Blog pelo Maranhão

Zé Reinaldo Zé Reinaldo
José Reinaldo Tavares, é ex-presídente da Sudene, exministro , ex-deputado federal, ex-vice governador e governador do Maranhão. Converse com ele através do email : -zetavares@gterra.com.br

15/11/2011 às 17h17min

Como enganar o distinto público

A presidente Dilma fez uma solenidade com vários governadores para dar ciência que esses estados estavam com contas melhores do que no início de 2002 e, portanto, já podiam pleitear novos empréstimos. Foi a segunda reunião com essa finalidade, mas a primeira com outros estados também na mesma situação.

A notícia que chegou ao Maranhão foi diferente daquela publicada em jornais do Sul, que ao noticiar a solenidade, não deram destaque nenhum ao Maranhão, tampouco à governadora Roseana Sarney. Apenas relacionavam o estado como beneficiário de novos empréstimos.

Mas, aqui, a notícia publicada pelo jornal O Estado do Maranhão foi diferente. Dava a entender que a reunião da presidente foi com a governadora do Maranhão apenas, chegando ao ponto da presidente, impressionada pelo brilhante trabalho da governadora, cobri-la de elogios na solenidade. O jornal de Roseana só faltou classificá-la como uma verdadeira expoente do equilíbrio fiscal no país. Um exemplo a ser copiado!

A presidente na verdade falou genericamente para aqueles governadores, pois seus estados atendiam os parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal no que concerne à capacidade de receber novos empréstimos. Na verdade, os estados devem ter uma relação dívida financeira/receita líquida real bem menor que 2 (dois).

Quando Roseana deixou o governo em abril de 2002, essa relação era escandalosa, bem maior que o permitido e, consequentemente, deixando o estado proibido de conseguir novos empréstimos.

Todo o trabalho foi feito no meu governo, precisamente pelo mais competente técnico em finanças do país, Simão Cirineu, que assumiu a Secretaria de Planejamento do estado nesse período. O resultado de 2006, último ano do meu governo, foi comunicado ao governo do estado em 4 de dezembro de 2007, ao governador Jackson Lago, através do ofício 98 18/2007/COREM/STN e informava que o governo do Maranhão, em 2006, cumprira todas as metas (seis ao todo) e, além disso, na primeira, referente à relação dívidas financeiras/receita líquida real, a meta era alcançar 1,75 e o meu governo foi além, alcançando 1,46, habilitando assim o estado a novos empréstimos desde 2006 (quanto menor a relação, melhor).

O estado estava tão bem no programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal, que a segunda meta era conseguir resultado primário superavitário de R$ 411 milhões e conseguimos R$ 581 milhões. A terceira era limitar as despesas de pessoal em 60% da receita corrente líquida e o estado apresentou um resultado de 43,19 por cento. A quarta era alcançar receitas de arrecadação própria no valor de R$ 1.667 milhões e o estado cumpriu as metas ao alcançar R$ 2.024 milhões. A quinta era referente ao contencioso negativo herdado pelo meu governo e, nesse caso, as metas mais uma vez foram cumpridas. Finalmente, a sexta era limitar as despesas com investimento a 8,04% da receita líquida anual, mas a condição financeira do estado era tão boa que conseguimos investir 14,54% em relação a despesa liquida real. E isso foi uma repetição do que aconteceu desde final de 2004.

Jackson Lago continuou nessa mesma linha e assim Roseana pode se apresentar como uma grande administradora, usando o trabalho de outros governadores, sem mencioná-los, como seria de se esperar. Desde que ela assumiu o governo, só realizou mesmo uma grande gastança nas eleições e jogou muito dinheiro pelo ralo, principalmente nas grandes lambanças da área da saúde, que penalizaram a população maranhense com projetos mirabolantes, que acabaram por fechar importantes hospitais dos quais o povo prescinde.

Esse governo é um verdadeiro escândalo, alcançando um recorde extremamente suspeito: mais de R$ 1,2 bilhão de despesas realizadas com dispensa de licitação, todas sem fiscalização e expostas a grandes sobrepreços. Só na saúde, as dispensas chegaram a mais de R$ 800 milhões!

Como as receitas continuam a crescer, graças à competente reestruturação modernizadora empreendida por José Azzolini e sua equipe, e como ela se nega a dar aumentos aos funcionários (como professores e policiais, por exemplo), a relação dívida/receita continua baixa e ela aumenta a sede por empréstimos e a gastança descontrolada. Já é o terceiro empréstimo que ela toma e, como os outros, sem dizer para quê e sem respeitar a Constituição e a Assembleia.

Falei aqui, por várias vezes, que o Maranhão iria regredir rapidamente sob mais um governo de Roseana Sarney. Na infraestrutura é evidente, vejam-se o aeroporto e as estradas. Mais que isso seria pior ainda nos indicadores sociais do estado. E o resultado do IDH expõe a calamidade. Dos nove estados da região Nordeste, apenas dois não tiveram melhora no IDH: Maranhão e Rio Grande do Norte. O Maranhão caiu de 21 para 24, entre todos os estados brasileiros, sendo ultrapassado por Acre e Roraima. Só a oligarquia e seus interesses apartados dos interesses da população podem explicar por que o Maranhão, mesmo com tanto potencial, sob o tacão da oligarquia, anda para trás.

E a governadora acostumada ao ócio, viaja sem dizer para onde e sem se importar com o que acontece aqui. Nem as férias do próximo final do ano parecem tirar Roseana de suas férias quase permanentes...

'Eita', Maranhão.

08/11/2011 às 16h19min

O que será, que será....

Da música de Chico Buarque de Holanda: 'O que não tem governo, nem nunca terá, porque não tem juízo...'

Sinceramente, a governadora Roseana Sarney parece que não está se importando com o que acontece no Maranhão e com a população maranhense nesse momento.

Nosso estado regride a olhos vistos, a infraestrutura estadual se acaba e a governadora pega o avião e sai de férias, vai bater papo com Chávez na Venezuela como se nada tivesse importância. A população sofre sem estação de passageiros no aeroporto por um tempo interminável e a recuperação segue devagar para desespero dos funcionários dedicados das empresas aéreas e da Infraero obrigados a suportar o desconforto e o estresse todos os dias. E ninguém se arrisca a dizer quando tudo isso vai se normalizar.

Sem aeroporto, que virou motivo de piadas entre os passageiros, principalmente os visitantes, a impressão de quem chega ao Maranhão é de quem está chegando a um país africano, dos mais atrasados. Um prejuízo enorme para todos. E o que faz a governadora? Nada! Primeiro porque ela ali não pisa desde anos atrás. No hangar em que ela pega seu avião está tudo em ordem. Ela não se dignou em momento nenhum a ali fazer uma visita de inspeção, coisa que só faria se estivesse interessada em resolver. Tudo indica que não está.

Se não temos aeroporto, tampouco temos estrada. O acesso a São Luís pela BR-135 virou um grande problema e um enorme risco para quem precisa sair ou chegar à ilha. É raro o dia sem acidentes ali, quase sempre com vítimas fatais. O governo federal desde o ano passado autorizou a tão sonhada duplicação, mas premido pelo enorme poder político da oligarquia, fez o que não devia e delegou aos órgãos no estado a execução do projeto da obra. O estado queria, além disso, a delegação para execução da construção e pavimentação da estrada, ficando com o DNIT a obrigação de repassar os recursos. Mas com tudo o que aconteceu no Ministério dos Transportes, o TCU entrou em ação e constatou que no edital estava embutido um sobrepreço de dezenas de milhões de reais e comunicou ao Ministério dos Transportes. Ali, quem havia assumido era um homem muito sério e de absoluta confiança da presidente Dilma, que, alertado e tomando conhecimento da enorme lambança embutida no edital, não teve alternativa senão anulá-lo, certamente com o conhecimento da Presidência da República. Ele não tinha alternativa. Aqui o choro foi grande, mas as coisas estão diferentes no governo federal.

Assim a lambança custa, mais uma vez, muito caro à população que sonha com a duplicação. Roseana certamente estava informada de tudo, acredito, e recebeu o ministro protocolarmente apenas para mostrar seu empenho em governar...

Mas o fracasso governamental se estende para todos os lados. Para agradar o pessoal da Ponta da Areia, e lógico, os construtores - Jorge Murad, o marido, construiu no mínimo dois prédios no local - resolveu realizar um projeto antigo, do prefeito Tadeu Palácio, sem se dar ao trabalho de verificar se as premissas daquele projeto continuavam válidas nos dias de hoje. Sim, porque com a construção da barragem do Bacanga, o Aterro do Bacanga, e as intervenções quase rotineiras no Porto do Itaqui, as correntes na Baía de São Marcos sofrem grande influência que lhes altera profundamente. Basta ver que os pilares da Ponte José Sarney estão cobertas de lama e os canais que passavam ali só existem na maré cheia. Há poucos dias uma senhora caiu da ponte e mesmo com a maré seca, ela nada sofreu, pois sua queda foi amortecida pela lama, e em que pese a grande altura da queda, a lama que continua a aumentar no local, amorteceu e acolheu a sua queda. A croa, um banco de areia que surgia na maré vazante e que servia de campo de peladas para a diversão de muitos ludovicenses, hoje não existe mais. É só lama.

Assim, sem cuidado nenhum, ela faz uma licitação, vencida, naturalmente, por um amigo e gastou R$ 18 milhões na construção acelerada do Espigão da Ponta da Areia. E, é claro, fez tanta publicidade do tal quebra-mar, que os críticos, sabendo que a parte maior dessa publicidade é destinada a TV Mirante, que é dela mesmo, brincam que ela gastou R$ 18 milhões na construção e R$ 40 milhões na propaganda. Vá lá saber se é verdade...

Verdade mesmo é que, conforme extensas reportagens do Jornal Pequeno, que ouviu os barraqueiros e moradores, o espigão não funciona e não impede a erosão das praias do local, que continua a aumentar. É no mínimo irresponsável o governo que nem se abala para explicar o que está acontecendo. O espigão que mandei construir em São José de Ribamar para acabar com a erosão que derrubava as barreiras, lançando ao chão casas inteiras, foi um sucesso, mas tudo ali foi estudado em modelo reduzido efetuado pela Portobras.

É, e como se não bastasse, a ação deletéria do governo se estende a todos os setores. Os Cetecmas estão fechados há quase um ano e cerca de 600 técnicos e funcionários que trabalhavam nesses centros há mais de nove anos foram postos para fora sem nada receberem, pois hoje estão todos fechados. Um absurdo que só um governo sem compromisso com nada, nem com os direitos dos funcionários, é capaz de perpetrar.

Os emblemáticos 72 hospitais que ela prometeu inaugurar no final de 2010 e até hoje inacabados só serviram mesmo para fazer dispensas de licitação de centenas de milhões de reais e fazer a festa de empreiteiros amigos. Em compensação, Roseana fechou quase todos os que funcionavam, sobrecarregando os Socorrões da Prefeitura de São Luís. Um primor de descaso, incompetência e má-fé.

Das promessas de campanha nada foi feito. Nada de refinaria, nem gás, nem celulose. Nada de Via Monumental ou Ponte do Quarto Centenário. E agora, para culminar a completa balbúrdia do governo, sem se importar com a extrema gravidade do quadro caótico de insegurança no Maranhão, e depois da briga sem sentido com os delegados, a governadora agora parece querer desmerecer a Polícia Militar, sempre ordeira e dotada de oficiais e praças bem formados, negando-lhes qualquer atendimento à justíssimas reivindicações da corporação. Nem sequer dialoga com os militares. O clima está pesado e quem sofrerá mais uma vez será a desprotegida população do estado.

E assim os índices de criminalidade atingem números alarmantes, a população está apavorada e a governadora continua ausente.

O governo atual do Maranhão é um fracasso em tudo.

01/11/2011 às 12h53min

Biografia e equívoco

Nos acostumamos a ver os esforços repetidos do senador José Sarney, a fim de tentar criar uma explicação convincente para a terrível situação do Maranhão, expressada nos piores indicadores socioeconômicos do Brasil. Nenhuma unidade da federação apresenta indicadores tão ruins, mostrando que a realidade do estado é de pobreza, de carência de ausência de infraestrutura social básica para a população. É um dos estados mais abandonados pelo poder público.

Sarney já tentou de tudo, desde justificar o atraso com imaginária indolência do povo – esta justificativa de tão sem sentido foi até mesmo abandonada – e, como não pode lançar mão de secas catastróficas, geadas, terremotos, tsunamis e outras calamidades do mesmo porte, porque inexistem aqui, ele se concentrou ultimamente em acusar a oposição de inventar dados que seriam fictícios sobre os indicadores sociais negativos do Maranhão. O que Sarney negligencia, no entanto, é que tais dados são todos oriundos do IBGE, Ipea, Enem, Saeb, instituições que, embora públicas, estão acima do jogo político, seja ele nacional ou estadual.

A pobreza que teimam em não reconhecer é afrontosa, basta ir à periferia das cidades maiores ou às próprias cidades menores do interior.

O único período em que isso mudou foi quando governei o estado, seguido por Jackson, até este ser sacado do poder por um golpe de estado jurídico. O Ipea enviou técnicos a São Luís para informarem essa boa nova em seminário, evento ao qual Roseana fez questão de não mandar representantes. Então, isso significa que há um modelo bem-sucedido que o atual governo abandonou totalmente. E não será cortando recursos do programa de combate a mortalidade infantil, tal como a governadora acabou de fazer, que vai mudar a calamidade que está em curso com a completa inoperância do governo.

Em entrevista recente, José Sarney disse que isso não se faz. Que esses dados inventados pela oposição causam grande prejuízo à imagem do estado, afugentando turistas etc. etc.

Na verdade, o que ele quer mesmo dizer é que isto acarreta nada mais que a destruição da imagem que ele se empenhou em construir de benfeitor de um estado desenvolvido, bonito, uma ilha de prosperidade digna de admiração, com crescimento chinês, em que a população é muito feliz, onde não há fome e com emprego e oportunidades fartos. Tudo graças a Sarney e família.

Ele não pode se conformar com a verdade dos números, porque foi presidente da República, governador, presidente do Senado por três vezes, manda-chuva da nação, prestígio político incontrastável em todos os governos do país e domínio total do estado por quase cinco décadas. E ainda assim o resultado para a população não podia ser pior. O domínio da família Sarney só trouxe pobreza ao povo e riqueza e poder à família e também à oligarquia que ele chefia com braço de ferro.

Tudo isso em contraste a Antônio Carlos Magalhães que, mesmo sem ter sido presidente, transformou a Bahia, seu estado, usando todo o seu prestígio e sua luta para desenvolver aquela terra que no passado era muito semelhante ao Maranhão na pobreza e no atraso.

Sarney não pode negar sua grande influência no Maranhão, nunca igualada por ninguém. Mais de cem prédios públicos com nome da família, domínio completo de todas as instituições maranhenses, incontáveis pontes e monumentos com seu nome e da família demonstram a todos que o Maranhão tem “dono” e que esse dono é Sarney. O Maranhão se confunde com Sarney, para o bem ou para o mal.

