Construção

Domingos Bezerra Filho Domingos Bezerra Filho
Domingos Bezerra Filho é  teresinense de Campo Maior. Jornalista, escritor, professor com pós-graduação em Comunicação, Turismo e Desenvolvimento Sustentável. E-mail para contato:Domingosfilho@gterra.com.br

21/12/2010 às 08h38min

Nem os americanos acreditaram

Carlos Chagas

Se verdadeiras as afirmações de José Dirceu e do próprio presidente Lula de que o mensalão não existiu, porque para eles a distribuição de dinheiro a parlamentares envolveu apenas liberação de recursos para enfrentar as despesas da campanha de 2002, como ficarão candidatos e partidos em 2011, quando as contas precisarão ser saldadas? De novo a palavra vai para o ex-chefe da Casa Civil, a respeito de que os candidatos, inclusive ele, gastam duas vezes mais do declaram.�

Deve ter gente, em todos os partidos, com a corda no pescoço para pagar as dívidas contraídas para as eleições do último mês de outubro. A maioria, inclusive, apoiou a candidatura de Dilma Rousseff. Vão fazer o quê? Chamar outra vez o Delúbio Soares?

Cada vez que vem à tona a questão do mensalão, mais se caracteriza a lambança. Fica estranho assistir o presidente Lula declarar a disposição de dedicar parte de seu tempo, depois de deixar o poder, a provar que o mensalão não existiu. Nem se enganaram os ingênuos e tranqüilos embaixadores que os Estados Unidos mandaram para o Brasil, nos últimos anos. Os memorandos pouco éticos e nada vernaculares que enviaram para Washington comprovam não acreditarem nas versões de Dirceu, a quem não pouparam em seus comentários, divulgados em pílulas pelo WikiLeaks.

Deve cuidar-se a presidente prestes a receber a faixa presidencial. Um monte de políticos eleitos e não eleitos este ano estarão maquinando fórmulas pouco claras de pagar aos seus, digamos assim, “fornecedores”. Ao primeiro sinal de negócios escusos ela deve estar de tacape e borduna na mão, pronta para vibrar inesquecíveis golpes em quem se arriscar a buscar dinheiro sujo.

16/12/2010 às 13h06min

PT e PMDB deveriam repetir Osvaldo Aranha e libertar Dilma

Pedro do Coutto

Francamente, tanto o PT quanto o PMDB, que formaram a coligação vitoriosa nas urnas de outubro, deveriam repetir o exemplo famoso de Osvaldo Aranha, em 1951, e libertar Dilma da rigidez dos compromissos políticos e deixá-la à vontade para formar o ministério e preencher os cargos de que dispõe nas empresas estatais. Seria mais político e sobretudo estratégico, pois como se está vendo pela escolha dos nomes definidos, a equipe é nitidamente provisória, um ministério de experiência. Pode dar certo, como pode não dar e exigir substituições ao longo do percurso do governo que amanhece a primeiro de Janeiro.

Citei o chanceler Osvaldo Aranha, embaixador do Brasil na ONU e primeiro secretário-geral das Nações Unidas, porque ele, em 1951, depois da vitória estrondosa de Vargas na sucessão de 50, e diante das pressões partidárias que iriam levar a impasses, reuniu a imprensa e, numa entrevista coletiva, afirmou: “Libertemos Getúlio Vargas. Deixemo-lo (estilo gaúcho) escolher à vontade”.

Pressões capazes de levar a aceitações forçadas nada resultam de permanente. Tinha Razão. Tanto assim que Vargas constituiu um ministério que classificou como provisório. Aranha, por ironia do destino, não integrou a equipe no início da administração.
Só foi convocado em 53, quando o presidente da República o nomeou ministro da Fazenda. Em que dia assumiu a pasta? A 24 de Agosto de 53. Um ano depois, Vargas deixaria a vida para ingressar na história, como escreveu na sua carta testamento, documento mais dramático da política do país.

E tanto o ministério era provisório que, um ano depois, Tancredo Neves substituiu Negrão de Lima na Justiça. Antonio Balbino entrou no lugar de Simões Filho na Educação, João Goulart entrou no lugar de Danton Coelho no Trabalho. Vicente Rao substituiu João Neves da Fontoura nas Relações Exteriores. No ano difícil de 53, quando Goulart foi derrubado da Pasta do Trabalho pelo manifesto dos coronéis, Segadas Viana entrou no lugar de Jango. Mas estes fatos todos, hoje, pertencem à memória nacional. Servem, entretanto, de paradigma. Pois não existem ministros definitivos, da mesma forma que a História desconhece pessoas insubstituíveis.

Escrevi outro dia que não há, no mundo, duas pessoas iguais. Da mesma forma na há dois governos iguais. E tampouco a equipe que começa o jogo geralmente não o conclui de forma integral. As substituições fazem parte da convergência e divergência de estilos, projetos, vontades, como é próprio do relacionamento humano. Existem homens e mulheres que se comunicam bem com outros, e há também os que não se comunicam plenamente entre si e em relação a vários membros de uma equipe. Inclusive, pela forma que adotou para escolha, Dilma Rousseff deixou isso claro.

Resistiu ao máximo para convidar Fernando Haddad, apesar dos esforços de Lula. Vai nomeá-lo contra a vontade. Por decisão própria não o faria. Como vetou de plano a permanência de Henrique Meirelles no Banco Central e de Celso Amorim no Itamarati. Este, inclusive, ela o criticou direta e publicamente ao condenar o posicionamento brasileiro em relação ao Irã. Por seu desejo pessoal, não nomearia, ou não nomeará, Juca Ferreira para a Cultura.

Vários outros exemplos poderiam ser citados. Mas o mais importante é que aqueles que são nomeados por pressões indesejáveis não vão se manter muitos meses nos postos. É sempre assim, é da política. A articulação parlamentar é também da política, pode-se argumentar em contrário. Mas só superficialmente. Pois se, por hipótese, o PMDB rompesse, o PSDB de Aécio Neves ocuparia imediatamente seu lugar. Libertemos Getúlio – afirmou Osvaldo Aranha. Lula deveria aproveitar o episódio para repetir o tema e a tese: “Libertemos Dilma Rousseff”. Até porque não adianta nada aprisioná-la em esquemas rígidos.

14/12/2010 às 16h46min

Constrangimentos

Carlos Chagas

Haverá constrangimentos na festa oferecida pelo presidente Lula a ministros e ex-ministros de seu governo, amanhã à noite, no Itamaraty. Menos pelos que já se foram, ao longo dos últimos oito anos, até porque alguns vão voltar. Mais pelos atuais que não continuarão no governo. Tudo indica que até amanhã Dilma Rousseff não terá completado a composição do ministério. Assim, haverá quem mantenha as esperanças. Os já escolhidos cumprimentarão os rejeitados com exageradas reverências, como a pedir desculpas por terem sido premiados. Tudo meio forçado.

