Blog pelo Maranhão
Zé ReinaldoJosé Reinaldo Tavares, é ex-presídente da Sudene, exministro , ex-deputado federal, ex-vice governador e governador do Maranhão. Converse com ele através do email : -zetavares@gterra.com.br
Com medo do julgamento
Nem se preocupam em esconder mais. O medo do julgamento da ação de cassação do diploma da governadora e do vice é tão grande que nem se preocupam mais em guardar as aparências como sempre fizeram. Os advogados consultados avisaram ao chefão que se o processo for a julgamento nada impedirá a cassação. Assim optaram por atrasar a qualquer custo o julgamento e passaram a tentar interferir no processo com chicanas jurídicas indefensáveis com o objetivo apenas de atrasar o processo.
No Maranhão conseguiram trocar o juiz que conduziria a inquirição das testemunhas, atrasaram o quanto puderam o envio para o TSE e agora, no TSE, querem trocar o juiz relator que vem conduzindo com correção a instrução final do processo. Querem colocar alguém que esqueça o processo numa gaveta do Tribunal enquanto vão dilapidando o estado cada vez com mais desassombro. E o que alegam para isso? Nada. Nada na lei ampara essas tentativas, mas como o objetivo é apenas atrasar o julgamento nem se importam com o vexame. E aí colocam o vice para assinar as chicanas como se Roseana não estivesse preocupada com nada.
Tudo muito diferente do processo com que cassaram Jackson Lago que se transformou em um julgamento político que atropelou Leis e a própria Constituição para escandalosamente colocar Roseana no poder sem nenhum amparo legal. Com a oligarquia em peso pressionando ele ultrapassou todos da lista de julgamento que estavam em sua frente já prontos para irem a plenário.
Depois de Jackson Lago mais ninguém foi cassado nem perdeu o mandato. Um escárnio!
Mas, voltando ao dia a dia, o aeroporto de São Luís já é anunciado como o “Aeroporto de Lona de São Luís” para diversão e tristeza dos passageiros. Já beira o desrespeito, embora, na verdade, só exista um único culpado nessa história que é a governadora Roseana Sarney, que nunca nem foi lá nem olhar o que havia acontecido, embora essa construção tenha sido feita em seu governo passado. E olha que já se passou um ano, e a governadora em nenhum desses mais de 365 dias tenha sentido o desejo de ver o que havia acontecido, e o pior de tudo: nunca preparou sequer uma nota para ser entregue a Dilma sobre o assunto tão grave para o desenvolvimento do estado.
E olha que essa estação de passageiros foi inaugurada por ela e Fernando Henrique Cardoso em um dia inesquecível para muita gente, pois nesse mesmo dia, ela e ele inauguraram a celebre fábrica de Confecções de Rosário, uma das muitas loucuras que ela fez no governo. A fábrica não funcionou mais do que dois dias e o aeroporto está no chão. E ela nem dá bola, está novamente de férias.
Por falar nisso o convite para Roseana Sarney participar da viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos, que aqui foi divulgado como uma distinção especial a ela, não foi bem assim. Os governadores do Nordeste estão indo também, e eles participarão da assinatura de contrato de empréstimo com o Banco Mundial. Mas parece que o Maranhão não assinará esse contrato, pois consta que não enviou projeto nem se interessou, pois a finalidade era combater a pobreza e a oligarquia em peso se recusa a acreditar na pobreza de grande parte da população do estado, pois se reconhecer passa o atestado interno do reconhecimento de quão nefasto foi o domínio da oligarquia durante tantos anos.
Assim ninguém sabe da finalidade da governadora na viagem em relação aos interesses do estado. Parece mesmo que é só passeio a férias.
Mas os desastres do governo de Roseana, antigos ou atuais, se sucedem. A duplicação da BR-135 que teve o edital de licitação suspenso pelo TCU por ter embutido um sobrepreço de R$ 50 milhões agora ao anunciarem que o novo edital está pronto fica-se sabendo que em vez de R$ 230 milhões a obra custará R$ 370 milhões, devido ao aumento no consumo da brita. Dá para entender? Ninguém pedirá explicações? É tudo normal e natural? Não dá para entender. Mas, agora, com esse ‘aditivo’, fiquem certos, a obra vai sair, finalmente. Era o “X” que faltava...
E os restaurantes populares que funcionavam durante a campanha e que logo depois foram fechados? É assim mesmo? E o espigão costeiro da Ponta da Areia que tudo iria resolver e que era propagandeado dia e noite na TV e que custou uma fábula? Para que serviu? Domingos Freitas Diniz em excelente artigo mostra que não tiveram cuidado com nada, não fizeram modelos reduzidos com as condições atuais da Baia de São Marcos e do Porto do Itaqui, e o tal espigão além de não conter a erosão está contribuindo para o assoreamento intenso das enseadas que antes recebiam os navios que vinham a São Luís, e hoje já não tem calado até para as lanchas maiores.
O governo, porém, nada diz sobre o assunto. Um dos maiores vultos da nossa história política, o deputado Neiva Moreira está com problemas graves de saúde, internado na UDI. Pessoa admirável, caráter firme, merecedor de todas as homenagens, merece o carinho e o apoio de todos nós. Que encontre forças para reagir e permanecer, forte como sempre foi, entre nós.
E para encerrar, a TV da oligarquia mostra colégios do estado em péssima situação de funcionamento e dizem que são colégios municipais de São Luís. Mostram a grande aceitação por parte da população ao programa Bom Peixe, um dos melhores e mais elogiados programas do prefeito João Castelo, e não diz que é um programa da prefeitura. Quem sabe pretendem induzir aos mais desinformados que é um programa do governo do Estado.
Férias novamente a procura de uma obra
É incrível o que se passa aqui. O estado é o último da federação, não importando se os dados e estatísticas a comparar sejam de educação, saúde, segurança, renda per capita, nível de vida, pobreza absoluta... Pode ser qualquer um e lá está o Maranhão em último lugar. Mas a governadora não está nem aí, ou não sabe, ou não se importa ou não acredita. Tanto faz. E para espanto de todos, sai de férias pela terceira vez neste ano, que mal entra no quarto mês.
É impressionante a alienação de Roseana Sarney em relação às condições de vida dos maranhenses, que a cada dia mais se agrava com o desenrolar do seu governo que é caracterizado pela inércia.
E para piorar, seus órgãos de comunicação tentam disfarçar a realidade das férias, divulgando então que ela teria sido convidada pela presidente Dilma para acompanhá-la em viagem aos Estados Unidos, onde a primeira mandatária do país tem marcado um encontro com o presidente Obama em Washington. A viagem da presidente é no dia 9 de abril, mas Roseana Sarney já debandou. Não parece estranho?
Os políticos brigam para irem de carona no avião presidencial com a presidente, pois assim teriam uma oportunidade de conversar um pouco com ela e tentar encaminhar um assunto de interesse do estado que representam. Isso é praxe em longas viagens presidenciais, como a do dia 9, e geralmente os membros da comitiva são chamados à cabine presidencial do avião para cumprimentarem e conversarem um pouco com a presidente. Governadores geralmente passam muito mais tempo com a presidente e podem, com mais tempo, encaminhar assuntos pendentes ou de grande interesse de seus estados.
Com efeito, seria incomum que a governadora, que tem encontrado dificuldades para marcar audiência com a presidente, não aproveite tal oportunidade. Não lhes parece de fato estranho?
Ou alguma coisa muito forte nos Estados Unidos atrai Roseana, a ponto de esnobar convite tão útil, ou então o convite não incluía a viagem no avião presidencial, o que não é provável, pois governadores quando convidados, tem direito também à companhia na viagem.
Ou Roseana prefere mesmo as férias porque não tem nada a discutir ou apresentar à presidente? Seja o que for, é muito ruim para o estado que é o mais pobre do país e precisa muito do apoio presidencial. Sinceramente, é de cair o queixo...
Enquanto isso, o senador José Sarney não gosta e fica agressivo quando os dados terríveis do nosso estado são divulgados. Se ele pudesse mudar essas estatísticas, sem dúvidas já teria feito. Se fossem dados coletados por entidade estadual, sem dúvidas que haveria uma interpretação própria deles, como muitas vezes já tentaram fazer sem sucesso. Como são dados federais, de instituições quase seculares, que não se abalam por esse tipo de crítica ou reivindicação, eles continuam a ser divulgados, mostrando a realidade brutal e cruel do que resultou de 50 anos de domínio total da oligarquia no estado.
Assim sua ira é dirigida aos que divulgam ou debatem esses dados. Ele sabe que a constatação de um Maranhão tão pobre e abandonado, mesmo sendo um estado sem secas, com bons solos e chuvas regulares, com muitos rios perenes, impede o seu sonho maior de ter uma biografia de benfeitor desse estado, um estadista.
Ele deve ficar com inveja da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que manda mudar os dados da inflação a seu bel-prazer...
E como se não bastasse, agora vamos falar da tal lei de iniciativa do governo do estado do Maranhão sobre licitações, que é um completo e total absurdo. Substitui a Lei n° 8.666, federal, que foi aprovada face às grandes falcatruas que as leis anteriores permitiam. Foi iniciativa do deputado Luís Roberto Ponte, do Rio Grande do Sul com o objetivo primordial de moralizar as licitações públicas e acabar com os acertos e aditivos sem controle. Luís Roberto Ponte era irmão do saudoso Dom Ponte, Arcebispo do Maranhão.
É bem da verdade que Roseana não respeitava a Lei n° 8.666. Quase tudo era feito com despensa de licitação, ao arrepio da lei, sem justificativa legal, com aditivos maiores do que o próprio contrato. Mas era ilegal e ela podia ser responsabilizada com os seus secretários em algum momento.
Então, ela tenta “legalizar” a lambança executada pelo seu governo com o argumento de que sua gestão se apoia, agora, em lei estadual aprovada pela Assembleia.
Pela nova lei ela pode tudo. Dispensa de licitação deixa de ser por emergência e passa a ser por urgência. Já pensaram? Ela vai considerar tudo como “urgência” e assim ela acha que pode entregar as obras para seus amigos mais chegados pelos preços que lhe convierem.
Ela já fazia isso antes, mas agora é “legal”. Ela vai poder fazer tantos aditivos quantos quiser, multiplicando os contratos com seus amigos. Vai até poder entregar uma obra sem projeto a uma firma muito amiga e contratá-la para fazer o projeto, executá-lo, fiscalizar a si próprio, fazer o orçamento e receber o pagamento depois de tanto trabalho...
É o fim. Ninguém segura o Maranhão!
Democracia sem controle?
Não existe democracia sem controle da sociedade. Este se faz por meio das leis e do seu cumprimento assegurado mediante a indispensável independência entre os poderes constituídos. Um poder de estado não pode ser dependente do outro, sob pena de não poder exercer plenamente as suas competências com liberdade.
Além disso, internamente cada poder tem que ter seus próprios órgãos de controle, independentes, com responsáveis exercendo mandatos com tempos definidos. Esses órgãos não podem ser dirigidos por pessoas nomeadas em cargos de confiança e têm que basear sua atuação nas leis, decretos e regulamentos pertinentes.
Se assim não for, suas atuações serão apenas um simulacro que no extremo deixam o chefe do poder e o próprio poder a mercê da boa-fé e da ética pessoal dos dirigentes. Nesse caso, tudo é possível e geralmente são causas maiores da malversação de recursos públicos, da corrupção, da falta de ética e do vale-tudo governamental que tira recursos que seriam aplicados em benefício social da população em gastos indefensáveis como benefício público.
No Maranhão, estado dominado por oligarquia longeva e danosa ao interesse público, existe democracia? Existe independência entre os poderes? Existe algum tipo de controle realmente efetivo sobre o Executivo? Existe qualquer tipo de controle interno no próprio executivo?
Uma matéria extensa e pormenorizada da revista The Economist, uma das mais conceituadas do mundo, diz que não e afirma que o estado funciona como um estado feudal, um feudo em que a lei é aquela que emana dos chefes da oligarquia e que paira sobre o arcabouço legal do estado, substituindo-o.
Aqui, o desejo da oligarquia e de seus governos tutelados é a própria lei e é a que verdadeiramente vale. Poder tal que é capaz até de impor o seu desejo de colocar membro proeminente da família no governo após derrota fragorosa nas eleições realizadas. Capaz de endividar o estado a seu bel-prazer, aprovando na Assembleia um empréstimo atrás do outro, sem se dignar nem a fingir que cumpre a legislação formal existente sobre o assunto e sem nem ao menos dizer onde o dinheiro vai ser aplicado como determina a lei.
A oposição, trabalhando como é de seu dever, acusa o absurdo do pleito, aponta suas falhas, fica indignada com o prejuízo das gerações futuras que obrigatoriamente terão que pagar pelos desatinos do atual governo, mas a grande maioria dos deputados se cala e permite o agravamento do endividamento do estado. Nessa marcha que vai, sem controle, a governadora Roseana Sarney dobrará em menos de cinco anos o montante da dívida do estado.
Para relembrarmos alguns fatos mais ou menos recentes, quando assumi o governo em 2002, após quase oito anos de dois desastrados mandatos da atual governadora, encontrei um estado inerte e sem controle fiscal, dependente de recursos federais para fazer qualquer coisa e com uma dívida interna e externa enorme. Para caracterizar essa situação insustentável que eu recebi, eis o que acontecia: pagávamos R$ 50 milhões por mês de dívidas internas e externas e arrecadávamos de ICMS, ou seja arrecadação própria, R$ 62 milhões no mesmo período, vivendo assim quase unicamente das transferências dos fundos constitucionais recebidos do governo federal. Assim, tudo caminha para a repetição do mesmo e danoso grau de irresponsabilidade fiscal após governos de Roseana Sarney.
E tudo isso é realizado sem nenhum controle, sem nenhuma observação, pois aqui controles não funcionam, já que ninguém quer se indispor com a oligarquia. É o quadro, sem retoque, descrito pela revista inglesa. Foi a soma de tudo isso que nos colocou como último estado da federação, e isso só pode ser consertado com a plena democracia funcionando efetivamente aqui.
Enquanto não a tivermos, teremos que assistir à farra dos empréstimos irresponsáveis; das dispensas de licitações de bilhões de reais com seu companheiro inseparável - o “sobrepreço”; com contratos milionários de marqueteiros do nada; com injustificáveis e suspeitos patrocínios de escolas de samba de outros estados; de programas caríssimos que não são concluídos e que a sua própria existência não se justifica, como os famosos hospitais inviáveis; assim como as UPAs, programa do governo federal, que aqui custam quatro vezes mais do que o estabelecido no portal do Ministério da Saúde; da farra de helicópteros; do aumento da criminalidade sem paralelo no Brasil; do fechamento de escolas, único estado a fazer isso no Brasil; das estradas da morte e do aeroporto de lona; dos restaurantes populares fechados depois de inaugurados em período eleitoral; da perseguição ao prefeito João Castelo que vai até a tentativa, malograda até agora, de cassação de seu mandato. E essa lista não acaba, ainda pode-se citar o fechamento por anos a fio da Biblioteca Pública do estado, um orgulho no passado; dos últimos lugares dos nossos alunos nos exames nacionais e tanta coisa negativa mais...
