Mundo Politico

Pires de Sabóia Pires de Sabóia

Francisco Pires de Sabóia, nascido na cidade de Independência,  Ceará, em ll de maio de l945,  começou no jornalismo em l964, na Rádio Assunção Vearense, en Fortaleza, passando depois pelos jornais O Nordeste, Gazeta de...


01/08/2008 às 16h14min

O lamento desesperado da história


O lamento desesperado da história
Quanto valia a Vale com FHC? Quanto vale a CSN com Steinbruch?
Em 1996, quando a maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce, foi doada-privatizada, escrevemos exaustivamente sobre esse crime hediondo. Os cálculos mais baixos concluíam: a Vale, por mais que sejamos burros, displicentes ou incoerentes, tem um valor patrimonial acima de 3 TRILHÕES. Vendemos por 3 BILHÕES hipotéticos, sem dinheiro algum. O dinheiro indispensável foi "dado ou emprestado" pelo BNDES.

Agora, já deveríamos estar em pleno processo de retomada do que doamos miseravelmente, não se vê o menor movimento de DESPRIVATIZAÇÃO. Existe algum movimento, é verdade, mas na Argentina. Temos que reaver esse fabuloso patrimônio da Vale, alguns outros, além de recuperar o monopólio da Petrobras, que existiu quando O PETRÓLEO ERA NOSSO, corre o risco de deixar de ser.

Para que não se percam as esperanças e que não se mergulhe no medo, vamos repetir números de 1996, cada vez mais lancinantes, atingindo nosso coração e nossa mente.

1 - Preparando o terreno, o ministro Serra afirmou o óbvio: "Não podemos vender a Vale sem entregar também os minérios de sua propriedade".

2 - O próprio ministro reafirmou: "Venderemos a Vale por 20 bilhões de reais, amortizaremos a dívida interna e pagaremos muito menos juros".

Por que então não reduzem logo os juros à metade e deixam a Vale em paz?

3 - Reservas da Vale em minérios, e quanto tempo durarão essas reservas, num levantamento que está ainda muito aquém da verdadeira realidade.

4 - FERRO - Reservas para 540 anos.

5 - BAUXITA - Reservas para 187 anos.
MANGANÊS - Reservas para 185 anos.
OURO - Reservas para 25 anos.
COBRE - Reservas para 24 anos.
CAOLIM - Reservas para 350 anos.

6 - Entregar tudo isso e receber em troca (se é que receberemos) apenas 20 bilhões é o chamado crime hediondo. Pois estaremos condenando todo o povo brasileiro à miséria mais terrível e mais duradoura.

7 - Vender a Vale, entregar a Vale, privatizar a Vale é o primeiro passo para a internacionalização da Amazônia. Todos estão de olho na Amazônia.

8 - Doar a Vale é doar Carajás, o Porto de Itaqui, a Baía de São Marcos, entregar todas as riquezas estratégicas dos estados do Maranhão e do Pará.

A Vale tem minérios pelo menos para 150 anos, a Petrobras, se resistir a todas as ofensivas, tem petróleo para 150 anos, temos assunto para 150 artigos, no mínimo. Usemos um pouco desse espaço para continuar escrevendo sobre o roubo da CSN, era potência estatal, do povo, passou a ser potência pessoal, de um homem só, Steinbruch.

Foi outra DOAÇÃO-PRIVATIZAÇÃO, das maiores, ficando apenas um pouco abaixo da Vale. E caiu nas mãos de um escroque, desonesto, corrupto, sem moral, sem ética e sem caráter que se chama Benjamin Steinbruch. Não tinha nada, a família possuía um banco falido, a CSN caiu nas suas mãos enlameadas. Por mistérios indecifráveis, a poderosa CSN corre o risco de ir à falência.

Pelo menos 500 mil pessoas em Volta Redonda, Barra Mansa e outras cidades estão apavoradas de perderem o emprego e o Brasil ficar sem uma das suas maiores fontes de riqueza. O presidente Lula precisa mandar tomar providências urgentes para salvar a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

PS - A investigação pode começar pela fortuna do senhor Steinbruch, saber como começou e a razão de ter chegado ao ponto que chegou.

PS 2 - E depois, verificar porque está respondendo a mais de 10 mil ações e já teve mais de 3 BILHÕES PENHORADOS. Steinbruch costuma dizer, como Daniel Dantas: "Sou inatingível e intocável". Pelo jeito parece que é mesmo. A não ser que aconteça alguma coisa.

Solange Amaral
Simpática mas sem votos, e sempre prejudicada pelo "apoio" de César Maia. Por que não se liberta?


Não foi por acaso que o presidente do Banco Central aumentou os juros em 0,75%. Contrariou todas as expectativas (e até palpites), os mais pessimistas não passavam de 0,50%. Talvez não devêssemos chamar de pessimistas e sim de bem informados os que achavam que os juros subiriam para valer. Os lucros do capital-financeiro especulativo (que não produz nada) ficaram altíssimos, a DÍVIDA sobe a jato.
Parecia impossível: pois na Argentina, Dona Cristina é muito pior que o incompetente Menem. Este ainda conseguiu a reeeleição. Lá mesmo dizem que Dona Cristina não demora perde o cargo e o casamento.

No Estado do Rio ninguém tem a menor dúvida: Zito, que foi prefeito de Caxias, voltará ao cargo sem fazer campanha, sem gastar nada.
Curiosidade: a maior força eleitoral da Baixada, Zito queria ser governador. Aconteceu um fato espantoso: o próprio partido vetou seu nome. Motivo: "É muito provinciano". E os outros?

Lindemberg Farias, que foi para Nova Iguaçu ser prefeito e depois governador, está no mais completo ostracismo. Não era provinciano, diziam. Mas não é lembrado para coisa alguma.
Dona Dilma, se continuar inteiramente desconhecida para 2010, pode disputar o governo do Rio Grande nesse mesmo ano. Mas ela ainda continua na lista de Lula para sua sucessão.

Já Tarso Genro não tem uma chance em 1 milhão para disputar o lugar de Lula. E no Rio Grande do Sul, tem rejeição ainda maior. Foi prefeito, derrotado para governador.
Dona Marta tenta incorporar o espírito galhofeiro dos filhos (principalmente do Supla), fica longe da austeridade do sobrenome, e diz: "Estou trabalhando para ser eleita no primeiro turno". Ha! Ha! Ha!

Só vai para o segundo turno porque existem 9 candidatos é só dois verdadeiros. Assim, inevitavelmente chega junto com Alckmin e perde folgadamente. Perdeu no Poder, por que venceria agora que não é nem governo nem oposição? É o "kassabismo" feminino.
Mais óbvio do que a derrota de Dona Marta é a manchete da "Folha" de ontem: "Sonho de jovem é emprego e casa própria".