Tome-se o encontro de dois ex-super-ministros: Antônio Palocci e José Dirceu, defenestrados em situações análogas, adversários na batalha que não houve, pela sucessão do Lula. O ex-titular da Fazenda, guindado agora à função de primeiro-ministro da presidente eleita, estará preocupado em não demonstrar muita alegria quando abraçar o ex-chefe da Casa Civil, ainda privado de seus direitos políticos. Ambos olhando para Dilma com imperscrutáveis sentimentos. “Por que ela e não eu?” - poderá ser indagação sufocada no recôndito da alma de cada um.

O próprio presidente Lula estará meio desconfiado com o volume de convidados esvoaçando ao redor da sucessora. Claro que a imagem refletirá sua vitória por tê-la retirado dos bastidores para o centro do palco, mas parece impossível que não sinta um certo incômodo ao verificar a quem os holofotes começam a iluminar.

Em suma, faltará na festa de amanhã a descontração de outras anteriores, promovidas nos últimos oito anos. Para que a corrente siga seu curso natural, será necessário aguardar a nova recepção, marcada para a noite da posse, no mesmo lugar, a primeiro de janeiro. Estará faltando alguém…

05/12/2010 às 11h10min

O Ministério Lula, perdão, Dilma, pelo menos no rótulo,

Helio Fernandes

Não chega a ser surpreendente, mas ultrapassa a realidade, ou quem sabe, o imaginável. Para começo de conversa, a presidente eleita havia dito; “Não nomearei quem estiver acusado de irregularidades, mesmo não condenado”. Não cumpriu esse item fundamental, quase todos os ministros, em matéria de honestidade, não jogam nesse time.

Dona Dilma pode se defender, embora confessando a fragilidade política: “Não fui eu que indiquei, convidei ou assumirei com esses que estão sendo anunciados”. Rigorosamente verdadeiro, mas precisa ter muita coragem para revelar que por enquanto não tem autonomia de vôo.

Analisemos rapidamente os nomes confirmados, os que continuam nadando numa piscina cada vez mais envaziada e os que não têm a menor chance, apesar de terem participado do governo Lula-Dilma. Comecemos pelo cargo mais importante.

PALOCCI – Veio de Ribeirão Preto como corrupto, só consolidou essa “fama”. Foi demitido por Lula, por ter usado todo o Poder, para diminuir um simples caseiro. Perdeu no Supremo, derrotadíssimo e humilhado. Vai para a Chefia da Casa Civil, onde estiveram Dirceu e a própria Dilma. Escolha V-E-R-G-O-N-H-O-S-A.

EDSON LOBÃO – Ridículo, cheio de acusações de irregularidades. Quando houve o famoso apagão, foi tão incompetente que suas “teses” provocavam gargalhadas. Volta V-E-R-G-O-N-H-O-S-A.

WAGNER ROSSI – Não tem nota, é ministro na cota de Michel Temer, não fez nada, continuará no mesmo ritmo. Sua ratificação é um “recado dos revoltosos” para o vice Michel Temer: “Pronto, sua recompensa está recebida, agora deixe o PMDB se afirmar”. Não podia recusar, sabia disso, está fora do resto do jogo.

ALEXANDRE PADILHA – Ministro que não incomodou ninguém, foi mantido para impedir alguém que incomodasse.

NELSON JOBIM – Mais uma acumulação V-E-R-G-O-N-H-O-S-A. Já foi Legislativo, Executivo (várias vezes), Judiciário (Supremo, de onde foi expulso), surpreendente Ministro da Defesa, surpreendentemente mantido. Logo depois do PMDB revelar, “Jobim não é apoiado pela legenda”.

ANTONIO PATRIOTA – Foi o primeiro nome falado para Chanceler. Depois, com a “procura de nomes de mulheres”, ficou esquecido. Voltou, com o absurdo de dizerem “que não encontraram mulheres para o cargo”. Não é nem de longe o melhor, inútil, sem nota.

CARLOS LUPI – Inacreditável a confirmação. Foi “inventado” por Brizola, mesmo com apoio dele não se elegeu nada. Com ele, o ministério ficou vazio. Falava todo mês, “estamos CRIANDO CADA VEZ MAIS EMPREGOS”. E o DESEMPREGO crescendo. Sua permanência merece um menos ZERO, é possível?

GILBERTO CARVALHO – Imposição de Lula, tinha que ficar no Planalto como uma espécie de SNI especial.

PAULO BERNARDO – O único ministro certo desde o início, ou melhor, antes da eleição, “frequentou” todos os cargos, desde a Casa Civil à Saúde, deve se fixar nas Comunicações.

FERNANDO PIMENTEL – Está sendo recompensado, queria ser candidato a governador de Minas. Devia agradecer. Aécio ganharia dele com facilidade. Por enquanto, deve ir para a Previdência, dirá diariamente, “a Previdência é um problema por causa do déficit”. Mas é vastamente superavitária, apesar de até Jader Barbalho ter passado por lá.

GUIDO MANTEGA – Foi confirmado por Dona Dilma e garantido pelo ainda presidente Lula. Os tempos se Meirelles estão acabando, mas o próprio presidente do BC (por mais 24 dias) “acusa” o Ministro da Fazenda de DESENVOLVIMENTISTA. Inacreditável.

JOSÉ EDUARDO CARDOSO – É a primeira experiência, e sendo moço, não tem contra-indicação. Já está confirmado no Ministério da Justiça, cargo que ocupará preocupado em ir para o Supremo. Queria ir para lá direto (escrevi isso há tempo), se convenceu que pode esperar. Surgirão muitas vagas. Sem nota, mas com expectativa razoável.


***

PS – Faltam muitas “reivindicações” a serem atendidas. Principalmente de três governadores do Norte/Nordeste, VENCEDORES no primeiro turno.

PS2 – E ainda existe a INCÓGNITA Moreira Franco, que de certíssimo, passou a incerto ou improvável. Amigo e conselheiro de Michel Temer, foi surpreendido com a confirmação de Wagner Rossi para a Agricultura. Moreira era a PRIMEIRA indicação de Temer, Rossi a SEGUNDA. Invertem tanto, que a SEGUNDA ganhou o cargo, a PRIMEIRA ficou sem espaço. Por enquanto.

26/11/2010 às 08h36min

Leda Nagle: Como será o nosso amanhã?