Mesmo assim, o prefeito Castelo conseguiu na verdade quebrar a rotina das notícias negativas sobre o Maranhão, ao ficar acima da média nacional como município prestador de serviços de saúde, levando o oitavo lugar entre as capitais e também pelo cumprimento de seu código de postura, notícia dada nacionalmente.
Enfim, embora passemos por um momento de abandono e desequilíbrio muito prejudicial à população do estado, nós vemos cada vez com mais esperança as eleições de 2014 como marco divisor do desenvolvimento econômico e social do nosso querido estado. “Vai passar”... Como diz a música de Chico Buarque.
Duda vale quatro UPAs a procura de uma obra
Depois do extravagante e inexplicável gasto de mais de R$ 10 milhões patrocinando o carnaval do Rio de Janeiro ao dar dinheiro para a escola de samba Beija-Flor, vem outra notícia tão escandalosa quanto aquela. Um novo contrato com o marqueteiro Duda Mendonça, este de R$ 6 milhões, assinado pelo governo, tem como objetivo fazer uma propaganda mais aprimorada e convincente da área da saúde do estado uma das mais precárias, pois oferece a população um serviço muito mal avaliado.
Para propaganda não existem limites e o governo gasta desbragadamente, mas quando se trata da área social, como por exemplo, a reabertura dos restaurantes populares fechados desde o final da campanha de 2010, o estado alega falta de dinheiro. Todos sabem que depois de prontas as peças publicitárias mais um dinheirão é gasto na televisão, nas rádios e nos jornais da própria família, pois a governadora é sócia do sistema Mirante com seus irmãos.
Assim custo não interessa, pois é ótimo negócio esse da publicidade do governo, como vemos. Isso seria um escândalo em qualquer lugar, menos aqui. Se não bastasse tudo isso, basta atentar que pelos preços do Ministério da Saúde o que será pago a Duda daria para construir quatro UPAS e deixá-las totalmente equipadas e prontas para funcionarem. Evidentemente os preços do governo do Maranhão são muito maiores. É obvio que o dinheiro aqui sobra e é gasto a rodo, sem se importar com retorno nem justificativas e nem nada. É tanto desperdício que de vez em quando recorrem a um empréstimo do BNDES e seguem jogando dinheiro fora como nesse contrato com Duda Mendonça, sem que nenhum benefício chegue a população.
A notícia de que Duda Mendonça, o marqueteiro dos endinheirados e da campanha de Roseana Sarney a governadora em 2010, onde prestou seus serviços por R$ 12 milhões, volta a assinar contratos milionários por aqui, seria no mínimo escandalosa. Ele foi contratado para fazer propaganda dos hospitais que Roseana havia prometido entregar em 2010 e até hoje não entregou 10% deles. E também para tentar convencer a população da excelência dos serviços de saúde prestados pelo governo muito bem representado pela extraordinária classificação do Maranhão em 18º lugar do país, abaixo da média nacional.
Vocês já pararam para pensar por que Roseana não entrega logo esses 72 prédios ou hospitais, como são chamados? Afinal, fazer prédios é rápido. É porque para serem hospitais é preciso que funcionem, e isso custa muito dinheiro permanentemente e o estado prefere gastar em construções e reformas caríssimas e não contratando médicos e enfermeiros e tudo aquilo de que necessita um hospital para funcionar. Na verdade querem é passar essas despesas para os municípios que não vão aguentar, e, fatalmente, depois das inaugurações solenes, a tendência é fecharem em sua maioria ou então deixarem para colocar todos eles para funcionar, na marra, nos últimos meses do governo, deixando todo o ônus para o futuro governo que terá de fechar a grande maioria deles, pois serão inviáveis. Uma tremenda irresponsabilidade desde o início.
E Roseana Sarney mostra que é mesmo a maioral e pode tudo. Para tentar dar legitimidade a grande lambança que seu governo realizou nas licitações públicas com bilhões de reais contratados para execução de obras sem projeto e por dispensa de licitações, além da prática de conceder aditivos muito além do limite legal, ela está simplesmente revogando Lei Federal que disciplina nacionalmente as concorrências públicas e colocando em seu lugar, pelo menos no estado, um código para tentar legalizar tudo o que está fazendo. Coisa de gênio e sem nenhum protesto das instituições responsáveis.
E para terminar, a verdadeira culpada pelo morticínio que acontece todos os dias na BR-135, entre São Luís e Bacabeira, é a governadora por deixar acontecer tanta lambança com esse projeto em uma obra vital para a população. O edital preparado aqui tinha tanto sobrepreço que o TCU teve que anulá-lo e outro projeto teve que ser feito para finalmente permitir um novo edital sem os vícios do primeiro feito aqui. Isso tem como consequência pelo menos dois anos de atraso nas obras, com mais e mais acidentes fatais. A culpa é do governo e da governadora que tudo assiste e ao não dar a mínima, demonstra não se importar mesmo. É uma repetição do que acontece ao mesmo tempo com o aeroporto, no chão há mais de um ano. Se tivéssemos governo estaríamos exigindo a construção de um novo terminal, pois o que caiu era mesmo muito ruim. O resultado é que voltamos ao passado com aeroporto improvisado dentro de uma barraca de lona, perdemos o status de internacional, expostos ao sol inclemente e a chuva desse período.
E o que faz Roseana além de inaugurar UPAs do governo federal construídas por sua administração a preços muito, muito maiores do que os preços do governo federal?
Governo condena as futuras gerações a procura de uma obra
Ninguém sabe qual o critério que o governo de Roseana Sarney adotou para a educação. Em um estado em que o analfabetismo vai a quase 20% da população (o maior índice do Brasil, está em torno da metade disso), o governo abandona as escolas e as está fechando sistematicamente. Os jovens protestam, mas Roseana, impassível, não os ouve e nem se incomoda. Parece que quer é cortar despesas na pasta.
Tudo indica que a governadora quer voltar ao seu desastrado modelo anterior que privou o interior do Maranhão de escolas de ensino médio - 157 municípios não tinham nenhuma quando Roseana deixou o governo em 2002. O fato é que nosso estado tem hoje muito menos alunos do que há alguns anos no ensino médio, quando o meu governo colocou as coisas em seu devido lugar e disponibilizou essa etapa do ensino em todos os municípios do Maranhão.
Se o futuro dos estados e dos países hoje depende da educação, pois o progresso virá da inovação e da tecnologia e de trabalhadores preparados e capazes, aqui o governo vai na contramão disso tudo, liquidando com o futuro e as esperanças de milhões de jovens. A liquidação da Fapema, da Universidade Virtual e de todo o Sistema de Ciência e Tecnologia, culminando, agora, com o emaranhamento (eis lamentavelmente um uso quase literal do termo) do ensino médio, são atitudes desse governo, todas nesse sentido. O futuro do estado não importa, assim como o de gerações de jovens que esse governo está comprometendo inexoravelmente.
E Roseana, definitivamente, mandou um recado duro aos que trabalham e produzem no seu governo. Definitivamente não combinam com ela. Que o diga o recente caso do Procon. Fiquem atentos.
O senador José Sarney publicou domingo retrasado um raivoso artigo em seu jornal em que, ao tentar encontrar algum mérito no governo de sua filha, tira não sei de onde, um índice que nunca existiu na área da saúde, e compara com um publicado agora pelo Ministério da Saúde, em que o governo ocupa lamentável colocação de 18° lugar no Brasil. O índice é uma apuração de alguns índices da saúde entre os anos de 2008 e 2010, e nessa ocasião o governo mantinha fechado diversos hospitais, com apenas a inauguração de um dos setenta prometidos, mas mesmo assim, ele tenta transmitir à população que esse seria um índice muito bom e que seria o resultado do trabalho de sua filha no governo. Com efeito, no auge da exaltação cívica, passa a me atacar, alegando que eu aviltara o estado e criticando, como prova maior, um outdoor que ele teria lido às lágrimas em Brasília e que, diz ele, tal peça publicitária teria sido colocada por todo o Brasil. Isso na verdade nunca existiu e o outdoor de Brasília, o único, tinha outros motivos - muito fortes - para a sua criação. Vamos aos fatos:
No início de 2006, no governo do Maranhão, vimos que precisávamos fazer com urgência alguma coisa em relação ao projeto de empréstimo do Banco Mundial para combater a pobreza no estado, que estava parado desde 2004 no Senado. Os senadores, procurados por nós, diziam sem meias palavras que havia uma orientação superior na casa para não votar o empréstimo. O presidente do Senado, como sempre, era o senador do Amapá, José Sarney. Ficou célebre o vídeo, que pode ser encontrado até hoje no YouTube, em que o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, então presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, quando instado pelos seus pares que o cobravam por que não colocava o projeto do empréstimo na pauta de votação, sussurrou : “É coisa do Sarney”.
Pois bem, o tempo passava e o Banco nos avisava que, se não aprovássemos logo o empréstimo, este teria que ser anulado, pois completaria dois anos após a aprovação da diretoria sem que fosse efetivado. A bem da verdade era isso que a oligarquia queria.
Resolvemos então tomar a iniciativa e enfrentar o problema no Senado. Um outdoor, único, repito, foi colocado em Brasília perto do Senado para sensibilizar os demais senadores sobre a violência que a casa perpetrava contra os pobres do Maranhão, destinatário dos recursos do Banco Mundial. Partimos para um ‘corpo a corpo’ com os senadores e após enorme marcha de protesto pelas ruas de São Luís, uma delegação de pequenos agricultores encheu as galerias do plenário do Senado, bradando pela aprovação do empréstimo. Eu ainda escrevi um artigo sobre a situação vexaminosa do estado, com os seus terríveis indicadores sociais, os piores do Brasil, a convite de Dr. Júlio Mesquita, diretor do jornal O Estado de São Paulo, cujo conteúdo foi publicado dias depois. O resultado todos sabem, o empréstimo foi aprovado a despeito da ira do senador, que bradava: “Aprova, mas o dinheiro não sai”. Episódio também registrado para a posteridade no You Tube.
Nada disso é mencionado pelo senador em seu artigo, talvez porque tenha sido enganado, quando lhe passaram dados ficcionais.
Era uma ficção, sim, pois ficou mais do que demonstrado agora que os dados anteriores ao publicado nunca existiram e, portanto era tudo falso. Havia tão somente servido de pretexto para o senador vociferar sobre todos aqueles que entendem que não é escondendo, mas enfrentando a realidade, é que poderemos avançar. Ele alcunhou a todos de maus cidadãos, verdadeiros traidores lesa-pátria.
Enquanto empresários vêm para cá construir projetos ambientalmente sujos e que nada trazem de bom para o estado, vejam o que aconteceu com o mesmo empresário ao tentar fazer projeto parecido em Antofagasta no Chile: “A Corte de Apelações da província do Antofagasta (norte do Chile) suspendeu por questões legais a autorização ambiental que aprovava a construção da central termelétrica de Castilla, a maior da América do Sul e de propriedade do empresário brasileiro Eike Batista.
O tribunal chileno aceitou um recurso de proteção apresentado por moradores e pescadores de Totoral, a área da futura central, e considerou ‘ilegal’ a classificação ambiental que permitiu a construção, que em várias ocasiões mudou a qualificação de ‘poluente’ para ‘incômoda’. O objetivo é gerar 2.100 MW a base de carvão, mais 254 MW em usinas adjuntas com o uso de diesel”.
O carvão é o mesmo combustível da termoelétrica do Itaqui, em plena Ilha, mas aqui, quem vai contestar os desejos da oligarquia?
No Maranhão ficará só a poluição...
A revanche e a mentira da saúde
Roseana quer revanche. Ela não perdoa a atitude dos policiais que, cansados de esperar por uma discussão séria sobre suas reivindicações, entraram em greve. Ela, usando de muita prepotência e ameaças, tentou fazer o movimento recuar. A categoria não se intimidou e quem recuou no fim foi ela, que acabou cedendo em tudo o que eles pediram desde o primeiro momento. Na verdade foi muita humilhação.
Agora ela resolveu se vingar e escolheu a PEC 300, que iguala o vencimento dos militares e policiais aos militares de Brasília. Agora vejam que, para dar notícias nos seus jornais e televisões, tentando criar um fato positivo depois do retumbante fracasso do seu projeto midiático com a Beija-Flor do Rio de Janeiro, ela convidou os governadores de outros estados para uma reunião em sua residência na Capital da República. Para os seus jornais, ela iria tratar de vistoso 'Pacto Federativo', seja lá o que isso significa.
Para os governadores, iriam tratar da PEC 300, acenando aos que aceitaram o convite com a ajuda muito importante do pai, presidente do Senado. Ela tentou esconder ao máximo o real motivo do encontro para não se incompatibilizar de vez com os policiais. Em vão. E ela tampouco pode dizer que a iniciativa não foi dela, que foi apenas convidada, já que a reunião foi em sua mansão particular em Brasília. Como esconder?
Se o estado não tiver meios de pagar o que preconiza a PEC, o correto, já que foi promessa de campanha da presidente, é negociar com o governo federal para tentar encontrar uma fórmula em que esses custos sejam divididos entre os estados e o governo federal. Os salários dos policiais são realmente baixos e existe a necessidade de que essa função fundamental para a vida em sociedade possa ser cumprida por profissionais recebendo salários mais dignos. E, ao contrário disso, não fazer a lambança que fez a governadora e depois tentar fugir da sua responsabilidade no episódio.
Os policiais definitivamente ganharam uma grande inimiga. Roseana quer revanche!
E seguindo o script caótico dessa gestão, em que pese o 'tsunami propagandístico' em que o governo bombardeia a população do estado, tentando fazer com que todos aceitem a lorota de que Roseana faz um grande trabalho na área da saúde, a realidade – sempre a realidade e as estatísticas, que ela deve achar que a perseguem e ao seu governo, divulgadas agora – do índice da saúde por estado mostra o Maranhão abaixo da média nacional. E aí? Esse programa de construir prédios, sempre em suspeitas dispensas de licitações e tentar fazer todos acreditarem que isso é saúde, não podia mesmo dar certo.
É apenas mais uma lorota, como é também aquela da criação dos 400 mil empregos que mensalmente o Caged desmente ao mostrar que aqui, ao invés de emprego, temos desemprego, como mais uma vez em janeiro, com mais 900 desempregados no estado. Aliás, ficar em 25° lugar no país já diz tudo. O governo não existe.
