Advogados barrados na PF - Justiça - Gterra

Justiça

Redação do Gterra, 05/05/2011 às 11h24min

Advogados barrados na PF

Nos últimos quatro anos, a OAB/MA recebeu denúncias de membros sobre cerceamento da atividade profissional. Dossiê será encaminhado a braço nacional

Foto: Divulgação Integrantes da ordem dos advogados do Brasil, no Maranhão, dizem que ao final prejudicados são clientes
Integrantes da ordem dos advogados do Brasil, no Maranhão, dizem que ao final prejudicados são clientes

Edição Gterra

Cerceamento de informação, sigilo telefônico quebrado, busca e apreensão de documentos em escritórios de advocacia, grampeamento de telefone e impedimentos a conversas com cliente. Estas são apenas algumas das reclamações denunciadas por membros da Ordem dos Advogados (OAB/MA), quanto à atuação da Polícia Federal. As denúncias datam de pelo menos quatro anos atrás. De acordo com os advogados, os cerceamentos foram mais evidentes em operações a exemplo das cinco edições da Rapina e similares envolvendo administradores municipais. De 2007 até agora, pelo menos 20 advogados formalizaram reclamações contra o tratamento recebido da PF. Mas, para a Ordem, este número é bem maior, considerando que são poucos os que oficializam as denúncias.

A fim de solucionar este problema, a OAB/MA, por meio da Comissão de Prerrogativas da entidade promoveu debate com a classe, na noite de ontem. O objetivo era tratar da violação dos direitos dos advogados na Polícia Federal. O juiz eleitoral e advogado Sérgio Muniz denunciou documentalmente situações por ele vividas. Um relatório entregue à presidência da Comissão será encaminhado à OAB nacional e Ministério da Justiça (MJ) para avaliação. Outra resolução será convocar a superintendência da PF para discussão com membros da Ordem. Caso o tratamento não seja revisto por parte da PF, os advogados prometem ir à última instância para garantir “as prerrogativas da categoria que são inerentes à administração pública e previstas pela Constituição”.


O debate, apresentado pelo presidente da Comissão e advogado Carlos Sérgio de Carvalho, teve início com a enumeração de ações da PF, vistas pelos advogados como intransigentes. Citando o artigo 133 da Lei nº 8.906/94, o presidente da Comissão esclareceu ser o trabalho do advogado regido por prerrogativas estatutárias e pela Constituição. “Temos direito de acesso livre a processos, inquéritos independente de procuração do cliente, mas a PF nos impede”, afirmou o advogado. Ele excetua em caso de sigilo de investigações, no entanto, segundo afirmou, mesmo com a documentação exigida por lei, há barreira imposta pela polícia. A reportagem procurou a superintendência da Polícia Federal para tratar do caso, mas o titular estava em reunião e até o fechamento desta edição não foi possível atender. Por meio da assessoria informou não haver cerceamento à qualquer atividade da OAB ou outra entidade e que se pronunciaria sobre as reclamações feitas pela após comunicado oficial da Ordem.

Desrespeito à profissão

Para o juiz e advogado Sérgio Muniz, os agentes federais não atuam com discernimento, nem respeito ao profissional do Direito. Na Comissão, o juiz citou um caso vivido por ele, onde, em defesa da administradora municipal de Axixá, teve seus direitos de defensor prejudicados por ação policial. O juiz referia-se à primeira etapa da Operação Rapina, onde, entre os investigados estava sua cliente, a prefeita Maria Sônia Oliveira Campos. Em documento entregue à Comissão, o juiz expôs os imprevistos e constrangimentos sofridos. Criticou a decretação de prisão provisória e preventiva, quando a investigação ainda está em curso. Para ele, tal determinação é injusta por pressupor a culpa do que está ainda em apuração. Somou ainda o atenuante dos investigados possuírem residência e emprego fixo e estarem colaborando com as investigações. “Uma vez declarado inocente pela Justiça, como aquela pessoa exposta vai recuperar sua imagem?”, questionou o juiz. Sentenciando de arbitrária a atitude da polícia, o juiz diz ser necessária uma urgente revisão do cenário atual, sob pena de demandar o caso à Justiça. Por outro lado, elogiou a estrutura e métodos investigativos da Polícia Federal. “Só lamentamos alguns pecados na condução dos inquéritos que não podem se perpetuar”, concluiu.



Fonte: SandraViana/O Imparcial

Comentários (0)


Formulário Comentário  

Deixe seu comentário




 


 


 





OBS: Todos os campos marcados com * (asterisco) são de preenchimento obrigatório!