Rio - Eu nasci, cresci e me formei em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Moro no Rio, onde escolhi para viver, há exatos 36 anos e 11 meses.Desde há muito falo que sou mineiroca, mistura de mineira com carioca, e com isto convivo com a brincadeira que ouço desde sempre: “Mineira de Juiz de Fora é carioca do brejo”. Pois muito bem, desde terça feira, sou carioca, com direito a diploma, discursos e brindes. O ainda vereador, e deputado federal recém-eleito, Stepan Nercessian, me fez esta graça, o que me deixou muito honrada.E muito sem graça também, porque, também desde sempre, não sei onde me enfiar quando recebo homenagens ou ganho elogios.

Gostei de tudo, fiquei muito feliz e até me lembrei de um ex-amigo que, nas movimentadas festas de aniversário que fazia, ao receber os presentes, dizia “não precisava se incomodar, mas adorei que tenha se incomodado”. Adorei que Stepan ,um goiano, tenha se incomodado com a minha falta formal de cidadania carioca e tenha me autorizado a cariocar de vez, com direito a hino da Cidade Maravilhosa, flores e a presença dos amigos mais queridos. Quando eu cheguei aqui, ainda falava mandioca, mexerica, passeio e sombrinha. Foi nesta cidade que descobri o aipim, a tangerina, a calçada e o guarda-chuva. O Rio não é só um lugar lindo, é a cidade certa, porque permite que a gente se descubra, permite a convivência feliz entre os “cariocas” que são gaúchos, baianos, paraenses, pernambucanos,franceses, argentinos e por aí vai. Foi aqui também que aprendi minha profissão e me tornei orgulhosa mãe do carioca Eduardo.

Gosto de viver aqui. E tenho cada vez mais medo de viver aqui. Enquanto estávamos na Câmara de Vereadores, queimaram ônibus, mataram pessoas, feriram outras, incendiaram carros. Tem sido assim todo dia. Ler os jornais de manhã tem sido muito difícil. Ver os telejornais da noite tira o sono. Ver as autoridades dizerem que a população tem que levar vida normal é de lascar.Ainda aparece um cretino que,num momento deste, coloca uma caixa suspeita em plena Ipanema, para chamar a atenção para um determinado produto. Vejo na TV que as comunidades querem as unidades pacificadoras. Que bom! Mas alguém acredita que os bandidos , a partir delas, vão trabalhar de carteira assinada? Conclusão: falta uma parte do plano. Uma ação que nos ajude a responder questões básicas, do tipo: como manter a rotina? Como viver sem tanto medo? Como conviver com este enfrentamento?Alguém sabe, de boato em boato, como será o nosso amanhã?

25/11/2010 às 09h44min

Os 79 porquinhos

“O legal da história de ter aceito com bom humor o apelido de “Três Porquinhos” é que a turma de Dilma mostra que não tem medo de Lobo Mau. Mas que está disposta a enfrentar a cara feia com um sorriso nos lábios”


Se disputassem um prêmio de simpatia, o presidente Lula venceria sua sucessora, Dilma Rousseff, de lavada. Todo mundo que conviveu mais de um minuto com a nossa presidente eleita sabe que ela não é lá muito de sorrisos gratuitos. Mas é engraçado como as circunstâncias e outras características dos indivíduos podem às vezes mudar as coisas. Apesar de toda a sua fama de fechadona e antipática, Dilma está se saindo muito mais bem humorada e tolerante com as cotoveladas do jogo político partidário do que Lula jamais foi.

O presidente nunca escondeu sua falta de paciência com os rapapés da etiqueta política. O jogo de encenação, de frases de duplo sentido, de insinuações e gestos comuns à política partidária e parlamentar nunca foi a praia de Lula. Tanto que, como ele mesmo sempre disse, Lula achou um porre a sua experiência como deputado. Foi nela que Lula concluiu que há no Congresso pelo menos “300 picaretas”, e foi pensando assim que ele presidiu. A existência do mensalão é um pouco decorrência disso. Algo assim: “Se o que esses caras querem pra votar conosco é dinheiro, vamos dar dinheiro pra esses caras e tocar a nossa vida”. Lula cresceu no meio sindical – de luta política mais direta, sem rapapés. Além disso, é extremamente vaidoso, coisa que só cresceu com seus acertos e o aumento da popularidade. Assim, ficar fazendo acenos e tentando decifrar recados de políticos sempre esteve longe das suas preferências.

Quando se trata de reagir a esse jogo político, Dilma tem se mostrado menos refratária às suas regras do que foi Lula nestes oito anos. A forma como ela e sua equipe de transição incorporaram na semana passada o apelido “Três Porquinhos” é um claro exemplo disso. Lula fica irritado até hoje quando chamam o avião presidencial que comprou de “Aerolula”, uma piada óbvia. Dilma e sua turma deram um nó naqueles que cunharam o apelido. Não há nada mais matador para um implicante do que você rir também do apelido que ele inventa.

Na hora em que Dilma e seu triunvirato – o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e os deputados José Eduardo Cardozo e Antônio Palocci – aceitaram com bom humor o apelido de “Três Porquinhos”, acabou a piada. E acabou também o que a piada representava nas entrelinhas: uma crítica do PMDB ao fato de Dilma ter se cercado apenas de petistas para formar o Estado Maior da sua equipe de transição. Sem cara feia, o recado está dado: “Olha, PMDB. É assim que será, e pronto”.

Em vez de ficar irritada com o apelido, Dilma demonstrou entender qual é o jogo que se inicia. Uma situação que ela terá que ter muito jogo de cintura para administrar, caso não queira ver toda a sua costura política desandar. Em vez dos “Três Porquinhos”, Dilma sabe que tem que se preocupar mesmo é com os “79 porquinhos”. Tomemos emprestada a bancada que o partido elegeu para a Câmara no ano que vem para designar o PMDB.

Os “79 porquinhos” jogam pesado. Não têm medo de Lobo Mau. Não constroem casas de palha nem de madeira. Ao embarcar como fizeram na campanha de Dilma, os “79 porquinhos” conseguiram algo que nunca obtiveram em todos estes anos de país redemocratizado: uniram-se, praticamente todos, num só projeto. Uma coisa dessas,no PMDB,não se faz por decreto. Nem Michel Temer, nem José Sarney, nem ninguém, tem poder, num partido que é uma confederação de interesses regionais, para impor nada. Houve, então, um consenso, um entendimento conjunto desses caciques de que a aposta valia a pena. E de que a aposta valia a pena para os interesses particulares de cada um.

Por isso, o PMDB não hesitará um minuto em lutar por cada espaço que conseguir obter no novo governo. No mínimo, exigirá um governo de fato com lógica de coalizão. Mas não ficará apenas nisso. Disputará cargo por cargo. Pasta por pasta.

