário. E agora, para culminar a completa balbúrdia do governo, sem se importar com a extrema gravidade do quadro caótico de insegurança no Maranhão, e depois da briga sem sentido com os delegados, a governadora agora parece querer desmerecer a Polícia Militar, sempre ordeira e dotada de oficiais e praças bem formados, negando-lhes qualquer atendimento à justíssimas reivindicações da corporação. Nem sequer dialoga com os militares. O clima está pesado e quem sofrerá mais uma vez será a desprotegida população do estado.

E assim os índices de criminalidade atingem números alarmantes, a população está apavorada e a governadora continua ausente.

O governo atual do Maranhão é um fracasso em tudo.

01/11/2011 às 12h53min

Biografia e equívoco

Nos acostumamos a ver os esforços repetidos do senador José Sarney, a fim de tentar criar uma explicação convincente para a terrível situação do Maranhão, expressada nos piores indicadores socioeconômicos do Brasil. Nenhuma unidade da federação apresenta indicadores tão ruins, mostrando que a realidade do estado é de pobreza, de carência de ausência de infraestrutura social básica para a população. É um dos estados mais abandonados pelo poder público.

Sarney já tentou de tudo, desde justificar o atraso com imaginária indolência do povo – esta justificativa de tão sem sentido foi até mesmo abandonada – e, como não pode lançar mão de secas catastróficas, geadas, terremotos, tsunamis e outras calamidades do mesmo porte, porque inexistem aqui, ele se concentrou ultimamente em acusar a oposição de inventar dados que seriam fictícios sobre os indicadores sociais negativos do Maranhão. O que Sarney negligencia, no entanto, é que tais dados são todos oriundos do IBGE, Ipea, Enem, Saeb, instituições que, embora públicas, estão acima do jogo político, seja ele nacional ou estadual.

A pobreza que teimam em não reconhecer é afrontosa, basta ir à periferia das cidades maiores ou às próprias cidades menores do interior.

O único período em que isso mudou foi quando governei o estado, seguido por Jackson, até este ser sacado do poder por um golpe de estado jurídico. O Ipea enviou técnicos a São Luís para informarem essa boa nova em seminário, evento ao qual Roseana fez questão de não mandar representantes. Então, isso significa que há um modelo bem-sucedido que o atual governo abandonou totalmente. E não será cortando recursos do programa de combate a mortalidade infantil, tal como a governadora acabou de fazer, que vai mudar a calamidade que está em curso com a completa inoperância do governo.

Em entrevista recente, José Sarney disse que isso não se faz. Que esses dados inventados pela oposição causam grande prejuízo à imagem do estado, afugentando turistas etc. etc.

Na verdade, o que ele quer mesmo dizer é que isto acarreta nada mais que a destruição da imagem que ele se empenhou em construir de benfeitor de um estado desenvolvido, bonito, uma ilha de prosperidade digna de admiração, com crescimento chinês, em que a população é muito feliz, onde não há fome e com emprego e oportunidades fartos. Tudo graças a Sarney e família.

Ele não pode se conformar com a verdade dos números, porque foi presidente da República, governador, presidente do Senado por três vezes, manda-chuva da nação, prestígio político incontrastável em todos os governos do país e domínio total do estado por quase cinco décadas. E ainda assim o resultado para a população não podia ser pior. O domínio da família Sarney só trouxe pobreza ao povo e riqueza e poder à família e também à oligarquia que ele chefia com braço de ferro.

Tudo isso em contraste a Antônio Carlos Magalhães que, mesmo sem ter sido presidente, transformou a Bahia, seu estado, usando todo o seu prestígio e sua luta para desenvolver aquela terra que no passado era muito semelhante ao Maranhão na pobreza e no atraso.

Sarney não pode negar sua grande influência no Maranhão, nunca igualada por ninguém. Mais de cem prédios públicos com nome da família, domínio completo de todas as instituições maranhenses, incontáveis pontes e monumentos com seu nome e da família demonstram a todos que o Maranhão tem “dono” e que esse dono é Sarney. O Maranhão se confunde com Sarney, para o bem ou para o mal.

Preocupado com a sua imagem perante a História, ele se esmera em preparar e encomendar filmes e biografias contando a história que ele gostaria que todos assimilassem e que no futuro esses livros pudessem ser aceitos como a verdade histórica do que foi.

Puro engano, um grande equívoco, na verdade. E o pior é que ele sabe disso. Sabe também que a sua biografia, da qual ele não conseguirá se livrar, é o que o Maranhão é, o que ele legou ao estado. Por isso sua revolta e o seu esforço em tentar mudar a realidade com explicações que nunca poderão modificá-la.

A sua história é o Maranhão. É a realidade do Maranhão e de seu povo, é a sua grandeza ou sua pobreza, em comparação com outros estados do Nordeste e do Brasil. E isso não há livro de biografia que mude.

A tragédia da pobreza do estado é como Sarney será visto no futuro. Por isso o grande repúdio, que ele sabe muito bem que sofre da sociedade brasileira, indignada com a contradição entre seu poder absoluto e a miséria e a pobreza de seu estado natal, que ele sempre falou ser seu “torrão, sua paixão”.