Preocupado com a sua imagem perante a História, ele se esmera em preparar e encomendar filmes e biografias contando a história que ele gostaria que todos assimilassem e que no futuro esses livros pudessem ser aceitos como a verdade histórica do que foi.

Puro engano, um grande equívoco, na verdade. E o pior é que ele sabe disso. Sabe também que a sua biografia, da qual ele não conseguirá se livrar, é o que o Maranhão é, o que ele legou ao estado. Por isso sua revolta e o seu esforço em tentar mudar a realidade com explicações que nunca poderão modificá-la.

A sua história é o Maranhão. É a realidade do Maranhão e de seu povo, é a sua grandeza ou sua pobreza, em comparação com outros estados do Nordeste e do Brasil. E isso não há livro de biografia que mude.

A tragédia da pobreza do estado é como Sarney será visto no futuro. Por isso o grande repúdio, que ele sabe muito bem que sofre da sociedade brasileira, indignada com a contradição entre seu poder absoluto e a miséria e a pobreza de seu estado natal, que ele sempre falou ser seu “torrão, sua paixão”.

É uma história que está inscrita como indelével marca em todas as instituições, edifícios públicos, pontes, colégios, como já disse. Não há como separar. De nada adianta produzir versões biográficas idílicas, Fundações para preservar sua memória, fazer artigos laudatórios, fazer discursos à favor, que pouco ou nada mudará.

Hoje, se pegamos um táxi em qualquer cidade do país, quando o motorista puxa conversa e pergunta de onde somos e a resposta é Maranhão, somos brindados com o subtítulo do estado: “a terra do Sarney”, frequentemente seguida de comentários pouco lisonjeiros. Não dá para mudar.

Sarney teve muitas oportunidades de mudar esse quadro, que nem é tão difícil assim mudar, como mostramos. No entanto, nunca se empenhou para fazê-lo, certo de que a sua poderosa máquina de propaganda era suficiente para mantê-los no poder. Não contava, porém, com o julgamento severo de todo o Brasil sobre isso.

E isso é algo que nem todo o poder pessoal de Sarney não consegue mudar. O poder do julgamento do povo brasileiro. E cada demonstração pública desse enorme poder só piora a imagem do ex-presidente.

O único problema é que o Maranhão vai junto…

Por fim, não há dúvidas de que Roseana Sarney se convenceu de que a refinaria da Petrobras não sairá. Se não fosse assim, por que motivo iria com José Dirceu a Caracas conversar com o presidente Venezuelano para que este construísse, sem a Petrobras, uma refinaria em São Luís? Mesmo sabendo que Chávez está inadimplente para com a Petrobras, pois não cumpriu a sua parte no financiamento da refinaria de Pernambuco? Mistério? Ou será que perdeu a paciência e acha que Lobão não conseguirá dar conta de construir o empreendimento e está só empurrando com a barriga?

Será que pode explicar?

25/10/2011 às 17h44min

Roseana testa o poder da oligarquia

Ganhei um livro fantástico, semana passada. O título é 'Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu', de Maurice Joly, editora Unesp. Trata-se de obra que nos apresenta um diálogo hipotético entre esses dois homens extremamente poderosos em seus tempos sobre os métodos que usaram para aconselhar os mandatários. Charles-Louis de Secondat, Barão de Montesquieu, foi importante filósofo, político e escritor francês. Nasceu em 18 de janeiro de 1689, na cidade de Bordeaux (França). É considerado um dos grandes filósofos do iluminismo. Nicolau Maquiavel nasceu em Florença, Itália, em 3 de maio de 1469. Foi escritor, diplomata, pensador político e descreveu sua visão política no livro 'O Príncipe', manual essencial para o governante que quer manter a estabilidade e que inspirou regimes autoritários.

O Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu foi publicado em 1864 numa França que vivia sob mão de ferro de Napoleão III. Os poderes imperiais assumidos por Napoleão desencadearam reações liberais de republicanos franceses, entre os quais estava o autor. Sua intenção era mostrar 'os abismos que a legislação imperial havia cavado, destruindo de alto a baixo todas as liberdades públicas'.

No diálogo fictício que travam Montesquieu e Maquiavel, o primeiro representa o que ele denomina o 'espírito do direito' e o outro, o 'espírito da força'. Maquiavel, provocado, diz que 'no homem o instinto perverso é mais forte que o bom. O homem é mais atraído pelo mal que pelo bem; o medo e a força têm sobre ele mais domínio que a razão. Todos os homens aspiram a dominar e, caso pudesse, ninguém deixaria de ser opressor. Todos ou quase todos estão prontos a sacrificar os direitos alheios a seus próprios interesses' e segue por aí...

Montesquieu então responde: 'a força é só um acidente da história das sociedades constituídas, e que não são os homens que garantem a liberdade, mas as instituições, e essas se fundam em princípios, tais como o da legalidade, de modo que as relações entre o príncipe e os súditos repousem sobre as leis. Na Europa moderna, o despotismo é afastado pela instituição da separação de poderes do estado, de tal modo que o mecanismo de regulação e o controle recíproco entre esses poderes impeçam a opressão e garantam a liberdade dos cidadãos e o respeito as leis constitucionais'.

Então, negando totalmente, Montesquieu, diz: 'Não posso dar como base das sociedades exatamente aquilo que as destrói. Em nome do interesse, príncipe e povos, bem como os cidadãos, só cometerão crimes. E no interesse do estado, está me dizendo! Não sabemos que o interesse do estado, frequentemente, não é apenas do príncipe ou dos favoritos que o circundam? Não fico exposto a consequências similares, considerando o direito como base da existência das sociedades, porque a noção de direito traça limites que o interesse não deve ultrapassar'.

Na verdade o que está em jogo nesse diálogo é a defesa dos regimes de liberdade contra os regimes autoritários.

Transpondo essas ideias para o Maranhão, poder-se-ia dizer que Maquiavel, sem dúvidas, é autor de cabeceira da oligarquia, pois esses seguramente parecem usar seus ensinamentos para governar. No entanto, não querem saber dos ensinamentos de Montesquieu...

Nesse momento, Roseana Sarney, com total inspiração do pai, parece testar o seu poder e o da oligarquia ao mandar para a Assembleia em regime de urgência, para evitar o debate, um projeto terrível, que passa para o estado todas as despesas da Fundação José Sarney, e também o controle do magnífico prédio para a família Sarney para sempre. Tombado pelo Patrimônio Histórico, o Convento das Mercês, uma joia, é um palácio de grande imponência e importância. Sarney sempre quis esse prédio para seu uso e da família. E tudo isso sem a família gastar nenhum tostão. Coisa de gênio!

O projeto aprovado pela Assembleia é inconstitucional. Cria despesa para o erário estadual sem, entretanto, defini-las. E ainda cria um Conselho Curador sem definir como escolher seus membros. Como se não bastasse, dá ao Patrono da Fundação, José Sarney, o poder de contratar e nomear à vontade. E culmina essa 'obra-prima' de projeto de estatização definindo que após o falecimento de Sarney, todo esse poder passará para seus sucessores familiares.

A bem da verdade, nunca faltou recurso público para a Fundação. Antes, o governo federal, através da Petrobras, Caixa Econômica e outros, repassava milhares de reais à Função Sarney. Acontece que essa fonte secou, porque a entidade não conseguiu prestar contas do dinheiro recebido. Na documentação enviada com esse propósito havia de tudo, até notas frias, como a imprensa publicou na época.

O que querem Sarney e Roseana é garantir o domínio da Fundação e do prédio para família e passando as despesas, de uma fundação particular para o governo, pois sabem que o futuro é incerto e o poder também e, assim, a fonte de recursos pode secar.

Para ilustrar a situação, a Caema, por exemplo, fornece água precariamente à população, mas em 2010 'patrocinou' a Fundação com R$ 60 mil. Já a Secretaria de Estado da Educação, por sua vez, entrou com R$ 364,5 mil. Dinheiro não faltou, portanto. Acontece que o prédio está precisando de reformas, tem parte dele escorada, assim como três arcos ameaçam desabar. O governo, então por lei, vai poder gastar muitos milhões de reais que seriam, na verdade obrigação da Fundação, então mantenedora do prédio.

Administrar o acervo do presidente Sarney pode ser feito em uma parte do prédio (uns 25% do total em área) e portanto a obsessão pelo prédio não se justifica e é apenas o desejo de manter sob seu controle essa construção diferenciada, onde Sarney mantém o projeto de ali erigir o seu mausoléu.

Esse é o único projeto de guarda de acervo presidencial custeado pelo poder público. Sarney deveria se espelhar em Fernando Henrique Cardoso e de Lula da Silva, que custeiam a manutenção de seus acervos por fundações privadas. É um absurdo.

Então, Roseana e Sarney testam a sua força e, ao mesmo tempo, a das instituições maranhenses. O projeto é inconstitucional e absurdo, mas alguém terá coragem de usar seus poderes para impedir?

A lei não pode ser usada apenas contra os que não tem poder. No regime democrático todos são iguais perante a lei. Mas aqui parece não ser assim...

Enquanto isso, o projeto de combate a mortalidade infantil é encerrado no Maranhão. A governadora alega que não possui R$ 7 milhões para continuar a iniciativa. É muito comprometimento com as causas da população...

Amigos me dizem que não entendem Sarney. Só se mete em confusão, quase sempre afrontando a opinião pública. Será que vai dizer também que é uma 'homenagem à democracia'?

Tudo isso pode ser efêmero, menos o desgaste. Quem sustenta que daqui ha alguns anos o clamor público não imponha uma anulação de todos esses atos? Não há regime de força que dure muito tempo. No começo do ano, quem diria que Mubarack e Muammar Kadafi, ditadores poderosos à longa data, estivessem sem nenhum poder pouco depois, um preso e o outro morto quando fugia?

Parece não valer à pena tanto desgaste...

E o imbróglio da duplicação da BR- 135, que teve seu edital de concorrência anulado por pressão do TCU? Havia sobre- preço de quase R$ 100 milhões na obra. Daí...

18/10/2011 às 17h39min

O governo é só intriga

Como toda a corte que, pela imposição do seu poder, acha que pode tudo e nada teme no seu território, onde as instituições sempre estão olhando para o outro lado e não prestam atenção nos desvios de conduta do governo que teriam que fiscalizar, a luta pelo poder passa a ser interna e cada um se arma contra o aliado, visando possíveis traições futuras. É isso o que parece estar ocorrendo no governo de Roseana Sarney.
Não é só a luta pela sua sucessão, em cujas estratégias ela tenta impedir ou dificultar a candidatura do ministro Edison Lobão, solapando seus apoios e impedindo que solenidades onde Lobão é a estrela tenham brilho e que isso possa concorrer para consolidar sua candidatura ao governo. Ela não está brincando, pois a família, sob inspiração de Jorge Murad, seu marido, tem candidato ao mesmo posto, que é mais fraco politicamente que o “adversário” ministro. Mas a intriga e as traições dentro do governo vão muito além da sucessão...
Ela tem dentro da família (e do governo), ocupando um cargo importante, pelo volume de recursos que dispõe sua secretaria, o secretário Ricardo Murad, com quem desfruta um passado rico em problemas. Ele foi secretário de saúde de Roseana também antes da reeleição, cargo em que confirmou a sua fama de “trator”, fazendo coisas que até Deus duvida durante a campanha de 2010, onde soube usar todo o repertório da oligarquia ao disputar eleições com o governo na mão. Depois do pleito ganho, Ricardo Murad pensava que sua parte naquele latifúndio no mínimo seria igual ao de antes da eleição. Roseana, porém, não sabia como controlá-lo e não o queria mais como secretário de saúde. Ele já não seria mais útil para a governadora, que então resolveu afastá-lo do governo, dando-lhe um prêmio de consolação, a presidência da Assembleia. Contudo, Roseana depois foi alertada de que ali ele poderia causar problemas sem fim e de difícil solução. Assim, ela resolveu evitar a eleição de Murad já em cima da hora, muito tarde para uma negociação e avisou a sua turma que o projeto mudara e ele não era mais o seu candidato. Ao recuar, acabou por enfraquecer muito o parente, que viu seus apoios de antes deixarem-no sozinho, já que o novo tratamento era de adversário.
Foi tão escandalosa a manobra, tão mal feita, que em seguida ela teve que enfrentar um Ricardo irado, tendo que capitular aos desejos dele de voltar à Secretaria da Saúde. Em sua revolta, mesmo com o Palácio anunciando novo secretário para a saúde, também como ele, com fortes ramificações familiares, ele chegou à ousadia de avisar que na semana seguinte seria nomeado secretário de Saúde do estado. E efetivamente o foi. Devolveu assim a humilhação ele chegou à Roseana.
A governadora sabe que Ricardo, quando contrariado em seus desejos, não guarda conveniências. Ele era o presidente da Assembleia e se elegeu deputado federal em 1990. Cumpria um caminho que traçara previamente. Aliado incondicional de José Sarney, ele achava que daquela vez nada o impediria de ser o candidato ao governo do estado. Não via ninguém tão estruturado e com tantos apoios para fazer-lhe sombra no grupo. Mas foi passado para trás.


Sarney tinha outros planos e trabalhou para Roseana, sua filha, também eleita deputado federal em 90, ser a candidata no lugar de Ricardo, pois o senador nunca confiou plenamente neste e nem havia revelado ainda que dentro do seu coração essa candidatura era um sonho inarredável e que chegara o momento de um outro Sarney ocupar o governo. Pensou que Ricardo compreenderia e aceitaria sua decisão e resolveria tudo no âmbito familiar. Puro engano. Ricardo ocupava um lugar de força e importância crescente no grupo e reagiu com um sentimento que beirava o ódio.


Rompeu com Sarney e se jogou nos braços da oposição, logo se transformando em um violento adversário e pré-candidato ao governo. Todos se lembram dos insultos com que cobriu José Sarney, Roseana e seu próprio irmão, Jorge. Não havia limites para a sua raiva e desejo de vingança. Sarney então tirou a legenda de Ricardo e ele não pôde ser candidato.
Lobão está agora correndo riscos semelhantes no PSD.
Assim, Roseana sabe muito bem do que Ricardo é capaz e não tem disposição para enfrentá-lo. Naquela época foram insultos. Agora pode ser muito perigoso ter um inimigo que viveu profundamente as entranhas do episódio da cassação de Jackson Lago e das eleições de 2010. Ele poderia, se assim quisesse, destruir tudo e Roseana achou melhor engolir a humilhação.
Mas governo é governo e ela dispunha de outras armas, muito letais e que não precisaria de fato empunhá-las.
Ricardo também já não podia mais ser útil. Ao tirar Luís Fernando, ainda com metade do mandato a cumprir na importante prefeitura de São José de Ribamar, e fazê-lo aceitar a chefia da Casa Civil, ela mostrou a todos que ele estava ali para ser o candidato da família ao governo em sua sucessão. Era óbvio que era um projeto de inspiração de Jorge Murad e Ricardo nele não caberia. Automaticamente, Ricardo se tornou membro importante da candidatura alternativa da oligarquia, com o senador Edison Lobão novamente candidato ao governo.
Ali o grupo se dividiu novamente e Ricardo de novo estava do outro lado.
Muita gente desconfiou da matéria publicada pela revista IstoÉ contra Ricardo e sua temerária administração na Saúde, transcrevendo uma investigação do Tribunal de Contas do Estado acerca das licitações, obras e procedimentos do projeto de construir em menos de dois anos setenta e dois hospitais no estado, até hoje não entregues à população.
A desconfiança foi enorme porque desde a inauguração, o prédio do Tribunal de Contas se chamava Tribunal de Contas Roseana Sarney Murad, e ela goza ali de enorme poder, pois nomeou quase todos os conselheiros, que são muito seus amigos.
Logo, muitos políticos começaram a ver o episódio como “fogo amigo” entendendo que a matéria era de conhecimento do governo e poderia ter chegado à revista pelas mãos de pessoas amigas da governadora. Seria um aviso a Ricardo? Ou teria outro objetivo futuro?
Tudo isso pode ser apenas conjeturas. O Tribunal pode ter realmente investigado o governo de Roseana e a matéria ter vazado para a revista. Seria até normal. Assim a governadora, nem ninguém do palácio, teria nada com isso. É, pode ser...
Esse é o ambiente atual na esfera governamental maranhense. Ninguém confia em ninguém e tampouco se explica o marasmo da gestão, que vai levando um dia a dia medíocre e sem perspectiva de melhorar.
Seja o que Deus quiser!