Mas, voltemos à saúde. O governo do Estado, sempre midiático, pegou um índice inteiramente novo e publicado pela primeira vez – repito, primeira vez – para tentar se dar bem. Inventou uma comparação com um índice que teria sido publicado em 2008, no qual o Maranhão estaria em último lugar, para dizer que a saúde do estado subiu nove degraus, saindo do último lugar para o 18°, o que mostraria, então, o 'avanço' que o estado teria experimentado com o midiático programa Saúde é Vida do governo estadual entre 2008 e 2010. Mentira!
O índice é novo e foi divulgado pela primeira vez. Não há o que comparar. Tenho certeza de que, se houvesse índice em 2008, este certamente seria maior do que o de agora, mostrando que o estado regrediu na oferta de saúde e não o contrário. Como a saúde poderia melhorar com hospitais fechados em reformas infindáveis e um bando de esqueletos de construções que chamam de hospitais no interior? É apenas mais uma mentira desse governo de araque...
Se alguém se saiu bem, foi o prefeito de São Luís, João Castelo, pois apesar do cerco do estado, que nem lhe permitiu construir um novo hospital de Urgência e Emergência e, na verdade, fechou importantes hospitais na capital, como o PAN Diamante e outros, São Luís foi classificada em 9° lugar no Brasil. E nem festa Castelo fez por isso, embora acima da média nacional. Como se vê não dá para levar esse governo a sério.
Um dos mais importantes juristas deste país, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no último no domingo, classifica a Lei da Ficha Limpa como uma roleta-russa cheia de balas e diz textualmente: 'a inelegibilidade pela rejeição de contas de prefeitos, por exemplo, pelos tribunais de contas, será que isso é bom? Nós sabemos que hoje temos problemas nos tribunais de contas. Há uma excessiva politização e partidarização dos tribunais de contas. Ou nós não sabemos disso? Não devemos ser ingênuos ao ponto de não imaginarmos que pode haver manipulação. Imaginemos que um político importante seja condenado em primeiro grau numa ação de improbidade. Alguém desconhece a pressão que haverá sobre o tribunal para julgar também nesse sentido e torná-lo inelegível? Pressão eventualmente política, inclusive. Quem conhece a estrutura de alguns tribunais sabe que isso pode ocorrer e vem ocorrendo'.
Aqui no Maranhão, alguém duvida que a oligarquia, com o poder que tem nas instituições, não vai usar a lei a seu favor contra seus inimigos ou para intimidar e aprisionar em suas teias os políticos vulneráveis? Será que vão acontecer penalidades em políticos importantes para a oligarquia?
Quem viver, verá! O alerta é do ministro Gilmar Mendes, feito publicamente pela imprensa.
No fundo do poço
O Maranhão nunca passou uma fase de tanta desmoralização como agora. Roseana Sarney conseguiu, com sua omissão no governo, acabar com todo o charme que o Maranhão era merecedor no passado. Para os maranhenses já se tornou comum em qualquer situação ouvir palavras desagradáveis ou ofensivas ao estado.
No sábado, os passageiros que chegaram de Brasília, maranhenses e turistas, presenciaram mais um desses momentos. Quando o avião parou e desligou as turbinas, formou-se aquela fila próxima à porta dianteira, esperando a escada ser colocada, para que a porta pudesse se abrir e, finalmente, possibilitar o desembarque. O comandante se posicionou na saída da cabine do avião junto com as comissárias de bordo para se despedirem dos passageiros.
Nesse instante, uma senhora perguntou para o passageiro atrás dela como estava o aeroporto de São Luís. Quem respondeu foi o comandante, que falou para todos ouvirem. ‘Aqui, senhora, tudo pode acontecer. O ‘finger’,(aquele tubo que liga o aeroporto ao avião, por onde passam, ao abrigo do sol e da chuva, os passageiros no embarque ou no desembarque) caiu. O teto do aeroporto também caiu e continua no chão. O aeroporto é formado por várias tendas e os passageiros e a tripulação são obrigados a tomar sol ou chuva para embarcar ou desembarcar do avião. É um desastre!’.
Agora vejam que em verdade aquela sucessão de tendas enormes está de acordo com o momento em que vive o estado, já que o governo estadual mais parece um grande ‘Baile da Ilha Fiscal’, marcando os derradeiros momentos de uma oligarquia que explorou o estado durante 50 anos.
Agora um fato estranhíssimo é noticiado nos jornais. Com a total falta de condições da empresa contratada para realizar a recuperação do aeroporto que caiu, nos chega a informação de que o governo estadual deveria ajudar financeiramente a empresa para que essa pudesse cumprir o seu contrato. Por que será? Será que ela foi indicada por alguém poderoso do governo? Por que então não tirar essa empresa e licitar a obra para escolher uma empresa capaz de realizar o trabalho? Não é estranho? Enfim, é o Maranhão da oligarquia…
E nossa situação já ficou tão corriqueira como assunto que recentemente a grande atriz da Globo, Rosamaria Murtinho, numa entrevista, elogiava São Paulo, que para ela é primeiro mundo, dizendo que o que atrapalha São Paulo é o resto do país, e citava as estradas do estado, com pedágios, que são maravilhosas etc… Então concluiu a entrevista comentando: ‘Veja o Maranhão, que é o pior estado do Brasil, para entender o que estou dizendo’. O Maranhão de Roseana virou piada de mal gosto e o resultado disso são as vaias que acompanham a família em qualquer local público.
O estádio de futebol foi interditado, o Box Cinema foi interditado, a duplicação da BR-135 – única ligação rodoviária da Ilha de São Luís com o continente – teve a duplicação paralisada pelo TCU, pois a licitação preparada aqui tinha um sobrepreço de mais de R$ 50 milhões, com altíssimos preços na brita e em outros materiais controlados pela oligarquia. Ademais, os recursos que vieram para serem aplicados em obras de recuperação das áreas que foram alagadas em 2009 no estado passaram longe das vítimas da enchente e encheram os bolsos de muita gente que nunca esteve em nenhuma inundação. Já os alagados..
E até tornado chega aqui, que coisa…
Nada funciona, todos sabem, mas a farra continua e não se tem notícia de estados que levam a sério o setor turístico como o Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, que tenham patrocinado uma escola de samba do Rio de Janeiro para divulgar os seus estados. Isso mais parece tentativa desesperada de divulgação pessoal da família, tão mal avaliada nacionalmente pela opinião pública.
Quarto centenário, um nome a procura de uma obra
O marqueteiro Duda Mendonça verificou que o nome 'Quarto Centenário' é forte, tem um apelo muito grande e desde então Roseana o usa para tudo, principalmente para aquilo que ela faz melhor: enganar o público. Assim, inicialmente esse nome foi usado por ela a bordo de um helicóptero sobrevoando São Luís e apontando onde ela faria obras de sonho maravilhosas. Dentre as tais obras, ela destacava a impressionante Ponte do Quarto Centenário, obra comparável a Ponte Rio-Niterói, construída por Andreazza durante o chamado 'Milagre Brasileiro'. Tudo fazia parte de um filme para a campanha eleitoral de 2010. Esse estelionato eleitoral também reforçava a frase repetida em todos os cantos, de que esse seria o melhor governo de Roseana Sarney, o que na verdade nada dizia, pois os outros foram muito ruins.
Roseana, no governo após a reeleição, nem falou mais na tal ponte, nem uma solenidade de 'autorização' sequer - arma midiática preferida do seu repertório, que frequentemente utiliza. Nem mesmo a execução de um projeto de engenharia, caso ela tentasse mesmo realizar a obra. O governo não falou mais na ponte, até para não lembrar aqueles que acreditaram na promessa eleitoreira, mais uma entre tantas que não foram realizadas.
A segunda vez que tentaram usar outro engodo foi quando a seleção brasileira de futsal esteve aqui e anunciaram que a apresentação fazia parte das comemorações do quarto centenário da capital. Logo pararam, pois aquele jogo na verdade fazia parte do treinamento da seleção brasileira, que antes já jogara em Boa Vista e depois de São Luís iria a Teresina, Fortaleza, João Pessoa. Ou seja, nada tinha a ver com Quarto Centenário de qualquer lugar. Era só mais uma tentativa de enganar o público.
E agora ela se supera. Todos sabem do esforço e do trabalho do ex-governador Jackson Lago para realizar, junto com o governo federal, o PAC do Rio Anil, do qual fazia parte a erradicação de palafitas, transferindo seus moradores para blocos de apartamentos dotados de energia elétrica e saneamento (água e esgoto) e vários equipamentos de infraestrutura social.
Além disso, fazia parte do projeto uma avenida de contorno da área que Jackson deixou bastante adiantada. Agora Roseana, frustrada com os impactos negativos de sua caríssima Via Expressa, faz o que mais gosta, ou seja, assina a autorização para a execução da ligação da obra com outra avenida e chama a obra de Avenida do Quarto Centenário.
Na verdade se alguém tem algum mérito com a execução dessa avenida é Jackson Lago, que, pela sua vida e seu currículo de três vezes prefeito de São Luís e governador do estado, possibilitou essa obra que certamente teria terminado, se não tivesse sido afastado do governo da maneira que foi, para que Roseana, a perdedora da eleição, pudesse voltar a ser governadora.
Em meio a tantos nomes sem mérito que batizam obras no Maranhão, nada nem ninguém merece mais, nesse caso, titular essa obra do que o ex-governador. É querer levar o mérito pelo que os outros fizeram, além de tentar impedir uma justa homenagem ao ex-governador que a derrotou.
Não bastasse isso, agora vem aí o Carnaval do Quarto Centenário...
E sem fugir ao tema, eis aí outro escândalo sem precedentes, o ato tresloucado do governo de dar R$ 9,5 milhões para o carnaval do Rio de Janeiro, valor divulgado pela imprensa, numa hora em que o governo deixa de cumprir a sua parte em vários e importantes programas de interesse social. Vejam que paradoxo: Roseana simplesmente fechou 16 escolas de ensino médio no Maranhão, mas em contrapartida, abriu as portas de 'escola' no Rio, 'de samba', evidentemente...
Essa vida é um circo.
No Maranhão em que tudo vai deixando de funcionar, incluindo aeroporto, acesso rodoviário da capital, colégios e hospitais são fechados, a insegurança e a violência tomam conta da capital e do estado, e os indicadores sociais despencam e afundam o estado comparativamente a outros, os empregos prometidos não aparecem, as empresas também não vem e o clima de desalento e abandono toma conta de tudo, até o Box Cinemas é interditado.
Enquanto isso, há muitos se dando bem, muito bem, pois até as decantadas UPA, que têm o preço de referência fixado no Ministério da Saúde em R$ 1,5 milhão para cada uma, incluindo todo o equipamento, aqui elas estão custando R$ 4,5 milhões cada, sem o equipamento, ou seja, pelo preço de uma UPA aqui, são construídas três nos outros estados. Pobre Maranhão.
Por falar em pobreza, a governadora disse que vai combater a pobreza. Parece que ela finalmente começa a aceitar que aqui tem mais pobreza que qualquer outro estado brasileiro. Vejam o que escreveu o professor José Lemos, da Universidade Federal do Ceará: 'Para combater a pobreza, o Governo Maranhense precisa esforçar-se para reduzir drasticamente a atual taxa de analfabetismo, haja vista que em 180, dos 217 municípios maranhenses, a taxa supera 20%. No Maranhão, 71 municípios têm mais de 50% dos domicílios privados ao acesso à água encanada. Em apenas 18 municípios, menos de 50% dos domicílios tem acesso ao destino adequado de dejetos humanos. Este quadro precisa e pode mudar.
No passado recente, de 2002 a 2006, foram feitas tentativas bem sucedidas que deram bons resultados. Basta haver um pouco de humildade para aprender com os bons exemplos deixados, mesmo que por adversários. O bem estar coletivo deve ser o fundamento norteador de qualquer governo.
Combater pobreza extrema apenas transferindo renda não resolve o problema. Ao contrário, pode até mesmo agravá-lo, porque pode estimular as pessoas, sobretudo os jovens, à indolência. O que reduz a pobreza é a educação, o trabalho bem remunerado, e o acesso aos serviços sociais essenciais de saneamento, água encanada e coleta de lixo'.
O problema, Lemos, é que com Roseana não dá para ter esperança de mudança...
Trem desgovernado
Na propaganda eleitoral de 2010, o marqueteiro Duda Mendonça criou para a campanha de Roseana Sarney um trem que passava em alta velocidade, tentando induzir a mensagem que no 'melhor governo da vida dela', o progresso viria rápido. Era uma tentativa imaginada por Duda para tentar dar credibilidade à mais do que desgastada candidata oficial da oligarquia. Mesmo assim, o resultado das urnas mostrou que nada disso evitaria o segundo turno. Este parece ter sido evitado na calada da noite, com paralização da contagem, que só foi reaberta com o suspeitíssimo resultado de 2000 votos, que afastaram por fim o perigosíssimo segundo turno, que provavelmente daria a vitória a Dino. Tudo dentro do figurino do coronelismo que já subjugara a justiça ao tirar Jackson Lago na marra do governo e a tresloucada decisão de transferir o governo para a perdedora. Coronelismo puro, Chico Heráclio ficaria com inveja.
Não bastasse isso, o suspeito resultado ainda depende de decisão da justiça, dada a derrama de dinheiro público na campanha, mais do comprovado no processo que pede a cassação do diploma de Roseana.
Por isso vejam que foi bem empregado Duda ter desenhado um trem fechado, sem maquinista. Ele a conhece bem. E trem sem maquinista acaba descarrilando. É inevitável.
Sobretudo quando a maquinista não gosta de trabalhar, tem outros interesses na vida, e raramente entra na cabine do trem para que este ande um pouco. Quer entrar de férias o ano inteiro e quando está na estação, não chega perto da cabine do maquinista. E assim o trem de Duda não anda e quem sofre são os que dependem desse 'tal' meio para o emprego e para tudo em sua vida...
Aqui no Maranhão tudo regride, tudo anda para trás e o que existia antes de Roseana chegar ao poder novamente hoje não funciona mais. Vamos ver?
O aeroporto de São Luís nunca foi bom, mas pelo menos existia. Hoje não existe mais e os jornais dizem que é tal o desinteresse que depois de um ano interditado, tudo que foi feito não chega a 10% do que é necessário. Nesse ritmo, vai levar 10 anos para sua reconstrução...
A BR-135 continua matando gente, pois o projeto anterior para a duplicação, elaborado aqui, não passou no TCU, tampouco no DNIT, e está sendo feito de novo, para então possibilitar a licitação, que todos sabem, é processo muito demorado.
Aí estão duas infraestruturas fundamentais ao estado, que não funcionam há muito tempo, e Roseana não diz uma palavra sobre isso. Talvez nem saiba o que está acontecendo, pois em Paris está tudo muito bem... O resto não interessa.