É uma história que está inscrita como indelével marca em todas as instituições, edifícios públicos, pontes, colégios, como já disse. Não há como separar. De nada adianta produzir versões biográficas idílicas, Fundações para preservar sua memória, fazer artigos laudatórios, fazer discursos à favor, que pouco ou nada mudará.

Hoje, se pegamos um táxi em qualquer cidade do país, quando o motorista puxa conversa e pergunta de onde somos e a resposta é Maranhão, somos brindados com o subtítulo do estado: “a terra do Sarney”, frequentemente seguida de comentários pouco lisonjeiros. Não dá para mudar.

Sarney teve muitas oportunidades de mudar esse quadro, que nem é tão difícil assim mudar, como mostramos. No entanto, nunca se empenhou para fazê-lo, certo de que a sua poderosa máquina de propaganda era suficiente para mantê-los no poder. Não contava, porém, com o julgamento severo de todo o Brasil sobre isso.

E isso é algo que nem todo o poder pessoal de Sarney não consegue mudar. O poder do julgamento do povo brasileiro. E cada demonstração pública desse enorme poder só piora a imagem do ex-presidente.

O único problema é que o Maranhão vai junto…

Por fim, não há dúvidas de que Roseana Sarney se convenceu de que a refinaria da Petrobras não sairá. Se não fosse assim, por que motivo iria com José Dirceu a Caracas conversar com o presidente Venezuelano para que este construísse, sem a Petrobras, uma refinaria em São Luís? Mesmo sabendo que Chávez está inadimplente para com a Petrobras, pois não cumpriu a sua parte no financiamento da refinaria de Pernambuco? Mistério? Ou será que perdeu a paciência e acha que Lobão não conseguirá dar conta de construir o empreendimento e está só empurrando com a barriga?

Será que pode explicar?

25/10/2011 às 17h44min

Roseana testa o poder da oligarquia

Ganhei um livro fantástico, semana passada. O título é 'Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu', de Maurice Joly, editora Unesp. Trata-se de obra que nos apresenta um diálogo hipotético entre esses dois homens extremamente poderosos em seus tempos sobre os métodos que usaram para aconselhar os mandatários. Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu, foi importante filósofo, político e escritor francês. Nasceu em 18 de janeiro de 1689, na cidade de Bordeaux (França). É considerado um dos grandes filósofos do iluminismo. Nicolau Maquiavel nasceu em Florença, Itália, em 3 de maio de 1469. Foi escritor, diplomata, pensador político e descreveu sua visão política no livro 'O Príncipe', manual essencial para o governante que quer manter a estabilidade e que inspirou regimes autoritários.

O Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu foi publicado em 1864 numa França que vivia sob mão de ferro de Napoleão III. Os poderes imperiais assumidos por Napoleão desencadearam reações liberais de republicanos franceses, entre os quais estava o autor. Sua intenção era mostrar 'os abismos que a legislação imperial havia cavado, destruindo de alto a baixo todas as liberdades públicas'.

No diálogo fictício que travam Montesquieu e Maquiavel, o primeiro representa o que ele denomina o 'espírito do direito' e o outro, o 'espírito da força'. Maquiavel, provocado, diz que 'no homem o instinto perverso é mais forte que o bom. O homem é mais atraído pelo mal que pelo bem; o medo e a força têm sobre ele mais domínio que a razão. Todos os homens aspiram a dominar e, caso pudesse, ninguém deixaria de ser opressor. Todos ou quase todos estão prontos a sacrificar os direitos alheios a seus próprios interesses' e segue por aí...

Montesquieu então responde: 'a força é só um acidente da história das sociedades constituídas, e que não são os homens que garantem a liberdade, mas as instituições, e essas se fundam em princípios, tais como o da legalidade, de modo que as relações entre o príncipe e os súditos repousem sobre as leis. Na Europa moderna, o despotismo é afastado pela instituição da separação de poderes do estado, de tal modo que o mecanismo de regulação e o controle recíproco entre esses poderes impeçam a opressão e garantam a liberdade dos cidadãos e o respeito as leis constitucionais'.

Então, negando totalmente, Montesquieu, diz: 'Não posso dar como base das sociedades exatamente aquilo que as destrói. Em nome do interesse, príncipe e povos, bem como os cidadãos, só cometerão crimes. E no interesse do estado, está me dizendo! Não sabemos que o interesse do estado, frequentemente, não é apenas do príncipe ou dos favoritos que o circundam? Não fico exposto a consequências similares, considerando o direito como base da existência das sociedades, porque a noção de direito traça limites que o interesse não deve ultrapassar'.

Na verdade o que está em jogo nesse diálogo é a defesa dos regimes de liberdade contra os regimes autoritários.

Transpondo essas ideias para o Maranhão, poder-se-ia dizer que Maquiavel, sem dúvidas, é autor de cabeceira da oligarquia, pois esses seguramente parecem usar seus ensinamentos para governar. No entanto, não querem saber dos ensinamentos de Montesquieu...