É o "sonho" de todos. Roosevelt percebeu isso quando assumiu em 1933, primeiro mandato. Obrigou os bancos a financiarem casa própria através da hipoteca. Dura até hoje, apesar dos bancos.
É uma injustiça impedir a candidatura de Gilberto Kassab à reeeleição, "pelo uso da máquina". Ha! Ha! Ha! Se ele for usar a máquina será soterrado por ela, não tira nem terceiro.

Curitiba é uma das poucas capitais onde o prefeito será reeeleito tranqüilamente. Seu nome: Beto Richa. Ganhou a prefeitura com o nome do pai, mas vai permanecer por causa dele mesmo.
Em Salvador, ACM neto, que estava em quarto lugar, deu um salto e já encostou nos dois primeiros, pode ganhar sem muito esforço. E se ganhar, inaugura nova Era, longe do avô.

Orestes Quércia continua espalhando que será senador em 2010. Tão longe, mas tão perto do "disque Quércia para a corrupção". E o autor da frase (genial), Requião, vai apoiá-lo.
Ontem revelei que a Academia faria um apelo a Antonio Candido para que aceitasse ser eleito para a vaga de Zelia Gattai. O maior intelectual vivo do País, jamais quis se candidatar.

Ontem havia um clima de satisfação e a impressão: o grande crítico (a Academia sempre teve os maiores críticos, desde José Veríssimo) aceitaria. Se não aceitar terá que ser marcada outra data. Os 23 candidatos inscritos não se elegerão.
Federer, ontem, deixou de ser o tenista número 1 do mundo. Em Toronto perdeu no primeiro jogo, agora em Cincinatti, no segundo. Federer não conseguiu ganhar do Karlovic. Vem jogando mal há muito.

Durante todo o governo de Dona Rosinha Mateus revelei escândalos enormes na Secretaria de Saúde, dominada pela quadrilha de Gilson Cantarino. Mostrei tanta corrupção no Hemorio, que a diretora foi transferida mas não demitida ou responsabilizada.
Enriqueceu tanto que mudou de um apartamento de 2 quartos na Ilha do Governador para um de 300 metros na Rua Almirante Guilhem. (Onde moram vários personagens enriquecidos pela corrupção).

Agora a polícia prende todos, a começar pelo próprio Cantarino. Dona Rosinha, "muito atarefada", disse que não sabia de nada.
8 deles entraram com habeas-corpus, julgado anteontem na 2ª Câmara Criminal TJ-RJ. Todos perderam por unanimidade, 3 a 0. Relator: desembargador Antonio José de Carvalho. E mais: desembargadores José Augusto de Araujo Neto e Eunice Ferreira Caldas.

Vão tentar agora no STJ. Desfilando na tribuna, grandes advogados, desses que cobram fortunas para defender réus de peculato, corrupção, formação de quadrilha.
XXX
O que estará acontecendo com os clubes do Rio no Brasileirão? O Flamengo estava disparado na ponta, o treinador, Caio Junior, perto de se transformar num ídolo.

Inesperadamente surge do Qatar aquela proposta indecente, perdão, irrecusável. O Flamengo cobriu em dinheiro e em elogios, Caio Junior ficou.

Depois disso, o Flamengo jogou 5 vezes, não ganhou nenhuma, perdeu 3 e empatou duas. Em 15 pontos, ganhou apenas 2, está no limite de sair do G-4.

O Fluminense empolgou o Rio na final da Libertadores, perdeu, Renato Gaúcho afirmou: "Não faz mal, vamos disputar todas as próximas Libertadores, ganharemos". No Brasileirão não ganha nada. Em 16 jogos, 48 pontos, somou apenas 13 pontos.

O Santos, um dos grandes na história do Brasil, também na zona do rebaixamento. Jogou 17 vezes, 51 pontos, ganhou apenas 16.

E finalmente o Vasco, jogou 15 vezes (completou a rodada ontem, muito depois do meu horário), em 45 pontos tem 15. Os três na zona de rebaixamento, que atração. É possível que saiam. Por enquanto, decepção tripla.

( Com a colaboração de Helio Fernandes )

31/07/2008 às 12h51min

Ingenuidade ou burrice, tanto faz...


Com todo o respeito, mas, se não for ingenuidade, será burrice essa proposta de utilização de forças policiais para proteger candidatos e jornalistas nas campanhas eleitorais, quando em visita a favelas e periferias do Rio. Quer dizer que soldados e equipamento existem para zelar pela segurança dos pretendentes à prefeitura local e dos profissionais de imprensa que os acompanham, mas para garantir as comunidades e combater o narcotráfico e a violência, não?

Integrem a Força-Tarefa, a Força de Segurança Nacional, a Polícia Federal, a Polícia Civil e a Polícia Militar, os agentes da lei só vão aparecer de forma organizada no período eleitoral? E mesmo assim, unicamente para dar cobertura a candidatos e jornalistas?

Parecem habitar o mundo da lua o ministro da Justiça, Tarso Genro, o deputado Raul Jungman, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Brito, o governador Sérgio Cabral e outros patrocinadores e entusiastas dessa ação discriminatória e elitista prestes a ser formalizada.

Faz muito que a polícia deveria estar estacionada nos morros, combatendo os narcotraficantes e as milícias pelos crimes muito mais graves que cometem, além de tentarem influir no resultado das eleições. O tiro sairá pela culatra se vão subir especificamente para dar tranqüilidade aos caçadores de voto e aos meios de comunicação.

Ao flagrar um bandido vendendo cocaína enquanto um candidato faz comício, como agirá o policial postado às costas do orador, se o animal (o narcotraficante, é claro) nem se interessar pela proibição daquele monte de mentiras lançadas sobre a população? Diante de um miliciano que recolhe as "contribuições" do comércio local e dá de ombros para discurso entusiasmado continuará o policial defendendo o microfone e os alto-falantes?

Não se trata de achar supérflua a garantia do processo eleitoral, mas de entender que a ação policial precisaria ser muito mais ampla e permanente, contando com o apoio de todas as autoridades. Não só nos meses que antecedem as eleições, mas o ano inteiro...

Exploração descabida
Alguém já escreveu ser o passado o nosso maior tesouro, não porque nos dirá o que fazer, mas precisamente pelo contrário: o passado nos diz sempre o que evitar. Virou moda, em especial desde os tempos do sociólogo, rotular de anacrônico tudo o que é passado. Modernidade transformou-se em rejeição de quaisquer lições vindas de trás.

Houve tempo, no passado, em que os governos brasileiros defendiam o patrimônio público. Leis coibiam a exploração descabida da riqueza nacional, como a que tratava de limitar a remessa de lucros pelas multinacionais. Fernando Henrique Cardoso acabou com tudo, baseado na tal flexibilização que abriu portas e janelas para o capital estrangeiro, mais do que entrar, sair levando o que bem entende.

