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Redação do Gterra, 09/08/2010 às 11h27min

De olho na nova burguesia

Marcas de luxo descobrem a classe média e buscam volume de vendas com preços mais "acessíveis

Foto: Divulgação Classe media quer carros mais confortaveis
Classe media quer carros mais confortaveis
Edição Gterra



O que as montadoras de luxo mais almejam é uma fórmula de aumentar o volume de vendas sem vulgarizar a marca. E, depois da crise no mercado europeu, o cenário automotivo brasileiro se tornou favorável - assim como o mercado chinês - para que as marcas chamadas "premium" investissem em novos consumidores. Especialmente os de classe média alta. São pessoas que, pela primeira vez, querem adquirir um veículo requintado. Só que o volume é alcançado em uma faixa de preço "especial", um pouco mais acessível, que varia de acordo com o segmento.

A estratégia das montadoras foi equipar os veículos com motores com menos potência, ou até diminuir a quantidade de equipamentos de série para alcançar o consumidor. "Mesmo sendo veículos mais simples, oferecem uma gama de itens que, às vezes, nem são disponibilizados nos modelos produzidos localmente", raciona Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive. A alemã BMW viu seu volume de emplacamentos aumentar depois de lançar a configuração X1 sDrive18i, com motor 2.0 de 150 cv, em maio. A estreia fez com que as vendas passassem de 155 unidades para 275 unidades em junho. Em julho, a marca comercializou 239 unidades.

O SUV de entrada aparece por R$ 114.900, equipado com ar-condicionado automático, câmbio automático de seis velocidades, sensor de chuva, airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro. Seu maior concorrente é o Volkswagen Tiguan. "Sabíamos que as vendas aumentariam, mas a alta demanda superou as expectativas e hoje o modelo tem lista de espera nas concessionárias", gaba-se Marcelo Silva, diretor de marketing e vendas da BMW.

Entrada
O veículo de entrada da marca, o hatch 118i, também atrai um público mais jovem e acumula boas vendas, muito por conta de seu preço sugerido: R$ 99.500. A somatória dos seis primeiros meses do ano resulta em 1.154 unidades emplacadas. Em junho, porém, foram apenas 79 unidades vendidas. Talvez por conta de um "canibalismo" dentro da marca provocada pela chegada do X1 "de entrada". A inglesa Land Rover foi outra que se aproveitou do bom momento do mercado nacional para engordar o volume de veículos que saem das concessionárias. O utilitário de entrada Freelander 2 representa 50% de vendas atuais da marca e soma 1.505 unidades desde janeiro. O preço sugerido com motor 3.2 de 233 cv é de R$ 115 mil - valor que foi ajustado muito por conta da valorização cambial do real em relação ao dólar. "Houve uma mudança do perfil do cliente e a situação econômica no país possibilitou essa migração para as marcas premium. A aceitação do modelo é enorme e achamos um campo fértil com esse novo público", diz Luiz Tambor, diretor de marketing da Land Rover. (Karina Craveiro/Auto Press)

Jogo rápido
- A Volvo cresceu 26,7% no primeiro semestre de 2010, com 1.309 unidades comercializadas contra 1.033 vendidas entre janeiro e junho de 2009.
- modelo mais vendido da BMW é o 320i. Com motor 2.0 de 156 cv, o sedã custa R$ 112.500.
- Volvo C30 chegou a ser o modelo mais vendido da Volvo por aqui. Ele soma apenas 228 unidades desde janeiro. Em junho, foram 29 unidades foram vendidas.

Espera por importado pode levar meses
Com um maior volume de venda das marcas premium no primeiro semestre, Audi, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo registraram juntas 17.030 de unidades comercializadas. A Mercedes-Benz segue na liderança das montadoras de luxo, com 6.702 unidades, seguida por BMW, com 4.487, e Land Rover, com 2.845 unidades. A quarta posição é ocupada pela Audi, com 1.687, seguida da Volvo, com 1.309 unidades vendidas.

E todo esse pedido extra nas concessionárias implica em uma demora maior da vinda dos modelos do exterior. A espera por um Discovery, da Land Rover, pode levar até 120 dias. O prazo é praticamente o mesmo para o XC60, da Volvo, que vem da fábrica da montadora na Bélgica - propriedade da Ford, onde são produzidos Ford Kuga, S-Max e Mondeo. O BMW X1 pode levar até um mês para ser estacionado na garagem do novo dono. (KC/AP)




Fonte: O Tempo

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