Mas não é só isso infelizmente. A segurança funcionava e os índices de criminalidade eram dos mais baixos do país. Hoje São Luís passou de último lugar em crimes de morte entre as capitais para quinto lugar e é a 27ª cidade mais violenta do mundo. Tudo isso em pouco tempo, verdadeira façanha até mesmo para Roseana.
E para completar sua caótica administração, ela lega ao país a greve das polícias militares. Sim porque foi ela que, ao não negociar com a PM do Maranhão, demonstrando uma arrogância desmedida, provocando a greve, depois ao ceder tudo o que eles pediam inicialmente, colocou todos os estados na mesma situação e assim a iniciativa de outras greves, motivada com o sucesso do Maranhão, se instalou no Piauí, no Ceará, na Paraíba e agora na Bahia. Ela deve ser consagrada a musa da greve dos policiais.
Na educação, o Maranhão, que estava em posição intermediária entre os estados brasileiros, hoje se fixou nos últimos lugares, e, em 2011, 16 colégios de ensino médio foram fechados sem explicação. Nenhuma surpresa nesse setor, pois Roseana, quando saiu do governo em 2002, deixou 157 municípios sem ensino médio. Nesse setor ela apenas se repete...
Na saúde, antes de Roseana tomar o governo, os servidores tinham hospital próprio o que sua fantástica gestão lhes tirou. Ademais, em São Luís e no interior do estado, diversos hospitais foram fechados e o governo diz que a população espere os novos que só existem na propaganda. Os outros estão fechados para reforma caríssimas e intermináveis, pois acaba uma reforma e começa outra.
As estradas estaduais estão esburacadas e na região da baixada maranhense vários trechos são verdadeiras tábuas de pirulito. Em contrapartida, o governo estadual inventa uma Via Expressa em São Luís com o custo, verdadeiro recorde nacional, de R$ 22 milhões/km e que além de tudo, agride o meio ambiente, não tem licença da Prefeitura, ameaça agredir o patrimônio histórico, com a derrubada iminente de vila secular, atravessa e derruba manguezais, tudo para ligar dois Shoppings Centers. Nada vai resolver, pois o traçado está errado. E acontece sem contestação das autoridades que deviam zelar e exigir explicações exigidas em lei.
E, para concluir, algo de muito estranho acontece. Com Roseana no Palácio dos Leões, o governo faz reunião no gabinete da governadora, mas no lugar de honra da mesa estava o Secretário Chefe da Casa Civil. Normalmente, essa solenidade deveria ter sido realizada em outra dependência ou na própria Casa Civil, que já sediou o governo e possui boas instalações para esses encontros. Seria uma 'homenagem a Luís Fernando? Se esse foi o intuito da governadora, tenha cuidado, Luís, pois ela pode estar te rifando da candidatura ao governo...
E a solenidade era para apresentar o novo código de licitações do estado. Interessante, depois de gastarem mais de um bilhão de reais em licitações fora da lei, a maioria muito suspeita, eles agora, com pompa e circunstância, apresentam um novo código. Tenha cuidado também, Chico Batista, pois esse governo não tem como seguir esse código...
Onde vivem os coronéis
O Brasil está estarrecido com o que acontece aqui no Maranhão. Um dos jornalistas mais lidos do país, Lauro Jardim, da Veja, exprimiu com exatidão esse sentimento. O título da sua matéria na Veja online foi perfeito: 'Tem coisas que só acontecem no Maranhão'. Foi preciso, direto, irretocável. O país se estarrecia com a descarada tentativa de protelar e atrasar o julgamento do processo de cassação do mandato de Roseana Sarney pelos delitos que ela cometeu durante a campanha de 2010, em que desrespeitou toda a legislação eleitoral e quase quebrou as finanças do estado. Ela tentava manter-se no cargo após tomá-lo de Jackson Lago 'no tapetão'.
Para tentar evitar a cassação, o senador José Sarney conseguiu colocar no TRE pessoas da sua mais estreita relação, gestores de seus bens ou empregados indiretos do governo de sua filha, a ré. Isto é, pessoas que não tinham e não têm mínimas condições de votar contra Roseana, como acabaram de fazer novamente. Nesses casos o procedimento correto é se dar por impedido de julgar seus poderosos amigos. Mas, se eles foram colocados lá para isso, e só por isso, por que não atender amigos tão poderosos? É o Maranhão.
Sarney, tempos atrás, mandou seus caríssimos advogados examinarem o processo para saber de sua consistência. A reposta o deixou assustado. Avisaram-lhe que, se o processo fosse a julgamento, significaria cassação certa. Se não quisesse correr riscos, que tentasse protelar o julgamento até que Roseana concluísse o mandato. O temor do julgamento, a partir daí, comandou as ações do senador.
E ele nem se importa que a repercussão dos seus atos possa escandalizar a nação. E tampouco se importa que essas ações afundem cada vez mais profundamente a sua tentativa de criar uma biografia minimamente favorável a si, já que a cada ato em que impõe à sociedade a sua força, tudo piora em relação a sua imagem. Entretanto, ele precisa mostrar aos maranhenses – e faz questão de mostrar isso – que é muito maior do que as instituições do estado, como a justiça. Em cada episódio, ele só confirma o que disse a revista inglesa The Economist. Referida publicação concluiu que aqui não existe democracia, pois o direito e a justiça não estão assegurados, quando se chocam com os desejos e necessidades da família oligarca. A revista chamou o Maranhão de estado medieval.
Essa história nos remete ao passado, principalmente o passado da região nordeste do Brasil, dominada pelos coronéis regionais e suas oligarquias que deram origem ao atraso da região. No livro 'Coronel, Coronéis' de Marcos Vilaça e Roberto Cavalcanti, ambos pernambucanos, sobre o apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste, eles tratam com maestria o período em que a política do estado dependia de quatro coronéis: Chico Heráclio e José Abílio, ambos do Agreste pernambucano e Veremundo Soares e Chico Romão, do Sertão. Um dos mais fortes e influentes foi Chico Heráclio, que inclusive foi o primeiro a compreender o papel da imprensa e foi quase sempre muito bem tratado por ela, embora não fosse homem de muito estudo. O livro mostra uma visão sofisticada e complexa do mandonismo e da política em geral.
Vários casos são muito ilustrativos do poder dos coronéis do passado. E vale a pena reviver o caso famoso que envolveu o coronel Heráclio, na cidade de Limoeiro em Pernambuco: Em um aniversário da cidade resolveram fazer um jogo de futebol entre Limoeiro e Garanhuns. A rivalidade era grande e, dada a importância do evento que mobilizou a população, o coronel Heráclito, em pessoa, resolveu assistir à peleja.
Ele não conhecia o jogo, mas foi assistir e, para isso, providenciaram cadeiras de balanço para o coronel. Junto dele se sentaram o delegado, o juiz, o padre e todas as mais altas autoridades de Limoeiro. O jogo corria, quando, para evitar um gol de Garanhuns, o zagueiro do time de Limoeiro entrou com violência no atacante dentro da área e o juiz, incontinente marcou o pênalti. O povo não aceitou a marcação e correu atrás do juiz. Este, agoniado, caiu ao chão e a multidão o cercou. O coronel Heráclio levantou a bengala e a multidão parou em expectativa. O coronel exigiu explicações e o juiz explicou ao coronel que ele apenas cumpria a regra, que era a lei do jogo. Que em faltas dentro da área, perto da trave, tinha que ser batido um pênalti e para isso todos os jogadores tinham que se afastar para fora da área e ali só ficariam o goleiro de Limoeiro e o atacante de adversário. O coronel viu a gravidade do assunto, pois a marca do pênalti era muito próxima do gol, que tinha sete metros de largura, resguardado pelo goleiro sozinho, o que significava que Garanhuns iria ganhar o jogo e na circunstância agravante da presença do coronel.
Imediatamente o coronel Heráclio tranquilizou o juiz, in formando que ali se cumpria a lei e, portanto, a penalidade seria cobrada. Contudo, esta seria cobrada na outra área, conforme decidiu Chico Heráclio, ou seja, na de Garanhuns e quem iria bater era um jogador de Limoeiro. E assim foi, tudo dentro da lei, porque o coronel não admitia que esta se descumprisse... Limoeiro ganhou de 1x0.
Essa era dos coronéis não existe mais há muito tempo. Menos aqui no Maranhão, onde José Sarney incorpora Heráclio e todos os demais coronéis do Nordeste. O Maranhão é o único estado do país onde ainda manda um coronel e sua oligarquia. Como no passado, os coronéis tinham filhos e parentes deputados, juízes, prefeitos e muito prestígio e apoio do governo federal.
A lição de Heráclio foi muito estudada por José Sarney, que procurou logo formar um império de comunicações, pois eram novos tempos. No restante, as práticas são parecidas e, por isso, a revista inglesa que comentei acima classificou o senador do Maranhão de 'Coronel Eletrônico', mais modernizado.
Para que o Maranhão se livre de tudo isso, que para cá só trouxe atraso e poder para si, ainda restam alguns anos. Mas não passa de 2014.
Hoje a contribuição desse pessoal é só trazer vergonha e constrangimento ao Maranhão, tudo retratado nas terríveis estatísticas nacionais, que nos colocam em último entre todos os estados brasileiros. Mas como o Nordeste, o Maranhão ao se libertar desse jugo, crescerá rapidamente como já ficou demonstrado nos poucos períodos em que eles não governaram o estado.
E só para confirmar todo esse mandonismo, a oligarquia, eles mesmos, querem que a população acredite que a saúde do estado melhorou. E é fácil ver que na verdade a saúde que o governo oferece à população é uma das piores do país. Para verificar isso, basta ir ao Piauí, nosso vizinho estado, tão ou mais pobre que nós. O que se faz lá em matéria de saúde não tem termo de comparação com o descalabro daqui...
Para concluir, chegaram a mim informações de que na Emap, apenas dois blogs possuem acesso proibido quando se intenta acessá-los pela rede da empresa: o meu e o do jornalista Cunha Santos. Além do absurdo da medida oligárquica, eles acham que meu blog é muito perigoso para seus funcionários. O Jornal Pequeno e todos os blogs associados são permitidos, menos esses dois. Que clima...
Para Roseana, tudo azul
Basta observar um pouco as atitudes da governadora para constatar que ela está cada vez mais desconectada da realidade em que vive a população. Normalmente, férias de governador só se dão quando as coisas estão muito bem e que a população está satisfeita com a vida. E não sei quem lhe dá informações tão equivocadas para que ela saia de férias pela segunda vez em dois meses. Beira a alienação. Ou talvez ela não esteja mesmo se importando com nada.
Todos sabem que três setores são muito sensíveis para os cidadãos: segurança, saúde e educação. Será que a alienação da governadora a leva a crer que algum desses setores está pelo menos razoável? Pelo que faz e diz, parece que sim, mas a situação, na realidade, é pouco menos que um caos.
A violência, para começar, está fora de controle e quem atesta isso são as estatísticas nacionais. Mas, muito mais do que isso, a população vive assustada com os crimes em grande quantidade que acontecem todos os dias: desde os crimes por encomenda em que as principais vítimas são empresários; aos assaltos a ônibus – que acontecem diariamente e em todas as linhas; roubos nos estabelecimentos comerciais, residências, pessoas nas ruas, nas saídas de banco, etc.
O IML está sucateado, dificultando e muitas vezes impedindo a solução dos crimes, o que aumenta a situação de impunidade existente. O crack se alastra com rapidez em todo o estado sem nenhuma providência do governo, o que contribui enormemente para o aumento da criminalidade.
O crime campeia solto em todo o estado e na antes pacata e tranquila capital, a situação se agrava rapidamente. E tudo isso está muito bem exposto nas pesquisas e estudos especializados que informam que a situação está tão grave que do vigésimo sétimo lugar que ocupávamos há poucos anos, estamos bem distantes e agora somos quinta capital mais violenta do país. E nesse embalo, uma organização internacional, tomando como base as estatísticas nacionais de cada país, para espanto de todos, classifica São Luís também em vigésimo sétimo lugar entre as cidades mais violentas do mundo. Chocante!
Bastava isso, a situação da violência no estado, para impedir férias de qualquer governador responsável. Mas pelo visto Roseana está ‘segura’ de que isso não é importante o bastante para impedir as férias de uma governadora muito estafada… E de tirar férias em dezembro e em janeiro.
E a saúde? Estaria melhor do que a segurança? Não para a população. Até ouvindo programas das rádios de propriedade da governadora é possível constatar o grau de revolta e irritação da população com a desordem que impera no setor. Isso acarreta a precariedade do atendimento, ao sofrimento nas filas e ao mau atendimento. A pirotecnia trazida pela propaganda enganosa do governo não engana a mais ninguém.
Os hospitais antigos e que funcionavam bem, hoje estão fechados e os 72 novos, prometidos pela governadora, até agora só produzem escândalos e não saúde. Até os funcionários públicos que tinham um hospital para atendê-los e que pagavam pelo funcionamento do Hospital Carlos Macieira, de uma hora para a outra, viram o hospital ser fechado para intermináveis e milionárias reformas, sem nenhum motivo, até que chegou a notícia de que seriam atendidos em um hospital alugado na Cidade Olímpica. Este alugado por um valor altíssimo, sem condições mínimas de substituir o verdadeiro, causando a revolta dos funcionários. E a notícia que chega é que esse hospital agora atenderá pelo SUS, não será mais para atender funcionários. Como isso pode ser explicado? Não há explicação possível. E na área do saneamento, a falta d’agua se tornou crônica e agora prometem resolver com as sempre suspeitas dispensas de licitação. Foram tomados de surpresa!
E na educação? Roseana tem uma ojeriza especial ao ensino médio. Agora sem explicação ou justificativa, ela, ao invés de aumentar o número de estabelecimentos de ensino médio, está é fechando os que funcionavam na capital e no interior do estado. Mas isso não é novidade… Quem conhece a história de Roseana no governo sabe que quando ela deixou seus dois primeiros mandatos, simplesmente se esqueceu de implantar o ensino médio em 157 municípios. Um crime sobre o qual os órgãos de controle nunca a questionaram. Depois jogou mais de 100 milhões de reais quando tentou uma gambiarra com o tal Tele-Ensino, um projeto contratado por dispensa de licitação, que acabou fechado envolto em retumbante fracasso.
Isso sem falar no prédio do antigo Colégio Maristas, enorme e podendo se transformar em importante instituição de ensino, e que atualmente encontra-se abandonado, sem uso, sendo depredado.
E para demonstrar a grande atenção e prioridade dada pelo governo à educação o governo, inepto, perdeu o prazo de cadastramento no Programa Pró-Jovem Urbano do governo federal, deixando milhares de estudantes maranhenses sem os recursos do Programa. Essa iniciativa, que além de uma bolsa de cem reais, garante matrícula para a conclusão do ensino médio ou curso profissionalizante, creche e alimentação para as crianças, no caso dos beneficiários serem pais. O governo nem tenta se explicar pelo desastre, mas isso tem nome: é incompetência e omissão.