Nesse momento, Roseana Sarney, com total inspiração do pai, parece testar o seu poder e o da oligarquia ao mandar para a Assembleia em regime de urgência, para evitar o debate, um projeto terrível, que passa para o estado todas as despesas da Fundação José Sarney, e também o controle do magnífico prédio para a família Sarney para sempre. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o Convento das Mercês, uma joia, é um palácio de grande imponência e importância. Sarney sempre quis esse prédio para seu uso e da família. E tudo isso sem a família gastar nenhum tostão. Coisa de gênio!

O projeto aprovado pela Assembleia é inconstitucional. Cria despesa para o erário estadual sem, entretanto, defini-las. E ainda cria um Conselho Curador sem definir como escolher seus membros. Como se não bastasse, dá ao Patrono da Fundação, José Sarney, o poder de contratar e nomear à vontade. E culmina essa 'obra-prima' de projeto de estatização definindo que após o falecimento de Sarney, todo esse poder passará para seus sucessores familiares.

A bem da verdade, nunca faltou recurso público para a Fundação. Antes, o governo federal, através da Petrobras, Caixa Econômica e outros, repassava milhares de reais à Função Sarney. Acontece que essa fonte secou, porque a entidade não conseguiu prestar contas do dinheiro recebido. Na documentação enviada com esse propósito havia de tudo, até notas frias, como a imprensa publicou na época.

O que querem Sarney e Roseana é garantir o domínio da Fundação e do prédio para família e passando as despesas, de uma fundação particular para o governo, pois sabem que o futuro é incerto e o poder também e, assim, a fonte de recursos pode secar.

Para ilustrar a situação, a Caema, por exemplo, fornece água precariamente à população, mas em 2010 'patrocinou' a Fundação com R$ 60 mil. Já a Secretaria de Estado da Educação, por sua vez, entrou com R$ 364,5 mil. Dinheiro não faltou, portanto. Acontece que o prédio está precisando de reformas, tem parte dele escorada, assim como três arcos ameaçam desabar. O governo, então por lei, vai poder gastar muitos milhões de reais que seriam, na verdade obrigação da Fundação, então mantenedora do prédio.

Administrar o acervo do presidente Sarney pode ser feito em uma parte do prédio (uns 25% do total em área) e portanto a obsessão pelo prédio não se justifica e é apenas o desejo de manter sob seu controle essa construção diferenciada, onde Sarney mantém o projeto de ali erigir o seu mausoléu.

Esse é o único projeto de guarda de acervo presidencial custeado pelo poder público. Sarney deveria se espelhar em Fernando Henrique Cardoso e de Lula da Silva, que custeiam a manutenção de seus acervos por fundações privadas. É um absurdo.

Então, Roseana e Sarney testam a sua força e, ao mesmo tempo, a das instituições maranhenses. O projeto é inconstitucional e absurdo, mas alguém terá coragem de usar seus poderes para impedir?

A lei não pode ser usada apenas contra os que não tem poder. No regime democrático todos são iguais perante a lei. Mas aqui parece não ser assim...

Enquanto isso, o projeto de combate a mortalidade infantil é encerrado no Maranhão. A governadora alega que não possui R$ 7 milhões para continuar a iniciativa. É muito comprometimento com as causas da população...

Amigos me dizem que não entendem Sarney. Só se mete em confusão, quase sempre afrontando a opinião pública. Será que vai dizer também que é uma 'homenagem à democracia'?

Tudo isso pode ser efêmero, menos o desgaste. Quem sustenta que daqui ha alguns anos o clamor público não imponha uma anulação de todos esses atos? Não há regime de força que dure muito tempo. No começo do ano, quem diria que Mubarack e Muammar Kadafi, ditadores poderosos à longa data, estivessem sem nenhum poder pouco depois, um preso e o outro morto quando fugia?

Parece não valer à pena tanto desgaste...

E o imbróglio da duplicação da BR- 135, que teve seu edital de concorrência anulado por pressão do TCU? Havia sobre- preço de quase R$ 100 milhões na obra. Daí...

