Justiça

Redação do Gterra, 17/04/2008 às 19h12min

Desembargador e intelectual José Soares de Albuquerque lança mais uma obra literária

O Desembargador vai lançar o livro “A Magia do Conto”

Foto: Acesse Piauí O pernambucano bem piauiense Des. Albuquerque lança mais uma obra.
O pernambucano bem piauiense Des. Albuquerque lança mais uma obra.
O Desembargador José Soares de Albuquerque vai lançar mais uma obra literária de sua lavra. Vai lançar o livro “A Magia do Conto”. O livro será prefaciado pelo Presidente do Tribunal de Justiça do estado Desembargador Edivaldo Moura. Terá ainda com integrante da obra “caçula” do Magistrado, um artigo intitulado de “Amantíssimo Pai” de autoria do Advogado e filho Weslley Soares.

O livro “A Magia do Conto” já está no prelo e deverá matar a curiosidade de milhares de leitores por todo o mês de maio. O local será na Academia da Magistratura do Piauí.

Este é segundo livro do gênero do intelectual José Soares de Albuquerque. Somando, já escreveu mais duas outras obras do gênero poético, totalizando quatro são os filhos do mundo psicológico do poeta, contista, magistrado e homem completo repleto de luzes José Soares de Albuquerque.

Somente para matar um pouco a curiosidade do publico leitor Albuquerquiano, ilustramos trazendo um dos Contos do new livro denominado de “As Drogas”.


AS DROGAS

Pedro Paulo da Silva, homem de letras, formado em filosofia, professor catedrático da Universidade Federal de Campina, São Paulo, casado com Virgínia Duarte da Silva, professora de português da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, tinha dois filhos - Emanuel Paulo da Silva e Josiel Paulo da Silva, ambos formados em veterinária, servidores do zoológico de São Paulo, capital. Os pais pessoas afeiçoadas, gentis, educadas, grandioso círculo de amizade, visitados diariamente por seus colegas professores, alunos, empregados da Universidade e ex-colegas de cursos. Era uma festa a chegada dos amigos à casa dos Silva. Eles demonstravam fortes emoções em conversar com os visitantes. Desdobravam-se em gentilezas para melhor servi-los. Evitavam para nada faltar à mesa dos visitantes.

Os comentários dos presentes eram sensacionais:
João António de Cerqueira, professor de direito da Pontifícia Universidade Católica, expunha que não poderia existir um casal tão unido, cativante, versátil, amável, respeitoso e dedicado aos amigos.

- Por sua vez João Alcântara Oliveira, professor de biologia da Universidade de Campina, a quem consagrava como celeiro da cultura cientifica brasileira, arrematava desconhecer alguém com os predicados do casal, excelente caráter, coração boníssimo, colega exemplar e pai extremoso.

- Entretanto Antônio Evangelista Souza, professor da universidade de Marilia, São Paulo, não cansava de externar o seu contentamento em estar presente a todos os convites do casal.
- Mas, Afonso Pimentel de Holanda, professor da Universidade Estadual de São Paulo -UESP, asseverou perante todos que temia pela felicidade do casal, visto que os seus filhos Emanuel e Josiel, veterinários, definitivamente não eram de boa bisca.

As sete da noite do dia 20 de janeiro de 2002, quando os convidados se preparavam para sair, adentra no lar dos Silva um grupo de homens encapuzados, armados, roupas pretas com a inscrição RONE nas costas, posicionando-se estrategicamente nos cantos da sala de estar, enquanto a maior parte reviravam móveis, utensílios, quadros, sancras, cortinas, banheiros, closet, escritório e quartos de empregadas. Após busca incessante nos cômodos da residência o Delegado de Polícia Civil Antunes Farias Brito do 166º Distrito Policial de Guarulhos se dirigiu ao professor Pedro Paulo Silva e esposa e informou:
- Professor Pedro Paulo e esposa Virgínia Duarte foram presos um grupo de filhos-de-papais ricos ou de classe média, doze, todos maiores de dezoito anos, portando droga em bolsos falsos de calças. No depoimento dos integrantes confessaram que as drogas foram adquiridas de seus filhos Emanuel e Josiel. Daí o mandato de busca apreensão em sua residência assinado pelo MM. Juiz de Direito da Vara de Entorpecente da Comarca de Guarulhos.

Os pais prostaram sobre a mesa em que se encontravam conversando com os amigos e começaram a chorar copiosamente. Alguns minutos após levantou a cabeça o professor Pedro Paulo e exclamou:
- Meu Deus onde foi que eu errei na educação de meus filhos? ! Ambos têm veículos novos dados por mim e minha esposa. Eles nunca pagaram o lavado de suas roupas. Freqüentemente dávamos presentes de sapatos, tênis, camisas , calças, perfumes. O banheiro deles são caprichosamente revistados diariamente com a finalidade de repor algo que estiver faltando. Estou atônito!!! Infelizmente não sei o que dizer diante deste quadro gigantesco de interrogação, perplexidade e desespero?!

