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Redação do Gterra, 16/04/2010 às 09h08min

UFPI está entre as instituições menos beneficiadas

Cerca de 60% das emendas individuais dos congressistas piauienses destinaram-se a melhorar a infraestrutura em suas bases eleitorais.

Foto: Reprodução UFPI está entre as instituições menos beneficiadas
UFPI está entre as instituições menos beneficiadas
Edição: Gterra

No Piauí, a educação superior não é prioridade na destinação de emendas parlamentares. Em 2010, apenas R$ 1 milhão em emendas individuais foram alocados para a Universidade Federal do Piauí (UFPI). O valor coloca o Estado na oitava posição entre as 31 universidades federais do Brasil que menos recebem recursos provenientes de emendas, seja de bancadas ou individuais. Cerca de 60% das emendas individuais dos congressistas piauienses destinaram-se a melhorar a infraestrutura em suas bases eleitorais.

A discrepância entre os Estados pode ser observada comparando os números de outras universidades federais do Brasil. No topo da lista, elaborada pela UFPI com base em dados disponíveis no site da Câmara Federal, aparece o vizinho Estado do Maranhão que ficou com R$ 54,8 milhões em recursos de emendas. Em seguida aparecem as Universidades Federais de Minas Gerais, que ficou com R$ 36,1 milhões; Bahia, R$ 28,083 milhões; Rio Grande do Norte, R$ 25,8 milhões e Brasília, R$ 23,8 milhões.

Na outra ponta, entre os que amargam a pouca ou nenhuma liberação de emendas, estão as universidades federais de Pernambuco, com apenas R$ 1,14 milhão; Piauí com R$ 1 milhão; Tocantins com R$ 850 mil; Pará com R$ 550 mil; Santa Catarina R$ 500 mil; Mato Grosso R$ 450 mil; Alagoas com R$ 300 mil e Mato Grosso do Sul e Espírito Santos que não receberam nenhuma emenda.

Os números do site da Câmara Federal apontam que, além ser praticamente os mesmos parlamentares a destinarem emendas à UFPI, o montante tem reduzido nos últimos anos. No ano de 2006, apenas o deputado Nazareno Fonteles (PT) destinou uma emenda no valor de R$ 100 mil para a modernização e recuperação da estrutura física, como salas de aula para a UFPI.

Em 2007, houve um aumento de emendas. Não só o petista Nazareno destinou mais uma emenda de R$ 140 mil, como o então deputado federal B.Sá (PSB), com R$ 100 mil, e o senador Heráclito Fortes (DEM), no valor de R$ 650 mil. No ano em questão, todos os parlamentares citados destinaram recursos para a construção de salas de aula.

No ano de 2008, houve uma injeção de recursos provenientes de emendas na UFPI. Foram quatro emendas que totalizaram R$ 1,5 milhão. Átila Lira (PSB) enviou R$ 150 mil para o funcionamento de cursos de graduação da universidade; o senador Mão Santa (PSC) destinou R$ 1 milhão para a modernização e compra de equipamentos da UFPI; o deputado Nazareno Fonteles mais R$ 300 mil; Osmar Júnior (PCdoB) enviou mais R$ 100 mil.

Já em 2009, as emendas tiveram uma redução acentuada. Apenas R$ 750 mil foram destinados à universidade federal. Emendas dos deputados Átila Lira, com R$ 150 mil para a Implantação de Laboratório de Energia Solar; senador Mão Santa no valor de R$ 500 mil para a construção de laboratórios no campus de Parnaíba; Osmar Júnior com mais R$ 100 mil para a infraestrutura. Para este ano, apenas o senador Mão Santa (PSC) e os deputados Osmar Júnior (PC do B) e Elizeu Aguiar (PTB) destinaram emendas para a UFPI.

Volume de recursos não acompanha crescimento da UFPI, argumenta reitor
Nos últimos seis anos, o orçamento inicial da Universidade Federal do Piauí (UFPI) registrou um crescimento significativo. Passou de R$ 120 milhões em 2004 para R$ 320 milhões em 2010. No entanto, segundo o reitor da instituição, Luís Santos Júnior, os recursos não são suficientes para acompanhar a crescente demanda da universidade, seja na área do ensino, pesquisa ou extensão.

“Temos 100 cursos a oferecer no Estado. São cursos de graduação, pós-graduação, cursos de ensino a distância e extensão. Com a expansão da universidade, nada mais justo do que o volume de investimentos crescer no mesmo ritmo. Nosso orçamento ainda é pouco diante dos gastos, principalmente com pessoal que é muito alto”, explicou o gestor.

Ele pontuou ainda que as emendas destinadas à UFPI são fundamentais para o aprimoramento dos trabalhos da universidade, especialmente, na qualificação profissional. “Estamos nos colocando sempre à disposição dos parlamentares para conversar e apresentar as nossas necessidades”, disse. O reitor Luís Júnior destacou ainda a parceria com o Ministério da Educação (MEC) que “sempre sinaliza de forma positiva para a liberação das emendas”.

Falta comunicação, diz líder da bancada

Marcelo Castro (PMBD), coordenador da bancada federal do Piauí, afirmou que para a destinação de emendas parlamentares para a Universidade Federal do Piauí (UFPI) “falta comunicação entre a instituição e os deputados e senadores”. Segundo ele, “ninguém sabe o que mudo quer”.

Ele fez questão de lembrar que o Hospital Universitário (HU), que era considerado “um elefante branco porque nunca era concluído”, já recebeu diversas emendas parlamentares para a sua finalização. “Não saberia dizer quanto exatamente, mas várias emendas já foram enviadas para o Hospital. Se o reitor tem um pleito, tem que procurar os parlamentares com projeto na mão. Isso dentro do período que é de outubro e novembro”, pontuou.

Castro justificou ainda que, de maneira geral, cada parlamentar utiliza as emendas para atender às reivindicações que recebem de suas “bases eleitorais” em seus estados, como construção de escolas, postos de saúde, barragens e estradas. Além disso, os deputados conhecem muito bem as suas bases e, através de pequenos recursos, contribuem com projetos a serem executados nos municípios.

“E é exatamente isso que ocorre na prática. Como um técnico, em Brasília, poderá lembrar que o município Morro Cabeça do Tempo, no Piauí, precisa de obras de abastecimento? É o deputado da região que destina emendas. Então, com a demanda para o Estado, todos os parlamentares têm que priorizar mesmo. É preciso ter capilaridade das emendas”, afirmou o deputado federal.



Fonte: Jornal O Dia

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