Na cúpula peemedebista, a conclusão final para a história do blocão que o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), tentou formar para tentar tirar do PT a primazia da escolha do presidente da Câmara foi de que o movimento foi um tiro no pé. Mas o blocão ter surgido demonstra qual será a disposição dos “79 porquinhos”. E se Dilma não tivesse agido rápido para neutralizá-lo teria problemas lá na frente.

Se os “79 porquinhos” desistirem de engrossar na disputa pela presidência da Câmara, vão exigir uma compensação. E assim será, sempre. O legal da história de ter aceito com bom humor o apelido de “Três Porquinhos” é que a turma de Dilma mostra que também não tem medo de Lobo Mau. Mas que está disposta a enfrentar a cara feia com um sorriso nos lábios. Na política, parece ser uma prática recomendável.

( Congresso Em Foco )

24/11/2010 às 13h34min

Faepi presente em encontro nacional da CNA

A CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) se prepara para encaminhar à presidente eleita Dilma Rousseff propostas do setor.

O documento deverá ser elaborado a partir de reunião a ser realizada em Cuiabá, neste final de semana.

O presidente da Faepi (Federação da Agricultura e Pecuária do Piaui), Carlos Augusto Carneiro da Cunha, vai participar do encontro.

A reunião vai também fazer uma avaliação das atividades deste ano e programar as de 2011.


19/11/2010 às 12h54min

Abominável loteamento

Carlos Chagas


Quem quiser que bote panos quentes, mas a verdade é que neste período de montagem do ministério de Dilma Rousseff o país vem assistindo o mais um abominável espetáculo de loteamento do poder público e de chantagem explícita feita contra a presidente eleita. Desde a instauração da Nova República não se via coisa igual. Aliás, é preciso debitar parte da precipitação da doença de Tancredo Neves às pressões por ele sofridas nas vésperas de sua posse, que não houve. Naqueles idos, PMDB e Frente Liberal, cada um com grupos e alas conflitantes, todos de goela aberta, levaram o saudoso mineiro a desabafar: “Resolvam vocês mesmo, eu já não aguento”. E não agüentou.

Dilma aguenta, mas enfrenta verdadeiro massacre que Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique e o próprio Lula não enfrentaram. Dirão os otimistas que na transição da ditadura para a democracia reuniram-se forças tão díspares ao redor de Tancredo quanto outras se juntaram agora, para a eleição de Dilma. Pode ser, mas a explicação não justifica essa corrida desavergonhada ao poder.

Porque não se trata apenas de reivindicações do PMDB, do PT e dos penduricalhos. Falasse cada partido uma só linguagem e ainda poderiam compor-se com Dilma. O diabo é que em todas as legendas situam-se alas e grupos estanques e independentes, cada qual julgando-se no direito de impor seus representantes.

Por exemplo: há o PMDB de Michel Temer, mas também o PMDB do Rio de Janeiro e o PMDB do Nordeste. Como existe o PT de Minas Gerais, o PT de São Paulo, o PT do José Dirceu e o PT da Bahia, entre muitos. Já não tentam impor apenas ministérios, tanto os que detém no governo Lula quanto outros. Levam abertamente aos coordenadores da transição imposições a respeito das presidências e das diretorias do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do Dnit, da Petrobrás e de uma infinidade de empresas públicas e órgãos da administração direta.

Raras vezes se tem loteado o poder como agora. Registre-se o brado ímpio do ressuscitado Severino Cavalcanti , do PP: “Pernambuco não pede. Pernambuco exige!”

Completa essa equação de horror o componente Lula. Por mais que o presidente repita não indicar nem vetar ninguém, do lado da Dilma todos pisam em ovos na simples suposição de que o primeiro-companheiro poderia gostar ou não gostar desta ou daquela indicação. Acresce que eles tem conversado sobre nomes, como na madrugada de terça-feira, no palácio da Alvorada.

Em suma, se não tiver havido ou se não houver um basta, nas próximas horas, a nova presidente da República assumirá enfraquecida e refém do que há de pior em sua base política. Como temos sugerido, urge um murro na mesa e uma determinação fundamental para o futuro: escolher os melhores e os mais capazes sem aceitar imposições.

17/11/2010 às 11h41min

Da galáxia de Gutemberg a 70 milhões de acessos pela interne

Pedro do Coutto

Impressionante o número de acessos aos principais meios de comunicação brasileiros através da internet, registrados este ano. Passaram de 70 milhões no mês de setembro, revelando um interesse cada vez maior pela informação e pela opinião. Sem falar nas pesquisas efetuadas através da rede, setor no qual a internet é gigantesca e imbatível. Cada vez maior e insuperável. Mas vale acentuar que a busca incessante de dados é uma consequência no impulso crescente do processo informativo como um todo. Estamos pisando em astros distraídos.

O sistema de computadores veio acrescentar mais um fator decisivo à urbanização e uniformização da linguagem e da cultura desencadeada pela televisão principalmente. Mas falei em mais de 70 milhões de acessos, média mensal dos principais veículos jornalísticos no período fevereiro a setembro. Os números foram apresentados pela diretora da empresa de comunicação CDN, setor de Análises e Tendências, Marília Stábile, durante exposição feita na Coordenação de Comunicação Social de Furnas. Excelente a apresentação das estatísticas e da nova realidade que elas contêm. Uma nova visão do país (e do mundo) da Galáxia de Gutemberg, belo título de McLuhan sobre a importância da criação da imprensa, por volta de 1445, aos tempos modernos, para citar Chaplin nos dias de hoje.

O volume de acessos é liderado pelo grupo O Globo, incluindo o Portal G1, com 36,4 milhões. Seguido pelo grupo UOL Folha de São Paulo, com 32,7 milhões. Em seguida entre os jornais O Estado de São Paulo (2,9 milhões). Depois o Valor com 133 mil.

Entre as revistas, liderança firme da Veja com 1 milhão e 800 mil acessos. Em segundo a Época com cerca de 550 mil, de acordo com o gráfico da CDN, Comunicação Corporativa. E aqui um aspecto importante. As revistas são semanais, os jornais e as emissoras de rádio e TV, diários. Os jornais acentuam uma realidade insuperável no universo comunicativo, que se renova e acrescenta todos os dias. As revistas, sob este prisma, não podem competir com os diários. A informação é um processo que se modifica de 24 em 24 horas, quanto à mídia impressa, e a cada momento no que se refere às emissoras de rádio e televisão. Na radiodifusão, o processo informativo renova-se a cada instante. A esse propósito, eu dizia outro dia a meu amigo Haroldo de Andrade Junior, que dirige mesa de debates na Rádio Tupi, que certos programas tendem a cair no tempo porque, sem ligar para a informação, tornam-se repetitivos. Os que se sucedem ficam cada vez mais parecidos com os que o antecederam. A renovação das matérias foi um dos maiores fatores do sucesso absoluto do grande Haroldo de Andrade, a maior figura do rádio brasileiro de todos os tempos.