O Delegado Antunes Brito se dirigiu ao casal e em tom de ordem disse:
- Se o casal tiver conhecimento de seus filhos avise-me imediatamente, vez que estou informado que o grupo que os abastece de craque, maconha e LSD quer a todo custo matá-los, temeroso de deduragem dos garotos. Na prisão pelo menos estão mais seguro do que aqui fora. Ajude-me a salvá-los enquanto e tempo.

Essas palavras caíram como uma densa camada de areia grossa à cabeça de todos os presentes. A preocupação tomou conta da família e dos amigos. O que se fazer de útil, bom e sensato para salvar os rapazes. Isso era a pergunta que andava de boca em boca dos visitantes. De repente, mais do que de repente entram no salão de festa os dois rapazes numa tranqüilidade de causar espanto aos presentes. Provocando inquietante admiração de todos. Momento em que o Pedro Paulo se dirige aos filhos em tom áspero diz:
- Eu não ensinei a vocês a serem bandidos. Servi-los do bom e do melhor. Fui apunhalado, meus filhos, pela costas por quem eu nunca esperava. Vocês cometeram a maior ingratidão que se pode praticar a um pai. Estou decepcionado. Morrer neste momento seria a melhor coisa que eu experimentaria. Mas, afinal, não posso e nem devo esquecer do profundo amor que lhes dedico. Vocês são meus filhos. Por isso prometo-lhes lutar bravamente para defendê-los da acusação que se lhes lançam de traficante de drogas.

- Papai e mamãe, intercedeu Emanuel, permitam-me que eu fale. E preciso esclarece-los pormenorizadamente os fatos. Depois então eu quero ouvir seus comentários, conselhos e reprove-se.
- Fale meu filho, expôs a mãe Virgínia.
- A historia é longa. A princípio deram a mim e Josiel uns bombons de chocolates na entrada da escola. Gostamos. Os bombons tinham um sabor diferente. Fomos nos adaptando dia-a-dia. Teve dias que os bombons nos faziam falta em nosso organismo. Passados meses os bombons não mais serviam. Era preciso usar algo mais forte. E os mesmos elementos que não deram bombons passaram a nos abastecer de cigarros de maconha. Mais tarde de pedras de craque, comprimidos de LSD... Passamos a misturá-los. O nosso desejo era insaciável. O efeito dessa mistura nos proporcionava um estágio de ansiedade profunda. Verdadeira transe. O coração batia no peito fortemente como a reclamar o momento de parar. O salário não dava mais para sustentar o vício. Optamos por não vender nenhuma peça de nosso vestuário ou pertences de nossa casa. Não ingressamos na vala comum dos demais drogados à prática de furtos, roubos, assaltos ou seqüestros relâmpagos de pessoas. Preferimos vender a droga indiscriminadamente nas escolas primárias, colégios diurnos, noturnos, faculdades e para os filhos de famílias abastardas com os seus carrões. Visávamos fundamentalmente angariar recursos para a manutenção de nosso consumo. Chegamos ao fim do poço. Denunciaram-nos. Agora o que fazer? !
Afonso Pimentel de Holanda pediu a palavra ao casal Silva para, em nome dos amigos presentes dar-lhe o conselho que julgava importante naquele momento de angustia, sofrimento e dor:
- Peço-lhe telefonar para o Delegado Antunes Brito para vir buscar os garotos, evitando-se males maiores.
- Obrigado meu amigo e colega Afonso Pimentel pelo conselho. Esse é o caminho correto de quem se predispõe orientar os filhos em todos os momentos da vida, assevera Virgínia Silva.
O Delegado Antunes Brito retornou ao lar dos Silva com aspecto de tranqüilidade, sorriso estampado nas faces pela certeza do dever cumprido. Enalteceu as qualidades morais do casal. Agradeceu pela tomada de posição mesmo com sacrifícios de uma cruel decepção. Prometeu em nome da lei tratá-los com dignidade, encaminhando-os à Penitenciaria designada pelo Juízo da causa a ser conhecido em distribuição. Algemou-os. Levou-os sentados no interior do veiculo da polícia. Posteriormente soube-se que os mesmos foram apenados em quinze anos de reclusão, cada um.

Des. Albuquerque



Fonte: Redação do Gterra

Comentários (3)

  • parabèns primo sou muito horgulhosa de vc que deus de ilumine sempre valeu primo . . dorina DE Albuquerque , Petrolina-PE - 08/08/2011 às 19h36min
  • parabens papai sou seu fa abraços jose carlos de oliveira oliveira, Valparaso de Gois-GO - 30/05/2011 às 21h38min
  • você tem o dom e a inspiração para contos, isso, poucos tem so quem conhece o amor tem esse paradigma para colocar em um papel tudo que se imagina e sente..Parabéns!!!!!!!!!!! J. Mattos Mattos, Dom Pedro-MA - 13/09/2009 às 14h49min

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