E por fim, desde que a Roseana tomou o governo, os exames nacionais que medem o ensino no país colocam sempre o estado entre os últimos colocados do Brasil.
Roseana Sarney, porém, vê “tudo azul” no estado, nada depende dela, não é com ela. E assim se manda para Paris, cansada de tanta luta. Vai literalmente esfriar a cabeça no inverno europeu.
E para terminar, todas as publicações louvam o bilionário Eike Batista, o oitavo homem mais rico do mundo. E louvam a maneira como ele acumulou tanta riqueza, competindo e sem “maracutaias”. Mas vamos acreditar que é apenas desinformação, pois aqui no Maranhão, repito, talvez o empresário não saiba que o gás que vai começar a explorar teria, por determinação legal, que ser entregue à GASMAR e esta empresa estatal então distribuiria o gás para o distrito industrial, para os taxis, ônibus, dotando assim o estado da possibilidade de oferecer aos empresários energia a preços bem mais baixos, como atrativo para investirem no estado. Isto atualmente já é feito em muitas outras unidades da federação, incluindo a região nordeste nordeste, chegando até o Ceará.
Certamente desconhecendo isso, Eike Batista se prepara para usar todo o gás em lucrativas usinas termelétricas, para produzir e vender energia elétrica a um preço compensador e, nesse caso, o maior perdedor é o maranhense, pois essa energia será vendida em outros estados e o ICMS será recolhido nesses estados, pois quem paga é o consumidor final.
Assim, da exploração dessa riqueza do gás nada ficara no Maranhão e mais uma vez o estado sai perdendo por não ter quem o defenda.
O empresário, no entanto, está seguindo suas premissas, e na verdade quem devia cumprir sua obrigação era o governo.
Governo? Cadê o governo, que só vive de férias?
Como fabricar uma emergência
O governo de Roseana Sarney parece que se especializa em fazer quase tudo ao arrepio da lei. Mais de um bilhão de reais de obras foram contratadas por dispensa de licitação sem base legal com decretação de urgência e emergência fictícias e que não resistem a exame mais sério se os órgãos que tem essa incumbência legal resolvessem examinar os processos. Como as pessoas e entidades evitam esse exame, certamente com receios de represálias por parte da família, o governo se esmera no mal feito. Tudo tomou forma e jeito na contratação dos hospitais, que de tão abusiva a prática até se transformou em matéria de grande repercussão da revista Isto É. A revista se baseou em relatório de técnicos do Tribunal de Contas do Estado, mas o escândalo não resultou, ao que se saiba, em nenhum processo. Tudo feito ao arrepio da lei.
Agora, outra trama desse tipo vai se desenrolando, cumprindo o mesmo modelo. Como todos sabem o Sistema Italuís está com a vida útil estourada e com a tubulação exposta a corrosão ao atravessar os campos de Perizes. Já virou rotina a tubulação se romper cada vez mais a miúde, e certamente os técnicos da Caema devem ter avisado a governadora que o sistema funcionava precariamente e as bombas no Itapecuru não podiam colocar muita pressão, pois isso causaria o rompimento da tubulação. Portanto, providências tinham que ser tomadas e era urgente preparar um projeto completo de duplicação para que pudesse ser providenciada uma nova licitação. Se assim fizesse o problema já estaria resolvido há muito tempo.
Mas com Roseana é diferente. Em todo o seu governo foram realizadas poucas licitações e sempre as situações são caracterizadas como 'emergências' para driblar a lei e contratar a obra como dispensa de licitação. Sempre entregues a empreiteiros muito amigos que comparecem com enorme sobre preço, amistosamente aceitos pelo governo e nem sempre com a obrigação de entregar as obras. Assim, deixam o problema se agravar a tal ponto que tentam convencer a população que esse assunto só será resolvido com dispensa de licitação. Tudo sem projeto de engenharia, na marra.
Anunciam agora que vão gastar R$ 130 milhões para resolver o problema de água de São Luís. No seu governo passado já usavam o Italuís para esses fins. Fizeram uma 'licitação' que o Tribunal de Contas da União anulou e o Maranhão ficou prejudicado por anos a fio sem poder usar recursos federais para duplicar o Italuís, alocação essa, proibida pelo Tribunal. Agora acham que é melhor nem fazer mais licitações. O Ministério Público devia dar atenção especial para o que vai acontecer, acompanhando como é de direito todas essas dispensas e examinando a que preço essas obras serão contratadas. Para maior controle todas as contratações e pagamentos deveriam ser expostas na internet.
E cinicamente o fato é anunciado como se Roseana estivesse diligente e eficientemente resolvendo o problema da falta d'agua quase permanente na Capital.
Mas Roseana é imbatível. O Jornal Pequeno publicou domingo que a Auditoria do Estado mostrou o nível de corrupção que tomou conta das ações do governo, e como o governo trata questões sérias como as calamidades. O que aconteceu com a Região Serrana do Rio de Janeiro é fichinha perto do que aconteceu aqui, principalmente na magnitude dos valores envolvidos. Querendo tirar um Secretário do governo ela achou que precisava da ajuda da Auditoria e, assim, mandou auditar a aplicação dos recursos do Ministério da Integração Nacional com a finalidade de recuperar a região do Mearim com as enchentes de 2009. O Jornal Nacional já havia mostrado casas ainda não habitadas, recém-construídas, e que se esfarelavam com a mão além de conjuntos habitacionais inexistentes em que muitos milhões de reais haviam sido empregados a se acreditar nas prestações de conta do governo repleta de notas frias. Ela mandou a Auditoria realizar o trabalho, mostrou para o secretário em particular, o demitiu e em seguida sumiu com a documentação que era especialmente danosa ao seu governo para não ser responsabilizada. Os recursos são federais e o governo vai ter que se explicar com o Ministério Público Federal. Vai dar confusão porque o que foi feito aqui é uma verdadeira loucura, e Roseana prevaricou ao mandar fazer as auditorias, tomar conhecimento delas e não mandar apurar os desvios.
Ela pensou que o relatório estava bem escondido guardado a sete chaves. Mas para desgosto e apreensão do governo o escândalo agora é público e certamente terá consequências. A leitura não deixa dúvidas sobre as fraudes realizadas e tudo feito dentro dos padrões e procedimentos do atual governo, sempre com as indefectíveis dispensas de licitação...
E agora voltam novamente a fazer as mesmas coisas dentro do mesmo modelo nesse episódio da emergência da água. A propósito, a Associação dos Geólogos do Maranhão informou que os poços anunciados dentro do programa não tem mínimas condições de serem realizados. Enganam-se os geólogos, pois eles não estão atrás de água, o objetivo é outro...
E Roseana vai com persistência, sem esmorecimentos colocando o Maranhão e principalmente São Luís definitivamente no Mapa da Violência. Não se contentou com o quinto lugar da capital maranhense entre as 27 capitais brasileiras. Agora, para culminância do despropósito, São Luís foi apontada como a 27ª cidade mais violenta do mundo. Esse seja talvez o maior feito desse governo que vai conseguindo liquidar com São Luís. E como sempre resolveram brigar com as estatísticas ao invés de lutarem para valer contra a criminalidade em grande expansão na cidade. Mortes e assaltos, cada vez em maior número, vão se tornando parte da vida dos que moram na cidade, antes calma e aprazível capital. Não dá mais para esconder.
O Amapá é a salvação
O senador José Sarney deve ter se divertido muito com a história das 'vozes' que contou em uma missa de celebração no Convento das Mercês no dia 30 de dezembro último. O senador celebrava a lei da Assembleia proposta pela sua filha, a governadora Roseana Sarney, que transferiu ao estado do Maranhão as despesas e dívidas da Fundação da Memória Republicana. Como todos sabem, a entidade, mais conhecida como Fundação José Sarney, não conseguia equilíbrio financeiro e esteve ao longo dos últimos anos envolvida em escândalos por falta de prestação de contas dos recursos recebidos de vários órgãos do governo federal e inclusive sob investigação pelo Ministério Público. Com a revelação das vozes, ele evitou que o foco ficasse nas críticas a apropriação do prédio, verdadeiro palácio de valor inestimável, que hoje praticamente pertence ao patrimônio de José Sarney. Todo mundo só falou das vozes...
Sarney em seguida, lançou um vídeo em que revelou, para surpresa geral, que é torcedor do Flamengo, certamente inspirado pelo exemplo de Lula, que hoje é confundido com o Corinthians Paulista. Quer fazer o mesmo com o Flamengo, que divide com o time paulista grande parte da torcida brasileira, e isso, quem sabe, poderia trazer-lhe alguma simpatia, tão mal amado que é.
Só que há um detalhe muito importante, pois Lula sempre foi aos estádios e Sarney nunca foi visto em nenhum, nem ninguém jamais o ouviu discutindo futebol ou comentando os resultados dos jogos. Não vai 'colar'. Além disso, ser flamenguista não é apenas decorar o time de 44, que ele, atrapalhado, falou que era o de 45, nem falar o nome dos notórios Ronaldinho Gaúcho e Tiago Neves. É esperteza demais para dar certo, e ele deve achar que tudo vale à pena para conquistar um pouco de simpatia. Até o risco do ridículo. Só falta agora vestir uma camisa do Flamengo e ir ao Engenhão assistir a um jogo e ser anunciado nos alto-falantes...
Mas tudo tem uma explicação. Vamos a ela: o mandato do senador José Sarney pelo Amapá se encerra em 2014. No último pleito a que concorreu, a duras penas venceu a disputa eleitoral pelo cargo com a atual deputada estadual Cristina Almeida e, para tanto, teve que mobilizar Lula, que esteve no Amapá por diversas vezes durante a campanha. Não bastasse isso, contou ainda com a valiosa colaboração do empresário Eike Batista, que prometeu mundos e fundos aos amapaenses, principalmente investir pesado no estado, onde não faltariam empregos.
Assim mesmo, Sarney teve que fazer de tudo, inclusive dançar músicas do folclore local na televisão, tentando demonstrar que ninguém era mais amapaense do que ele. Ganhou por pouco, levou um baita susto, um verdadeiro trauma, e naquele momento decidiu que aquele seria seu último mandato, pois mesmo com apoio total do governador e do governo do Amapá, ele sabia que enfrentar Cristina de novo seria demasiadamente arriscado e ele, nem pensar, não poderia se arriscar a ser derrotado em sua última eleição. E no Maranhão, pior ainda! Isto naturalmente a despeito – e por isso mesmo – de ter a própria filha como governadora do estado.
Ele sabe que, sem um mandato no senado, esgota-se sua fonte de poder junto ao governo federal. Viraria um 'general de pijamas', sem tropas para comandar, igual a tantos outros políticos importantes que, sem mandato, definham. No Maranhão isso significaria o fim do seu grupo político, que manda há cinquenta anos no estado, pois Roseana não tem prestígio e nem talento para sucedê-lo. Muito menos disposição! Um dilema e tanto para o experiente senador. Entretanto, no final do ano ele viu uma luz no fim do túnel. E a luz estava no Amapá. Não notaram que na missa referida acima ele disse que a tal voz tinha lhe instruído a perdoar os inimigos? Pois bem, depois que seu grupo político se desfez no Amapá, por conta de muita corrupção, ele perdeu força local e, sem campo de manobra, ponderou que lhe faltava o mínimo de chances de vitória na próxima eleição para senador. Lá, quem ele considera inimigos são o senador João Capiberibe, a deputada Janete Capiberibe e o filho deles, o atual governador Camilo. Porém, todos sabem que na verdade é o contrário, pois Sarney conseguiu cassar o mandato anterior do senador Capiberibe, levando junto na cassação o mandato de Janete, numa história do arco da velha que só a justiça eleitoral brasileira é capaz de acreditar, quando quer. Eles nunca fizeram nada a Sarney. O que ocorre é que eles apenas – e isto é pecado supremo para o senador – tinham coragem e disposição para enfrentá-lo. Isto é mais do que suficiente para se tornar um inimigo e tanto. Então, aquela frase, como vamos ver, não foi por acaso.
Vejam que Capiberibe e Janete tiveram ratificado no Supremo Tribunal Federal o direito de exercerem os mandatos para os quais foram eleitos. Janete rapidamente teve o direito respeitado pela Câmara dos Deputados e cedo foi empossada. No senado, contudo, Sarney demorou a dar posse ao senador Capiberibe. Levou meses e meses e, quando o empossou, já havia armado o palco que lhe convinha no futuro próximo. Capiberibe não desconfiava, mas pela vontade de Sarney, tinha um papel importantíssimo no futuro do senador. Era a velha raposa lutando pela sobrevivência...
Depois das dificuldades, Capiberibe só encontrou gentilezas. O governador Camilo, seu filho, esteve duas vezes visitando Sarney em seu gabinete e saiu elogiando o espírito público do anfitrião. Sarney tinha um plano e o seguia, sem desvios. Prevendo o futuro, providenciou um processo de cassação do mandato de Cristina, pretendendo tirar seus direitos políticos para que não possa enfrentá-lo em 2014.
No final do ano passou três dias em Macapá, em cuja estadia visitou o governador no palácio, onde se demorou e posou à vontade para muitas fotografias. No entanto, Sarney não foi lá apenas para as fotografias e sim para dizer ao governador que ele poderia ser um aliado muito importante junto à presidente Dilma e ao governo e poderia ajudar a levar para o estado muitos recursos, a fim de que Camilo pudesse fazer uma ótima administração.
Por exemplo, o senador Capiberibe andou fazendo comentários contrariados de Lobão, já que este não resolvia a federalização da companhia de energia do Amapá, deficitária e em maus lençóis, de modo que seria um grande alívio financeiro para o estado, se fosse encampada pelo governo federal. Com Sarney como aliado, o assunto poderia ser resolvido rapidamente, assim como muitos outros. O governador conhece bem o senador, mas deve ter ficado tentado.
E agora a fatídica pergunta: o que quer Sarney?
Ora, como ele não pode enfrentar ninguém sem correr um enorme risco de ser derrotado - e isso nem pensar! - pois reduziria mais ainda a sua biografia, ele quer, imaginem só, ser candidato único, dos Capiberibe e também do PMDB, agora na oposição. Assim, conforme vislumbra o senador, não haveria riscos a enfrentar e ele, com o mandato, continuaria com poder junto ao governo federal até 2022. Mega-Sena da virada!
Enfim, José Sarney voltou para o Maranhão achando que o jogo foi bem jogado e eis o porquê de sua felicidade, cujos eflúvios permitiram-lhe fazer graça ao dizer que ouviu vozes. Só faltou dizer que a tal voz lhe pediu que não fizesse fogueiras, mas sim, que continuasse na política...
Capiberibe já fez um acordo com Sarney no passado e até hoje dói em sua cabeça a paulada que recebeu depois. Só ele pode decidir se cairá ou não novamente nesse canto da sereia. Mas Sarney com poderes, anotem aí, vai acabar por defenestrar seu filho Camilo do governo. Quem viver verá!