18/10/2011 às 17h39min

O governo é só intriga

Como toda a corte que, pela imposição do seu poder, acha que pode tudo e nada teme no seu território, onde as instituições sempre estão olhando para o outro lado e não prestam atenção nos desvios de conduta do governo que teriam que fiscalizar, a luta pelo poder passa a ser interna e cada um se arma contra o aliado, visando possíveis traições futuras. É isso o que parece estar ocorrendo no governo de Roseana Sarney.
Não é só a luta pela sua sucessão, em cujas estratégias ela tenta impedir ou dificultar a candidatura do ministro Edison Lobão, solapando seus apoios e impedindo que solenidades onde Lobão é a estrela tenham brilho e que isso possa concorrer para consolidar sua candidatura ao governo. Ela não está brincando, pois a família, sob inspiração de Jorge Murad, seu marido, tem candidato ao mesmo posto, que é mais fraco politicamente que o “adversário” ministro. Mas a intriga e as traições dentro do governo vão muito além da sucessão...
Ela tem dentro da família (e do governo), ocupando um cargo importante, pelo volume de recursos que dispõe sua secretaria, o secretário Ricardo Murad, com quem desfruta um passado rico em problemas. Ele foi secretário de saúde de Roseana também antes da reeleição, cargo em que confirmou a sua fama de “trator”, fazendo coisas que até Deus duvida durante a campanha de 2010, onde soube usar todo o repertório da oligarquia ao disputar eleições com o governo na mão. Depois do pleito ganho, Ricardo Murad pensava que sua parte naquele latifúndio no mínimo seria igual ao de antes da eleição. Roseana, porém, não sabia como controlá-lo e não o queria mais como secretário de saúde. Ele já não seria mais útil para a governadora, que então resolveu afastá-lo do governo, dando-lhe um prêmio de consolação, a presidência da Assembleia. Contudo, Roseana depois foi alertada de que ali ele poderia causar problemas sem fim e de difícil solução. Assim, ela resolveu evitar a eleição de Murad já em cima da hora, muito tarde para uma negociação e avisou a sua turma que o projeto mudara e ele não era mais o seu candidato. Ao recuar, acabou por enfraquecer muito o parente, que viu seus apoios de antes deixarem-no sozinho, já que o novo tratamento era de adversário.
Foi tão escandalosa a manobra, tão mal feita, que em seguida ela teve que enfrentar um Ricardo irado, tendo que capitular aos desejos dele de voltar à Secretaria da Saúde. Em sua revolta, mesmo com o Palácio anunciando novo secretário para a saúde, também como ele, com fortes ramificações familiares, ele chegou à ousadia de avisar que na semana seguinte seria nomeado secretário de Saúde do estado. E efetivamente o foi. Devolveu assim a humilhação ele chegou à Roseana.
A governadora sabe que Ricardo, quando contrariado em seus desejos, não guarda conveniências. Ele era o presidente da Assembleia e se elegeu deputado federal em 1990. Cumpria um caminho que traçara previamente. Aliado incondicional de José Sarney, ele achava que daquela vez nada o impediria de ser o candidato ao governo do estado. Não via ninguém tão estruturado e com tantos apoios para fazer-lhe sombra no grupo. Mas foi passado para trás.


Sarney tinha outros planos e trabalhou para Roseana, sua filha, também eleita deputado federal em 90, ser a candidata no lugar de Ricardo, pois o senador nunca confiou plenamente neste e nem havia revelado ainda que dentro do seu coração essa candidatura era um sonho inarredável e que chegara o momento de um outro Sarney ocupar o governo. Pensou que Ricardo compreenderia e aceitaria sua decisão e resolveria tudo no âmbito familiar. Puro engano. Ricardo ocupava um lugar de força e importância crescente no grupo e reagiu com um sentimento que beirava o ódio.


Rompeu com Sarney e se jogou nos braços da oposição, logo se transformando em um violento adversário e pré-candidato ao governo. Todos se lembram dos insultos com que cobriu José Sarney, Roseana e seu próprio irmão, Jorge. Não havia limites para a sua raiva e desejo de vingança. Sarney então tirou a legenda de Ricardo e ele não pôde ser candidato.
Lobão está agora correndo riscos semelhantes no PSD.
Assim, Roseana sabe muito bem do que Ricardo é capaz e não tem disposição para enfrentá-lo. Naquela época foram insultos. Agora pode ser muito perigoso ter um inimigo que viveu profundamente as entranhas do episódio da cassação de Jackson Lago e das eleições de 2010. Ele poderia, se assim quisesse, destruir tudo e Roseana achou melhor engolir a humilhação.
Mas governo é governo e ela dispunha de outras armas, muito letais e que não precisaria de fato empunhá-las.
Ricardo também já não podia mais ser útil. Ao tirar Luís Fernando, ainda com metade do mandato a cumprir na importante prefeitura de São José de Ribamar, e fazê-lo aceitar a chefia da Casa Civil, ela mostrou a todos que ele estava ali para ser o candidato da família ao governo em sua sucessão. Era óbvio que era um projeto de inspiração de Jorge Murad e Ricardo nele não caberia. Automaticamente, Ricardo se tornou membro importante da candidatura alternativa da oligarquia, com o senador Edison Lobão novamente candidato ao governo.
Ali o grupo se dividiu novamente e Ricardo de novo estava do outro lado.
Muita gente desconfiou da matéria publicada pela revista IstoÉ contra Ricardo e sua temerária administração na Saúde, transcrevendo uma investigação do Tribunal de Contas do Estado acerca das licitações, obras e procedimentos do projeto de construir em menos de dois anos setenta e dois hospitais no estado, até hoje não entregues à população.
A desconfiança foi enorme porque desde a inauguração, o prédio do Tribunal de Contas se chamava Tribunal de Contas Roseana Sarney Murad, e ela goza ali de enorme poder, pois nomeou quase todos os conselheiros, que são muito seus amigos.
Logo, muitos políticos começaram a ver o episódio como “fogo amigo” entendendo que a matéria era de conhecimento do governo e poderia ter chegado à revista pelas mãos de pessoas amigas da governadora. Seria um aviso a Ricardo? Ou teria outro objetivo futuro?
Tudo isso pode ser apenas conjeturas. O Tribunal pode ter realmente investigado o governo de Roseana e a matéria ter vazado para a revista. Seria até normal. Assim a governadora, nem ninguém do palácio, teria nada com isso. É, pode ser...
Esse é o ambiente atual na esfera governamental maranhense. Ninguém confia em ninguém e tampouco se explica o marasmo da gestão, que vai levando um dia a dia medíocre e sem perspectiva de melhorar.
Seja o que Deus quiser!