Mas eu falei em navegação. Pois é. Há 550 anos, era o ciclo das caravelas, dos seus grandes comandantes enfrentando a força dos mares. Depois, século 20, aviões cortando velozmente os espaços aéreos, rompendo velhas barreiras e fixando novas fronteiras que surgem e se vão com o vento. Apareceram as naves interplanetárias, descendo na Lua, fotografando Marte, rumando por chãos de estrelas até Saturno. Agora, além de tudo isso, segue livre a navegação na bela e luminosa galáxia da Internet, rompendo fronteiras inimagináveis do pensamento e da percepção, estabelecendo uma nova relação com o presente na busca de aproximar o futuro. Estamos , disse no início, pisando em astros distraídos, como compôs Orestes Barbosa.

16/11/2010 às 10h27min

A verdade e a lenda

O fim de semana prolongado pelo feriado, mais a chuva, ensejaram a muita gente ficar em casa diante da telinha, buscando filmes antigos. Dos inscritos na galeria das obras-primas, passou “O Homem Que Matou O Fascínora”, de John Ford. A história é de um jovem advogado que vai para o interior disposto a fazer valer a lei contra a truculência, interpretado por James Stewart. Perseguido por um bandidaço, Lee Marvin, o mocinho foi protegido por um campeão da lei, John Wayne, de quem acaba roubando a namorada. Décadas depois, por haver enfrentado e matado o mau caráter num duelo, mesmo sem saber atirar, e tendo-se tornado por isso deputado, senador e duas vezes governador do estado, Stewart volta à cidadezinha para o enterro de Wayne, que morreu de velho. Lá, resolve contar a um jornalista a verdadeira história: ele não era herói coisa nenhuma, muito menos havia matado Lee Marvin. Quem fizera isso fora John Wayne, escondido do outro lado da rua.

No final, o jornalista rasga as anotações e conclui: “Quando a verdade prejudica a lenda, mantenha-se a lenda.”

Quem quiser que interprete…
 ( Carlos Chagas)

12/11/2010 às 16h43min

Mão Santa tacha de 'malandros' governadores eleitos que defe

Usando palavras como "malandros" e "vagabundos", o senador Mão Santa (PSC-PI) criticou pesadamente em discurso, sem citar nomes, governadores recém-eleitos que vêm defendendo a recriação da CPMF, "disfarçada com outro nome". Afirmou que "nenhum deles teve a coragem de defender aumento de imposto durante a campanha eleitoral" e, agora, "estão traindo o povo" propondo a volta do chamado "imposto do cheque".

- É preciso ter vergonha na cara, é preciso dignidade para governar. Por que aumentar impostos? Por que não falam em cortar desperdícios ou em combater a ladroagem? - questionou.

Mão Santa sustentou que a presidente eleita Dilma Rousseff "não tem nada a ver com isso" e pediu que "ela seja iluminada por Deus" para "ter coragem" de enfrentar a pressão dos novos governadores que são favoráveis à nova CPMF.

O senador do Piauí sustentou que "mais de 80 por cento" das prefeituras do Nordeste encontram-se em situação financeira difícil e atribuiu o fato ao governo federal, que hoje fica com 53% da arrecadação "dos 76 impostos e taxas" cobrados dos brasileiros. Lembrou que, na Constituinte, ficou acertado que os municípios ficariam com 22,5% dos impostos cobrados no país, mas com o passar dos anos eles hoje "mal recebem 14 por cento".

Em aparte, o senador José Bezerra (DEM-RN) informou que mais de 60 dos 167 prefeitos do Rio Grande do Norte passaram pelo seu gabinete nas últimas semanas. "Eles vieram a Brasília com o pires na mão, pedindo dinheiro do governo federal", disse.


Da Redação / Agência Senado

09/11/2010 às 14h27min

Fraudes e erros

Já estão se tornando caso de polícia as fraudes e erros registrados em concursos públicos no Brasil.

Os erros nas provas do Enem (Ensino Nacional do Ensino Médio) precisam ser revistos com a seriedade que o caso exige.

Milhões de jovens passaram meses estudando, desenvolsando recursos financeiros no custeio de cursinhos preparatórios, e não se admitem explicações frágeis para os equívocos.

O Ministério Público, guardião dos direitos do cidadão, deve voltar seus olhos para o caso.

09/11/2010 às 14h19min

Cconcurso em vista

O vereador Edvaldo Marques (PSB) anunciou que se for eleito presidenet da Câmara Municipal de Teresina pretende realizar concurso público para contratação de funcionários. Já não era sem tempo.

A Asseembleia Legislativa poderia tomar a iniciativa como exemplo e fazer o mesmo.


31/10/2010 às 13h53min

Livro todo dia

Rosely Boschini*


No Dia do Livro, comemoramos o crescimento

do hábito de leitura no cotidiano dos brasileiros.

Há 199 anos, mais exatamente em 29 de outubro de 1810, quando a Corte portuguesa encontrava-se no Brasil protegida da guerra imperialista de Napoleão Bonaparte, registrou-se a transferência da Real Biblioteca para o Rio de Janeiro. Nosso país nunca mais foi o mesmo, pois os livros têm o poder de mudar a história, ao preservar memórias, transmitir conhecimento, formar consciências e garantir aos cidadãos o direito essencial da liberdade de expressão, pensamento e da formação de juízo de valores.

Contribuiu para a difusão da leitura no então Vice-Reino, o nascimento da indústria gráfica, surgida em 1808, também na Cidade Maravilhosa, com a instalação da Imprensa Régia. Repetiu-se no Brasil fenômeno semelhante ao que se observara cerca de 350 anos antes, na Europa, quando o alemão Gutenberg criou os tipos móveis e passou a imprimir. O primeiro trabalho que saiu de seus prelos foi uma Bíblia. Um dos exemplares originais, aliás, encontra-se no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, aquela mesma que um dia recebeu as coleções da família real, compostas por 60 mil peças, entre livros, manuscritos e mapas.

Para se ter idéia da capacidade transformadora da leitura, por volta de 1450, o Velho Continente tinha cerca de 50 milhões de habitantes, dos quais apenas oito milhões alfabetizados. A transformação do livro de privilégio em algo mais acessível, propiciada pela impressão mecânica, multiplicou por três, em poucos anos, o número de europeus que sabiam ler e escrever.

Por isso, é importante comemorar com ênfase cada aniversário da chegada da Biblioteca Real ao Brasil. A data, 29 de outubro, foi oficializada como o Dia Nacional do Livro. Atualmente, nosso país produz 386,4 milhões de exemplares anuais (pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro 2009”, realizada pela Fipe/USP, para a CBL e o SNEL). O estudo, que também aponta significativa queda de preços, evidencia os esforços das editoras, livrarias, distribuidores e do segmento de venda porta-a-porta para que a leitura seja cada vez mais parceira do desenvolvimento.