Com isso, a oposição maranhense precisa ter muito juízo e não se afobar. Se jogar errado em 2012, queimará suas chances de vitória, chegando fraca em 2014 e permitindo, no mínimo, mais oito anos de domínio da oligarquia, para liquidar de vez o Maranhão.
Lembrem-se de que Sarney poderá estar renovando o seu poder em 2014.
Não podemos errar!
Ranking dos estados
Em recente e interessante matéria, a revista Veja publicou o primeiro ranking dos estados, mostrando quais os que estão melhores preparados para receber o fluxo recorde de investimento estrangeiro que chega ao país graças à estabilidade econômica interna e à proximidade da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
O indicador elaborado pela Unidade de Inteligência da revista Economist analisa 25 indicadores em oito categorias para formar o ranking dos melhores locais para investir. O Maranhão ficou classificado em 24° lugar (entre 27) com 26 pontos, ocupando a última colocação entre os moderados. Os 26 pontos do estado estão muito longe da média nacional de 41,3 pontos e a distância abissal de São Paulo, que foi o primeiro do ranking com 77,9 pontos. Atrás de nós, somente o Acre com 24,7; Amapá com 20,5 e Piauí com 19,3 pontos, classificados como muito ruins, mas guardando pequena diferença para o Maranhão.
Será coincidência a péssima colocação do Maranhão e do Amapá, estados dominados pelo senador José Sarney?
Observando-se os itens isoladamente, o Maranhão teve classificação 'Ruim'. A pior, em Infraestrutura, Recursos Humanos, Regime Tributário e Regulatório e em Inovação, merecendo a classificação de Moderado apenas em Ambiente Econômico, em Políticas Para Investimento Estrangeiro, assim como em Sustentabilidade e teve a classificação de Bom apenas em Ambiente Político, certamente pela força política da oligarquia no país, embora nenhum benefício à população tenha resultado desse poder (José Sarney inclusive exerceu a Presidência da República por cinco anos). É digno de nota que o senador José Sarney e a oligarquia proclamam sempre que o Maranhão tem uma excelente infraestrutura, uma das melhores do país, e em recursos humanos, fundamental para o desenvolvimento e à atração de empresas, São Paulo tem 97,3 e o Maranhão apenas 8,3. A classificação é Ótimo, Bom, Moderado e Ruim. Estamos cada vez piores...
Assim, depois de três anos do melhor governo de Roseana, o Maranhão vai se consolidando como um dos últimos estados do país em qualquer indicador que se queira usar, tanto social quanto econômico. Esse tempo de faz-de-conta que Roseana Sarney inaugurou no Maranhão não resiste a qualquer análise mais séria realizada por qualquer instituição respeitável.
E agora cai uma das mais caras mistificações para a oligarquia – a da crença de que os seus representantes defendiam o Maranhão e o Brasil, e eram muito importantes para o estado. 'Ruim com eles, pior sem eles', ouvia-se.
A mesma edição da revista Veja que comentei acima mostra o resultado de um trabalho de observação e análise dos parlamentares das duas casas do Congresso realizados pela revista que, para tanto, se juntou ao Núcleo de Estudos sobre o Congresso do Rio de Janeiro e também com o Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Essas instituições se aliaram para estudar o Ranking do Progresso e classificaram deputados federais e senadores com base em seu ativismo legislativo em favor de um Brasil mais moderno e competitivo. Eles aferiram como os parlamentares se posicionaram com palavras e votos em relação a questões vitais em tramitação nas duas casas do Congresso. Identificaram-se oito grandes eixos: Carga tributária menor e sistema tributário mais simples; Infraestrutura; Qualidade da gestão pública; Combate à corrupção; Qualidade da educação; Marcos regulatórios estáveis aplicados com transparência por agências independentes; Diminuição da burocracia; Equilíbrio entre os três poderes.
O resultado da análise mostrou que, do Maranhão, dois deputados federais da oposição e um ligado ao governo ficaram entre os 30 melhores avaliados - são 513 deputados - e nenhum senador, nem do Maranhão, tampouco do Amapá.
O deputado Carlos Brandão fez um trabalho tão bom que mesmo estando licenciado há vários meses, foi um dos distinguidos. Outro foi o deputado Hélio Santos - da região tocantina - que exerce o primeiro mandato. O único ligado ao governo que entrou na lista, é Gastão Vieira, este com vários mandatos e muito experiente, e que agora exerce o cargo de Ministro do Turismo. É de observar que 14 deputados federais fazem parte do grupo do governo e apenas quatro são da oposição.
Contudo, impressionante mesmo é que, embora detendo enorme poder de barganha e força e influência com o governo, ninguém (mas ninguém mesmo!) da família Sarney, entre deputados e senadores, nem do Maranhão, nem do Amapá, aparece na lista. E então, o que fazem de bom para o Maranhão? Essas três entidades esmiuçaram tudo, mas não conseguiram achar...
Assim, soube que Gastão Vieira, embora tivesse o que comemorar e fosse natural que o fizesse, foi proibido de fazer qualquer divulgação, a fim de não chamar mais a atenção dos maranhenses para a ausência dos bambas da família Sarney na lista… Aguenta Gastão, tem que se curvar!
Amapá e Maranhão, bem, deixa para lá…
Enquanto Roseana Sarney persegue o prefeito Castelo dia e noite, ela se esquece das dificuldades dos que moram na capital. São Luís poderia hoje estar com muitos dos seus problemas resolvidos, se ela não tivesse tentado tomar os recursos que Jackson Lago conveniou com Castelo, antes dela usurpar o poder, respeitando a vontade daquele que a venceu nas eleições de 2006. As obras conveniadas eram todas muito importantes e a tentativa de tomar o dinheiro, que nunca foi dela, representou uma agressão aos maranhenses. Tomou o mandato de Jackson e, não satisfeita, não quer permitir que importantes realizações que o ex-governador deixou conveniadas sejam realizadas. Dupla agressão à memória de Jackson Lago que ela devia respeitar.
Em troca, resta-nos o imobilismo administrativo que vai deixando o estado cada vez mais para trás no ranking dos estados brasileiros.
Plataforma de lançamento
O gabinete da governadora Roseana Sarney virou uma verdadeira plataforma de lançamento. Só que nesse caso, é para lançamento de factóides. Todos os dias um é lançado dali. E o mais interessante é que após a festa de lançamento, a governadora esquece do programa e , pior, considera o problema resolvido.
O mais recente foi protagonizado por ela e pelo Ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. O ministro, embora seja um político experiente, parece não gozar da confiança da presidente, já que é fruto de uma imposição feita pelo PMDB. Assim, neste primeiro ano da gestão Dilma, só teve um despacho com a chefe do governo. E para piorar, não tem orçamento nenhum que lhe permita fazer ou estimular qualquer coisa.
Mesmo assim, propaganda do governo fala maravilhas do encontro da governadora com o ministro, mas o release jornalístico do encontro distribuído pela Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos diz o seguinte: 'foi assinado acordo de cooperação técnica com o governo do Maranhão para realização de estudos e formulação de políticas que assegurem o aperfeiçoamento e desenvolvimento inclusivo do estado'.
Ou seja, uma cooperação para que sejam feitos apenas 'estudos', como se isso ainda fosse necessário para se saber o que fazer no Maranhão. Será que esqueceram a vinda dos técnicos do IPEA aqui no começo deste ano para divulgar o programa prioritário da presidente Dilma que envolve a erradicação da pobreza absoluta? Naquela ocasião, eles anunciaram que no período 2002 a 2007, o Maranhão foi o estado que mais conseguiu êxito na erradicação da pobreza, conseguindo resultados excelentes ao tirar da pobreza quase um milhão de pessoas, resultado bem melhor do que foi conseguido por qualquer estado e bem melhor do que foi conseguido pelo Brasil e pelo Nordeste. Ora, trocando isso em miúdos, aduz-se facilmente que o Maranhão já conseguiu especialização nesse assunto e que isto poderia facilmente ser aplicado em qualquer tempo, independentemente de governos ou políticas.
Todavia, como isso aconteceu no meu governo, Roseana então virou o rosto e não enviou representantes, esvaziando a reunião. Além disso, tampouco atendeu convite da presidente da República para se fazer presente em Fortaleza em reunião de governadores do Nordeste com o presidente do Banco Mundial, que anunciava 5 bilhões de dólares para emprestar para os estados nordestinos empreenderem programas de combate a pobreza extrema na região. Roseana Sarney foi a única governadora que, além de não comparecer, nem mesmo enviou representantes a reunião. Preferiu ficar fora do programa.
Sabem por quê? Porque ela e a família lutam tenazmente contra a idéia de que o Maranhão tenha o maior número de pessoas na faixa da extrema pobreza no Brasil, pois isso seria confessar para o Brasil o desastre que foi para o estado o domínio político exercido pela família oligarca durante mais de 50 anos e que só trouxe miséria e atraso à população do estado. Ao negarem a pobreza no estado, desprezam as soluções.
Em vez disso, a governadora aproveita-se de pequenas deixas e, por meio de notícias e publicidade, monta reuniões com dezenas de Secretários de Estado e técnicos, todos supostamente especialistas no combate a pobreza, tentando mostrar como se interessa pelo assunto, e pontifica que cada um vai mostrar o que está fazendo no combate a pobreza. Pelo resultado terrível das estatísticas do IBGE, que mostram um Maranhão cada vez mais pobre, o melhor a fazer, se é que ela quer mesmo fazer alguma coisa contra a pobreza, é jogar tudo isso fora e reimplementar o que fizemos durante o período em que governei o estado, pois comprovadamente deu certo...
Roseana, durante essa reunião com Moreira Franco, disse que o Maranhão está atravessando uma grande fase e esta criando 200 mil empregos. Mas, me digam, não eram 400 mil? E os outros 200 mil, onde foram parar? Incrível como tentam brincar com os números na tentativa de enganar a população! E tudo isso acontece ao mesmo tempo em que a empresa contratada para fazer a terraplanagem do terreno da badaladíssima refinaria Premium da Petrobras demite de uma só vez mil trabalhadores que ela havia contratado para o serviço. E como se não bastasse, no anúncio da Petrobras sobre seu planejamento de gastar R$ 8,2 bilhões de reais em refinarias em 2012, não há referencias às novas, a não ser a Abreu e Lima em Pernambuco. O dinheiro na verdade será aplicado para melhorar a qualidade do diesel e da gasolina, por força dos novos padrões exigidos pela legislação ambiental brasileira, que a Petrobras vinha adiando até não poder mais fazer isso.
Creio que Roseana nem se preocupa, mas o IBGE anunciou o PIB médio por estado e o Maranhão teve a segunda pior taxa de crescimento do país, que foi de 2,6%. Entre 2002 e 2007, o estado teve a melhor taxa de crescimento do Brasil, e esta agora ficou com o Piauí (12,6%), enquanto o Maranhão foi o segundo pior. Com isso, nosso estado agora é o segundo menor PIB médio e o Piauí é o último, mas graças ao 'formidável' trabalho feito por Roseana no governo, essa ordem será invertida, com o Piauí ultrapassando o Maranhão, que ocupará o último lugar já em 2012.
E os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostram que, enquanto o Ceará em novembro criou 4.368 empregos líquidos, o Maranhão criou apenas 334 postos, ficando em 20o. lugar entre os 27 estados brasileiros. Onde estão os empregos que o maravilhoso melhor governo da vida de Roseana Sarney diz estar criando, me revelem mais uma vez? Aquilo que a propaganda do governo do Maranhão apregoa, as estatísticas federais mostram exatamente o contrário. O quadro é desolador.
E para comprovar toda essa inapetência, continuam mostrando que realmente não estão interessados em mudar esse quadro. Vejam que no orçamento para 2012, de quase R$ 11 bilhões, são destinados R$ 49 milhões para a Agricultura, R$ 19 milhões para a pesca e R$ 59 milhões para Comunicação e mais de R$ 100 milhões para a Casa Civil.
A Segurança, a despeito do crescimento das taxas de crimes, tanto que São Luís saiu de 27º lugar para se tornar a quinta capital mais violenta do país, vai penar com a falta de recursos, pois as prioridades de Roseana são outras, e a maior delas é a propaganda.
Rezemos a Deus para dar ao povo maranhense saúde, paz e prosperidade em 2012, embora conscientes de que esperança de mudança e de melhora de padrão de vida só mesmo em 2014. Abraços a todos os leitores e amigos.
Cutrim tem razão
Cutrim tem razão ao se preocupar com a fragilidade do sistema de segurança do estado. Os indicadores lhe dão inteira razão. Segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado e divulgado na semana passada pelo Instituto Sagari, em São Paulo, o Maranhão despencou (também) na área de segurança e a queda foi enorme!
O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.
Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.
E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.
Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?
O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.
Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.
E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.
Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?
Aliás, só para descontrair (se é que é possível) recentemente, andando pelo interior do Rio de Janeiro, encontrei três UPAs. Como Roseana insiste em informar à população maranhense que esse é um programa do seu governo e não do governo federal, que dá o dinheiro e o projeto, vai ver que ela não trabalha no Maranhão, está trabalhando no Rio...
Na semana passada, um experiente ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, que exerceu o cargo em dois governos (no de Roseana e no meu), muito preocupado com a falta de comando no sistema de segurança do estado, declarou em discurso na Assembleia que o sistema estava fragilizado. Homem da base de apoio do atual governo de Roseana Sarney, Cutrim resolveu dar um brado de alerta, inconformado com a falta de rumo do governo.
O ex-secretário e atual deputado estadual se baseou em fatos de maior gravidade: a ameaça de morte sofrida por um importante delegado de polícia que ganhou as manchetes dos jornais da semana passada. O delegado chefia inquéritos cujo conteúdo investiga suspeitos de crimes que tiveram mandados de prisão decretados e por essa razão, foi ameaçado. Raimundo Cutrim, o autor do alerta, atribui a audácia da ameaça à fragilidade do sistema de segurança do estado e, preocupado, comparou os tempos atuais com os do assassinato do delegado Stênio Mendonça, acontecido na Avenida Litorânea, às 11 horas da manhã do dia 25 de Maio do ano de 1997.
Roseana Sarney governava o estado havia 2 anos e o crime organizado não era combatido. Naquela ocasião, Cutrim assumiu a Segurança e colocou ordem no estado. Agora, novamente com Roseana no governo pelos últimos três anos, o temor do delegado e atual deputado estadual Raimundo Cutrim é de que o crime organizado tente novamente acuar o estado, sentindo a enorme fragilidade do sistema de segurança e do governo de Roseana.Outro indicativo dessa fragilidade é que mesmo depois da PM voltar a trabalhar normalmente, a governadora pediu a prorrogação por mais noventa dias da Guarda Nacional no Maranhão, como se as forças policiais do estado não tivessem condições de dar combate à criminalidade e restabelecer a ordem no estado e necessitassem da presença e da permanência da Guarda aqui por mais tempo.