11/10/2011 às 15h59min

Desconfianças

A candidatura do ministro Lobão ao Governo do Estado em 2014 foi colocada pelo senador Edinho Lobão como irreversível há poucos dias. Foi uma reação a uma declaração, pouco explicável, da governadora Roseana Sarney, lançando Luís Fernando como seu candidato ao governo no próximo pleito estadual. Não se sabe ao certo, e talvez nem ela saiba, o motivo de declaração tão fora do contexto, tão sem sentido, que na verdade só serviu para dividir irremediavelmente o governo. O fato é que hoje existe todo um clima de desconfiança e de vigilância entre a família Lobão e Roseana Sarney. E isso não pode ser consertado, pois o jogo é realmente de antagonismo. O máximo que pode ser feito é um mise-en-scène de aparências em encontros públicos.

Roseana sentiu pela reação que havia feito uma enorme bobagem e tentou remediar, jogando a culpa na oposição. Mas para certas coisas não há conserto. E essa é uma delas. Lobão percebeu que precisava fazer algo, já que via Roseana cercá-lo e vigiá-lo de perto. Assim, mandou Nice Lobão para o PSD, imaginando ser esse o seu futuro partido, pois não poderá permanecer no PMDB. Sim, porque neste partido, quem dá as cartas é o senador João Alberto, ou seja, família Sarney, e este mesmo João Alberto figura como um possível candidato, também em 2014.

Entretanto, a estratégia política de Roseana flui com ela colocando seu pessoal no PSD para tentar controlar o partido e enquadrá-lo em seu projeto para 2014, do qual Lobão não faz parte. O nome é Luís Fernando.

A verdade é que Lobão tem ótimo trânsito na classe política, entre os prefeitos, mas prefeitos precisam do governo e na hora certa podem não estar disponíveis. Na eleição de 2010 para o senado, ele cresceu com o lançamento da refinaria Premium, a quinta maior do mundo, segundo suas palavras. O presidente era Lula, que tinha um estilo de não interferir muito e deixar os ministérios por conta dos ministros. Lobão se acostumou com a liberdade total e o apoio presidencial quase sempre pronto. Com Dilma Rousseff é muito diferente, pois ela acompanha tudo e interfere, dá menos liberdade e arbítrio. Principalmente no Ministério de Minas e Energia, onde sempre militou, conhece profundamente, pois foi ministra e comandou a pasta no governo Lula.

Com efeito, Lobão sentiu a mudança e, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, viu o governo intervir, por intermédio do Ministro da Fazenda, que no primeiro semestre deste ano cortou o orçamento da Petrobras, atingindo profundamente o programado para as refinarias novas. No entanto, permaneceu intacta a de Pernambuco, que o governador Eduardo Campos, com largo prestígio no governo, conseguiu liberar recursos, mesmo com a Venezuela não cumprindo financeiramente seus compromissos com o empreendimento. Hoje não dá mais para parar. Outra que ficou intacta foi a do Rio de Janeiro, estado que sedia a Petrobras. As outras sofreram cortes e adiamentos e entraram em uma zona de incertezas que dependem da conjuntura mundial no futuro, pois refino nunca foi uma atividade forte numa companhia que dirige preferencialmente seus recursos para a extração e exploração de petróleo.

Lobão ficou tão aturdido que nem tentou explicar nada naquele difícil momento. Só agora resolveu aparecer para mostrar que a refinaria continuava normalmente, pois sabe que sem esse trunfo sua candidatura ao governo se enfraquece muito, e em caso de dificuldades, a primeira a culpá-lo será possivelmente Roseana, direta ou indiretamente, como são especialistas.

Na solenidade ficou explícita a divisão do governo. Isto se confirma, dado que um evento desses, uma visita do ministro e senador Edison Lobão, candidato já previamente lançado ao governo do estado, onde este esclareceria o futuro de uma obra que, segundo a propaganda do governo, é uma das maiores do mundo, que promete empregar milhares de pessoas no Maranhão, deveria atrair a classe política em peso. Mas, curiosamente e para espanto geral, a classe política não apareceu, somente alguns deputados mais ligados ao ministro. Lógico que isso não é natural, tampouco normal. Também autoridades governamentais, que sempre estão presentes em todos os acontecimentos, mesmo os mais corriqueiros, como Luís Fernando e João Alberto, ambos tidos como pré-candidatos, lá não estiveram. A própria TV Mirante teve barrada sua entrada para televisionar o andamento das obras, o que é impensável no Maranhão, por causa dos seus donos. Parece que havia uma força misteriosa por trás de tudo e com o objetivo de limitar o alcance político e a visibilidade da visita.

Ao final, o que havia eram obras de terraplenagem do terreno e uma parte do canal de adução, o que levou o jornal da oligarquia, querendo mostrar o que ali não tem, 'informar' que eram os alicerces da refinaria...

Lobão, político muito experiente e conhecedor profundo dos métodos da oligarquia, deve ter retornado a Brasília certo de que tem que abrir o olho com o PSD, porque eles podem derrotá-lo na convenção em junho vindouro com uma proposta de apoiar o candidato do governo, provavelmente Luís Fernando, que tem a candidatura apoiada e conduzida por Jorge Murad. Isto ocorrendo, o ministro ficaria sem legenda para concorrer ao governo do Maranhão em 2014.