Há, ainda, duas iniciativas emblemáticas da CBL que apresentam consistente resultado no tocante à disseminação do livro: a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Este ano, em sua 21ª edição, tivemos a presença de 743 mil pessoas. A resposta dos visitantes ao empenho em prol do estímulo ao hábito de leitura foi estimulante, pois, segundo o Instituto Datafolha, 80% dos presentes compraram livros na feira; e o Prêmio Jabuti. Este, criado em 1959, chegou em 2010 à 52ª edição e, mais uma vez, como já ocorrera em 2009, estabeleceu novo recorde absoluto de participação, com 2.867 inscrições.

Não menos importantes são as ações de divulgação do mercado editorial brasileiro no exterior. Este ano, com apoio do convênio Brazilian Publishers, firmado pela Apex-Brasil e a CBL, a participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt, a mais importante do mercado editorial do mundo, teve grande visibilidade e resultou na venda de direitos autorais no valor de 550 mil dólares. No âmbito institucional, neste evento a Câmara firmou acordo com Frankfurter Buchmesse (organizadora da Feira de Frankfurt), para que o Brasil seja o País tema em 2013.

São prioritários, ainda, programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais (como o Programa Nacional do Livro Didático — PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola), são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, iniciado em 2007 na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL.

Ainda é imenso o desafio relativo à meta de converter o Brasil num país de leitores e, portanto, mais desenvolvido, livre e justo! No entanto, os avanços verificados no âmbito dessa meta nos permitem afirmar, sem dúvida, que o livro, não só em 29 de outubro, já é presença marcante no dia a dia dos brasileiros.

*Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

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26/10/2010 às 19h48min

Seminário discute relações de trabalho

O transporte ferroviário e a evolução das relações de trabalho no Piauí deverão ser discutidods durante todo dia, quinta-feira, 28 de setembro, no Real Palace Hotel, em Teresina. O evento é organizado pelo Ministério Público do Trabalho, Companhia Ferroviária do Nordeste (CNF/Transnordestina) e Sindicato dos Ferroviários.

O evento é parte de um acordo firmado entre o MPT e a Transnordestina para evitar uma execução judicial da empresa, que se comprometeu a financiar o ciclo de palestras para seus empregados e convidados.

Segundo o procurador regional do Trabalho, Luzardo Soares, o objetivo do ciclo de palestras é melhorar as relações de trabalho, mas também servirá para demonstrar a importância da atividade ferroviária para o estado do Piauí e sua economia.

Ele lembra que eventos como esse concorrem para a valorização do trabalho em ferrovias, neste momento de expansão da malha ferroviária no Piauí.

O evento será aberto pelo procurador Luzardo Soares, pelo diretor da Transnordestina, Carlos Esmeraldino e pelo presidente do Sindicato dos Ferroviários, Claudionor Ferreira.

Haverá ainda palestras do economista e ex-secretário de Planejamento Felipe Mendes, dos auditores do Trabalho Luís Lima e Soraya Mousinho e um painel sobre a evolução nas relações de trabalho no Piauí, com a participação da dirigente do Sindicato dos Bancários, Francisca de Assis, do desembargador do Trabalho Jim Boavista e do presidente do Sindlojas, Luís Antônio Veloso.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MPT no Piauí

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26/10/2010 às 17h11min

Cuidado com o desatino das elites

Carlos Chagas


Seria oportuno que Dilma Rousseff e José Serra dessem uma olhada para fora, preparando-se para os efeitos da segunda etapa da crise já avançada na Europa, prestes a cruzar o Atlântico. Ela coincidirá com a posse do novo governo, encerrando o período de euforia um tanto fictícia dos dois mandatos do presidente Lula.

França, Grécia, Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha, entre outros, defrontam-se com o que suas elites denominam de necessidade de evitar a bancarrota através do equilíbrio entre receita e despesa.Mais uma vez, guardadas as peculiaridades de cada nação, coincidem todas na solução anacrônica e perversa do sacrifício das massas assalariadas. Numa palavra, a supressão de direitos sociais conquistados a duras penas. A conta será enviada para onde sempre foi, ou seja, os ombros dos menos favorecidos. No Velho Mundo, os especuladores multiplicaram seus ganhos, os banqueiros locupletaram-se com a poupança popular, os investidores criaram ilusões e os governos acobertaram a lambança.

Agora, impõem restrições às aposentadorias, dispensas em massa no serviço público, desemprego nas atividades privadas, redução nos salários, aumento de taxas e impostos, limitação de benefícios trabalhistas, enxugamento da máquina administrativa, corte de gastos e de investimentos públicos, aviltamento da moeda e toda a tradicional receita imposta goela abaixo dos mesmos de sempre.

As imagens transmitidas pelas telinhas variam apenas na intensidade das forças policiais baixando o cassetete e arremessando bombas de gás lacrimogêneo nas praças, avenidas e esquinas de suas capitais e principais cidades. As greves são tidas como subversão explícita ao tempo em que a autoridade pública sustenta não haver outra saída.

Concluirão pelo sacrifício dos outros aqueles sempre preparados para preservar suas benesses, prontos para participar até o último momento da farra de seus privilégios. Depois, que os governos se disponham a socorrê-los, ainda que às custas da maioria.

O problema é que com a nova onda de convulsão econômica à vista, graças à mídia eletrônica , desta vez também vêm chegando até nós as manifestações de protesto, capazes de pegar feito sarampo.

Na hipótese da vitória de Dilma Rousseff, ficará difícil ao seu governo explicar como exigir medidas de contenção e sacrifício depois de tão prolongada euforia lulista. Mesmo prevendo-se que continue imposta a mordaça aos movimentos sindicais, a classe média se insurgirá. No improvável reverso da medalha, isto é, com a eleição de José Serra, será impossível evitar a rebelião das massas frustradas por oito anos de ilusões.

Em suma, quem vier a tornar-se presidente da República deve estar preparado para enfrentar de imediato a segunda rodada da crise que falsamente fomos os últimos a sentir e os primeiros a cair fora. Como? Ora, adotando as mesmas fórmulas do modelo aplicado há séculos, de levar a população a pagar pelo desatino das elites. Pode ser que desta vez não dê certo.

16/10/2010 às 13h04min

Definido o tema da 4ª Conferência sobre Mudanças Globais

"O Plano Brasileiro para um Futuro Sustentável" é o tema da 4ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais, que acontecerá de 4 a 7 de abril de 2011, no Memorial da América Latina. A principal meta é contribuir para o aprimoramento do Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas.