O resultado aí está, conforme números do Banco Central: no primeiro semestre deste ano nossas contas externas registraram o déficit de 17 bilhões e meio de dólares, sendo que, no período, as empresas estrangeiras levaram para seus países de origem 18 bilhões e 99 milhões.

Getúlio Vargas, na contundente carta-testamento que deixou, antes de matar-se, denunciou as tentativas malogradas que fez para impedir a sangria. Ironicamente, foram os governos militares, contrários a Vargas, que estabeleceram leis limitando a remessa de lucros. Coisa praticada por muitas nações latino-americanas, do México ao Chile. Pois veio FHC e demoliu nossas defesas, inclusive a que determinava às multinacionais reinvestirem no Brasil parte de seus lucros.

As comportas foram abertas e, mais estranho ainda, Lula nada fez para fechá-las ao menos um pouquinho. Mais grave do que a evasão de recursos de cidadãos e de empresas brasileiras para paraísos fiscais, de onde podem retornar lesando o fisco, são as remessas das multinacionais, que não retornam. Em poucos anos o capital aqui investido bate asas, e continua fluindo aos montes sem que o governo dos trabalhadores se incomode. Mesmo sabendo-se que boa parte desses quase 19 bilhões de dólares foi fruto do trabalho nacional.

Coincidências ou recado?
Qual a leitura a fazer da autorização dada pelo presidente Lula a seus ministros para que se engajem nas campanhas dos candidatos a prefeito de seus respectivos partidos, ou de aliados, nos seus estados e em outros que bem entenderem? Todos, menos José Múcio, por tratar-se do coordenador político do governo, e Dilma Rousseff, candidata do presidente à sucessão de 2010. Os dois estão liberados apenas para participar do processo eleitoral em seus estados de origem, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Os otimistas, no ministério, imaginam tratar-se de uma estratégia capaz de reforçá-los junto ao presidente e de ao mesmo tempo reforçar o governo, empenhado em eleger a maioria dos prefeitos de seus partidos da base, com ênfase para as prefeituras das capitais. Seria um esforço liderado pelo Lula, apesar dele mesmo poupar-se, disposto a participar de poucas campanhas, como em São Paulo.

Já os pessimistas supõem estarem submetidos a uma espécie de teste. Aqueles que freqüentarem palanques de candidatos derrotados em seus estados, e em outros, terão demonstrado pouca influência política, capazes, assim, de ser substituídos naquela que será a derradeira reforma ministerial do segundo governo, logo depois de conhecidos os resultados das eleições.

De um jeito ou de outro, os ministros estão em sinuca. Engajar-se em candidaturas de pouca expressão poderá representar passaporte para a demissão. Aderir a candidaturas de outro partido que não o deles equivalerá a receber diploma de traidor.

Saltando de banda
Começou na Bahia, terça-feira, e se estenderá por todos os estados que o presidente Lula freqüentar, até as eleições: nas solenidades administrativas, de inauguração, lançamento ou fiscalização de obras, não quer candidatos no palanque, mesmo dos partidos que o apóiam e até do seu próprio partido.

A decisão envolve o desconforto de assistir mais de um candidato a seu lado, em especial os que se lançam em disputas contundentes. Afinal, são 14 partidos integrando a base parlamentar governista.

Mas tem azeitona nessa empada. Outro motivo para o expurgo de candidatos, em especial nas prefeituras das capitais mais importantes, refere-se à disposição de o presidente poupar-se, evitando apoiar derrotados. Em 2010 não deixaria de ser apresentada pelos adversários sua imagem levantando as mãos de alguém rejeitado pelo eleitorado. No máximo, o presidente abrirá uma exceção para Marta Suplicy, em São Paulo, por dever de ofício.

Mesmo para o segundo turno, essa disposição parece que vai valer. Como diziam nossas avós, "Seguro morreu de velho"...
( Com a Colaboração de Carlos Chagas )

29/07/2008 às 07h25min

Lula candidato em 2014, não apóia ninguém


Matérias publicadas simultaneamente dia 24 nesta TRIBUNA DA IMPRENSA, sem assinatura, e na "Folha de S. Paulo" e "O Estado de S. Paulo", assinadas por Letícia Sander e Lisandra Paraguassu, reproduzem declarações bastante enfáticas do presidente Lula a respeito das eleições municipais deste ano. Não vou participar - afirmou ele -, estarei distante dos palanques e das telas. Inclusive porque se apoiar alguém que perder vão dizer que o culpado fui eu. Se vencer, ele ou ela, dizem que a vitória foi sua.

Assumindo a posição de magistrado, utilizada por quem não deseja se envolver, afastando-se do destino das urnas de outubro, Luís Inácio da Silva sinaliza quase diretamente que pretende disputar um novo mandato presidencial em 2014. Aliás, como escreveu Helio Fernandes nesta folha, antecipando-se à entrevista de Lula. Isso de um lado.

De outro, como os mesmos jornais por coincidência publicaram em sua edição de 23, o presidente da República recomendou à ministra Dilma Rousseff que não se faça presente nas campanhas de candidatos a prefeito, no pleito deste ano, a não ser no Rio Grande do Sul, sua origem política. A observação enigmática pode estar voltada para preservá-la, mas também pode ser interpretada para distanciá-la da sucessão de 2010.

Pois não era este o comportamento anterior do chefe do Executivo quando a chamou de "mãe do PAC". Houve assim mudança de rumo. Talvez com base em pesquisas que não apontam boa densidade eleitoral da chefe da Casa Civil. Para ser a candidata do PT, desta forma, precisaria do apoio de outras legendas. O PMDB poderia estar na linha de pensamento.

Mas será que Dilma encontra-se de algum modo na perspectiva do PMDB? Não é provável. O que o partido do senador José Sarney deveria esperar? Indicar o vice numa luta contra José Serra? É muito pouco. Sobretudo porque Dilma Rousseff já esteve mais forte do que está hoje. Mais viável para o PMDB seria atrair Aécio Neves, que está atrás do governador de São Paulo no PSDB, e convidar a ministra para vice.

Mas aí haveria necessidade do aval de Luís Inácio da Silva. Seja como for, não existem muitas alternativas para a campanha de daqui a dois anos. Alternativa - curioso isso - é Lula, mas para 2014. Se vier a ser candidato, bateria seu próprio recorde de eleições presidenciais. Já disputou cinco vezes.