A oligarquia não muda...

06/10/2011 às 14h37min

A saga do Prodim

Nesta semana, li um bom artigo do professor José Lemos, que foi um excelente secretário de Agricultura no meu governo, e ele relembrava que há cinco anos, quando da faina diária de entregar os recursos do Prodim às comunidades mais pobres do setor rural maranhense, ao sair de um dos mais entre os mais pobres, São João do Carú, nosso helicóptero caiu após decolar.

Antes, estivéramos em Bom Jardim, onde assinamos diversos convênios com associações comunitárias e no mesmo ato já liberávamos a primeira parcela dos recursos pedidos e aprovados por toda a comunidade. Estas comunidades já haviam passado por amplo processo de eleição de prioridades com a participação vibrante e interessada de todos. Nesse processo que se iniciava com um elenco que às vezes começava com trinta projetos, após muitos debates, chegava-se a cinco ou seis projetos mais importantes para todos que assim, com completo envolvimento daqueles, a fiscalização dos recursos passava a ser de amplo interesse de todos. Isso evitava ao máximo o desvio de recursos pelas lideranças, pois estavam sendo acompanhados e fiscalizados.

Era evidente que dessa maneira os recursos seriam aplicados, como foram, e essa metodologia se impôs nos longos debates que precederam a aprovação do projeto pelo Banco Mundial, o que aconteceu entre os técnicos do banco e do governo do estado. Era uma tentativa de evitar o que havia acontecido anteriormente no estado com outros projetos de combate à pobreza, cujos recursos, como todos sabem, eram distribuídos aos políticos por intermédio de associações que só existiam no papel e com prestações de contas fabricados em escritórios em São Luís. Uma tragédia.

José Lemos lembra ainda que mais de trinta por cento dos recursos foram alocados para abastecimento de água com a perfuração de poços, vindo em segundo lugar as casas de farinha, modernas, higiênicas, que serviam para aumentar a renda das comunidades. E além disso, diversos outros tipos de projeto foram atendidos.

Isso ajuda a explicar porque mais de oitocentos mil maranhenses deixaram a extrema pobreza no período em que governei o Maranhão. Esses e outros projetos levavam recursos diretos às comunidades pobres. Entre muitos outros projetos importantes, destaco o Pronaf, em parceria com as Casas de Agricultura Familiar, que de R$ 30 milhões por ano, passou para R$ 380 milhões por ano. Não foi por acaso que conseguimos êxito tão grande.

Pois bem, um projeto como o Prodim, hoje extinto, foi aprovado pelo Banco Mundial em tempo recorde. Pelo Banco, teríamos começado a entregar os recursos para as comunidades já em final de 2004. Mas faltava uma aprovação, quase um registro de tão simples do Senado da República, e aí vimos em toda a plenitude o tipo de política mesquinha e destrutiva da oligarquia Sarney. A ordem, que alcançou até senadores de outros estados, como me disse o senador Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte – tenho testemunhas – era não deixar aprovar o empréstimo.

Essa ordem foi cumprida fielmente e só conseguimos arrebentar o bloqueio com a marcha de 18 mil pessoas em São Luís, seguida pela viagem a Brasília de grande número de trabalhadores rurais que entraram no senado exigindo a aprovação do empréstimo Prodim. Aquilo despertou o interesse de senadores de outros estados, que colocaram o assunto em pauta e o votaram, para grande surpresa dos senadores do Maranhão, que boicotaram até onde puderam, a aprovação do projeto. No sítio eletrônico Youtube pode-se encontrar o discurso do senador José Sarney na sessão, quando bradava que 'aprova, mas o dinheiro não sai'. No entanto, para decepção do senador, e graças ao trabalho de Simão Cirineu, e ainda à cooperação do Banco Mundial, escandalizado com aquilo, e à pronta intervenção de Eduardo Campos, presidente do PSB, que me colocou em contato com Lula, o presidente da República me ouviu e garantiu a aprovação do projeto por parte do governo, expressando na ocasião que aquilo já era demais.

O acidente com o helicóptero foi muito sério e nos salvamos todos, quase sem escoriações, graças à grande perícia do piloto, que conseguiu levar o helicóptero em queda para um local deserto e de terra que amorteceu muito o baque. O helicóptero teve perda total. Deus nos ajudou.

Para evitar o medo e continuar o programa, tão importante para as comunidades, no dia seguinte estávamos em outro helicóptero indo para Guimarães, Porto Rico e Pindaré.

Hoje tudo é lembrança. O Prodim não existe mais, atestando a irresponsabilidade com que o Maranhão é conduzido. A miséria, o abandono, a falta de água, esgoto, a falta de tudo no meio rural só se agrava. Não existe nenhum esforço para interferir no estado de pobreza que domina o Maranhão e aprisiona o seu povo. Na verdade todos os programas que visavam o combate à pobreza não existem mais e a governadora até acha que aqui não existe pobreza e que o estado é rico.