A iniciativa reunirá integrantes de instituições de pesquisa, do setor privado e de entidades da sociedade civil envolvidos na busca de entendimento e estabelecimento de sinergias e parcerias para a obtenção de soluções científicas, tecnológicas, economicamente sustentáveis e socialmente corretas para os grandes desafios interpostos pelas mudanças globais.

Os organizadores da conferência são o IEA, a Academia Brasileira de Ciências, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, a Rede Clima e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas

OBJETIVOS

Os objetivos centrais da conferência são:

* discutir o progresso e as incertezas no estudo das causas, magnitude e consequências das mudanças globais;
* analisar as questões referentes à vulnerabilidade, adaptação e mitigação dos problemas ambientais, sociais, culturais e econômicos advindos das mudanças globais e às bases dos acordos internacionais;
* congregar estudantes, cientistas, empresários e profissionais de áreas relacionadas com as pesquisas sobre as mudanças globais em um evento de caráter multi e interdisciplinar, promovendo o intercâmbio de conhecimentos e informações de várias naturezas e o estabelecimento de sinergias, em especial entre as empresas e a academia;
* reunir conhecimento científico e sugestões para futuras ações dos tomadores de decisão do governo, das empresas e da sociedade civil em questões associadas às mudanças globais;
* fomentar a formulação de políticas públicas que possam rapidamente ser adotadas pelos governos das esferas federal, estadual e municipal, na busca da melhor convivência com os problemas advindos das mudanças globais e, se possível, que aproveitem as oportunidades que essas mesmas mudanças possam apresentar.

ANÁLISE

A organização da conferência prevê o exame de sete setores:

* cenários climáticos;
* conservação da biodiversidade;
* agricultura e segurança alimentar;
* energias renováveis e não-renováveis;
* segurança hídrica;
* vulnerabilidade das áreas costeiras;
* vulnerabilidade das áreas urbanas.

Os participantes avaliarão cada setor de acordo com: o impacto dos avanços e descobertas mais recentes das ciências (exatas, biológicas e sociais) no campo das mudanças ambientais globais; a importância das metodologias para inventários das emissões antrópicas e remoções de gases de efeito estufa (GEE); os impactos das mudanças ambientais, vulnerabilidades e eventuais adaptações factíveis no momento atual e no futuro próximo; as ações e tecnologias de redução das emissões e captura de GEE, incluindo os processos de mitigação apropriados para o setor, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), a recomposição da paisagem e outros.

Serão discutidas as possíveis mudanças de paradigmas, modelos de desenvolvimento e padrões de consumo necessários para a solução do desafio imposto pelas mudanças globais, especialmente as mudanças climáticas. Também serão abordados o papel de cada segmento da sociedade e a questão da pobreza nesse processo.

As oportunidades de negócios e pesquisas decorrentes das mudanças globais também serão objeto de análise, em particular, a emergência e evolução de políticas de transição para a economia de baixo carbono no Brasil e em outros países da América do Sul. Além disso, cada setor será analisado na perspectiva das negociações internacionais sobre o clima, de modo a oferecer o quadro das discussões, consensos e dificuldades para o estabelecimento de acordos.

RESULTADOS PREVISTOS

As exposições e debates do evento resultarão em quatro realizações:

* declaração "Brasil Sustentável — Carta da 4CRMG" (documento com as recomendações da conferência contendo principalmente orientações para a formulação de políticas públicas na direção do desenvolvimento sustentável);
* Relatório Técnico-Científico;
* livro eletrônico contendo contribuições selecionadas baseadas nas palestras e painéis;
* CD com os pôsteres apresentados no evento.

Os interessados em participar da exposição de pôsteres deverão submeter resumos sobre o conteúdo de seu trabalho até 10 de dezembro. Os pôsteres aprovados ficarão expostos durante toda a conferência, com premiação para os melhores de cada setor.

INFORMAÇÕES
www.mudancasglobais.com.br

ou pelo e-mail
faleconosco@mudancasglobais.com.br.



12/10/2010 às 13h05min

Livro de poeta denuncia onda de incêncios em Teresina

Livro de poesia de Afonso Lima aborda onda de incêndios ocorrida na década de 40 do século passado em Teresina.

O dramaturgo e o poeta se encontram num livro histórico: A Cidade em Chamas – poema trágico de um crime impune. É José Afonso de Araújo Lima que retorna à publicação de livro após três décadas do lançamento de Opressão, obra incluída entre as renovadoras do fazer literário em nosso meio.

A Cidade em Chamas – Poema trágico de um crime impune marca profundamente a história literária piauiense, pois resgata um tema por muitos desconhecido, inclusive de historiadores: a onda de incêndios registrada nos anos 40 do século passado. Com coragem e destemor, o historiador e o poeta entrecruzam-se numa obra de arte de mais de 200 páginas em que seres humanos, em sua mais profunda dimensão humana, sofrem e suam, sofrem e se queimam, sofrem e morrem trucidadas numa sociedade desviada cujos líderes maiores se debatem pela obtenção ou permanência no poder.

O fogo consumindo lares e gente pobre de Teresina transformou-se em mito ao longo do tempo, com estórias as mais desencontradas, mas Afonso Lima, sentindo o calor da verdade histórica, traça uma linha unindo mito e história, realidade e ficção, amor e ódio, sedução e pecado numa tessitura poética que transpõe os limites da pesquisa.

Na verdade, o trabalho não é resultado de uma só pesquisa. São anos de estudo dedicados ao tema, a partir do momento em que tomou conhecimento da tragédia, em que as vítimas são os desvalidos, os descamisados, os marginalizados, os excluídos das políticas públicas e das ações governamentais.

O povo que se queimou nos lares humildes da capital do Piauí está aí a reclamar justiça por intermédio das pesquisas dos historiadores mais avisados, responsáveis, insurretos. A geografia humana retratada no livro de Afonso Lima é pontilhada de dor e sofrimento, suor e sangue, loucura e medo. Como nos diz o teatrólogo Aci Campelo, no prefácio, “Afonso nos faz sair das trevas e do medo de conhecer nossa história, para podermos descobrir nossa identidade”.

Na opinião do professor e documentarista João de Lima Gomes, “os desvalidos da capital do Piauí que não habitavam a memória urbana de Teresina, agora podem fazê-lo. As transformações dolorosas ocorridas nos anos quarenta na carne desses personagens passam a ter consistência, odores, sons. O relato do fogo que seria mítico, agora é histórico”.

A obra é dividida em dez movimentos, com personagens parece que nascidos de tragédias gregas, pondo a nu as artimanhas, os golpes, as vilanias, a ultraviolência e os desejos escusos escondidos em nome do poder, por homens ávidos de perpetuar seus domínios.