Realmente o que teria motivado esse pedido por parte da governadora? Ela não confia no Secretário ou não confia mais na Policia Militar e na Policia Civil do estado? O que estaria acontecendo? Ou é apenas mais um ato desconectado da realidade desse governo? Ela deve se sentir perdida para agir assim...
Logo, como não dar razão ao ex-secretário, quando enxerga a gravidade da situação em que tudo leva a crer que o governo está perdendo o controle para a criminalidade, chegando ao ponto de ocorrerem ameaças à vida de importantes delegados? E como fica a população, entregue a própria sorte e exposta aos bandidos?
Roseana parece não ligar para o que está acontecendo, a considerar o que diz um dos mais experientes especialistas em segurança pública do estado, e nesse caso mais uma vez deixa o barco correr para ver como é que fica... Ou melhor, prefere pedir para a Guarda Nacional ficar mais noventa dias ao invés de enfrentar o problema e de dar condições de trabalho para os policiais. Ela devia, e isso é fato, é explicar aos maranhenses o que pretende fazer. Desse jeito é que não pode ficar.
Cutrim tem razão ao se preocupar com a fragilidade do sistema de segurança do estado. Os indicadores lhe dão inteira razão. Segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado e divulgado na semana passada pelo Instituto Sagari, em São Paulo, o Maranhão despencou (também) na área de segurança e a queda foi enorme!
O responsável pela pesquisa Júlio Waiselfisz foi obrigado a chamar a atenção dos repórteres informando: 'Em três estados, a evolução do crime com morte é assustador. Na Bahia, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram 332,4%, enquanto no Maranhão subiram 329,7% e no Pará, 332%. Pernambuco decresceu 20,2%, Rio de Janeiro caiu 42,9% e São Paulo caiu 63,2%'.
Com isso, em se tratando de taxa de homicídios por 100 mil habitantes, o Maranhão, que tinha a menor taxa em 2000 e ocupava o 27° lugar- o estado mais seguro do país - agora ocupa o 21° lugar. Um horror, só explicado pelo abandono do estado à própria sorte, que é a característica principal do melhor governo da vida de Roseana Sarney. Uma mixórdia de ação governamental.
E como se não bastasse, o pior ficou reservado para São Luís. Em 2000, a capital estava em 24° lugar com 16,6 homicídios por 100 mil pessoas. Hoje, no entanto, é a quinta capital mais violenta do país, com 56,1 homicídios por 100 mil pessoas. Um absurdo. E a falta de responsabilidade e de governo vai entregando a cidade aos bandidos... A população vive acuada.
Agora, depois de ter sido deflagrada a primeira greve da Polícia Militar da história, e com o desmantelamento completo do sistema e a continuidade da greve da Policia Civil, é que não se pode mesmo esperar nada de bom deste governo. Alguém me responde o que faz mesmo Roseana Sarney?
Aliás, só para descontrair (se é que é possível) recentemente, andando pelo interior do Rio de Janeiro, encontrei três UPAs. Como Roseana insiste em informar à população maranhense que esse é um programa do seu governo e não do governo federal, que dá o dinheiro e o projeto, vai ver que ela não trabalha no Maranhão, está trabalhando no Rio...
Enquanto isso, na renda per capita, os dados mostram cruamente o desastre que acontece no Maranhão. Em 2011 seremos o estado com a menor renda per capita do país, como era no último governo de Roseana. 'Eita' governo bom... Bom para quem?
É urgente mudar, o Maranhão não aguenta mais. De 2014 não passa.
O sentimento de Imperatriz está disseminado no estado.
A todos os meus cumprimentos de Feliz Natal! Que possamos, por enquanto, ao menos em nossos corações, alimentar a esperança de dias melhores. Um forte e carinhoso abraço.
Tudo obter para poder desprezar
Frase marcante de Maurice Barrès, escritor político francês, intelectual e nacionalista de grande expressão no século passado.
Essa frase parece exprimir à perfeição o que se passa com Roseana Sarney, que exerce um governo desinteressado e alheio ao que se passa no estado. Um governo preguiçoso e medíocre, em que fatos negativos se sucedem sob o olhar complacente da governadora.
E observem que enfrentou uma luta imensa para voltar a ser governadora do estado após histórica derrota em 2006. Moveu céus e terras para primeiro depor Jackson Lago, legitimamente eleito naquele pleito, e conseguindo, sabe Deus como, uma decisão do TSE que nunca se tornará jurisprudência, pois atropelou a lógica, as leis e a constituição. Sim, pois só assim poderia assumir o governo.
Depois, para se manter no poder, Roseana disputou a 'reeleição' e lançou mão de tudo para vencer, desde a presença de Lula e Dilma, a inconsequência propagandista de Duda Mendonça e, como tudo isso se revelou insuficiente, pegou empréstimos e quase quebrou financeiramente o estado, em uma orgia de gastos eleitorais como nunca antes houvera no Maranhão. Isto sem contar as promessas mirabolantes, como a de 72 hospitais no interior, que ela jurava que estariam funcionando no final de 2010, e a construção de ponte com projeto digno de ficção científica que envolveria São Luís, resolvendo a questão do trânsito na capital. Não bastasse isso, prometeu ainda a criação de mais de 400 mil empregos, que viriam de fantásticas refinarias e de uma quantidade nunca vista de empresários que não podiam resistir ao apelo da governadora e subitamente perderiam o medo da oligarquia e viriam para cá correndo. Enfim, tudo ilustrado por um trem sem janelas que passava e levava o Maranhão para o progresso, conforme a imaginosa propaganda de Duda Mendonça, e muito, muito mais...
E tudo isso para quê? Pergunta-se. Seria o 'tudo obter para depois desprezar', como caracterizou Maurice Barrès, comentando caso semelhante? Só Roseana Sarney poderia esclarecer o que acontece, o porquê de tanto abandono e desinteresse. Entretanto, ocorre que esse estado de letargia está levando o Maranhão rapidamente para o atraso, a pobreza vai aumentando e, em consequência, alargando o fosso entre o que o Maranhão poderia ser e o que restará dele quando Roseana terminar o seu nefasto mandato.
Se ela percebesse o que acontece, pararia imediatamente de jogar dinheiro fora em vias expressas que nada resolverão, em hospitais que nunca funcionarão e tanto desperdício mais e iniciaria imediatamente um grande programa de combate a pobreza e assistência as famílias situadas abaixo da linha de pobreza, assim como um programa prioritário para melhorar a educação do estado.
A crise na Europa não parece sinalizar com um final próximo, a China desacelera, os EUA, que vinham se recuperando, sentem o problema europeu que a cada dia arrasta mais países como Grécia, Portugal, Espanha, Itália e outros... O Brasil, que se afirmava imune, já dá fortes sinais de desaceleração, como no terceiro trimestre que teve crescimento zero do PIB.
Mas Roseana, encastelada no palácio, só pensa em perseguir João Castelo, em busca de um dinheiro que quer tomar violentamente da prefeitura e que foi destinado a importantes obras em São Luís. Ao mesmo tempo, se recusa a dizer onde está o dinheiro do empréstimo de R$ 1 bilhão que tomou em duas parcelas do BNDES. Ela se recusa a responder à Assembleia onde o dinheiro foi usado!
As inaugurações da governadora se resumem a UPAs, que fazem parte de um programa do governo federal realizado com recursos federais. Na outra ponta, ela massacra os servidores do estado, chegando até a lhes tomar o Hospital dos Servidores, pago com recursos descontados dos mesmos. Avançou sobre o hospital e mandou-os para o SUS, passando por cima dos seus direitos. Hoje os servidores não conseguem marcar exames e consultas, um presente inesperado da governadora.
E agora o presidente do Senado, o senador José Sarney, parte para transformar a polícia legislativa, que deveria ter sua atuação limitada a segurança das dependências da Câmara e do Senado em uma polícia pessoal. Ele agora resolveu autorizar a compra de equipamentos de rastreamento eletrônico e escuta que, segundo o Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, a Polícia Legislativa (que é apenas um nome pomposo para uma segurança institucional) não tem competência legal para usar. 'Hoje o próprio estado tem um monitoramento das escutas que ele faz e o uso dessa tecnologia. A Polícia do Senado vai pedir autorização para quem e com que finalidade vai fazer essas interceptações?', questiona Camanho.
Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, esses equipamentos deveriam ser usados apenas pela Polícia Federal e pelas polícias estaduais, seguindo critérios rigorosos. 'A intimidade e a privacidade são garantias constitucionais e que não podem ser invadidas sem o devido processo legal. Se o estado passar a atuar como detetive particular, nós deixamos de viver em um estado democrático de direito', afirma o advogado. 'Essa aquisição do Senado é sem propósito. A Polícia Legislativa não tem autonomia para fazer esse tipo de investigação e se há uma possibilidade de atentado ao Senado, a Polícia Federal é que tem que agir. Não há justificativa plausível para gastar dinheiro da nação para bisbilhotar'.
A Polícia Legislativa está conduzindo inquéritos, se armando e dando choque nas pessoas, produzindo episódios de abuso de poder como aconteceu há poucos dias em uma manifestação nas dependências do Senado.
É ilegal, mas o presidente do Senado, José Sarney, não dá a menor importância. Escutas fazem parte do arsenal dos autocratas e o que se faz no Senado não faz parte da democracia. Aqui no Maranhão, a revista Veja, na seção Radar, informou que durante a greve da Polícia Militar, o secretário de Segurança Pública do Maranhão embarcou para Israel como parte de uma comitiva que tinha a missão de adquirir equipamentos de última geração para escuta e espionagem das pessoas. E olhem que aqui já havia o Guardião, aparelho capaz de fazer 200 grampos de telefone simultaneamente além de ler e-mails.
É a grampolândia de Roseana, da qual ninguém escapa…
Maktub
A tradução livre dessa palavra árabe é 'está escrito' e expõe com perfeição o que ocorre atualmente na 'primavera árabe'. Tal movimento eclodiu recentemente em países que eram comandados por famílias geralmente por centenas de anos, fazendo com que esses regimes ditatoriais baseados na força começassem a desmoronar como um castelo de cartas. E isso aconteceu por força da população, que revoltada com a dualidade entre a imensa riqueza dessas famílias de um lado, e do outro a pobreza, a intimidação, o medo, a proibição de quase tudo que é reservada à população, incitou sua derrubada.
Um a um foram caindo. Quem podia supor no começo do ano uma coisa assim, tal a força que sustentava esses regimes? Só o 'maktub' pode trazer a resposta: estava escrito. Primeiro foi a Tunísia, depois o Egito, com a queda de Mubarak, seguido pela queda do nefando Kadafi, agora a Síria de Assad, e o Iêmen. Isto até agora. E vejam que essa onda vem ocorrendo no mundo inteiro, que já não suporta regimes comandados por ditadores e que se mantém no poder pela intimidação.
Parece que até o final do ano, do jeito que vai, restará apenas um regime assim ou assemelhado... Esse mesmo, amigo leitor, que você está pensando: o dos Sarney aqui no Maranhão, que já vai para mais de 50 anos e só produziu pobreza e descrédito para o povo maranhense, enquanto a família vai muito bem, obrigado. Hoje o nosso estado é o que tem mais pobres no país, o pior ensino público, a maior mortalidade infantil, o maior número de analfabetos e por aí vai.
Em 2006 poderíamos ter acabado tudo isso. O estado se recuperava rapidamente, mas um golpe de estado jurídico jogou abaixo a constituição e colocou no poder novamente a família Sarney, perdedora das eleições. E hoje tudo está de volta, ao ponto de hoje em eventos públicos não se poder anunciar o nome de ninguém dessa família, pois a saraivada de vaias estridentes vem em seguida. Não apenas no Maranhão, mas no Brasil todo. É o prenúncio do fim. Maktub!
A caótica administração de Roseana só impulsiona a grande mudança de 2014. Nesse ano teremos finalmente a 'primavera maranhense' e a democracia finalmente chegará ao nosso estado, que assim poderá se desenvolver.
Hoje em dia ninguém governa mais sem instrumentos democráticos. Todo o êxito tem como suporte a transparência, o diálogo, a discussão democrática dos anseios da população. Por exemplo, atualmente o prefeito mais popular do país é o do Município de Paulista em Pernambuco. Ele começou sendo prefeito de um pequeno e pobre município pernambucano, seu êxito foi tão grande que o município mãe do qual foi desmembrado, o qual ele administrava, mandou uma comitiva de cidadãos para convidá-lo a ser prefeito por lá. Ele foi e repetiu o êxito anterior. Mal terminava o mandato e foi uma comitiva de Paulista, um grande município, convidá-lo para ir para lá e, assim, ele é idolatrado ali também. Seu partido é o PSB e a sua receita é democracia, transparência, diálogo e honestidade. Recusa empréstimos pela dificuldade futura de pagamento.
Tudo isso é o inverso do que Roseana Sarney faz aqui, daí sua derrocada. Só propaganda não resolve mais.
O desempenho do governo nesse episódio da greve dos policiais civis e militares e bombeiros beira o grotesco, resultado do somatório do descaso, da arrogância, da irresponsabilidade, da intimidação, da falta de democracia e do desinteresse com a situação a que ficou exposta a população.
No fim, após tentar até criar um confronto entre o Exército e a Força Nacional contra os grevistas, ao insuflar o presidente da Assembleia a pedir reintegração de posse, sabendo que os militares grevistas revidariam, chegou a ponto de criar um confronto que seria notícia internacional e poderia até resultar em uma intervenção federal no Maranhão. Uma loucura e um delírio. Pesou o equilíbrio do general comandante das forças federais, que externou que a sua missão era proteger a população e não o enfrentamento com os grevistas. Foi então que a governadora, sentindo-se em um beco onde se metera e de onde não sabia como encontrar a saída, cedeu aos grevistas, com quem dizia não poder negociar já que a greve era ilegal. Passou por tremenda humilhação e ficou claro que podia. Não dá para entender tanta irresponsabilidade...
Mas não é só aqui que a família faz das suas. O senador Sarney na semana passada irritou profundamente o governo quando presidia o senado e colocou antes da hora a DRU em votação, pondo em risco a sua aprovação, tão cara para a presidente Dilma. Disse, matreiramente, que se enganou, mas ninguém acredita que um homem com sua experiência e nível de informação possa cometer erro tão primário. Os observadores experientes acham que ele quis mandar um aviso para a presidente Dilma.