11/10/2011 às 15h59min

Desconfianças

A candidatura do ministro Lobão ao Governo do Estado em 2014 foi colocada pelo senador Edinho Lobão como irreversível há poucos dias. Foi uma reação a uma declaração, pouco explicável, da governadora Roseana Sarney, lançando Luís Fernando como seu candidato ao governo no próximo pleito estadual. Não se sabe ao certo, e talvez nem ela saiba, o motivo de declaração tão fora do contexto, tão sem sentido, que na verdade só serviu para dividir irremediavelmente o governo. O fato é que hoje existe todo um clima de desconfiança e de vigilância entre a família Lobão e Roseana Sarney. E isso não pode ser consertado, pois o jogo é realmente de antagonismo. O máximo que pode ser feito é um mise-en-scène de aparências em encontros públicos.

Roseana sentiu pela reação que havia feito uma enorme bobagem e tentou remediar, jogando a culpa na oposição. Mas para certas coisas não há conserto. E essa é uma delas. Lobão percebeu que precisava fazer algo, já que via Roseana cercá-lo e vigiá-lo de perto. Assim, mandou Nice Lobão para o PSD, imaginando ser esse o seu futuro partido, pois não poderá permanecer no PMDB. Sim, porque neste partido, quem dá as cartas é o senador João Alberto, ou seja, família Sarney, e este mesmo João Alberto figura como um possível candidato, também em 2014.

Entretanto, a estratégia política de Roseana flui com ela colocando seu pessoal no PSD para tentar controlar o partido e enquadrá-lo em seu projeto para 2014, do qual Lobão não faz parte. O nome é Luís Fernando.

A verdade é que Lobão tem ótimo trânsito na classe política, entre os prefeitos, mas prefeitos precisam do governo e na hora certa podem não estar disponíveis. Na eleição de 2010 para o senado, ele cresceu com o lançamento da refinaria Premium, a quinta maior do mundo, segundo suas palavras. O presidente era Lula, que tinha um estilo de não interferir muito e deixar os ministérios por conta dos ministros. Lobão se acostumou com a liberdade total e o apoio presidencial quase sempre pronto. Com Dilma Rousseff é muito diferente, pois ela acompanha tudo e interfere, dá menos liberdade e arbítrio. Principalmente no Ministério de Minas e Energia, onde sempre militou, conhece profundamente, pois foi ministra e comandou a pasta no governo Lula.

Com efeito, Lobão sentiu a mudança e, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, viu o governo intervir, por intermédio do Ministro da Fazenda, que no primeiro semestre deste ano cortou o orçamento da Petrobras, atingindo profundamente o programado para as refinarias novas. No entanto, permaneceu intacta a de Pernambuco, que o governador Eduardo Campos, com largo prestígio no governo, conseguiu liberar recursos, mesmo com a Venezuela não cumprindo financeiramente seus compromissos com o empreendimento. Hoje não dá mais para parar. Outra que ficou intacta foi a do Rio de Janeiro, estado que sedia a Petrobras. As outras sofreram cortes e adiamentos e entraram em uma zona de incertezas que dependem da conjuntura mundial no futuro, pois refino nunca foi uma atividade forte numa companhia que dirige preferencialmente seus recursos para a extração e exploração de petróleo.

Lobão ficou tão aturdido que nem tentou explicar nada naquele difícil momento. Só agora resolveu aparecer para mostrar que a refinaria continuava normalmente, pois sabe que sem esse trunfo sua candidatura ao governo se enfraquece muito, e em caso de dificuldades, a primeira a culpá-lo será possivelmente Roseana, direta ou indiretamente, como são especialistas.

Na solenidade ficou explícita a divisão do governo. Isto se confirma, dado que um evento desses, uma visita do ministro e senador Edison Lobão, candidato já previamente lançado ao governo do estado, onde este esclareceria o futuro de uma obra que, segundo a propaganda do governo, é uma das maiores do mundo, que promete empregar milhares de pessoas no Maranhão, deveria atrair a classe política em peso. Mas, curiosamente e para espanto geral, a classe política não apareceu, somente alguns deputados mais ligados ao ministro. Lógico que isso não é natural, tampouco normal. Também autoridades governamentais, que sempre estão presentes em todos os acontecimentos, mesmo os mais corriqueiros, como Luís Fernando e João Alberto, ambos tidos como pré-candidatos, lá não estiveram. A própria TV Mirante teve barrada sua entrada para televisionar o andamento das obras, o que é impensável no Maranhão, por causa dos seus donos. Parece que havia uma força misteriosa por trás de tudo e com o objetivo de limitar o alcance político e a visibilidade da visita.

Ao final, o que havia eram obras de terraplenagem do terreno e uma parte do canal de adução, o que levou o jornal da oligarquia, querendo mostrar o que ali não tem, 'informar' que eram os alicerces da refinaria...

Lobão, político muito experiente e conhecedor profundo dos métodos da oligarquia, deve ter retornado a Brasília certo de que tem que abrir o olho com o PSD, porque eles podem derrotá-lo na convenção em junho vindouro com uma proposta de apoiar o candidato do governo, provavelmente Luís Fernando, que tem a candidatura apoiada e conduzida por Jorge Murad. Isto ocorrendo, o ministro ficaria sem legenda para concorrer ao governo do Maranhão em 2014.

A oligarquia não muda...

06/10/2011 às 14h37min

A saga do Prodim

Nesta semana, li um bom artigo do professor José Lemos, que foi um excelente secretário de Agricultura no meu governo, e ele relembrava que há cinco anos, quando da faina diária de entregar os recursos do Prodim às comunidades mais pobres do setor rural maranhense, ao sair de um dos mais entre os mais pobres, São João do Carú, nosso helicóptero caiu após decolar.

Antes, estivéramos em Bom Jardim, onde assinamos diversos convênios com associações comunitárias e no mesmo ato já liberávamos a primeira parcela dos recursos pedidos e aprovados por toda a comunidade. Estas comunidades já haviam passado por amplo processo de eleição de prioridades com a participação vibrante e interessada de todos. Nesse processo que se iniciava com um elenco que às vezes começava com trinta projetos, após muitos debates, chegava-se a cinco ou seis projetos mais importantes para todos que assim, com completo envolvimento daqueles, a fiscalização dos recursos passava a ser de amplo interesse de todos. Isso evitava ao máximo o desvio de recursos pelas lideranças, pois estavam sendo acompanhados e fiscalizados.

Era evidente que dessa maneira os recursos seriam aplicados, como foram, e essa metodologia se impôs nos longos debates que precederam a aprovação do projeto pelo Banco Mundial, o que aconteceu entre os técnicos do banco e do governo do estado. Era uma tentativa de evitar o que havia acontecido anteriormente no estado com outros projetos de combate à pobreza, cujos recursos, como todos sabem, eram distribuídos aos políticos por intermédio de associações que só existiam no papel e com prestações de contas fabricados em escritórios em São Luís. Uma tragédia.

José Lemos lembra ainda que mais de trinta por cento dos recursos foram alocados para abastecimento de água com a perfuração de poços, vindo em segundo lugar as casas de farinha, modernas, higiênicas, que serviam para aumentar a renda das comunidades. E além disso, diversos outros tipos de projeto foram atendidos.

Isso ajuda a explicar porque mais de oitocentos mil maranhenses deixaram a extrema pobreza no período em que governei o Maranhão. Esses e outros projetos levavam recursos diretos às comunidades pobres. Entre muitos outros projetos importantes, destaco o Pronaf, em parceria com as Casas de Agricultura Familiar, que de R$ 30 milhões por ano, passou para R$ 380 milhões por ano. Não foi por acaso que conseguimos êxito tão grande.

Pois bem, um projeto como o Prodim, hoje extinto, foi aprovado pelo Banco Mundial em tempo recorde. Pelo Banco, teríamos começado a entregar os recursos para as comunidades já em final de 2004. Mas faltava uma aprovação, quase um registro de tão simples do Senado da República, e aí vimos em toda a plenitude o tipo de política mesquinha e destrutiva da oligarquia Sarney. A ordem, que alcançou até senadores de outros estados, como me disse o senador Garibaldi Alves, do Rio Grande do Norte – tenho testemunhas – era não deixar aprovar o empréstimo.

Essa ordem foi cumprida fielmente e só conseguimos arrebentar o bloqueio com a marcha de 18 mil pessoas em São Luís, seguida pela viagem a Brasília de grande número de trabalhadores rurais que entraram no senado exigindo a aprovação do empréstimo Prodim. Aquilo despertou o interesse de senadores de outros estados, que colocaram o assunto em pauta e o votaram, para grande surpresa dos senadores do Maranhão, que boicotaram até onde puderam, a aprovação do projeto. No sítio eletrônico Youtube pode-se encontrar o discurso do senador José Sarney na sessão, quando bradava que 'aprova, mas o dinheiro não sai'. No entanto, para decepção do senador, e graças ao trabalho de Simão Cirineu, e ainda à cooperação do Banco Mundial, escandalizado com aquilo, e à pronta intervenção de Eduardo Campos, presidente do PSB, que me colocou em contato com Lula, o presidente da República me ouviu e garantiu a aprovação do projeto por parte do governo, expressando na ocasião que aquilo já era demais.

O acidente com o helicóptero foi muito sério e nos salvamos todos, quase sem escoriações, graças à grande perícia do piloto, que conseguiu levar o helicóptero em queda para um local deserto e de terra que amorteceu muito o baque. O helicóptero teve perda total. Deus nos ajudou.

Para evitar o medo e continuar o programa, tão importante para as comunidades, no dia seguinte estávamos em outro helicóptero indo para Guimarães, Porto Rico e Pindaré.

Hoje tudo é lembrança. O Prodim não existe mais, atestando a irresponsabilidade com que o Maranhão é conduzido. A miséria, o abandono, a falta de água, esgoto, a falta de tudo no meio rural só se agrava. Não existe nenhum esforço para interferir no estado de pobreza que domina o Maranhão e aprisiona o seu povo. Na verdade todos os programas que visavam o combate à pobreza não existem mais e a governadora até acha que aqui não existe pobreza e que o estado é rico.

Agora chega a notícia que o hospital de referência, um grande projeto do governador Jackson Lago em Presidente Dutra, está abandonado e quase fechando as portas. Mais sofrimento para a população da região.

Desta vez o senador José Sarney perdeu a paciência e ligou para seus defensores da liderança do governo na Assembleia. Agradeceu a intenção, mas pediu que não o defendessem mais, pois só pioravam a situação. Cada vez fica pior.

27/09/2011 às 18h12min

Entrevistas de Roseana mostram despreparo

Roseana Sarney, quando sente que seu governo não produz nada bom e que o Maranhão esta caindo pelas tabelas, tenta criar um factoide ou uma entrevista. Então chama o seu jornal e produz uma primeira página bombástica. Desta vez tentou informar os leitores que o seu governo deslanchou .

Isto é inusitado, pois ninguém havia notado. Deslanchou em quê mesmo? A área da saúde, ao invés de produzir tratamentos, só produz escândalos, com mais de R$ 700 milhões de contratos feitos por meio de dispensa de licitação. O que devia ser a exceção virou regra. E a CPL (Comissão Permanente de Licitações) existe mesmo? Antes de Roseana, não era assim que ocorria, quando a Comissão tinha que autorizar as dispensas. E vejam que o secretário apertado pela oposição na Assembleia Legislativa não conseguiu dar nenhuma explicação convincente.

Na educação, se examinarmos superficialmente, teremos logo a dura realidade do Enem que mostrou nosso estado em último lugar, com a pior escola do Brasil, fazendo companhia a mais duas entre as vinte piores. E nenhuma entre as vinte melhores (e o nosso vizinho Piauí com a segunda melhor do país). Nos indicadores sociais, nenhuma melhora. Apenas as evidências de que começamos a piorar.

Além disso, o Maranhão continua a ser um dos últimos do país na geração de empregos, a refinaria não vai para lugar nenhum, assim como o gás de Capinzal, a celulose e tudo o mais que constou da propaganda oficial do governo...

As estatísticas recentes do IBGE mostram uma triste realidade: o nosso estado é muito pobre e com o maior contingente de pobres e excluídos do Brasil... Em contraposição a isso, não custa lembrar, é possível um cenário diferente. Que o digam os dados do IPEA compilados no período em que governei o Maranhão, os quais tive a chance de compartilhar neste espaço em vários momentos.

Pois bem, como Roseana não tem o que dizer, ela resolveu reinterpretar - como só a oligarquia sabe fazer, diga-se de passagem - as estatísticas do IBGE. E resolveu afirmar que essas estatísticas estão erradas e que precisam ser lidas de outro modo, argumentando que o Maranhão não é pobre, já que possui o décimo sexto PIB do Brasil.

Portanto, em sua opinião, tudo é uma balela só.

Agora notem que, quando assumi o governo no início de 2002, o PIB maranhense, após oito anos da gestão dela, era apenas de pouco mais de R$ 15 bilhões. Quando saí, menos de cinco anos depois, ele havia dobrado para próximo de R$ R$ 32 Bilhões, o que caracteriza um crescimento chinês, maior que o crescimento que alcançou o Brasil e o nordeste.

Então ela diz que isto prova que o Maranhão é rico. Pode ser rico e pode ser muito mais, mas o que interessa para a população não é o PIB (Produto Interno Bruto), mas sim a renda per capita. Este índice sim mostra que o Maranhão tem a pior e a última renda per capita entre os estados brasileiros, abrindo para todos o grau de miséria e pobreza da população maranhense, principalmente nas áreas rurais e no interior do estado.

Isto ocorre pela falta de políticas públicas em favor da população, pois todas elas foram extintas pelo atual governo. E nos anteriores, nada existia. Portanto, governadora, onde está esse deslanche? Acredito que não é com esse tipo de entrevistas que irá convencer alguém de que o governo está funcionando. Melhor seria trabalhar um pouco, mas isso, temo, é pedir muito…

Na mesma peça, ela revela que não está contente com a presidente Dilma, que nem se abalou para inaugurar UPAS, o que é, na verdade, muito pouco para trazer a presidente aqui. O que Dilma gosta é de trabalhar muito e coordenar e tomar conhecimento de tudo. Não deixa passar nada. Com estilos diametralmente opostos e distintos, elas não têm muito que conversar.