Agora chega a notícia que o hospital de referência, um grande projeto do governador Jackson Lago em Presidente Dutra, está abandonado e quase fechando as portas. Mais sofrimento para a população da região.

Desta vez o senador José Sarney perdeu a paciência e ligou para seus defensores da liderança do governo na Assembleia. Agradeceu a intenção, mas pediu que não o defendessem mais, pois só pioravam a situação. Cada vez fica pior.

27/09/2011 às 18h12min

Entrevistas de Roseana mostram despreparo

Roseana Sarney, quando sente que seu governo não produz nada bom e que o Maranhão esta caindo pelas tabelas, tenta criar um factoide ou uma entrevista. Então chama o seu jornal e produz uma primeira página bombástica. Desta vez tentou informar os leitores que o seu governo deslanchou .

Isto é inusitado, pois ninguém havia notado. Deslanchou em quê mesmo? A área da saúde, ao invés de produzir tratamentos, só produz escândalos, com mais de R$ 700 milhões de contratos feitos por meio de dispensa de licitação. O que devia ser a exceção virou regra. E a CPL (Comissão Permanente de Licitações) existe mesmo? Antes de Roseana, não era assim que ocorria, quando a Comissão tinha que autorizar as dispensas. E vejam que o secretário apertado pela oposição na Assembleia Legislativa não conseguiu dar nenhuma explicação convincente.

Na educação, se examinarmos superficialmente, teremos logo a dura realidade do Enem que mostrou nosso estado em último lugar, com a pior escola do Brasil, fazendo companhia a mais duas entre as vinte piores. E nenhuma entre as vinte melhores (e o nosso vizinho Piauí com a segunda melhor do país). Nos indicadores sociais, nenhuma melhora. Apenas as evidências de que começamos a piorar.

Além disso, o Maranhão continua a ser um dos últimos do país na geração de empregos, a refinaria não vai para lugar nenhum, assim como o gás de Capinzal, a celulose e tudo o mais que constou da propaganda oficial do governo...

As estatísticas recentes do IBGE mostram uma triste realidade: o nosso estado é muito pobre e com o maior contingente de pobres e excluídos do Brasil... Em contraposição a isso, não custa lembrar, é possível um cenário diferente. Que o digam os dados do IPEA compilados no período em que governei o Maranhão, os quais tive a chance de compartilhar neste espaço em vários momentos.

Pois bem, como Roseana não tem o que dizer, ela resolveu reinterpretar - como só a oligarquia sabe fazer, diga-se de passagem - as estatísticas do IBGE. E resolveu afirmar que essas estatísticas estão erradas e que precisam ser lidas de outro modo, argumentando que o Maranhão não é pobre, já que possui o décimo sexto PIB do Brasil.

Portanto, em sua opinião, tudo é uma balela só.

Agora notem que, quando assumi o governo no início de 2002, o PIB maranhense, após oito anos da gestão dela, era apenas de pouco mais de R$ 15 bilhões. Quando saí, menos de cinco anos depois, ele havia dobrado para próximo de R$ R$ 32 Bilhões, o que caracteriza um crescimento chinês, maior que o crescimento que alcançou o Brasil e o nordeste.

Então ela diz que isto prova que o Maranhão é rico. Pode ser rico e pode ser muito mais, mas o que interessa para a população não é o PIB (Produto Interno Bruto), mas sim a renda per capita. Este índice sim mostra que o Maranhão tem a pior e a última renda per capita entre os estados brasileiros, abrindo para todos o grau de miséria e pobreza da população maranhense, principalmente nas áreas rurais e no interior do estado.

Isto ocorre pela falta de políticas públicas em favor da população, pois todas elas foram extintas pelo atual governo. E nos anteriores, nada existia. Portanto, governadora, onde está esse deslanche? Acredito que não é com esse tipo de entrevistas que irá convencer alguém de que o governo está funcionando. Melhor seria trabalhar um pouco, mas isso, temo, é pedir muito…

Na mesma peça, ela revela que não está contente com a presidente Dilma, que nem se abalou para inaugurar UPAS, o que é, na verdade, muito pouco para trazer a presidente aqui. O que Dilma gosta é de trabalhar muito e coordenar e tomar conhecimento de tudo. Não deixa passar nada. Com estilos diametralmente opostos e distintos, elas não têm muito que conversar.

A presidente quer acabar com a pobreza absoluta e Roseana diz que isto não existe, de jeito nenhum, não aqui no Maranhão. Dilma sabe que Roseana foi a única governadora do Nordeste que não foi, e tampouco mandou representante para a reunião com o presidente do Banco Mundial, cuja pauta era discutir um grande programa de financiamento daquela instituição para os estados combaterem a pobreza.

Todos sabem que o senador Sarney é fortíssimo, mas tudo tem limites, pois Roseana nem tenta ajudar. Então o que continuará acontecendo é que Dilma seguirá recebendo a governadora do Maranhão protocolarmente, mas se esta não se empenhar e não apresentar bons projetos, vai continuar apenas com promessas e de cara amarrada . Dilma é outro estilo, de muito trabalho, de enfrentamento e de luta. Muito diferente.