Sua presença na lista de votação superou as de Roosevelt, nos EUA, e de Mitterrand, na França. O primeiro venceu por 4 a zero, o segundo empatou por dois a dois. Em 2014, Lula pode disputar pela sexta vez. É moço. Tem tempo. Dentro desta projeção futura, é possível que o atual presidente não apóie candidato algum, nem agora, como já definiu, tampouco em 2010. Pode optar pelo mesmo caminho de distanciamento que Juscelino Kubitschek adotou em relação ao general Lott em 1960.

A entrevista de Lula, publicada nos jornais, deve produzir reflexos já nos próximos dias. Na disputa pela prefeitura da cidade do São Paulo, Marta Suplicy já não poderá contar com seu principal trunfo na campanha. Duro golpe na sua pretensão. No Rio de Janeiro, a neutralidade do presidente transforma-se em motivo de decepção tanto para Marcelo Crivela quanto para Jandira Feghali. Aliás, sexta-feira a "Folha de S. Paulo" publicou detalhadamente os resultados de pesquisas para as duas cidades. Daqui a pouco comento.

Voltando ao projeto Lula 2014, alguém há alguns meses - não me lembro quem, mas a frase é boa - disse que em toda sua trajetória Lula jamais apoiou pessoa alguma. Nem para governador, nem para prefeito. Parece que vai manter este comportamento, esta disposição de centralizar sua força eleitoral para si.

Suas palavras induzem a isso. É natural. Agora, para voltar em 2014, terá que enviar projeto de reforma constitucional ao Congresso, ou solicitar a algum senador ou deputado que assuma a iniciativa, acabando com a reeleição. Assim, daqui a seis anos ele se esquivaria de enfrentar nas urnas alguém que estivesse no poder. Tem lógica.

Derrubado em 1945, depois de 15 anos na presidência, Vargas voltou em 50. JK esperava retornar triunfalmente em 65, porém não conseguiu. Lula conseguirá em 2014? Fica a indagação para o destino responder.

Vamos falar agora da pesquisa do Datafolha. Na capital paulista, polarização absoluta entre Marta Suplicy (36 por cento) e Geraldo Alckmin (32 pontos). No Rio, Crivela na frente com 24, seguido por Jandira Feghali 16 e Eduardo Paes, por causa da máquina do governo Sergio Cabral, 13 por cento. Sem tal apoio, não alcançaria nem a metade. Os demais candidatos não possuem a menor chance. Estão muito atrás, inclusive Fernando Gabeira.

As duas pesquisas apresentam, entretanto, uma diferença essencial. Em São Paulo, a soma das intenções de voto de Marta, Alckmin, Kassab, Maluf e Soninha dá 89 por cento. A margem de engajamento está boa e próxima do teto. No Rio, não. A soma de Crivela, Jandira, Eduardo, Gabeira, Solange, Chico Alencar e Molon não chega a 70 por cento. Como se constata, o quadro paulista está agradando muito mais aos eleitores da capital do que a atuação dos candidatos no Rio aos eleitores cariocas.

Pode ser que em nossa cidade a campanha na TV, a partir de 19 de agosto, forneça a motivação que falta. É, pode ser. Assim como costuma dizer Ancelmo Gois em sua coluna no "Globo", quando acrescenta ironia na dúvida. ( Com a colaboração de Pedro Couto )

28/07/2008 às 07h43min

Governadores na baixa

Vale insistir no tema, ainda que com a ressalva de pesquisas não ganharem eleição e constituírem apenas, quando constituem, registros de meras tendências do eleitorado num determinado momento do processo. Porque não raro pesquisas são coisas piores, meras notas de faturamento num balcão onde o freguês sempre tem razão, caso contrário não volta. Há pesquisas sérias, também, mas subordinadas à oscilação permanente da natureza humana.

Feito o preâmbulo, vamos ao principal: os governadores correm o risco de colher impressionantes derrotas nas eleições para a prefeitura de suas capitais. De Yeda Crusius a Luiz Henrique, de Roberto Requião a José Serra, de Aécio Neves a Sérgio Cabral, sem falar dos nove do Nordeste, onde só dois dispõem de alguma chance, até os do Norte e do Centro-Oeste - o conjunto dos governadores assiste não decolarem seus candidatos a prefeito das capitais. E principais cidades, de quebra.

Significa o que essa espécie de denominador comum? Primeiro que o eleitorado torna-se cada vez mais exigente e inteligente. Passou a época dos caciques que mandavam e dos cidadãos que obedeciam. Más ou discutíveis performances nos governos estaduais transcendem da pessoa dos governadores e atingem seus prepostos. Muitas vezes até injustamente, mas a verdade é que a paciência do eleitor encurta-se dia a dia.

Tem gente aguardando o início da propaganda gratuita pelo rádio e a televisão mais ou menos como um beduíno espera por água no deserto. Poderão enganar-se, já que vídeos e microfones funcionam para todos. Por essas e outras é que o presidente Lula determinou a Dilma Rousseff ficar longe dos palanques, a serem por ele também evitados.

Só se o sargento Garcia prender o Zorro
Querem saber quando o MST pagará a multa de 5 milhões de reais por haver interrompido o tráfego ferroviário no caminho de Carajás, prejudicando as atividades da Vale? Só quando o sargento Garcia prender o Zorro, diriam os meninos de antanho, hoje vetustos senhores pelo menos com experiência de situações parecidas.

Os sem-terra não conquistaram propriamente a rejeição popular, ao posicionarem-se contra a empresa privatizada que tornou seu maior proprietário o homem mais rico do País. Teve gente que até gostou da imagem de bandeiras e bandeirantes incrustados nas locomotivas paralisadas.

O problema, porém, não é esse. Acontece que o MST recusa-se a acatar as normas institucionais vigentes. Quando invade uma propriedade produtiva e recebe declaração de reintegração de posse, costuma cumpri-la não por conta da assinatura do juiz, mas em função da tropa armada que sempre acompanha o oficial de justiça. Apenas para, pouco depois, promover outra invasão.

O movimento presume-se acima e além da lei, e, como para o pagamento de multas desde a proclamação da República foram afastadas as espingardas, João Pedro Stédile já decretou que não se pagará um centavo. Acresce que o MST não dispõe de 5 milhões de reais em seus cofres. Seu patrimônio não dá para tanto. A menos que o BNDES ou o Banco do Brasil ajudem. Afinal, estão colaborando para a Oi comprar a Brasil Telecom.

É preciso botar ordem
Nem tudo são ideais, bons propósitos e entendimento no ministério. Reinhold Stephanes, da Agricultura, está em choque com Celso Amorin, das Relações Exteriores, um achando que as conversações na Organização Mundial de Comércio não valem nada, outro perguntando se está fazendo papel de bobo naquelas reuniões. Ao mesmo tempo Carlos Minc, do Meio Ambiente, não troca uma palavra sequer com Mangabeira Unger, do Futuro e coordenador do programa Amazônia Sustentável.