A presidente quer acabar com a pobreza absoluta e Roseana diz que isto não existe, de jeito nenhum, não aqui no Maranhão. Dilma sabe que Roseana foi a única governadora do Nordeste que não foi, e tampouco mandou representante para a reunião com o presidente do Banco Mundial, cuja pauta era discutir um grande programa de financiamento daquela instituição para os estados combaterem a pobreza.

Todos sabem que o senador Sarney é fortíssimo, mas tudo tem limites, pois Roseana nem tenta ajudar. Então o que continuará acontecendo é que Dilma seguirá recebendo a governadora do Maranhão protocolarmente, mas se esta não se empenhar e não apresentar bons projetos, vai continuar apenas com promessas e de cara amarrada . Dilma é outro estilo, de muito trabalho, de enfrentamento e de luta. Muito diferente.

Para finalizar, comento o grande e alentador resultado nas pesquisas de intenções de voto nas futuras eleições para o governo estadual, publicadas pelo Jornal Pequeno no domingo: Flávio Dino desde já com 57% e vencendo seus principais adversários no segundo turno por grande diferença. Isto retrata bem o quadro político atual. A oposição tem um forte candidato, sem dúvidas.

20/09/2011 às 16h34min

Enem retrata o Governo Roseana

Nem os aliados se conformam com tanta mediocridade na educação. Um dos mais próximos deles alertou: “Acorda, Roseana!”, quando viu os resultados do Enem e a comparação deles com os outros estados. De fato não dá para não se indignar. Uma tragédia que não mereceu da governadora nenhum comentário. Tampouco de nenhum outro membro do seu governo.

Ser do Maranhão a pior escola do Brasil não escandaliza ninguém do governo, muito menos a governadora. Ser pior do Brasil, para a oligarquia parece ser normal e corriqueiro. Já se acostumaram… E como não pensam mesmo em fazer nada, para que falar sobre isso?

Na verdade temos três escolas entre as vinte piores do país, enquanto o Piauí tem a segunda melhor escola de todo o Brasil. Agora vejam: é aqui do nosso lado, no Nordeste, um estado que apresenta indicadores tão ruins quanto os nossos. E mesmo assim não temos nenhuma entre as vintes melhores escolas...

E a governadora diz que o Maranhão está se desenvolvendo. Só se for apenas em peças publicitárias. Ninguém se desenvolve sem educação de qualidade. E o que vemos aqui é a mesma governadora que deixou o governo em início de 2002 sem se importar com 159 municípios que não tinham escolas de ensino médio.

De fato, Roseana consegue ser pior sempre. É impressionante! Nada a comove e a faz tentar explicar os resultados desastrosos. Definitivamente ela não está nem aí…

Infelizmente educação é muito importante para o desenvolvimento de qualquer país. Estados do nordeste brasileiro estão empenhados em dar um salto de qualidade nessa área e todos estão conseguindo resultados melhores. Menos o Maranhão, que só regride. Se nega a pagar o piso salarial para os professores, mesmo sendo obrigados a isso, reinventa aquilo que já chamaram de “Lei do Cão”, tentando evitar pagar ao magistério o piso salarial obrigatório e troca de secretários de educação como quem muda de roupa.

E como se já não bastassem essas instabilidades, não coloca nenhum especialista na área educacional para dirigir o setor. Não quer gastar dinheiro com coisa tão desimportante. E acha que o Maranhão ‘vai muito bem, obrigado’…

Na verdade, estão muito preocupados em manter com a oligarquia o ministério do Turismo, que andou perigando sair do controle do grupo. Isso é ‘poder’, que é uma espécie de Santo Graal para o grupo Sarney, mesmo que nada resulte de bom para o estado. (Educação, então, o que seria frente a um ministério desses?).

Mas voltando ao Turismo, imaginem, logo aqui, onde os sindicatos de patrões e empregados da atividade turística coloca a boca no trombone, porque nada se faz aqui para atrair turistas, tudo culminando com terríveis constatações, como uma matéria recente da Folha de São Paulo sobre a rápida decadência do turismo no estado, que já soube no passado trabalhar bem no setor... Se no Turismo, cujo ministério tem sido ocupado por maranhenses aliados da oligarquia, realizem o resto...

Mudando de assunto, li que o jornal da oligarquia recebeu ordens de desmentir a própria governadora. Ela, em uma inauguração de uma obra do governo federal, uma UPA, claramente lançou o seu chefe da Casa Civil, Luis Fernando, candidato antecipado ao governo do estado em 2014.

É claro que ela tem no grupo da oligarquia vários outros candidatos a sua sucessão que se indignaram com a lambança fora de época e reagiram com vigor. Edinho Lobão avisou que o senador Lobão será candidato com apoio ou não do grupo, em uma declaração dura e direta. O também senador João Alberto avisou que o seu partido, que é o mesmo de Lobão, acha prematura a discussão nesse momento, fora o que rolou nos bastidores.

Roseana tomou consciência da lambança que proporcionou, sem nenhum sentido, e tentou recuar. Mandou o seu próprio jornal desmentir o que ela disse e assim eles publicaram que tudo aquilo foi invenção da oposição... Agora vejam que em verdade a oposição nada precisa fazer para complicar um governo que todo dia se complica mais na improvisação, na inconveniência e no amadorismo. A confusão está armada, é irreversível e quem armou foi Roseana Sarney. É claro que Lobão, que é experiente, nada mais falará. Mas o recado foi dado. E a confusão instalada não se resolverá tão cedo.

E enquanto isso, outras UPAS continuam a ser inauguradas no estado... As UPAS, como foram planejadas, seriam muito importantes para fornecer os primeiros socorros e atendimentos as pessoas em busca de tratamento. Entretanto, na capital, como Roseana fechou todos os hospitais estaduais da ilha, elas estão funcionando apenas como triagem para os Socorrões da prefeitura de São Luís. Estes, por sua vez, veem sua capacidade de atendimento saturada todos os dias, superlotados que estão, devido também ao fechamento dos hospitais estaduais.

É coisa de gênio, mas o Ministério do Turismo, quem sabe, encontra uma solução…

13/09/2011 às 16h21min

Maranhão não tem pobres

Meus amigos, eu sou capaz de garantir que a governadora Roseana Sarney não está lendo, ou não tem sido informada das estatísticas preparadas pelo IBGE. Tampouco dos trabalhos do IPEA sobre pobreza e muito menos tomou conhecimento do programa da presidente Dilma Rousseff, que foca o seu governo na erradicação da pobreza absoluta. Roseana nem leu nem deve ter se importado com o que está ali escrito. Nem deve ter se dado ao trabalho de se interessar pelo que veio fazer o técnico do IPEA que esteve aqui em viagem preparatória do lançamento do programa mais importante do atual governo federal, que é de combate a pobreza.

O IPEA mandou dizer que o Maranhão tem um passado vitorioso no combate a pobreza, pois entre 2004 e 2009 o Maranhão tirou da pobreza absoluta mais de oitocentos mil conterrâneos, conseguindo o maior índice de sucesso em todo o país, pois 47% desse extrato social no estado teve renda para sair da pobreza absoluta, enquanto o Nordeste conseguiu 40% de sucesso e o país 43%. Mas nesse período eu governava o estado e depois de mim, Jackson Lago. Época completamente diferentes dos governos de Roseana Sarney, que, por sinal, quando assumiu, acabou com todos os programas de combate a pobreza que fizeram a diferença no Maranhão.

Digo isso porque na inauguração de um desses fantásticos hospitais de “alta complexidade” na semana passada, ela disse que o Maranhão não tem pobres e que isso é pura invenção da oposição, que se recusa a ver a maravilhosa transformação do Maranhão e os mais de quatrocentos mil empregos que ela trouxe - embora ninguém saiba onde eles estão.

E o que causa espanto é que Roseana Sarney, que foi colocada no governo por uma exótica decisão da justiça eleitoral, é governadora do estado mais pobre do Brasil, com mais de um milhão e setecentos mil maranhenses vivendo na pobreza absoluta, cerca de 28% da população do estado. O Nordeste tem 20% e o Maranhão é o recordista negativo desse ranking vergonhoso. Até por extensão ela deve achar que a presidente Dilma não sabe o que está fazendo ao lançar um programa com dados certamente fornecidos pela oposição, deve imaginar Roseana. Ora, mas se o estado mais pobre não tem pobreza nenhuma é de certo modo justificada a incredulidade da governadora...

Não se sabe o que a governadora anda fazendo para não encontrar pobres no estado (quase um terço da população). Entre os seus amigos certamente ela não encontrará pobres. E de helicópteros e em reuniões cuidadosamente montadas no interior é que ela deve estar se baseando para fazer afirmações alienadas como essa. Se a governadora não conhece a pobreza dos maranhenses, do seu governo é que não pode se esperar nada mesmo em benefício da população. Para ela, governar é fazer vias expressas complicadas...

Desde Lula que os governantes ousam em declarações que não guardam coerência com a realidade. O senador Sarney há anos experimenta várias versões, tentando explicar a cruel pobreza do Maranhão. Como não conseguiu convencer ninguém com o que falou, passou também a tentar desconhecer a pobreza, sacando dados fora do contexto para mostrar que o Maranhão não a tem. Chegou a afirmar em entrevista que foi Jackson Lago quem inventou esses dados.

Não acredito na alienação de Roseana. Ela apenas tenta fazer o que Lula sempre fez, mas acontece que Lula fez um bom governo e tinha muito crédito. Apenas exagerava. Não é possível que Roseana Sarney desconheça a realidade. Ela apenas, como não tem interesse real na solução de problemas difíceis, mas não impossíveis de resolver, tenta “empurrar o assunto com a barriga”, como se diz.

Mas ao desconhecer o principal problema do estado, ela mais uma vez aprofunda o atraso do estado pois na história não há exemplos de povos desenvolvidos em meio a tão intensa pobreza.

Por tudo isso o governo atual será um desastre e não trará nenhuma solução para o nosso estado.

E Roseana Sarney continua se achando acima das leis. Esse pensamento a leva a não considerar as leis, como se estivesse acima delas, e acaba por apenas transferir problemas para a frente. Eu até acredito que em referencia a lei 11.738/2008, que estabelece o piso salarial nacional para a carreira do magistério, ela certamente votou pela aprovação no congresso, como senadora da época, como até deve ter feito muita “média” com os professores. Nada disso é importante agora no governo, pois ela não teme a justiça, já que esta nunca a alcança.

Já existe decisão final do Supremo definindo o assunto e já é obrigatório pagar, mas não é assim para Roseana. Pelo menos é o que ela pensa. Se não fosse assim, ela não chamaria o Sinproesemma para apresentar uma proposta indecorosa, pois apenas promete um aumento de 26% escalonado em quatro anos e incorporação de 80% da Gratificação por Atividade do Magistério (GAM).

O piso nacional que já devia estar sendo pago estabelece o valor inicial de R$ 1.187,00 e Roseana, que paga atualmente R$ 854,98, só quer pagar R$ 902,02 a partir de agora e ainda quer convencer os professores a se contentarem com apenas R$ 1.077,27 daqui a quatro anos. Ou seja, menos R$ 109,73 do que já deveriam ganhar. Parece gozação e vai ver que é mesmo... Depois os professores fazem greve e são eles que estão extrapolando.

E por fim, acostumados a manipular tudo, o jornal Estado do Maranhão publicou em seu caderno do dia 8 de setembro uma fotografia da “litorânea” muito bonita, mas qualquer pessoa mais atenta vai ver que é de outro lugar. No caderno especial dedicado a São Luís, feito para faturarem mais um pouco, acabam por desrespeitar a cidade.

06/09/2011 às 17h48min

Alcateia

A governadora Roseana Sarney temerariamente lançou a candidatura do chefe da Casa Civil, Luís Fernando, ao governo do estado na semana passada. Mal completou nove meses de mandato e, contrariando a prática política de preservar o seu próprio governo, só permitindo o debate de sua sucessão no último ano, ela inopinadamente lançou seu candidato ao governo para a eleição de 2014.

Todos os governadores não admitem sombra política, pois isso desvia o foco da gestão que nesse período tenta encontrar seu rumo e lançar os seus mais importantes programas de governo. Mas sabe-se lá por que, talvez devido ao marasmo em que envolveu o seu próprio governo, ela se sentiu obrigada a lançar a novidade.

Foi tão estranho, que na Assembleia pairou uma dúvida se o chamado para Luís Fernando descer do terceiro andar, onde é seu gabinete, para o segundo, onde é o dela, não seria para já – agora – pois ela própria se colocou ausente e é imperioso que alguém governe. Luís Fernando foi colocado na Casa Civil para comandar o governo, mas, por temperamento e timidez, não assumiu até hoje, preferindo fazer seminários pelo interior do estado. Talvez faça isso por não sentir segurança em tentar comandar um governo sem nenhum controle, dividido, e sem programas estruturantes e mobilizadores. Talvez saiba que do jeito que está é difícil...

E para sacramentar a grande bagunça que se instalou ali, os blogs da Mirante, empresa da governadora, divulgaram a notícia de modo muito revelador do clima político de mixórdia que paira ali. Ou seja, anunciaram que ela havia lançado Luís Fernando candidato à sua sucessão e ao mesmo tempo matado a alcateia que ameaçava lançar candidato dentro do grupo.

Alcateia, no dicionário, é o substantivo coletivo para lobos. Como faz parte da oligarquia, a família Lobão, representada na Câmara Federal, no Senado e no ministério de Dilma, chefiada por Edison Lobão. Sim, o mesmo que foi recém-eleito senador e que, como divulgou, teve mais votos que a governadora (fato inaceitável para a oligarquia).

A compreensão natural é que o anúncio feito pelas hostes miranteanas embutia uma agressão ao “aliado”. Gratuita e desnecessária, mas dentro do jeito Roseana de ser. Pura arrogância. Lobão, político experimentado, deve ter se queixado ao senador José Sarney, mas nada dirá de público nem responderá a agressão. Mas na hora certa dará o troco.

Roseana há pouco tempo deu um “chega para lá” em outro senador, desta vez João Alberto, que na moita também é candidato ao governo do estado. João Alberto era o patrono da candidatura à prefeitura de São Luís de Roberto Costa, seu fiel escudeiro. Se este vencesse a eleição, João Alberto se tornaria o mais forte candidato ao governo do estado pelo lado da oligarquia.

No entanto, Roseana, para manter viva a candidatura de Luís Fernando, muito amigo de Jorge Murad, seu marido, chegou espanando tudo e de surpresa lançou a candidatura de Max Barros. Mesmo que não ganhe, impede a candidatura de Roberto Costa, que estava muito desenvolto. Parece que ela não gosta muito dos seus senadores, pois os colocou na mira de seus canhões…

Pois bem, este é um jogo que ainda precisa ser jogado. Nada garante a Roseana que no final das contas tudo fique como planejou. Tanto João Alberto quanto Lobão tem em 2014 a sua (possivelmente) última oportunidade de voltar ao governo, como eles tanto querem. Ambos terão ainda quatro anos de mandato de senador e, portanto, nada perdem. Lobão sairá do PMDB na hora certa e irá para o PSD, onde seus amigos lhe garantirão a legenda. João Alberto, por sua vez, é dono do PMDB, onde manda e desmanda. Sarney, terminando mandato, não sendo candidato a reeleição, vestirá uma saia justa e pouco poderá fazer.