Faz isso tudo por Roseana, que vive se queixando da presidente Dilma, e pela falta de atenção da presidente para com ela. Na verdade os seus pleitos, quase sempre mal elaborados e superficiais, fogem ao estilo rigoroso da presidente. E certamente também pela mania de repreender várias ministras e ministros que, em viagem ao estado, cometem o erro supremo te ter agenda própria, além da visita protocolar à governadora, o que deve chegar aos ouvidos presidenciais causando muita irritação. Daí se explica o aviso do poderoso Sarney, que, de tão poderoso, pode ameaçar veladamente os projetos da presidente.
Não é para qualquer um…
Caixa de Pandora
Na mitologia grega, a Caixa de Pandora é um artefato que se origina do mito da criação de Pandora, primeira mulher criada por Zeus, o Deus supremo dos gregos. Embora fosse chamada de 'caixa', o referido artefato que foi dado a Pandora era na verdade um jarro em cujo conteúdo estavam todos os males do mundo. Ao abrir o recipiente, Pandora libertou todo o seu conteúdo para o mundo, exceto um, que foi a esperança. Atualmente, à expressão 'abrir a caixa de Pandora' é atribuído o significado de criar um mal cujos resultados não se poderão desfazer.
Parece que foi isso que aconteceu com Roseana Sarney. A justiça lhe deu, numa decisão controvertida, o governo do estado, que até ali estava colocado no rumo certo, se desenvolvendo e melhorando rapidamente seus indicadores sociais. Entretanto, ao interromper tudo que estava sendo feito, a ação de Roseana cai como uma luva na metáfora da Caixa de Pandora, libertando todos os males dos seus governos passados que tinham sido neutralizados nos dois governos que a antecederam. E agora, utilizando a analogia do mito, nos resta apenas a esperança. A esperança da retomada dos destinos do estado em 2014.
Enquanto isso, os maranhenses sofrem pelos desatinos de sua governadora, que conseguiu o que nunca havia acontecido antes dela: tirou do sério a Polícia Militar, uma corporação centenária com um passado de disciplina, ordem e devotamento à causa da segurança dos maranhenses.
Roseana conseguiu com seu governo sem rumo enlouquecer os policiais ao dar-lhes só desprezo e tratamento desrespeitoso. Como ela pouco ou nada se importa com a população, entrou irresponsavelmente em uma situação da qual não sabe como sair. Orgulhosa, não quer negociar, dizendo que só o fará se voltarem ao quartel, mas foi isso que os policiais tentaram desde fevereiro, trabalhando normalmente e tentando levar aos ouvidos moucos do governo a terrível situação que enfrentavam sem aumento nem atualização de seus salários desde 2009.
Não sendo levados a sério e se sentindo enrolados pelo governo, partiram para a medida extrema da paralisação. Tudo isso causado pela absoluta falta de vontade de governar de Roseana, que parece estar com a cabeça em outro lugar e vai abrindo, assim, a sua Caixa de Pandora de males sem fim. Ela não quer receber os policiais e pensa em jogar tudo para a justiça resolver, quando na verdade o problema só pode ser resolvido pelo governo do estado. E com diálogo. 'Ai, que preguiça!'
Nesse enorme surto desenvolvimentista que só Roseana enxerga no Maranhão, seus órgãos de estatísticas informaram que o estado vai crescer este ano 0,9%. Eles sabem, mas não dizem, naturalmente, que esse valor é insuficiente ante o crescimento da população e a necessidade de criação de emprego para os jovens que acedem ano a ano ao mercado de trabalho.
Para adocicar o mau resultado, 'informam' que, com os investimentos que virão, o nosso PIB vai dobrar em cinco anos. Mas onde estão esses investimentos? Vamos então comparar com outra publicação do governo Roseana, logo que assumiu, mas que contou com dados do meu governo e do governo de Jackson Lago. O IMESC, órgão da Secretaria de Planejamento, publicou um trabalho denominado Indicadores de Conjuntura Econômica do Maranhão, mostrando que, na década de 90, o Maranhão cresceu à taxa média de 1,4%. O Nordeste cresceu 3,6% e o Brasil 2,1%. Portanto, com Roseana e Lobão, ficamos ainda mais para trás na década. A publicação chegou ao ponto de denominar o referido período de 'a década perdida'.
A mesma publicação, ao analisar os dados do Maranhão entre 2002 e 2007, meu governo e o primeiro ano do de Jackson, informa que o Maranhão cresceu a taxa média de 6,9%, enquanto o Nordeste cresceu 4,5% e o Brasil 4,0% no período. Que diferença!
No ano de 2008, o Maranhão tinha uma participação de 1,3% no PIB brasileiro e em 2009, com Roseana, caímos para 1,2%. É um assombro.
Crescer 0,9%, como está previsto para esse ano, é um desastre. Para dar emprego aos jovens que chegam ao mercado de trabalho todo ano, precisamos crescer no mínimo 4,0%.
A Caixa de Pandora que Roseana abriu, quando voltou ao governo com seus antigos métodos, já custou muito caro ao estado. Além da queda do PIB, o aumento da pobreza e a diminuição do IDH já anunciados, Roseana aumenta o endividamento do estado sem dizer onde investirá o dinheiro, jogando dívidas para o futuro. Os Cetecmas não existem mais; a Saúde está em frangalhos, com a grande maioria dos hospitais fechados; a Biblioteca Pública fechada; o aeroporto no chão; a BR-135 virou um local extremamente perigoso; as estradas estaduais cheias de buracos; a educação agora só produz últimos lugares no Saed; o sistema de segurança do estado colapsa com a paralisação da PM; as matanças pululam nas cadeias do estado e muito mais... Tudo por falta de comando e autoridade, além, por óbvio, de disposição para o trabalho.
Nesse ínterim, o senador José Sarney se dedica integralmente a tentar modificar a sua imagem muito negativa entre os brasileiros. Contratou, com recursos do senado obviamente, uma empresa para cuidar da sua imagem e lançou mais um livro com essa finalidade. Ele sabe que a pobreza do Maranhão, após mais de 50 anos de mando absoluto da família Sarney, é que é a sua real biografia e isso, embora insista, ele não conseguirá mudar. Por esse motivo se explicam a publicação de livros e mais livros, tentando explicar a pobreza do Maranhão.
Desta vez ele foi longe demais e coloca a culpa nada mais nada menos que em Celso Furtado. Sim, porque foi ele que criou a Colone, no Alto Turi, para povoar aquela região, ainda desabitada na ocasião, com a vinda dos flagelados que fugiam das secas. E Sarney diz que a vinda dessas pessoas foi a causa do empobrecimento do Maranhão, como também 'descobriu' que os solos maranhenses não servem para nada. Segundo ele, não são agricultáveis. Assim, para Sarney, esses dois fatores foram fundamentais para o não desenvolvimento do estado, a despeito dos gigantescos esforços da oligarquia para conseguir o contário. Ele ignora o fato de que cada vez o setor primário privado produz mais e a agricultura familiar não produz o suficiente por falta de apoio de Roseana, símbolo maior desse descaso. Claro, porque em 1998, quando era governadora, ela chegou até mesmo a acabar com a Secretaria de Estado da Agricultura.
Enfim, os argumentos usados pelo senador são tão frágeis e desprovidos de sentido que basta olhar o Ceará: esse, sim, não tem solos agricultáveis, nem água e os flagelados que vieram para cá, vieram principalmente de lá, e hoje esse estado cresce muito, deixando o Maranhão de Sarney para trás.
Sabem por quê? Porque dispensou os coronéis e as oligarquias e assim pôde crescer com liberdade e rapidez, convertendo-se no grande estado de hoje, enquanto o Maranhão, sob o tacão dos Sarney, ao invés de ir para frente, vai para trás, tal qual caranguejo.
A pobreza do Maranhão é onde está irremediável e indelevelmente escrita a biografia do senador José Sarney. E se já não bastasse isso, tem seu texto atualizando negativamente todos os dias, com os agravamentos produzidos por governos como o de sua filha Roseana.
E para finalizar dou mais um exemplo: A governadora, para distrair a atenção da constatação do seu desgoverno, quer agora (ainda) tomar da prefeitura os recursos transferidos por Jackson para fazer viadutos e avenidas muito importantes para São Luís. Na verdade, quer impedir que Castelo faça obras importantes para São Luis. Lembrem que nos municípios onde ela conseguiu reaver os recursos transferidos por Jackson, como Pinheiro e Imperatriz, por exemplo, os hospitais de referência conveniados pelo governo de então para aqueles locais nunca foram feitos. Embora ela tenha prometido fazer.
Roseana não trabalha e não quer deixar ninguém trabalhar.
'Meu maior inimigo sou eu mesmo'
A frase que oportunamente intitula este artigo é atribuída a Átila, Rei dos Hunos. Veremos o porquê. Pelos resultados dos primeiros governos de Roseana, de 1995 até abril de 2002, não dava mesmo para esperar nada de positivo para o estado após o 'golpe de estado jurídico' tê-la colocado de volta no governo do Maranhão depois da acachapante derrota de 2006.
Assim, aquela que mergulhou o Maranhão na pobreza em quase oito anos dos seus dois primeiros mandatos, teve a oportunidade de voltar ao governo para cumprir o restante do mandato de Jackson Lago e participar de uma 'reeleição' de araque ao cargo, que quase quebrou o estado, tentando garantir um novo mandato. Hoje já se pode perguntar, tendo em vista os péssimos resultados do primeiro ano de Roseana nesse novo mandato – para quê?
O que ninguém esperava é que Roseana conseguisse um alargamento da pobreza tão rapidamente. Eu mesmo achava que a constatação de tais resultados só seria melhor visualizada alguns anos depois que ela deixasse o governo. Mas o arraso, a incompetência e o desinteresse foram tão grandes que, depois de quase três anos no governo, os resultados chegam rápido e são lamentáveis. Sendo bem específico: a pobreza e a extrema pobreza no estado aumentou. E tudo isso a despeito do enorme poder que o senador José Sarney mantém no governo federal. Por que será?
E que resultados são esses? O senador José Sarney andou falando muito que o Maranhão tinha ótimos indicadores e citava como exemplo o PIB que havia colocado o estado no décimo sexto lugar entre todos os estados brasileiros, mas se esqueceu de dizer que, quando sua filha deixou o governo em 2002, o PIB do estado mal passava de R$ 15 bilhões de reais e só cresceu no meu governo e no de Jackson. Isto ao ponto de já no final de 2007 alcançar R$ 32 bilhões, mais do que dobrando nesse período. Mas era o que Sarney citava, dando a entender que aquilo era resultado do trabalho de Roseana.
Agora nem isso poderá dizer mais, pois o trabalho dela está estampado nos jornais que divulgam: 'PIB maranhense encolhe'. O IBGE, esse órgão que 'persegue a família Sarney', ao divulgar essas estatísticas que desmentem – sempre – as propagandas tão caras do governo de Roseana, anuncia encolhimento de 0,9% no PIB do Maranhão. Ou seja, uma diminuição da riqueza e da produção do estado que, ao invés de ir para a frente, vai para trás sob a batuta de Roseana. Agora imaginem que ela está desempenhando o 'seu melhor governo'...
Querem mais? Se o PIB caiu, cairá também a renda per capita. Isto significa maranhenses mais pobres. Mais: 'Maranhão tem maior proporção de baixa renda, segundo IBGE', outra manchete recente. Segundo o Censo Demográfico de 2010, a média nacional de rendimento domiciliar per capita foi de 668 reais. Os dados do instituto só consideram pessoas e domicílios de rendimento positivo, excluindo aqueles com renda zero ou sem declaração.
O Maranhão tem proporcionalmente a maior quantidade de domicílios com moradores de baixa renda no Brasil e 26,5% das casas pesquisadas tem renda mensal de 127,50 reais per capita, o menor nível de rendimento encontrado pelo IBGE no país. Mas, se no estado temos 26,51% dos domicílios com essa renda, isto significa que somos três vezes mais pobres que a média nacional, que é de 9,16% dos domicílios. Logo acima de nós temos o Piauí e Alagoas, que sempre estavam atrás, mas com Roseana no governo, quem fica para trás é o Maranhão. Santa Catarina só tem 2,12% de domicílios com a menor renda domiciliar per capita e o Maranhão, repetindo, 26,5%.
O que podemos dizer, governadora? Também, em férias permanentes fica difícil... Assim, sem tempo e disposição para trabalhar, o Maranhão foi o único estado do Nordeste que, mesmo convidado, não foi e abriu mão de apresentar qualquer solicitação ou projeto ao presidente do Banco Mundial, que viera oferecer 5 bilhões de dólares exatamente para combate à pobreza. A governadora não foi, não mandou representante e muito menos projetos. Para que mesmo ir, se considerarmos essa riqueza toda e absoluta ausência de pobreza no estado a que se reporta Roseana Sarney? Perder tempo?
E o IDH? O Maranhão e o Rio grande do Norte foram os únicos estados do Nordeste que não tiveram crescimento no indicador, ou seja, nesses dois estados a saúde, a educação e a infraestrutura social básica não melhoraram. Ademais, o Maranhão que estava em vigésimo primeiro lugar agora é o vigésimo quarto, ultrapassado que foi por Roraima e Alagoas. Assim não dá, governadora!
O desastre é completo e este é o pior governo que o Maranhão já viu!
E o caos continua... A ação do governo se notabiliza por não pagar o piso básico aos professores; negar aumento à polícia e bombeiros – que desde 2009 não têm qualquer ajuste ou aumento em seus salários; massacrar a população do estado com esse aumento absurdo nas contas de água, acima de 86 por cento; atrasar o pagamento do salário dos professores contratados; demitir sem pagar direitos aos técnicos e professores dos Centros Tecnológicos – hoje abandonados; jogar dinheiro fora com propaganda enganosa de refinarias e indústrias que ninguém vê; abandonar a população que tem que viajar e precisa enfrentar as tendas de lona de um aeroporto improvisado e sem data prevista para a normalização do seu funcionamento; apoiar uma reclamação descabida ao Ministro dos Transportes, que anulou o edital de concorrência da duplicação da BR-135, porque quiseram fazer um edital de concorrência sem projeto, sem sondagem, sem nada e com um sobrepreço enorme que iria beneficiar alguns aliados. Neste ultimo caso, certamente Roseana pensa que o governo federal é o Maranhão que governa e onde se contratam hospitais, vias expressas e tudo mais sem projetos, como denunciou o Crea, e por isso mesmo nunca ficam prontos. Enfim, está tudo errado, é uma bagunça e uma lambança continuada e ela ainda tem coragem de se contrapor ao IBGE quando este mostra nada menos que a verdade.
E para finalizar, com certeza viram que o Jornal Nacional mostrou para o Brasil, cruamente e sem retoque, a terrível pobreza que a população maranhense enfrenta. Acabou com a propaganda da governadora, que mandou uma nota dizendo que era assim, porque as famílias eram numerosas e estavam no interior, como se no restante do Nordeste fosse diferente. Era melhor não ter mandado nada, governadora!
Assim não há biografia que resista. Férias são boas, mas tudo tem limite.
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