Tarso Genro, da Justiça, bate de frente com Dilma Rousseff, da Casa Civil, mesmo por questões ligadas à sucessão de 2010. A Petrobras enfrenta Edison Lobão, das Minas e Energia, que deseja criar uma nova empresa para gerir os novos campos de petróleo descobertos no mar. Guido Mantega, da Fazenda, ressente-se da independência com que Henrique Meirelles conduz a política monetária e aumenta juros de que o colega toma conhecimento pelos telejornais. Não está na hora de o presidente Lula botar ordem na confusão?
( Com a colaboração de Carlos Chagas )

25/07/2008 às 07h07min

Contas de governadores são aprovadas de qualquer maneira pel


 
O Tribunal de Contas do Estado do Rio está cada vez mais vulnerável. E não é de hoje. Nos últimos 10 anos, a situação dos conselheiros ficou cada vez mais insustentável. Todos? É impossível que não haja algum que resista, não participe desse festival de má-fé e incompetência ou as duas coisas juntas.

Para provar que não deve haver exceção, pelo menos na imprudência com que aprovam contas dos mais diversos governadores, um fato irrefutável: fiz as denúncias, fui processado pelos 7 conselheiros. Dos que estão na ativa, apenas 1 se recusou a participar da VINGANÇA. Mas um outro, que já estava aposentado, assinou para darem a impressão de que era o TCE por UNANIMIDADE.

Perderam o processo, não há mais recurso (e como iriam recorrer?), se concentram agora na INDENIZAÇÃO POR TEREM A HONRA ATINGIDA. Ha! Ha! Ha! Que juiz terá coragem de indenizar a HONRA desses conselheiros?

Tenho tanta coisa para divulgar sobre esse TCE, que hoje vou me restringir apenas à APROVAÇÃO das contas dos governadores. Aproveitando o FATO ESPANTOSO das acusações de corrupção do TCE, ao referendar, SEM QUALQUER RESTRIÇÃO, tudo o que foi feito na "desadministração" Rosinha Mateus.

O TCE, com um corpo de funcionários enorme e de alta qualidade, não descobriu nada de irregular no governo de Dona Rosinha Mateus. (Nem no de Marcelo Alencar, Anthony Mateus, Dona Benedita e agora Rosinha Mateus).

O Ministério Público com a Polícia Federal, com menos recursos e conhecimento, descobriu e desvendou um fantástico lamaçal. O TCE referendou as contas de Dona Rosinha, não percebeu a onda de corrupção que "varria" todo o governo? Dois secretários, Gilson Cantarino e Marco Antonio Lucidi, estão presos por terem desviado 60 MILHÕES DE REAIS. Como pode acontecer sem o conhecimento da governadora e o veto IMPLACÁVEL do tribunal encarregado de examinar essas contas?

O ex-governador Anthony Mateus, para defender a mulher (e quem sabe "ajudar" o TCE), diz que "o governador não pode saber de tudo". Ha! Ha! Ha! Os secretários usavam a corrupta ONG Pró-Cefet, e e outras que também terceirizavam os recursos já terceirizados das secretarias de Saúde e do Trabalho. Tudo escancarado, e como disse Chico Buarque, "SÓ O TCE NÃO VIU".

A ONG Pró-Cefet recebia o dinheiro e repassava ou subcontratava para as ONGs Alternativa Social ou Filipenses. Movimentação extraordinária que não passava pela vista da governadora (ou do marido que mandava em tudo), chegando até ao TCE, que com o ZELO COSTUMEIRO aprovava tudo. (A Veja denunciou 5 conselheiros, quer dizer, livrou dois. Estes, pelo menos, precisam provar por que foram excluídos dos acusados).

A bandalheira no TCE era (e continua sendo) total e absoluta. Esses repasses eram limitados a 100 mil por ano, para fugir da LICITAÇÃO. (Nem isso o TCE viu?). Como o total descoberto pela polícia e o Ministério Público foi de 60 milhões, vejam quantas ENTIDADES COMUNITÁRIAS PRECISAVAM CRIAR? Estas entidades, de cada 100 mil, recebiam mil, são também CÚMPLICES e CONIVENTES. Assinavam recibo de 100 mil, ficavam só com mil. Portanto, 99 por cento iam para o bolso ou a conta dos ladrões. Que não foram incomodados pelo TCE.

PS - Não se trata apenas do aspecto contábil, econômico, moral. O que fazia o TCE diante dos serviços pagos em cascata e não executados? Se o Ministério Público descobriu tudo, por que o silêncio do TCE?

PS 2 - Essa questão maior de corrupção não pode cair no esquecimento, prender apenas 2 ex-secretários. A governadora (e o marido) estão enquadrados em corrupção. E o TCE, em peso, também enquadrado em OMISSÃO PARA A CORRUPÇÃO.


Henrique Meirelles
É o homem-legenda do Banco Central e da "DÍVIDA". Aumenta os juros sem falar com o presidente. Falar para explicar? Para confirmar?

Na megasena dos juros acumulados, ninguém acertou. Alguns ingênuos apostavam em 0,25%, desconhecimento total dos compromissos de Henrique Meirelles. Outros mais sensatos e até bem informados juravam que o aumento seria de 0,50%, normalmente razoável. Mas 0,75% de uma vez, nisso ninguém acreditava. Meirelles inatingível, precisava "recuperar" o tempo perdido com as 3 ou 4 reduções dos últimos meses.
E não ficará nesses espantosos 17 por cento. No Banco Central só se fala em chegar ao fim do ano em 20 por cento. Argumentação dos que fazem a previsão: nas reduções, sempre discordâncias. No aumento de 0,75%, u-n-a-n-i-m-i-d-a-d-e.

Agora vejamos o efeito sobre a catastrófica DÍVIDA interna. No momento, essa DÍVIDA está em 1 TRILHÃO e 400 BILHÕES. 17 sobre isso é um vendaval de desesperança, desânimo, descontrole.
Só neste 2008 o Brasil pagará de juros 200 BILHÕES. (Arredondando). Esse 0,75% de aumento representa um adicional de 11 BILHÕES. Mas olhemos fixamente para o total, 200 BILHÕES. Que República.

E tão ou mais grave do que a DÍVIDA: o presidente Lula não sabia de nada, Meirelles não achou conveniente comunicar o assunto.
Voltamos ao primeiro mandato, quando Lula dizia: "Espero Palocci e Meirelles me darem sinal verde para reduzir os juros". Palocci desapareceu, ficou apenas Meirelles e sem sinal verde. Vai governar Goiás.

Um grupo de deputados estaduais tentou colocar em votação a cassação de Álvaro Lins. Argumentação: "A Alerj fica muito mal nesse episódio". Resposta de Picciani, "o dono" de tudo: "Não me incomodo, tenho que defender um companheiro".
José Roberto Arruda está em alta velocidade no caminho da vice-presidência ou uma volta ao Senado. Vai eleger seu vice para governador.