Esse é o quadro que Roseana atabalhoadamente tenta controlar, mas que dificilmente sairá como ela quer.

Não bastasse isso, Roseana continua brincando com coisa muito séria. No seu governo anterior, inventou o tele-ensino do segundo grau e agora faz escolhas muito descuidadas para a pasta mais importante para o futuro do estado. Nada tenho a dizer quanto aos escolhidos em si, mas sim, com relação a absoluta falta de preparo específico para pasta tão importante. É garantia de que nada importante se fará ali para corrigir o tremendo atraso do Maranhão, comparativamente com os outros estados. É um fosso que vai se alargando negativamente. É uma irresponsabilidade muito grande. Se fosse em uma pasta menos importante e estratégica… Mas na Educação?

Mas para quem privou os jovens estudantes maranhenses do ensino médio, ao ponto de, quando deixou o governo em 2002, inexistir a oferta dessa etapa do ensino em 157 municípios do estado, isso não é nada demais.

E agora ela comete um ato muito reprovável. Inaugurou três UPAs como se fosse mérito dela, sem citar que esse é um programa do governo federal, lançado ainda no governo Lula e continuado pela presidente Dilma. Ela fez um convênio para construir dez UPAs e até agora só concluiu três. Ela constrói com dinheiro federal e depois de concluídas é que começará a parte de sua responsabilidade, que é o funcionamento da unidade. Portanto, só daqui para frente, de acordo com a qualidade do atendimento, é que Roseana mostrará seu trabalho.

Ela, porém, muito carente de realizações, nada disse sobre isso e tentou passar para a população que é um projeto de seu governo. Um belo equívoco, não é, Roseana?

E já viram que agora qualquer coisa que fazem na área da saúde é de alta complexidade? Mesmo que seja banal, passa a ser de alta complexidade. Creio que de alta complexidade é o governo que ela está fazendo. São os reis da marquetagem...

E para finalizar, o senador José Sarney deve estar muito feliz com a defesa que fizeram dele na Assembleia, quando do episódio do uso do helicóptero da PM. Isso demonstra que, com esses amigos, ele não precisa de inimigos. A repercussão da defesa foi quase tão grande, e negativa, quanto o uso do helicóptero. Deve ter ficado muito feliz. Será que já agradeceu ao esforçado deputado?

30/08/2011 às 15h29min

O governo esquece os prefeitos

Durante os anos 90, no governo anterior de Roseana, ela não recebia os prefeitos e tampouco lhes propunha ou facilitava qualquer tipo de parceria. Houve uma revolta muita grande por parte deles, pois essa atitude era muito diferente daquela havida durante períodos eleitorais, quando os prefeitos eram muito prestigiados e paparicados. A famosa e desastrada reforma administrativa de 1999 chegou a criar gerências com a finalidade de manter os prefeitos longe do Palácio dos Leões. Esse desprezo custou caro a ela nas eleições de 2006 e foi inevitável que os prefeitos evitassem apoiá-la naquele ano.

Com a demonstração de força de Sarney junto às Cortes (de Justiça, Eleitoral e de Contas), quando conseguiu cassar o governador eleito Jackson Lago, os prefeitos se sentiram ameaçados e então, Roseana, ao assumir o governo, iniciou imediatamente uma caça aos recursos das prefeituras repassados pelo governo estadual, ainda na gestão Jackson.

Novamente a justiça atendeu Roseana, que assim mostrava aos prefeitos que ela tinha muita força naquela esfera, fazendo crer que sempre obtinha o que queria. A oligarquia tinha entre as suas armas a intimidação à classe política.

O Tribunal de Contas também começou a apertar os prefeitos que, temerosos de serem condenados ou cassados, não resistiram ao assédio dos emissários do governo, que lhes abordavam com promessas de convênios milionários. Assim, voltaram todos a apoiar a governadora, achando que ela poderia estar diferente e que finalmente seriam parceiros do governo que tanto lhes devia.

Contudo, não foi isso que aconteceu. E não foi por falta de avisos. Todos sabiam que uma vez reeleita, o fluxo de recursos cessaria e eles seriam mantidos longe do Palácio. Não deu outra.

Hoje, com apenas oito meses exercendo o seu último mandato, os prefeitos já sabem que nada das antigas promessas será cumprido. Não são mais convidados à sede do governo, dificilmente conseguem agenda com a governadora e, quando isso ocorre, recebem apenas promessas. Os que terminam o mandato e não podem mais se reeleger já sabem que dificilmente terão mais recursos do governo.

Hoje a maior parte dos prefeitos está ressentida e não atende a convites para solenidades com a presença da governadora, por considerarem de uma inutilidade muito grande essas reuniões, antes muito concorridas. Mas agora é tarde…

Não entendo como os sindicatos que representam os funcionários estaduais assistem passivamente, inertes, o governo do estado lhes tirar o Hospital do Ipem e repassá-lo ao SUS. Esse hospital era privativo dos funcionários e seus familiares, pois são os servidores que sustentam o hospital com descontos na folha de pagamento. Agora, além de intermináveis e caríssimas reformas, o hospital tem doentes em macas pelos corredores, o que nunca havia acontecido. Servidores que sempre se tratavam ali agora não encontram mais os serviços de que precisam, chegando recentemente ao ponto de um servidor aposentado do DER fazer um boletim de ocorrência na polícia, porque não consegue mais ser atendido em tratamento geriátrico.

Realmente ninguém sabe o que Roseana faz para não se importar com tais agressões aos servidores feitas pelo seu governo.

E agora vejam que essa questão explosiva dos helicópteros da polícia militar utilizados pelo presidente do Senado trouxe também ao noticiário a denúncia de utilização de helicópteros contratados pelo governo do Amapá durante a campanha eleitoral de Roseana ao governo, transportando-a e aos candidatos a senador em viagens ao interior em busca de votos.

Eram quatro aeronaves e a justiça eleitoral não teve sua atenção despertada pelo fato de que Roseana não alugou e nem pagou pelo uso de nenhum deles, pois isso não faz parte da prestação de contas da campanha. Nem houve qualquer indenização ao governo do estado pelo uso dos veículos como manda a lei. Como pode?

Cada hora é uma nova descoberta...

Pois bem, o processo de cassação do diploma de Roseana Sarney entra em nova fase. Agora foi remetido ao Maranhão para inquirição de testemunhas. O prazo para ser cumprida essa finalidade é de 60 dias. Depois disso retorna ao relator. Se julgarem, não há como escapar da cassação. Mas enfim, vamos aguardar e continuar alerta.

O jornal O Estado de São Paulo do dia 12 de agosto traz interessante matéria sobre o crescimento da arrecadação dos estados em comparação com a parte que cada unidade da federação recebe de transferências obrigatórias e os recursos arrecadados em cada deles, fazendo distinção entre os períodos de Fernando Henrique e o de Lula. Os resultados não são homogêneos e alguns cresceram mais sua arrecadação própria no governo do primeiro e outros no de Lula.

Mais uma vez fica evidente o período diferenciado do Maranhão no período em que fui governador. Plantamos as bases para o desenvolvimento sustentável e duradouro que finalmente colocaria o Maranhão como um estado em crescimento e capaz de atrair empresas públicas e privadas para crescerem junto conosco. Infelizmente o golpe de estado jurídico que colocou Roseana Sarney no governo interrompeu esse processo penosamente construído.

O jornal mostra que no período em que governei o Maranhão, nosso estado foi o terceiro estado do país que mais viu crescer sua arrecadação própria comparativamente às transferências constitucionais dos fundos de participação. Quando iniciei a gestão, as receitas próprias equivaliam a 0,52 do fundo e ao concluí-la, haviam crescido relativamente para 0,65, um crescimento de 25%.

Só dois estados tiveram crescimento maior e todos os demais cresceram menos que nós. E vejam que a arrecadação per capita é a menor do Brasil e representa apenas R$ 0,53 por pessoa. Isso mede a pobreza do estado e faz imaginar como seria se a pobreza continuasse a cair, como aconteceu durante o período em que eu e Jackson Lago governamos o estado, e em futuro próximo todos pudessem pagar seus impostos.

Foi uma grande época para o Maranhão, que não precisou de empréstimos para se equilibrar, como voltou a ser prática recorrente no governo Roseana.

E as constatações continuam...

O ministro Edison Lobão, das Minas e Energia, tem passado momentos de constrangimento no governo Dilma. Vê, sem nada fazer e nem dizer nada, o atraso na Refinaria Premium de Bacabeira, que começou e já está atrasada três anos, conforme documentos da própria estatal. Se atrasar mais é capaz de não servir para nada, dado o avanço das novas fontes energéticas e tecnologias, impulsionadas pelo temor do aquecimento global...

E o ministro também assiste, sem nada comentar, aos maranhenses, estado mais pobre da federação, pagarem a energia mais cara do Brasil e ainda por cima a população, a partir deste mês de setembro, ter mais um aumento na conta de energia, desta vez da ordem de 7,5 por cento. Está na hora do ministro esclarecer de vez essa situação.

Para finalizar, os deputados que estiveram recentemente em Teresina ficaram sabendo que a governadora mandou um documento oficial ao governo do Piauí, informando que só se responsabiliza pelo pagamento do SUS para aqueles doentes que ela declara que estão doentes e podem ir ao Piauí. Para ela, “virem-se” os milhares de pobres que, desesperados, se dirigem a Teresina e Parnaíba em busca de atendimento sem autorização da governadora, pois ela não paga sem que eles lhe venham pedir a benção.

É um estado medieval que desrespeita os seus cidadãos. Um acinte!

23/08/2011 às 16h40min

Encontro marcado

No ano de 2010, Roseana Sarney, muito temerosa ante a enorme possibilidade de perder novamente uma eleição para governador, acabou caindo em terrível armadilha preparada por ela mesma. Isto consistiu no fato de que ela se comprometeu com projetos sem a menor viabilidade, quase impossíveis de darem certo. O mais emblemático deles é o Saúde é Vida’, que tem como base principal a construção de 72 hospitais pelo estado, equipados e dotados do que haveria de mais moderno na medicina. Esse programa hoje poderia ser chamado de “Toma que o Filho é Teu”.

A primeira entidade a declarar que o programa estava totalmente comprometido e que não guardava lógica com o sistema de saúde foi o próprio Conselho Estadual de Saúde. O Segundo foi o Crea – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – alertando que havia erros gritantes e as licitações deviam ser anuladas, pois os projetos eram apenas arquitetônicos e nem mesmo a localização dos hospitais estava definida como manda a lei.

Roseana deveria ter escutado essas entidades que detêm enorme idoneidade pública. Qualquer um minimamente informado sabia que aquilo não tinha a menor possibilidade de dar certo. No entanto, era um projeto que levaria à contratação de muitas empreiteiras a preços generosos e então, sabem como é, agradecidas, ajudariam também generosamente a campanha da governadora, como de fato aconteceu. Basta que se observe quem foram os importantes doadores na campanha dela...

O medo de perder era tanto que, mesmo contando com o apoio de Lula e de Dilma e trazendo Duda Mendonça, o marqueteiro preferido dos inseguros, e, além disso, patrocinando uma das mais ricas campanhas já vistas no Maranhão que quase o quebra financeiramente, ainda se viu forçada a prometer a entrega dos hospitais – funcionando – ainda em dezembro de 2010.

Hoje, quase um ano após a eleição, e depois de sucessivas solenidades em que, invariavelmente, o secretário da área entregava vasto material fotográfico para demonstrar o formidável avanço da construção dos hospitais, apenas um foi entregue e está quase fechado como falta de médicos e equipamentos. Que o digam os blogs independentes que, na internet, divulgam matérias e fotografias de obras paralisadas e muito longe de serem concluídas.

Agora, com os primeiros prédios ficando prontos, o caos administrativo que domina o governo de Roseana Sarney é mostrado por inteiro e também até onde vai a imprevidência e a irresponsabilidade de sua gestão.

Em exemplo foi o que aconteceu em Paulino Neves. Ficou pronto o prédio daquele município, o prefeito foi chamado para providenciar a inauguração. O evento teria a presença da governadora e talvez até a presença de uma convidada ilustre, a presidente Dilma, que testemunharia o grande trabalho de Roseana Sarney inaugurando um hospital em um pequeno e pobre município. Daria uma propaganda e tanto, do jeito que a oligarquia gosta.

Contudo, avisaram ao prefeito que dariam o equipamento do hospital, mas funcionários, custos operacionais, etc., ficaria por conta da prefeitura. O prefeito deu o maior pulo e declarou que o acordo não foi esse, pois quando foi chamado para aderir ao programa e ceder o terreno, o compromisso foi de ficar por conta do estado o total aparelhamento do hospital, assim como o repasse para operar e contratar o pessoal necessário ao funcionamento.

O prefeito disse ainda que o hospital não pode ser inaugurado como quer a governadora, pois ele não aceitava passar pelo vexame de inaugurar um hospital para fechá-lo um mês depois por falta de condições financeiras, já que teria que mantê-lo às expensas do município. E agora? Esse é só o primeiro indicativo do grande problema “médico” em que se meteu Roseana, acostumada a prometer e a esquecer do que prometeu.

É, na verdade, um encontro marcado com a dura realidade do governo, sem as fantasias de promessas mirabolantes da campanha. O ideal para ela seria concluí-los no final de seu governo e passar o abacaxi para o sucessor, que ficaria com a obrigação de colocar os “hospitais” para funcionar. Se não o fizessem, ela os acusaria de incompetência por não colocá-los em funcionamento. Porém, como levar cinco anos para concluir esses prédios?

O fato é que Roseana não vai cumprir os compromissos assumidos com os prefeitos. Muitos serão chamados ao palácio, onde sofrerão todo o tipo de pressão para assumirem os hospitais. Mas a realidade dos custos vai dificultar ou impedi-los de atender a governadora. O problema foi criado na eleição. Agora chega a fatura...

O mesmo se passa com as UPA do governo federal. O governo do estado recebeu os recursos para construção com a incumbência de colocá-las em operação por sua conta, dentro dos padrões determinados pela instância federal. Roseana pegou dez e concluiu três, mas agora não quer gastar com o funcionamento das unidades. A do Parque Vitória está pronta há vários meses, mas ainda não entrou em operação por esses motivos. Com a vinda da presidente Dilma, Roseana terá que inaugurá-las. Que situação!

Se não dominassem todas as televisões e se a oposição tivesse condições de mostrar à população a verdadeira situação do estado e o tipo de administração de Roseana, ela não aguentaria. Mas a realidade se impõe inexoravelmente e a internet disponibiliza a informação nos blogs, que é onde as rádios e outras mídias se informam diariamente e vão massificando a informação.