Para finalizar, comento o grande e alentador resultado nas pesquisas de intenções de voto nas futuras eleições para o governo estadual, publicadas pelo Jornal Pequeno no domingo: Flávio Dino desde já com 57% e vencendo seus principais adversários no segundo turno por grande diferença. Isto retrata bem o quadro político atual. A oposição tem um forte candidato, sem dúvidas.

20/09/2011 às 16h34min

Enem retrata o Governo Roseana

Nem os aliados se conformam com tanta mediocridade na educação. Um dos mais próximos deles alertou: “Acorda, Roseana!”, quando viu os resultados do Enem e a comparação deles com os outros estados. De fato não dá para não se indignar. Uma tragédia que não mereceu da governadora nenhum comentário. Tampouco de nenhum outro membro do seu governo.

Ser do Maranhão a pior escola do Brasil não escandaliza ninguém do governo, muito menos a governadora. Ser pior do Brasil, para a oligarquia parece ser normal e corriqueiro. Já se acostumaram… E como não pensam mesmo em fazer nada, para que falar sobre isso?

Na verdade temos três escolas entre as vinte piores do país, enquanto o Piauí tem a segunda melhor escola de todo o Brasil. Agora vejam: é aqui do nosso lado, no Nordeste, um estado que apresenta indicadores tão ruins quanto os nossos. E mesmo assim não temos nenhuma entre as vintes melhores escolas...

E a governadora diz que o Maranhão está se desenvolvendo. Só se for apenas em peças publicitárias. Ninguém se desenvolve sem educação de qualidade. E o que vemos aqui é a mesma governadora que deixou o governo em início de 2002 sem se importar com 159 municípios que não tinham escolas de ensino médio.

De fato, Roseana consegue ser pior sempre. É impressionante! Nada a comove e a faz tentar explicar os resultados desastrosos. Definitivamente ela não está nem aí…

Infelizmente educação é muito importante para o desenvolvimento de qualquer país. Estados do nordeste brasileiro estão empenhados em dar um salto de qualidade nessa área e todos estão conseguindo resultados melhores. Menos o Maranhão, que só regride. Se nega a pagar o piso salarial para os professores, mesmo sendo obrigados a isso, reinventa aquilo que já chamaram de “Lei do Cão”, tentando evitar pagar ao magistério o piso salarial obrigatório e troca de secretários de educação como quem muda de roupa.

E como se já não bastassem essas instabilidades, não coloca nenhum especialista na área educacional para dirigir o setor. Não quer gastar dinheiro com coisa tão desimportante. E acha que o Maranhão ‘vai muito bem, obrigado’…

Na verdade, estão muito preocupados em manter com a oligarquia o ministério do Turismo, que andou perigando sair do controle do grupo. Isso é ‘poder’, que é uma espécie de Santo Graal para o grupo Sarney, mesmo que nada resulte de bom para o estado. (Educação, então, o que seria frente a um ministério desses?).

Mas voltando ao Turismo, imaginem, logo aqui, onde os sindicatos de patrões e empregados da atividade turística coloca a boca no trombone, porque nada se faz aqui para atrair turistas, tudo culminando com terríveis constatações, como uma matéria recente da Folha de São Paulo sobre a rápida decadência do turismo no estado, que já soube no passado trabalhar bem no setor... Se no Turismo, cujo ministério tem sido ocupado por maranhenses aliados da oligarquia, realizem o resto...

Mudando de assunto, li que o jornal da oligarquia recebeu ordens de desmentir a própria governadora. Ela, em uma inauguração de uma obra do governo federal, uma UPA, claramente lançou o seu chefe da Casa Civil, Luis Fernando, candidato antecipado ao governo do estado em 2014.

É claro que ela tem no grupo da oligarquia vários outros candidatos a sua sucessão que se indignaram com a lambança fora de época e reagiram com vigor. Edinho Lobão avisou que o senador Lobão será candidato com apoio ou não do grupo, em uma declaração dura e direta. O também senador João Alberto avisou que o seu partido, que é o mesmo de Lobão, acha prematura a discussão nesse momento, fora o que rolou nos bastidores.

Roseana tomou consciência da lambança que proporcionou, sem nenhum sentido, e tentou recuar. Mandou o seu próprio jornal desmentir o que ela disse e assim eles publicaram que tudo aquilo foi invenção da oposição... Agora vejam que em verdade a oposição nada precisa fazer para complicar um governo que todo dia se complica mais na improvisação, na inconveniência e no amadorismo. A confusão está armada, é irreversível e quem armou foi Roseana Sarney. É claro que Lobão, que é experiente, nada mais falará. Mas o recado foi dado. E a confusão instalada não se resolverá tão cedo.

E enquanto isso, outras UPAS continuam a ser inauguradas no estado... As UPAS, como foram planejadas, seriam muito importantes para fornecer os primeiros socorros e atendimentos as pessoas em busca de tratamento. Entretanto, na capital, como Roseana fechou todos os hospitais estaduais da ilha, elas estão funcionando apenas como triagem para os Socorrões da prefeitura de São Luís. Estes, por sua vez, veem sua capacidade de atendimento saturada todos os dias, superlotados que estão, devido também ao fechamento dos hospitais estaduais.

É coisa de gênio, mas o Ministério do Turismo, quem sabe, encontra uma solução…