E ficará esperando. Se não sobrar o segundo lugar da República, vai para o Senado. Certo. Duas vagas, uma é dele.
O PMDB se debate, se hostiliza e se desgasta ainda mais também pela "conquista" da vice. O primeiro tempo dessa luta é a presidência da Câmara. O vencedor não é candidato a vice, mas finge que ganha maiores Poderes dentro do partido. "Menas" verdade.

Mas existe um grande problema para o PMDB: sempre acreditou que Lula queria o terceiro mandato, agora não acredita mais nisso. E 2014 ainda está muito longe. Então o que fazer em 2010?
Se Dona Cristina Kirchner não estivesse tão em baixa, tocaria um tango. Mas como o PT-PT não elege ninguém, todos os que brigam pela indicação que Lula não fará são do segundo time. Qual o destino do PMDB, que não pode se aliar ao PSDB?

No auge da luta pela cassação do mandato de Renan Calheiros, o presidente da Transpetro, ex-senador Sergio Machado, só tinha uma preocupação: "Protegido de Renan, se manteria no cargo?".
Agora, a resposta veio de forma indireta mas irrefutável: a Transpetro anuncia a construção ou compra de 48 navios. Intermediários com "água na boca". Quem não lembra da famosa Sunamam de anos passados?

Rigorosamente verdadeiro: quase dois terços do petróleo do mundo estão na Rússia. O que significa, sem ideologia: pertencia à União Soviética, quer dizer, ao cidadão, ao povo, ao Estado.
Como 3 ou 4 anos antes todos já sabiam que a União Soviética estava desaparecendo, essa fantástica riqueza passou para mafiosos. Todos exilados e controlando fortunas colossais.

A CVM não aceitou a proposta do "governador" Claudio Lembo para a venda de ações da Nossa Caixa. A oferta foi questionada, porque estava sem transparência. Lembo tem 60 dias para se explicar. Ha! Ha! Ha!
O ministro Temporão submete à opinião pública política de saúde integral para "gays, lésbicas, bissexuais, travestis". As sugestões devem ser feitas por escrito. Absurdo e contradição. Se o ministério não sabe de nada, tanto que faz pesquisa, como a população saberia?

Lula declarou publicamente "não vou participar das campanhas eleitorais municipais". Nenhum desprendimento. Lula apenas acredita nas pesquisas de Rio, SP e BH, que dão a vitória a candidatos fora do Poder.
Fica mais do que evidente a "simpatia" dos órgãos de comunicação em relação a Daniel Dantas. Na referência a ele e ao Opportunity, não precisam usar mais a palavra SUPOSTO. Precaução desnecessária.

Claudio Humberto informa que Romero Jucá e o bispo Crivela trafegam por Brasília em "carrões". Crivela Deus castiga, Romero Jucá superou as irregularidades. Esqueceu a Ferrari de "Edinho 30".
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Depois da proposta do Qatar a Caio Junior, irrecusável, tão irrecusável que o Flamengo logo cobriu, o time não ganhou mais. 3 jogos e nenhuma vitória. Duas derrotas e um empate. E os dois gols do Flamengo, que garantiram o empate, estavam mais para vôlei ou basquete: feitos com a mão.

O Fluminense continua "sonhando" com o título e a Libertadores. Quase goleado pelo Vasco, arrancou um empate. Agora em 42 pontos disputados, ganhou 13. E o Leandro Amaral poderia ter iniciado a goleada, perdeu um gol embaixo das traves, é impossível repetir o lance.

O Botafogo goleou, e melhor do que isso: jogou muito bem.

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Todo dia fico surpreendido com a capacidade do Sportv 1 e Sportv 2 descobrirem jornalistas de qualidade para suas muitas mesas-redondas. Começa com "Redação Sportv", vai pelo "Tá na área", "Linha de passes" e outras, tudo com enorme qualidade. E sempre com gente nova e competente.

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Ontem coloquei que Steinbruch responde a 10 mil ações, transformaram em 100 mil. Talvez a revisão esteja mais certa do que eu. ( Com a colaboração de Helio Fernandes- Tribuna da Imprensa )

22/07/2008 às 06h02min

Igreja Católica X Igreja Universal


Jandira Feghali, sim, "bispo" Crivela, não


Rigorosamente verdadeiro: a CNBB já decidiu sua posição em relação à eleição para prefeito do Rio. Se no segundo turno a disputa ficar entre Jandira Feghali e o ex-"bispo" Crivela (não há outra hipótese), a Igreja Católica recomendará o voto em Dona Jandira. Não importa que ela seja do PC do B, "antigamente" uma dissidência comunista.

A Igreja Católica considera que como ideologia a "ameaça comunista" não tem mais sentido. Apesar do enriquecimento cada vez maior dos ricos, que não têm a menor consciência social, o inimigo a derrotar agora é a Igreja Universal. Por isso, dirá N-Ã-O a qualquer possibilidade do Rio ser entregue aos "universalistas" do "bispo Macedo".

Essa era a realidade antes da denúncia (coletiva, cruel e assassina) contra o que Crivela chamou de "cimento social". Depois de todas as denúncias, Crivela queria até retirar a candidatura, o "patrão" Edir Macedo não deixou. Crivela se submeteu, como sempre. Crivela vai para o segundo turno, e perderá por ausência total de nomes.

Os fatos não terminaram, as convenções significam pouco, podem ser mudadas. A convenção do PMDB "escolheu" Eduardo Paes, que é INELEGÍVEL. O partido, para evitar "cisão" (mais?), pretende compor a chapa Eduardo Paes com qualquer um. Não faz mal, não ganhará mesmo. Colocaram na ata: "Se o primeiro escolhido não puder ser candidato, o segundo será o candidato a prefeito". Total desconfiança em relação a Paes. Que tem hoje o VETO de todos os partidos, se apóia em duas muletas: Cabral e Picciani.

O PT-PT escolheu Molon, que pode desistir a qualquer momento. De desalentado e derrotado, pularia para uma vice forte. (Nem isso conseguiu, está "esvoaçando").

A vinda ao Rio do presidente Lula, com três dos candidatos aparentemente mais fortes pertencendo à base, criou mais confusão do que união. Jandira Feghali, com a maior experiência e militância política e eleitoral, está à vontade. Agradeceu a Lula ter "contribuído na tentativa de unir as esquerdas". Não conseguiram, mas se ela for para o segundo turno terá apoio geral.

Crivela sentiu "o peso do desinteresse do presidente em relação à sua candidatura". Lula nem apertou a mão dele, acenou para Crivela de longe. E o ex-bispo ainda foi ao segundo compromisso de Lula, sem ser convidado.