Como explicar que as promessas de campanha, mil vezes repetidas por ela na televisão, não serão cumpridas? Como explicar que Roseana tem mais de cem milhões para fazer uma avenida em São Luís e não tem dinheiro para colocar os hospitais para funcionar?

Ou não se fala mais nisso?

19/08/2011 às 19h49min

A prioridade não é a vida, dos pobres, claro

O então Governador Mão Santa, gracejava quando nos comparava aos avanços do Piauí, dizia: “Enquanto o Piauí faz transplantes de coração, o Maranhão trata seus pacientes em despacho de encruzilhada”. Afirmação intempestiva e sem fundamento, por isso, magoou pouco o nosso brio.

Nos últimos anos, pelos menos dez, dói mesmo, e muito, constatar-se que, o nosso Estado é realmente um exemplo humilhante de descaso na saúde pública e, se não recorrem à macumba, recorrem ao Piauí, tido e proclamado, por muitos maranhenses, como o fim do mundo, para atender nossa população. E os gracejos que ouvimos, ou lemos hoje, tem inegáveis fundamentos.

Eis algumas manchetes e comentários: HOSPITAIS DE TERESINA CANCELAM, DEFINITIVAMENTE, ATENDIMENTO A TIMONENSES- “Doutor Pedro cansou de ser enganado pelo governo maranhense”. E justifica a medida: “o motivo do cancelamento é muito simples, o governo Roseana Sarney nunca pagou a pactuação feita em abril com a Prefeitura de Teresina para ressarcimento de despesas que tem com a Fundação Municipal de Saúde, na ordem de R$ 13 milhões gastos por mês, POR MÊS, não custa nada repetir, com atendimento de pacientes timonenses e municípios vizinhos” Leia-se de Codó para lá.

É claro que o acerto não foi para pagar tudo de uma vez, mas aos poucos, e ocorreu que a Secretaria Estadual de Saúde (SES) não cumpriu o trato e deixou de repassar R$ 1,799, milhão acordado por cada mês de atendimento.

Outra manchete: POVO MORRE À MÍNGUAE MURAD DÁ CALOTE BOMBAQUIM EM SECRETÁRIOS DO PIAUÍ- Murad, o truculento, ou povo que se dane. Qualquer dúvida, o link:

http://www.portalhoje.com/tag/secretario-de-saude-do-maranhao-engana-secretarios-do-piaui-e-nao-aparece-em-encontro-da-crise-da-saude-marennhese.

A Isto É de 29/07/2011 aponta um fabuloso esquema de desvio de recursos públicos na matéria:-Fraudes em licitações colocam sob suspeita programa de construção de unidades de saúde da governadora do Maranhão, em um negócio de quase meio bilhão de reais.

A revista Veja já havia publicado em sua edição de 21/03/2011, a verdade cristalina: “Sobra dinheiro, falta saúde no Maranhão”.

E é justamente nesta área que expomos a mal e a impiedade.

A Comissão de Saúde da Câmara Municipal visitou os Socorrões, e confesso que o íntegro vereador Fernando Lima foi até benevolente no relatório, a situação é pior.

Agora, com certeza não chegou a este estado de calamidade em dois anos e meio da atual administração municipal, vem de anos e anos de descaso, alguns até recentes.

Ora, como pode funcionar bem, sequer razoável, um hospital projetado para atender uma população da capital, cerca de 1,050 milhão de habitantes, e atende uma clientela de 6,1 milhões de maranhenses advindos de todos os 215 municípios, aí já deduzidos Imperatriz que existe um Pronto Socorro Municipal?

Recebendo por mês, R$2,9 milhões do SUS e gastando R$ 10 milhões para mantê-los?

E o próprio Piauí nos fornece os motivos que pode ser estendido a todos as Unidades de Saúde do Estado. Leiam: No Hospital Alarico Pacheco” ( um dos seis regionais ainda feito em 1982. há 29 anos,) de Timon, chegou a ser referência no governo Jackson Lago, realizando 20 mil procedimentos cirúrgicos por mês, (lógico, desde a pequenos procedimentos até as cirurgias), fechou suas portas depois de uma intervenção do secretário Ricardo Murad, colocando uma fundação privada para geri-lo. O resultado é que o hospital passou a atender só clínica materno-infantil e começa a semana, no mais das vezes, sem nenhum médico. Assim é em todos os hospitais regionais, uns desativados mesmo e outros fazendo arremedo de atendimento.

Agora me diga, dá para melhorar os Socorrões com o atual espaço físico e equipamentos, atendendo uma população seis vezes mais do que foi projetado?

E, enquanto a situação é grave, o governo estadual e outras instituições colaboram para o colapso final, e não é a primeira vez que isso acontece. Em 1985, um mês antes do carnaval quando a prefeita Gardênia assumiu, em sua primeira visita ao Socorrão I, então Hospital Djalma Marques, teve que meter o pé em dois palmos de água que inundava o prédio, completamente sucateado e desativado, e era o único do Município. E antes do carnaval, nove de fevereiro, funcionava.

Ontem os jornais noticiaram que a despesa da reforma do IPEM, a princípio de R$ 40 milhões foi aditivada para 100 milhões.Daria para construir outro Hospital igual. Hoje, nos vem a notícia de que, a partir do fim do mês, vai paralisar totalmente, inclusive o parco serviço de atendimento de emergência. Esses pacientes foram para onde? Para outros hospitais do Estado, responde o secretário. Quais, se só existe o Hospital Geral, hoje um hospital escola de uma faculdade particular e de pós-graduação?

Não bastasse isso, incrementaram sem piedade a demanda dos Socorrões, desativando também o Pam Diamante e da Cidade Operária. O centro cirúrgico do Hospital Infantil.mais de ano, o Getúlio Vargas, de onde se valiam os aidéticos complicados e tuberculosos, etc.

Isso, é claro, sem falar nos 72 hospitais e as 10 UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) orçadas em R$ 418 milhões, pagos R$ 241 milhões (até maio), e só entregues uma de cada.

Mas isso é outro assunto, tema do próximo artigo

16/08/2011 às 17h28min

Roseana não está entendendo nada

Primeiro, a governadora Roseana Sarney disse que estava muito cansada, dando a entender que era com a falta de resultados do seu próprio governo, já que ninguém reconhece o seu trabalho e só se referem a ela falando em oligarquia. Agora, ao dizer que não está entendendo nada de nada em novo desabafo, confessa um sentimento preocupante, expressando total confusão em sua própria gestão. Imaginem se um comandante de avião dissesse isso em pleno voo! Pânico...

Felizmente, não é o caso. Mas ela está muito lúcida ao fazer esse julgamento, pois, na realidade, quem não está entendendo nada é a população. Nesse ínterim, o clamor é grande: a grande maioria do povo maranhense diz que o maior problema que sente é a falta de oferta de saúde com qualidade a que possa ter acesso; afirmam ainda que precisam muito de água em suas casas e revelam grande preocupação com sua integridade física (quando afirmam que estão preocupados com a falta de segurança onde moram, ao ponto do ex-secretário de Segurança, o deputado Raimundo Cutrim, um dos mais competentes que ocuparam essa função, dizer-se horrorizado com o que está acontecendo e que “estamos a beira de uma guerra civil”) ou com a falta de emprego...

Enquanto isso, esse mesmo povo vê a governadora anunciar aquilo que parece ser a sua maior realização: uma avenida. E em seguida confundem-se ainda mais, pois ficam sabendo que aquilo lá na verdade uma “estrada estadual”, que, para sua incredulidade, ainda apresenta uma novidade: ao invés de ligar municípios, a estrada liga dois empreendimentos comerciais que interessam muito à família da governadora.

E a saúde, a água, a violência e o desemprego que ameaça a sua família? Nem uma palavra? Silêncio...

E a estupefação continua... O povo então fica sabendo que a rodovia tem apenas 7 quilômetros e vai custar 130 milhões de reais, ou seja, mais de 18 milhões e quinhentos mil reais por cada quilometro que for construído, isso sem computar os sempre presentes aditivos das obras do governo... No mínimo vai sair por R$ 20 milhões cada quilometro, cogitando-se cifras ‘baratas’.

Com efeito, fica bastante natural e oportuno que o povo tente imaginar que benefício essa rodovia lhe trará. Será que houve algum estudo do que vai acontecer no local em que a estrada se inicia, que é em frente ao Shopping Jaracati? Com o tráfego que atrairá para o local, os engarrafamentos no trânsito que isso vai gerar, tanto para quem acessa ou para quem sai da rodovia? Mas parece que ninguém estudou nada! Sim, porque é obvio que, se houvesse algum estudo sério dessa rodovia, ela não poderia começar ali, em frente ao shopping, mas sim unindo a Av. Amaral de Matos e a Ferreira Gullar, integrando-se ao sistema viário da capital e dando um mínimo de sentido a essa obra caríssima. E digo mais, talvez seja a mais cara da história do Maranhão, comparativamente a outras obras, essas sim muito importantes, como a ponte sobre o Rio Tocantins, em Imperatriz, feita no meu governo e no de Jackson Lago.

Porque foram escolher o manguezal para servir de suporte para a rodovia? E o manguezal, como área de preservação permanente definida pela legislação ambiental, não deveria ser poupado, tal o seu efeito benéfico para a natureza, permitindo a vida de tantas espécies da fauna e flora marinha e terrestre? Pois bem, aqui no Maranhão isso parece não comover órgãos ambientais tradicionalmente tão ciosos de suas importantes atribuições institucionais. Alguém viu esses estudos imprescindíveis e insubstituíveis sem o que nada pode ser feito? Há aqueles que desconfiam que tais estudos nem existem...

Não bastasse isso, essa avenida, como outras construídas em governos de Roseana Sarney, não tem grande importância na solução dos atuais problemas de tráfego da capital. É uma defeituosa solução pontual de efeito apenas localizado. O resto, como de costume, é apenas propaganda.

Mas causa espécie e assombro o custo altíssimo da obra, desproporcionais aos benefícios que possa deixar. Entretanto, espanta apenas a população, mas não ao governo de Roseana Sarney, onde obras que tais são comuns, como as infindáveis reformas e construções de hospitais, entre as quais se destaca a reforma do Hospital do Ipem.

Só para lembrar, em 2010 houve uma dispensa de licitação no valor de 40 milhões de reais para fazer a reforma do hospital, mas, como pouco foi feito com tanto dinheiro, nova dispensa de igual valor para o mesmo fim acaba de ser publicada. Logo, a reforma do hospital vai se aproximar dos R$ 100 milhões, um número digno do livro de recordes. Como é fácil fazer dispensa de licitação nesse governo... E a Comissão Permanente de Licitação, o que diz?

Como Roseana é a pessoa mais ausente de seu próprio governo, que só lhe cansa, vai ver que ela nem sabe...

Enquanto isso, as condições de vida da população estão muito piores por culpa exclusiva e responsabilidade direta do governo. Querem um exemplo? Como os hospitais de Caxias, Timon e Presidente Dutra tiveram seus repasses do governo estadual muito diminuídos no governo Roseana, a população desses municípios e dos municípios vizinhos, que antes eram atendidas ali, corre para os hospitais dos estados vizinhos. Ali, essa população também deixa de ser atendida, pois, por falta de pagamento por parte do estado do Maranhão (que foi cortado pelo governo), esses estados estão se recusando a atender maranhenses.

Na verdade, falta dinheiro para tudo que é importante para a população. Falta para o Hospital Aldenora Belo, para os restaurantes populares (que sem dúvidas voltarão a funcionar nas eleições do ano que vem), para pagar o pessoal contratado do governo, para água, para a polícia, etc., etc.

O comentário do momento é o de que o verdadeiro motivo da obsessão para construir a Rodovia ‘Shopping by Shopping’ ou Via Expressa é a compra frenética dos terrenos que a margeiam. Deve ser um laranjal só... Explica-se assim também a tentativa de legislar em seu entorno, tentando passar essa prerrogativa, que é da Prefeitura de São Luís para o estado, como se fosse uma rodovia estadual.

Acompanhem bem o que aconteceu na Av. dos Holandeses, onde hoje os terrenos valem ouro. Com uma montanha de dinheiro de lucros futuros ‘dando sopa’ - do nada - pois há dois meses esses terrenos nada valiam, como perder tempo com legislação da Prefeitura? Nem pensar, o futuro ninguém sabe, a oposição pode ganhar as eleições, não há tempo a perder.

Tudo a ver, é o Maranhão de sempre atuando como sempre, e a governadora não está entendendo nada...

09/08/2011 às 16h11min

O estouro da dívida

Os governos anteriores de Roseana Sarney nunca tiveram competência no trato das finanças públicas. Não existia equilíbrio fiscal, o estado era eterno dependente dos repasses federais, a arrecadação estadual era pífia e desorganizada sofrendo de grande influência e intervenção política. O orçamento não era para valer e não era respeitado pelo próprio governo que o elaborava. Imperava a desorganização e os governos da oligarquia eram recorrentes na obtenção de empréstimos internos e externos.

O estado não era capaz de financiar qualquer obra pública e nada conseguia fazer sem ajuda financeira do governo federal.

Toda essa desorganização contribuiu para a falta de resultados desses governos e para a consolidação do estado como um dos mais atrasados do país, e assim os terríveis indicadores sociais do estado mostravam essa situação. Um exemplo era que o estado nem conseguia suportar o ensino médio em todo o estado, que só havia em 25% dos municípios maranhenses.

Assim, o endividamento do estado foi sendo construído naturalmente, premido pelas circunstancias. O estado, por consequência, gasta uma boa parte dos seus recursos pagando esses empréstimos.

Já falei aqui várias vezes que era obrigado a pagar mais de R$ 50 milhões todos os meses, o que continua e deve continuar até depois do ano 2020. E pode chamar o seu detetive de confiança que ele não vai encontrar para que serviram esses empréstimos. Foi tudo pelo ralo...

O Maranhão não precisa de empréstimos a não ser para alavancar projetos de importância indiscutível para o desenvolvimento sustentável do estado. Fora daí, não há necessidade. Eu provei isso no governo, quando, perseguido pela oligarquia, tive bloqueada qualquer ajuda do Governo Federal, não tomei empréstimos e cumpri todas as metas de equilíbrio fiscal.

Mas Roseana não vive sem uma mordomia. Administrar com eficiência não está a seu alcance pois gasta desbragadamente em projetos sem nenhum sentido como esse grande gerador de escândalos cognominado de “Saúde é Vida”. Depois de onerar o estado em governos anteriores ela continua em busca de mais. Eu e o Jackson Lago governamos sem empréstimos, a não ser o Prodim, que tomei emprestado US$ 30 milhões para desenvolvimento rural e combate à pobreza, projeto de indiscutível prioridade para a população rural do estado.