Em A Cidade em Chamas – poema trágico de um crime impune Afonso Lima busca consolidar uma linguagem que chamou de “mistura de estilos”, a qual persegue desde 1978, iniciada com a comédia musical A Guerra dos Cupins, unindo gêneros dramáticos como a farsa, a comédia, o drama e a tragédia.

Quem é Afonso Lima:

José Afonso de Araújo Lima nasceu em Campo Maior. É advogado, dramaturgo e poeta. Desempenhou funções como artista (ator, diretor, dramaturgo, compositor e escritor), agente e gestor no setor cultural do Piauí.

Publicou e participou das seguintes obras: Opressão – poemas e outros textos, 1977; A Nova Dramaturgia Piauiense – coletânea de textos teatrais de vários autores – com o texto A Guerra dos Cupins – Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1989; Dramaturgia Piauiense – Itararé: A República dos Desvalidos – Fundação Cultural Monsenhor Chaves – Teresina, 1998; e Aviso Prévio – obra coletiva – poesia, editora Corisco.

Afonso Lima é radicado em Goiânia (GO), onde atua como advogado.

Ficha Técnica:

Projeto gráfico, capa e ilustrações: Paulo Moura
Foto da capa: Jairo Moura
Revisão de originais: Luciano Pereira da Silva
Digitação de originais: Eliomar Filho
Editoração eletrônica: IrmãodeCriação
Impressão e acabamento: Multiservice Gráfica e Editora.
Financiamento: Siec, Fundac, Governo do Piauí
Vendas nas melhores livrarias de Teresina

11/10/2010 às 11h03min

A saúde de Tererê

O ex-deputado Tererê faz um desafio: quem estiver satisfeito com a gestão da saúde no Piauí vote em Wilson Martins.

Todavia, aqueles que conhecerem o estado e as condições do setor devem escolher Silvo Mendes no próximo dia 31 para governador.

Na opinião de Tererê, Silvio Mendes vai dar um choque de gestão na saúde, melhorando consideravelmente os serviços e acabando com os hospitais-ambulância.


09/10/2010 às 12h14min

CNBB mobiliza mais de 10 mil paróquias contra hanseníase

Ação apoiada pelo Ministério da Saúde tem objetivo de informar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. Números no Brasil caem desde 2003, mas doença ainda precisa ser monitorada

Em uma ação inédita, a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) mobilizará 10,2 mil paróquias em todo o Brasil e igrejas cristãs para que, neste domingo (10), os sacerdotes e ministros da palavra falem aos fiéis sobre a hanseníase durante as missas ou celebrações dominicais. A iniciativa, que tem apoio do Ministério da Saúde, foi anunciada nesta sexta-feira (8), em Brasília, durante entrevista coletiva do secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara. A mobilização visa a aumentar o conhecimento sobre a doença e superar o preconceito e o estigma com os doentes.

De acordo com Dom Dimas Lara, durante as cerimônias, aqueles que presidem as paróquias deverão falar aos fieis sobre a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento da hanseníase, doença curável cujos medicamentos estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós enviamos uma carta para todas as dioceses do Brasil com sugestões de homilia, de modo que os padres e pregadores possam explicar melhor sobre a realidade da doença”, afirmou.

A inclusão da hanseníase nas missas e celebrações foi motivada pelo fato de que o tema do próximo domingo será o Evangelho de Lucas (capítulo 17, versículos 11 a 19), que narra a cura de dez “leprosos” em uma das peregrinações de Jesus Cristo. “Lepra” é o nome como a hanseníase era chamada no Brasil até 1976. O tema escolhido pela CNBB é “A Missão de Jesus continua hoje: Hanseníase tem cura”.

Para a diretora do Programa Nacional de Controle da Hanseníase, Maria Aparecida de Faria Grossi, a igreja pode ampliar a possibilidade de levar informação atualizada sobre a doença a todas comunidades brasileiras. “A capilaridade da igreja pode ajudar muito para que mais e mais brasileiros descubram tem ou não a doença, façam o diagnóstico precoce e iniciem o tratamento”, destacou.

INTERSETORIAL – A ação recebeu apoio das Organizações Globo e do ator Tony Ramos, que gravou um vídeo sobre a mobilização de domingo, sem cobrar cachê. Na TV Globo, o vídeo começou a ser veiculado no dia primeiro de outubro no estado do Rio de Janeiro, e para todo Brasil desde o último sábado (2). Outras duas emissoras também ofereceram espaço para veicular a chamada da mobilização – Canção Nova e Rede Vida.

Para o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custodio, os números de casos no Brasil ainda são altos, mas não por falta de trabalho. “Essa parceria é um exemplo de mobilização para o mundo. É importante que a sociedade civil crie uma cultura de cidadania, solidariedade, compaixão e compromisso do ser humano um com o outro”, afirmou.

DOENÇA NO BRASIL – O número anual de casos novos da doença vem caindo desde 2003 no Brasil. Naquele ano, foram 51.941 registros. Em 2009, foram 37.610 notificações. “Apesar da redução no número de casos, a doença se concentra nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e ainda é um problema de saúde pública, que exige vigilância permanente”, alerta Maria Aparecida. Com relação à transmissão entre menores de 15 anos, adotado pelo governo brasileiro como principal indicador de monitoramento da endemia para transmissão ativa da doença, o número de casos em 2009 foi de 2.669, contra 3.444 em 2006.

É importante que todas as pessoas com manchas brancas ou vermelhas ou áreas dormentes no corpo procurem o serviço de saúde. A doença é infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos. A doença pode causar deformidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no SUS.

REFORÇO – Para reforçar a ação da CNBB, a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Irmã Vera Lúcia Altoé, enviou, no dia 23 de setembro, uma carta para todas as coordenações da entidade, convidando para participarem da mobilização do dia 10 de outubro. As lideranças da Pastoral da Criança também foram incentivadas a inserir o tema da hanseníase em suas atividades, como as visitas domiciliares e as reuniões de avaliação.

Essas ações são resultados de uma recomendação da Comissão de Hanseníase do Conselho Nacional de Saúde (CNS), formada por entidades da sociedade civil e áreas técnicas do Ministério da Saúde, entre os quais o Programa Nacional de Controle da Hanseníase. Também integram a comissão a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), Conselho Nacional de Secretários Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), Morhan, Pastoral da Criança e Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas, entre outros. Uma vez aprovada pelo CNS, a proposta teve o apoio da CNBB, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), dos Franciscanos e a Pastoral da Saúde.

Confira nos links dos parceiros abaixo, a íntegra, das cartas, mensagens e orientações às coordenações, fieis e sacerdotes divulgadas pela CNBB e pastorais da Criança e da Saúde.

www.cnbb.org.br

www.pastoraldacrianca.org.br

www.morhan.org.br

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