Eduardo Paes, não há como deixar de defini-lo, um "estranho no ninho". Sentiu o constrangimento, se escondeu atrás de Cabral. O presidente, delicado e sem hostilidade, desconheceu-o. Paes foi logo embora. O que fazer depois de ser secretário nacional do PSDB e ter dito horrores de Lula na CPI dos Correios? Pessoalmente Paes não é da base.

Mas quem mostrou mesmo toda a fragilidade e a quase certa decisão de renunciar foi Alexandre Molon, que nem apareceu. Mandou dizer: "Tenho compromisso marcado muito antes". Ora, ninguém tem compromisso mais importante do que com o presidente da República. Principalmente quando se é candidato a prefeito e o presidente Lula é tido e havido "como fábrica de votos".

PS - Portanto falta muita coisa a decidir no Rio, não só em matéria de vices. Gabeira e Chico Alencar dão charme e importância à disputa, mas brigam pelos votos do mesmo setor, o que invalida os dois. Continuarão deputados federais, melhorando a votação em 2010.

PS 2 - Com a segunda derrota, Crivela cairá no esquecimento.

José Antonio Muniz
De quem foi a idéia de colocá-lo na presidência da Eletrobrás? Um dos cargos mais importantes do Brasil, exigiria pelo menos competência.


O criminoso financeiro Daniel Dantas explora todos os setores. Onde há dinheiro lá está o dono do Opportunity. E sua criatividade é zero. Controla o metrô através de uma empresa que se chama Opportrans, assim mesmo no plural, pois enriquece não apenas com o metrô. A denúncia é de Chico Alencar, das melhores figuras do Rio, não será eleito prefeito por falta de legenda. Mas Chico Alencar não ficou por aí, foi mais longe.

Denunciou mais: Sérgio Cabral prorrogou esse contrato com a Opportrans (de Daniel Dantas) por mais 20 anos. Quem autorizou? O governador simplesmente assina decreto? Enriquecendo Dantas?
Em 2006 a mulher do ministro Paulo Bernardo queria ser candidata a governador, mudou para senador, desistiu. Agora é candidata a prefeito de Curitiba. Tira penúltimo, só ganha de um.

O colunista Claudio Humberto elogiou o "ministro" Edson Lobão por ir almoçar no Piantela chegando de táxi. Muito justo, CH, Lobão não gosta de dirigir Ferrari à uma da tarde.
Nenhuma surpresa no bloqueio dos bens do casal Garotinho. Ele devia saber que vem sendo investigado há muito tempo, mas muito mesmo. Essa parte dos bens não é apenas de secretários.

A Polícia Federal comprovou que quando era governador (antes pessoalmente e depois indiretamente) chegou a pagar mensalmente a mais de 400 estações de rádio. No interior e não apenas do Estado do Rio. Do Brasil todo, fortunas.
Ao completar 80 anos, Celio Borja, no almoço, afirmou: "É preciso maior fraternidade". Ha! Ha! Ha! Provavelmente por causa disso votou a favor da prorrogação do "mandato" de Castelo.

Essa prorrogação acabou ganhando por 1 voto. Naturalmente "o voto fraterno de Celio Borja". Quase ia se alterando José Bonifacio, que fazia a chamada. Esse voto acabou com as esperanças de Lacerda ser presidente.
O general Augusto Heleno, que trocou uma vértebra por outra de titânio, está em plena recuperação. É possível (é vontade dele) que até o fim do mês já esteja reassumindo na Amazônia.

Com o noticiário revelando a extensão dos empreendimentos de Daniel Dantas, houve perplexidade geral. Além de controlar fundos e ser investigador-sonegador financeiro, investe em metrô e estádios de futebol.
Dizem que diante da publicação do número de presos no Brasil (475 mil), Daniel Dantas teria um projeto a apresentar ao governo: privatização das penitenciárias. Em causa própria?

Não houve boicote ao delegado Protogenes, como dizem jornalões, até em manchete. Foi derrubado por dois fatores, harmônicos e independentes entre si.
1 - "Ciumeira" do comando da Polícia Federal.

2 - Poderio indiscutível e irrefutável de Daniel Dantas, que demonstrou: manda mesmo.

Não exagerou quando disse "só tenho medo da primeira instância. Lá em cima eu resolvo". Na Justiça ou na cúpula da Polícia Federal.
A Vale tem a maior mídia do Brasil. Vive anunciando aquisições fabulosas, lucros gigantescos. Mas o ministro da Fazenda interino, Nelsom Machado, "aprovou a consolidação das dívidas da empresa com o FGTS".

Sabem de quanto é essa dívida? Pouco mais de 9 milhões. Nos comunicados sobre compras e lucros, só fala em BILHÕES de dólares. Ninguém entende que com esses LUCROS de BILHÕES DE DÓLARES não recolha míseros 9 MILHÕES. De REAIS.
Estão abaladas as relações entre a direção de Furnas (leia-se: Eduardo Cunha, o poderoso) e a Eletrobrás (holding do sistema), presidida pelo incompetente José Antonio não sei de quê. Quem o indicou?

O consórcio Furnas-Odebrecht-Cemig-Andrade Gutierrez entrou com recurso junto à Aneel contra decisão da própria Aneel.
Motivo: o fato da Aneel ter dado a vitória ao consórcio Suez-Camargo Corrêa-Eletronorte-Eletrosul na concorrência para a Jirau.

De um lado: construtora, uma ex-estatal, duas empresas dependentes (ou subordinadas?) à própria Eletrobrás, potência.
Do outro lado: construtora, duas empresas que dependem e têm que prestar contas à própria Eletrobrás. Valor da obra: quase 10 bilhões de reais. Ninguém liga para Lobão ou José Antonio.

O que muita gente não sabe ou esqueceu: a Eletrobrás mudou seus estatutos no dia 11 agora de julho. Com isso, as empresas da holding passaram a ter menos autonomia. O objetivo principal era precisamente atingir Furnas. Ou Eduardo Cunha?
XXX
A revista Exame, que pertence à Editora Abril, publicou as relações das empresas mais endividadas do País, as de maior lucro, as de maior patrimônio e as que têm maior número de empregados. A própria Abril (mesmo recebendo 150 milhões da África do Sul) está entre as mais endividadas: 95,1 milhões de dólares.

A que mais deve é a Bombril: 165,7 milhões de dólares, seguida da Varig com 130,8 milhões de dólares. As Casas Sendas estão na lista com 97,6 milhões de dólares. Como é que pode?

A Droga Raia, que abre tantas farmácias, tem uma dívida de 93 milhões de dólares. A Unimed São Paulo deve 96,7 milhões de dólares. Atenção titulares de planos de saúde.