Aproveitando o excelente trabalho feito no meu governo por Simão Cirineu e equipe e continuado pela administração de Jackson Lago, Roseana encontrou um governo com ampliada capacidade de endividamento graças ao cumprimento de todas as metas estabelecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional, conseguindo até ultrapassar algumas delas, Roseana Sarney, mesmo sem nenhum projeto de desenvolvimento começou ainda em 2009 a buscar empréstimos junto ao BNDES. Diga-se de passagem, que os pedidos de empréstimo que Roseana Sarney fez à Assembleia Legislativa são inconstitucionais pois neles não há indicação de onde os recursos solicitados seriam aplicados e isso impossibilitaria a tramitação desses projetos. Mas com a complacência dos deputados governistas (34) e os protestos da oposição todas as duas solicitações que fez em 2009 e 2010 foram aprovadas na marra. A primeira solicitação foi de R$ 288,7 milhões e a segunda foi de R$ 433 milhões, somando R$ 720 milhões. Sabe-se que por falta de comprovação dos gastos realizados com as primeiras parcelas liberadas ela ainda não conseguiu receber todo o dinheiro contratado...

Na semana passada Roseana Sarney voltou a pedir autorização a Assembleia, desta vez no valor de R$ 180 milhões indicando que esse dinheiro seria usado em um programa inexistente no Plano Plurianual e na Lei Orçamentária. Novamente uma ilegalidade que não permitiria a aprovação.

Com esse terceiro empréstimo Roseana Sarney chega a quase R$ 1 bilhão de reais em novos e desnecessários empréstimos onerando o estado fortemente com novas dívidas que retirarão recursos no futuro próximo para programas importantes para a população.

Para termos a compreensão da gravidade do problema, ano passado o estado pagou R$ 848 milhões de juros e encargos da dívida antiga feita pelos governos da oligarquia. Só de juros da dívida o estado pagou o dobro do que gastou com o programa mais importante do governo dela, o polemico programa Saúde é Vida. a Dívida chega a R$ 5.261.187.302,23 e o pagamento do ano passado representa quase 13% do orçamento daquele ano.

Esses novos empréstimos serão ‘extra-teto’ e serao cobrados “por fora ”do teto, elevando o pagamento anual para 15 ou 16% da receita. Uma loucura que irá prejudicar governos futuros e sobretudo a população.

E o pior é que, como no passado esses novos empréstimos, que ninguém sabe onde serão aplicados, não resultarão, mais uma vez, em nenhum benefício para a população.

E todos se lembram a dureza que foi para o meu governo aprovar os US$ 30 milhões do Prodim detonado de todo o jeito no senado. Precisou uma passeata de mais de 20.000 pessoas em São Luís e galerias lotadas no Senado para que os senadores de outros estados, escandalizados com esse boicote, nunca antes acontecido em se tratando de aprovação de empréstimos do Banco Mundial. O senador José Sarney, como mostram os vídeos daquela memorável sessão, bradava que o projeto estava aprovado, mas o dinheiro não sairia. Perdeu novamente pois ele não conseguiu impedir o recebimento dos recursos pelo meu governo. Os recursos foram poucos, mas o simbolismo foi muito grande fazendo muita gente de fora, de outros estados, compreender o que acontecia aqui. E os recursos eram para combate a pobreza…

Não ouvimos falar se o estado cumpriu as metas estabelecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, no ano passado. Como não falaram nada é porque, pode-se deduzir sem margem de erro, que foram reprovados e não conseguiram cumprir o dever de casa.

Se assim aconteceu representa falta gravíssima e é caminho para novo período de anarquia fiscal o que se configurado representará enorme prejuízo para o desenvolvimento futuro do estado.

Arrogância e soberba é o que se pode perceber nessa confusão da chamada Via Expressa. Primeiro a esquisita história de tentar transformar a avenida em rodovia estadual. É um absurdo que acaba por mostrar a má intenção de não respeitar as normas da prefeitura. Qual outra seria a interpretação? Depois ao dar o mal exemplo da desobediência civil, acaba passando um péssimo exemplo para a população que paga impostos. O que fica é a mensagem de que se você não concorda com as normas institucionais então não precisa obedecê-las. Já pensou se todos resolvessem não cumprir as leis?

E o fato mostra o desespero para construir uma avenida que na verdade não consegue convencer ninguém que o seu traçado é o melhor para a população, pois o normal seria sentar com as autoridades municipais e resolver administrativamente o assunto. Não pode ser dessa maneira!

02/08/2011 às 14h50min

E agora, qual é a explicação?

O Conselho de Administração da Petrobras, em deliberação da semana passada que teve ampla repercussão na imprensa nacional, decidiu quais seriam os investimentos dos próximos anos da empresa. Com efeito, cortou fundo em um setor de negócios que nunca foi unanimidade na empresa: o de refinarias.

Na parte que interessa ao Maranhão, tivemos o “adiamento” da refinaria Premium de Bacabeira, que foi anunciada como o maior projeto da empresa e de maior prioridade. Agora vejam que faz parte do referido conselho o Ministro das Minas e Energia, o senador maranhense Edison Lobão, um dos maiores propagadores da refinaria. Exatamente o mesmo que na época da campanha eleitoral de 2010 argumentava serem torcedores contra o estado do Maranhão aqueles que alertavam que a história da refinaria estava mal contada e desfrutava de enormes lacunas.

Sem dúvidas, esta foi uma enorme derrota para o ministro, mandatário maior do setor de Minas e Energia, que comanda a Petrobras. Até hoje, quase uma semana depois, Lobão está mudo sobre esse assunto e não tentou sequer uma explicação e tampouco uma mensagem tranquilizadora aos maranhenses.

O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, a bem da verdade, nunca escondeu de ninguém que as refinarias lançadas politicamente em 2010 não tinham consistência empresarial e nem financeira. Desta forma ocorreu quando, em depoimento em Comissão da Câmara Federal, Gabrielli assim respondeu a uma pergunta formulada pelo deputado Carlos Brandão no que se referia à data de início e de conclusão da já anunciada refinaria Premium do Maranhão: “Uma refinaria dessas é muito complexa e demanda muito tempo em elaboração de planos e projetos. Esses projetos levam vários anos para serem executados e a construção toma de oito a dez anos. Os projetos ainda serão contratados e não existem recursos alocados no orçamento da Petrobras para as refinarias”.

Gabrielli disse a verdade e eu publiquei um artigo que teve pronta reação da oligarquia. O mínimo que disseram foi que eu estava torcendo contra a vinda da refinaria por não querer uma vitória dessas quando Roseana Sarney governava. Em seguida, Lula e grande comitiva foram em caravana, com José Sarney e sua filha Roseana Sarney, além de secretários de Estado, um grande número de políticos do grupo, seguidos por um séquito imenso de jornalistas, até o município de Bacabeira, lugar escolhido para sediar a refinaria. Era época eleitoral e aquilo serviu para dar grande impulso às candidaturas majoritárias de Roseana, Edison Lobão e João Alberto. Duda Mendonça deitou e rolou, promovendo peças publicitárias que exaltavam o feito. O Maranhão mudava e a partir daí era outro estado. E diziam: não venham de novo com essa história de péssimos indicadores sociais, pois Roseana chegava trazendo uma fase de progresso nunca visto… Essa era a base da mensagem que se esforçavam para difundir e que tinha como peça principal uma enorme locomotiva em desabalada carreira rumo ao progresso...

Depois da eleição, nada mais acontecia e nem o muro que cercava o terreno – foi o primeiro a ser contratado- não andava, descobrindo-se que estava paralisado. Para desviar a atenção, veio a fase das reuniões no palácio, em que pomposamente foram divulgadas e entregues as licenças ambientais e outros documentos. Foram mais de dez, sempre seguidos de grandes matérias publicadas com grandes destaque, pois precisavam manter a chama acesa, embora todos vissem que nada acontecia em Bacabeira.

Agora eis que surge a notícia verdadeira: a refinaria Premium do Maranhão, a mais importante delas, foi adiada em sua primeira e segunda fases, postergando a conclusão e início de operação para 2020…

Se alguém for verificar os detalhes da notícia do adiamento, vai ver que as refinarias do Ceará e de Pernambuco sofreram poucas mudanças em seus cronogramas. Só a do Maranhão. Lá funcionam governos muitos populares, muito diferentes daqui. Eduardo Campos, governador de Pernambuco, em Recife, chega a inacreditáveis índices de aprovação que alcançam 91%!

A luta que Eduardo Campos travou para fazer a refinaria foi enorme. Mesmo sem chegarem os recursos financeiros acordados por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, a Petrobras bancou tudo e hoje a construção chegou a um ponto irreversível e sem retorno. Lá não foi apenas uma promessa de campanha política e uma mera peça de propaganda. Ao contrário, Campos tem uma liderança de grande prestígio político no Brasil, que tirou Pernambuco do marasmo em que estava, ou seja, bem atrás da Bahia e vendo o Ceará quase ultrapassá-lo em índices de desenvolvimento. Ele transformou Recife em uma grande metrópole e explorou ao máximo as potencialidades do estado, criando grandes polos de desenvolvimento no interior, num dos quais está o porto de Suape, um dos mais dinâmicos do país.

Aqui é diferente, pois o governo pensa que basta ter força política no governo federal para que todo o resto caia do céu. E o mais terrível é que pensam que propagandas bem feitas tem o dom de mudar a realidade de pobreza e abandono em que vive a população maranhense. Empresas que haviam procurado o estado antes de Roseana assumir o governo podem vir realmente construir empreendimentos aqui, mas sem um projeto estratégico de desenvolvimento. Isto é, eles apenas repetirão o que aconteceu com a vinda da Vale e da Usimar para o Maranhão, resultando em pequeno impacto econômico e social. É ilusão pensar que sem resolver problemas fundamentais, como preparação de mão de obra, educação de qualidade, oferta de saúde eficiente, e tantas coisas mais, pode-se esperar grandes mudanças decorrentes de projetos isolados.

Depositar toda a esperança de mudança em torno de uma refinaria que nunca teve unanimidade dentro da própria Petrobras é de um primarismo cruel. Não traz certezas e nem esperança de que algo vai mudar.

Principalmente com a governadora tão cansada, como ela mesma disse estar, num raro rasgo de sinceridade…

Saudades desse grande, lúcido e corajoso jornalista J. Canavieira. Faz muita falta. Não estava em São Luís e também não estarei na missa de sétimo dia. Abraços a toda a família.

26/07/2011 às 16h32min

Cansei

Em patética afirmação à imprensa, quando estava junto ao seu pai em noite de autógrafos e de revelações, a governadora Roseana Sarney simplesmente retratou com a máxima fidelidade o espírito de ânimo que comanda o seu atual governo. “Cansei!”. Essa é a palavra que sintetiza como ela se sente no governo. Disse também que seu desânimo provinha da falta de reconhecimento pelo seu trabalho, que nunca era valorizado e que tudo era a oligarquia mostrando estar incomodada por ser reconhecida como um dos mais importantes personagens da mal-falada organização.

Todos os que acompanham minimamente a rotina da atual cúpula do governo maranhense já sabiam do completo alheamento de Roseana Sarney, ausente de seu próprio governo. A especulação era tentar compreender o porquê de tanto descaso, desânimo e de pura falta de vontade de trabalhar.

O estranho é verificar que ela aparentemente nunca ligava para nada, talvez confiando no fato de que, ao final de tudo, conseguiria impor a todos sua versão dos fatos, pois possui, junto aos seus, uma das mais formidáveis máquinas de mídia estaduais a serviço da política, defendendo ostensivamente os interesses de seus proprietários. Creio que em nenhum estado brasileiro a oposição não tem qualquer acesso a nenhuma televisão local. Não há chances de se expressar no mais influente meio de comunicação de massa. Bloqueio total.

Contudo, não é (só) assim. Ela sabe que a população reage à citação de seu nome em acontecimentos públicos e se desanima com isso.

Agora, digam-me, em verdade, o que Roseana Sarney pode mostrar como realização do seu governo? A população enfrenta enormes dificuldades no seu cotidiano, que propaganda nenhuma, por mais que o Duda Mendonça capriche, é capaz de minimizar. Assim, o que é mostrado na TV e jornais inexoravelmente vai de encontro à dura realidade da vida real vivida pelos habitantes do nosso estado.

Essas pessoas enfrentam diariamente a falta de água, a falta de esgotos – que corre pela rua nos bairros nem tão afastados assim. Não bastasse isso, enfrentam ainda os prejuízos irreparáveis que surgem como consequência de colégios caindo aos pedaços e com o baixo nível do ensino ministrado (mostrado em sua realidade nos exames do MEC), na dureza e na baixa qualidade da saúde pública, no transporte coletivo... Assim, como não poderia deixar de ser, a propaganda que chega a essas pessoas soa falsa e utópica. Parece-nos enfadonho mostrar novamente os indicadores sociais do Maranhão, que só melhoraram em governos da oposição e que a falta de políticas públicas diretas para essas pessoas nos governos de Roseana só faz agravar. É chocante o contraste entre o poder que a família goza no governo federal e os nossos indicadores sociais, os piores do Brasil, cujos indicadores nacionais nem são tão bons assim.

Fazer propaganda de empresas que irão se instalar aqui e que trarão milhares de empregos contrasta com as estatísticas do Ministério do Trabalho, que nos colocam em ultimo lugar no país em criação de novos empregos.

Com a modernização do país e com a divulgação de estatísticas melhores fica a cada dia mais difícil enganar a população. Fotografias sorridentes da Governadora com Eike Batista é que não vão ajudar . Tampouco o anúncio apoteótico de Vias Expressas problemáticas, pois precisam necessariamente obedecer em seu traçado a lógica do grupo de beneficiar os seu interesses patrimoniais .

É escandaloso o traçado da via expressa que o governo anuncia (e que o povo já escolheu o seu verdadeiro nome – a Via Shopping By Shopping, pois liga o Shopping Jaracati, de propriedade do senador José Sarney, a outro shopping em construção na cidade ). Esse traçado obriga a estrada a cortar áreas de interesse ambiental e histórico sem o devido estudo e sem as licenças e audiências públicas necessárias, como denunciou oportunamente o CREA. Aliás, o que acontece agora é a repetição do que sucedeu com a construção dos famosos hospitais de Roseana Sarney, até hoje envolvidos em denúncias e suspeições sérias nunca esclarecidas, como também nunca concluídos , embora solenemente prometidos para dezembro do ano passado .

Parece-nos que Roseana Sarney quis dizer realmente é que cansou de fazer bonitas propagandas e o povo ( ingrato?) continua sem reconhecer o seu trabalho.

Seja lá por que for, Roseana está cansada e isso é muito ruim, pois é muito duro governar. E com uma pessoa tão cansada e desanimada o estado não vai muito longe…

Já o fato de sempre ser relacionada à oligarquia, nada há a fazer, já que ela se afirmou como sua estrela maior, quer goste ela ou não disso. Principalmente quando assumiu o governo, tirando do posto o governador eleito pelos maranhenses, em um processo classificado pelo ministro Resek como um golpe de estado jurídico. E tão forte quanto a constatação de que, quando saiu do governo em início de 2002, o Maranhão apresentava indicadores sociais terríveis, que colocavam o estado em último lugar entre os estados brasileiros.

Portanto, não dá para assimilá-la de outro modo. Enquanto isso, o Maranhão continua a produzir notícias ruins. A Folha de São Paulo de sexta-feira passada informa que nosso estado perdeu R$ 7 milhões no Ministério dos Direitos Humanos, destinado a reabilitação de jovens infratores, simplesmente porque nunca apresentou os projetos para receber o dinheiro. Isso pode nos mostrar duas coisas: ou o estado não se importa com a reabilitação desses jovens carentes ou está acéfalo e totalmente sem comando. Parece que a administração estadual também está cansada

E para concluir, os restaurantes públicos para pessoas de baixa renda e necessitados, que Roseana prometeu reabrir imediatamente, continuam de portas cerradas.

Esse governo é especializado em fazer promessas ao vento!

20/07/2011 às 12h22min

Difíceis argumentos

O senador José Sarney há anos é cobrado pelos terríveis indicadores sociais do Maranhão. É cobrado por ter exercido por cinco anos a Presidência da República e pela influência incontestável que exerce, há anos, no centro do poder, principalmente de Lula para cá, quando mandou e manda quase tanto quanto os presidentes de fato.

É claro que isso incomoda o presidente do Senado que ao longo dos anos, sem sucesso, vem tentando formular explicações para o desastre. Em muitas entrevistas que prestou em diferentes momentos e órgãos de imprensa. Por exemplo já falou que devido ao fato do Maranhão situar-se em zona equatorial que por ser de clima quente deixava indolentes os habitantes (revista Joyce Pascowitch); ou que devido a natureza ser pródiga para os maranhenses permitia aos habitantes ter o seu sustento sem muita força, ou no atavismo que fazia os moradores preferirem morar em casas de taipa cobertas de palha. Disse ainda que as estatísticas não conseguiam medir o modo de viver da população rural, que segundo ele, é muito superior, àquele registrado em documentos, mesmo os oficiais. Como não conseguiu convencer com os argumentos acima, partiu para a politização do tema dizendo ser esses dados invenção de oposicionistas renitentes e quase sempre tentando esmagar professores ou intelectuais que ousassem avançar em análises críticas, como recentemente aconteceu com o professor da Ufma.

Mas eis que o Ipea vem ao Maranhão e no lançamento de um programa federal de combate à pobreza extrema aborda o caso do Maranhão e mostra que no período 2004 a 2009 ( meu governo e o de Jackson Lago) o Maranhão tirou da pobreza extrema 47% das pessoas que integravam esse terrível segmento quase sem renda. Foram mais de 825.000 pessoas. O melhor resultado do Brasil, em termos proporcionais, haja vista que no Nordeste esse avanço foi de 40%, e no Brasil foi de 43%.

Isso era terrível para o grupo Sarney pois quebrava paradigmas com os quais tentavam explicar o atraso do Maranhão. Como explicar se o Maranhão, a despeito do terrível isolamento imposto pelo governo federal para atender ao ex-presidente, justamente adversários políticos, conseguiam êxitos administrativos tão expressivos?

O próprio Sarney saiu atacando a oposição por divulgar números, que na avaliação dele eram mentirosos e que os indicadores ruins eram apenas dois ou três, sendo, segundo o seu argumento que não se sustenta, a grande maioria os indicadores maranhenses eram bons na época em que a sua filha foi Governadora. Era uma tentativa de politizar o assunto e evitar a sua discussão.

E escalaram dois dos mais articulados e ilustres membros do clã, os deputados Pedro Fernandes e Gastão Vieira para falarem sobre esse assunto. Confesso que não li a do deputado Pedro apenas vi um resumo. Pelo que entendi, segundo aquela análise os bons resultados alcançados pelo Maranhão entre 2002 e 2008 resultavam da atuação do Programa “Bolsa Família”. Portanto era obra do governo Lula. Tudo bem, mais porque no Maranhão os dados eram tão melhores do que os alcançados no Nordeste e no Brasil?

Gastão, tentando rebater o meu artigo, diz que eu deveria saber que resultados assim são decorrentes de políticas estruturantes conduzidas por governos anteriores, no caso os dois governos anteriores de Roseana Sarney a quem sucedi em 2002. E que eu pecava pelo sectarismo político e ficava por isso cego ao analisar os fatos tentando me colocar como único responsável pelos excelentes resultados alcançados pelo estado. Mas uma coisa me intriga, pois logo depois de assumir a Secretaria de Planejamento, Gastão publicou um livreto sobre conjuntura maranhense e sobre a década de 90, governos Lobão e Roseana, concluindo que aquela havia sido uma década perdida para o estado. Assim, como pode ter sido fértil em promover programas estruturantes? Difícil entender!

Na verdade de maneira esperta tenta colocar o seu grupo como o verdadeiro responsável pelos resultados que vieram muitos anos depois. Faltou o ilustre deputado esclarecer que os bons resultados no Maranhão apenas começaram a aparecer a partir do final de 2004. Os anos de 2002 e 2003 e parte de 2004 foram de recuperação dos equívocos que haviam sido cometidos na administração do Estado.

Mesmo assim, resolvi aceitar o desafio do ilustre deputado, e fui tentar achar as tais políticas estruturantes que eu teria herdado de Roseana Sarney e que fizeram tanto bem ao estado. Os resultados desta avaliação serão apresentados a seguir, tendo em vista que o experiente deputado não cita que políticas foram essas. Esta será uma tentativa de refrescar a memória do deputado, já que me lembro bem como recebi o estado:

1) Seria a falta de ensino médio em 159 municípios do estado me obrigando a tremendo esforço para deixar implantado em todos os 217?

2) Seria a extinção da Secretaria de Agricultura do estado abandonando todo o setor rural e a agricultura familiar, grande empregador de mão de obra e responsável por grande parte da produção de alimentos no estado, agravando a pobreza no meio rural e como consequência obrigando as famílias a emigrarem?

3) Seria o êxodo de 1 milhão de maranhenses para os estados do norte pois a vida aqui estava muito difícil como pode ser constatado através das evidencias apresentadas nas PNAD dos anos noventa?

4) Seria o abandono da pecuária, deixando vulnerável à incidência da febre aftosa o segundo rebanho bovino do Nordeste que na época era de aproximadamente quatro (4) milhões de cabeças? Lembro o Deputado que a Governadora deixou o rebanho bovino e bubalino maranhense com a classificação de “Risco Desconhecido”, segundo o Ministério da Agricultura. Nesta condição, os criadores maranhenses não poderiam comercializar o seu rebanho vivo ou abatido fora das fronteiras do estado. Para ajudar ainda mais a sua memória no nosso governo desenvolvemos esforços de vacinação sistemática, e conseguimos em 2005 que o rebanho bovino e bubalino maranhense passasse para a condição de “risco mediano”, na classificação do Ministério da Agricultura. A partir daquele ano, com aquele novo status, os pecuaristas maranhenses de todos os portes já poderiam comercializar os seus animais vivos ou abatidos nos estados brasileiros, e também poderem expor os seus animais em feiras nacionais. Nada disso era possível até 2001.

5) Seria nossa classificação em último lugar na captação dos recursos do Pronaf por falta da Secretaria de Agricultura?

6) Seria a obrigação de pagar empréstimos de governos anteriores no valor de R$ 50 milhões por mês, o que vai perdurar até 2023?

7) Seria a total desorganização das finanças do estado, sem equilíbrio fiscal, sem recursos para investimento, com orçamento como peça de ficção, dependente do governo federal?

8) Seria a desorganização da arrecadação do estado que arrecadava apenas 68 milhões por mês?

9) Seria o IDH de 0,636, a taxa de analfabetismo de 29%, a taxa de mortalidade infantil próxima aos 50%, a pior renda per capita de todos os estados brasileiros? Ou seria um PIB de apenas R$ 15 bilhões, que representava menos de um por cento na participação do PIB brasileiro?

10) Ou seria a vergonhosa taxa de escolaridade de 4,5 anos?

Esses todos são dados oficiais de final de 2001, quando Roseana Sarney deixou o governo. Aqui não se trata de política ou de sectarismos. Repito são dados oficiais que o deputado pode conferir na página do IBGE na internet. O Maranhão mudou, a partir de abril de 2002, porque foi feito todo um elenco de projetos e programas, todos executados e que foram extintos logo que Roseana voltou ao governo. Hoje não existem políticas para melhorar a área rural, ou qualquer outra área que fomente o progresso do estado. Quando digo que o Maranhão mudou e melhorou porque a oligarquia não comandava o estado é por causa da agenda implantada pelo governo Roseana, antes e agora, de achar que a atração de uma grande indústria ou a construção de uma avenida em São Luís vai desenvolver o estado. Mas o maior problema do seu governo é a extinção de programas de atuação direta e de efeito imediato nas áreas mais pobres e carentes do estado que estão no setor rural e abandonadas à própria sorte.

Claro que não foi eu diretamente quem fez a mudança. Foi o governo e com a luta dedicada de algumas pessoas competentes e experientes que compuseram a melhor equipe de governo da historia recente do Maranhão.

O grupo político da oligarquia está acostumado a impor a versão que lhe é mais conveniente aos fatos e se é contestado reage como se estivéssemos agredindo pessoalmente alguém. Deputado, o que faço é apenas crítica política, sem ofensas, usando apenas dados oficiais que mostram um Maranhão carente e pobre, muito diferente do que tenta passar o grupo dominante.

Isso é democrático e próprio de países ou estados livres. Assim deputado enquanto não encontrar as tais políticas estruturantes da Roseana Sarney que o Sr. diz terem acontecido no governo anterior ao meu, terei que tratar o assunto como venho tratando. Sem ofensas e sem levar para o lado pessoal.

12/07/2011 às 19h25min

Se não usar, o que vai mostrar?

A revista Veja, ao divulgar os dados do IBGE sobre os indicadores sociais do país, por estado, expõe inteiramente a lamentável situação do Maranhão, detentor dos piores indicadores do país. A revista comparou esses dados, como se o Maranhão fosse um país, e foi encontrar em países muito atrasados dados semelhantes, todos governados por ditaduras cruéis. Sem dúvidas, uma péssima companhia...

Desta feita, como todos puderam ver, após o domínio por dezenas de anos da oligarquia Sarney no estado, foi inevitável que a revista apelidasse o Maranhão de Sarneyquistão.

O senador José Sarney, que empresta o nome e personifica o trocadilho, não gostou e escreveu uma carta a revista, em cujo conteúdo tenciona mostrar que o Maranhão tem bons dados. E faz uma descrição muito sucinta de alguns deles numa explanação muito confusa.

Na verdade, o que faz é embaralhar tudo, pois não pode um ex-presidente desconhecer esses dados e seus conceitos. Ele começa atacando o que é na verdade mais pacífico, pois os dados não deixam ninguém duvidar de que o Maranhão é o estado mais atrasado do país. E então tenta confundir tudo...

Em outras palavras, diz que a revista expôs dados errados, pois o Maranhão tem o décimo sexto PIB do país, citando vários estados que tem PIB menor. Isso é verdade e foi durante o meu governo que o PIB deu um salto, dobrando de R$ 15 bilhões para R$ 32 bilhões em quatro anos. Só que se sabe, e o senador também, que a sigla PIB significa Produto Interno Bruto, ou seja, a soma de tudo o que é produzido no estado. Não é renda. Para encontrarmos a renda ‘per capita’, temos que dividir esse valor pela população do estado. E o resultado disso é a renda individual. Renda essa que triplicou no meu governo.

O problema, senador, é que o Maranhão é muito mais populoso do que muitos estados que tem um PIB menor do que o nosso e, assim, acabam por ter uma renda per capita maior, como o Piauí, por exemplo.

Após essa exposição falaciosa, ele persiste no ataque, escrevendo à revista de que na década passada – meu governo e o de Jackson – essa renda no estado cresceu 46%, enquanto São Paulo cresceu 3%. Muito bem, só que nesses governos ele não teve o comando, porque eram governos contrários à oligarquia e eles não dirigiam o estado.

Eu compreendo que, por não ter o que mostrar, José Sarney tenha lançado mãos dos dados de adversários sem, no entanto, dizer quais foram os governos que conseguiram romper a terrível barreira da pobreza e da pobreza absoluta. Pode divulgar se quiser, senador, mas diga quem eram esses governadores. Esses, na verdade, são os melhores dados da história recente do Maranhão e orgulham mesmo aos maranhenses. Foram frutos de muito esforço e dedicação do meu governo e o de Jackson Lago.

Por fim, Sarney dá uma brutal recaída e termina a missiva dizendo que esses indicadores sociais negativos não existem e que são invenções de governos que antecederam a gestão atual de sua filha. Senador, esses dados são oficiais – dos governos de Lula e da presidente Dilma – resultados de pesquisa do IBGE, da PNAD e do IPEA. São verdadeiros, amplamente publicados e gozam de toda a credibilidade. Nada têm a ver com briga política paroquial. Seria melhor aceitá-los e procurar montar políticas públicas para revertê-los. Não será com anúncio de grandes projetos privados que alguma coisa será modificada. Só mudará com muito trabalho, dedicação e políticas públicas eficientes.

Como a oligarquia só aceita dados deles – e não aceita os dados verdadeiros e oficiais – não há chance de um governo de Roseana dar certo.

Imagino que, como nada pode dizer em defesa da sua filha e da oligarquia, Sarney apele e fique distribuindo “botinadas“ a torto e a direito, tentando politizar o tema. É pena... Ele disse que o Maranhão só é o pior em três ou quatro indicadores. Não é verdade, o Maranhão é pior que os outros estados em quase todos eles.

E continuando, o deputado César Pires denunciou o óbvio. Não há governo no Maranhão. O estado está sem aeroporto há meses, prejudicando tremendamente a população e contribuindo para o afastamento dos turistas e a queda na ocupação dos hotéis. Mas o governo nada fez para cobrar a urgência nos reparos e tampouco fez o que seria mais coerente, lutar pela construção de um novo terminal de passageiros, mais moderno e confortável, já que o anterior era muito ruim e muito inferior ao de outros estados. A governadora faz ouvidos moucos, como se o problema não fosse aqui. O grito de César Pires pode fazer a bancada se mexer, embora com muito atraso e prejuízos.

E na semana passada foi anunciada com grande estardalhaço a retomada das obras de terraplenagem na famosa Refinaria Premium. Porém, vejo que se fosse prioridade da Petrobras, essa terraplenagem já deveria estar pronta há meses. A fotografia de fato mostra poucos equipamentos trabalhando. Vamos conferir...

E o PSB vai com muita garra e força própria, vencendo o terrível conluio que tenta tomar o partido para colocá-lo a serviço de Roseana Sarney. Muito dinheiro, assim como promessas de apoio em eleições municipais, levam os disponíveis de sempre para essa ignomínia. Eduardo Campos, o nosso ilustre presidente nos conhece bem. Ele me levou o convite para ingressar no partido a pedido do líder maior e fundador do partido, o seu tio Miguel Arraes.

Portanto, não adianta mentir e lançar boatos de intervenção e afastamento do nosso presidente. Roseana faz isso porque o PSB é o partido que de fato lhe faz oposição. Já a motivação daqueles que, dentro do partido, tentam atender o desejo da governadora, estes não podem ser explicados publicamente. Eles pensam que Roseana Sarney no futuro irá ajudá-los, mas ela apenas os usa, pois neles não confia. Fazem um papelão por nada...

Parabéns, presidente José Antônio, pela grande vitória e pela firmeza com que conduz o partido. Assim como parabéns a todos aqueles que, também com sua firmeza, mantêm o partido em sua trajetória histórica.

PSB é oposição à oligarquia e continuará assim.