A Empresa de Correios e Telégrafos é a maior empregadora particular do País: 108,826 empregados. As Casas Bahia têm 55.956. Furnas, cujo patrimônio é de 8,1 bilhões de dólares, possui apenas 6.300 empregados: 4.500 efetivos e 1.800 terceirizados. Furnas tem patrimônio avaliado em 8,1 bilhões de dólares e um lucro líquido anual de 440 milhões de dólares.

O governo FHC, não fossem Itamar Franco e Luiz Carlos Santos, Pio Borges, presidente do BNDES e do Conselho Nacional de Desestatização, teria vendido Furnas por 2 bilhões de dólares. Que República . ( com a colaboração de Helio Fernandes )

21/07/2008 às 08h19min

Tudo o que produz a inflação


Incompetência, corrupção, especulação, divulgação, produzem INFLAÇÃO


A inflação é um fenômeno econômico, criado pela "invenção" da moeda, e acelerado pela exportação e importação. E é medida subjetivamente, de modo a favorecer a riqueza e prejudicar a pobreza. Lógico e óbvio: quando não havia moeda, o mundo vivia da troca de mercadoria, (sempre chamada de "escambo") não existia inflação.

O mundo era mais equilibrado, mais tranqüilo e mais suficiente. Não existia o terrível fator desagregador, explorador e destruidor que era e continua sendo o petróleo. (O coronel Drake furou o primeiro poço em 1860 na Pensilvânia, mas do outro lado do mundo, estavam as maiores reservas.)

Embora fosse outro americano, John D. Rockfeller, que se transformou no homem mais rico do mundo, explorando não só o petróleo, mas aqueles que se "matavam" para descobri-lo. John D. jamais furou um poço, monopolizava o transporte e o refino, dominou o mundo. A partir daí, surgiu, cresceu e jamais desapareceu a tão temida inflação.

No Brasil pode ser dito, sem medo de errar na cronologia, que a inflação, ALTÍSSIMA, começa com o fim da estranha Guerra do Paraguai. Para o Duque de Caxias acabou em 1868, quando voltou para o Brasil, mas na verdade acabou mesmo em 1870, quando Solano Lopez morreu.

Com a volta das tropas, começou uma desvairada distribuição de terras, de recursos sem qualquer explicação, nomeação de milhares e milhares de funcionários, favorecimento em dinheiro sem qualquer cobertura, o que levou à primeira e mais demorada febre inflacionária. E que, com os ABOLICIONISTAS e os PROPAGANDISTAS DA REPÚBLICA, derrubaram o Império.

Rui Barbosa, ministro da Fazenda da República, recebeu essa "herança maldita", também foi derrubado por ela. A Primeira República é toda inflacionada. Pode se dizer que 1930 é conseqüência da inflação. Que em 1942, por fatores que deveriam ser positivos, provocou a primeira troca da moeda, surgia o cruzeiro.

Pura incoerência da economia, e inconseqüência das relações. Como o mundo todo estava em guerra, não produziam, o Brasil era o grande abastecedor dos países. Só que ninguém pagava, era tudo debitado". Mas o governo tinha que pagar aos produtores ou iriam à falência, arrastando o País. Foi obrigado a emitir, aumentando a inflação. E como acreditam que mudar de moeda, é solução, acabou o mil réis.

O ditador foi substituído por quem o sustentava, o marechal Dutra, que assumiu com o maior SALDO DA NOSSA HISTÓRIA. Mas como não sabia de coisa alguma, se entregou aos americanos, que são mestres em vender matéria plástica a preço de ouro, e comprar ouro a preço de matéria plástica. Lá se foram as reservas, e veio nova onda inflacionária.

No fim dos anos 50 e início dos 60, Juscelino foi o "pai e a mãe da inflação, com a loucura da mudança da capital. Com tudo transportado de avião, até água, tijolo, areia, madeira, e a elevação assombrosa dos custos da inacreditável mordomia.

Os militares que tomaram o Poder, se abasteceram com Roberto Campos e Delfim Netto. O primeiro, o fracasso de sempre. O segundo, com o "crescimento" do PIB em 10 ou 12 por cento, mas que provocou a única frase digna do "presidente" Medici: "A economia vai bem, mas o povo vai mal". (Soprada para ele pelo coronel Otavio Costa, que queria eleição em 1974.)

Sarney assumiu vindo da ditadura, a quem "serviu servilmente", com inflação alta, que ele só fez aumentar com o "mailsismo" da incompetência, mudando várias vezes a moeda, o "remédio que seduz os que não sabem nada".

Tendo que contar rapidamente, chegamos aos economistas da modificação e da mistificação, que "bateram cabeça" durante 2 anos, não encontravam a saída para o fim da inflação. Foram salvos por Chico Lopes (hoje amaldiçoado, apedrejado), e com medo do vazamento deram mais 4 anos a FHC, até que encontrasse a "saída, onde está a saída?" Finalmente enriqueceram seus conhecimentos e muitos deles, também o saldo bancário.

PS - Foi o mais caro combate à inflação. Em troca de derrotar esse "dragão da maldade", entregaram uma parte do riquíssimo patrimônio do Brasil, não entregaram todo porque FHC não tinha coragem.

PS 2 - Agora voltou o pânico da inflação. E com o susto, a comunicação divulga e alimenta a própria inflação. É o "alarmismo-alarmante", menos uma redundância do que uma realidade que atinge apenas o povo, só o povo, nada mais do que o povo. Vá lá, e a classe média.

Dona Marta
Vai fazer o que se esperava dela: tirar segundo, são só dois candidatos. No Poder, chegou em segundo, o que esperar fora dele?

A população está perplexa. Não se trata de saber se Daniel Dantas é criminoso financeiro, se devia estar preso ou em liberdade. Parece que tudo se concentrou num detalhe: ele devia ser ALGEMADO? Aqui mesmo, o juiz aposentado e professor, Antonio Sebastião de Lima, deu aula brilhante sobre o assunto. E o Senado discutiu fartamente quem deve ser algemado e quem não deve.

A Veja que está nas bancas, (cada vez encalhando mais), trata naturalmente do rumoroso processo contra o criminoso financeiro múltiplo, Daniel Dantas. Mas a matéria se volta (e atinge) muito mais o delegado Protógenes Queiroz e o juiz Fausto de Sanctis.
Há alguns anos, (como já registrei fartamente), a mesma Veja revelou gravação mandada fazer por Daniel Dantas, contra o jornalista Ricardo Boechat, então no Globo. Os tentáculos do polvo Dantas, são longos.

Amanhã, 22, Eduardo Portela faz conferência sobre Otavio de Faria. Grande idéia, pelo conferencista e pelo autor.
Otavio de Faria, (que pouca gente leu) é um dos maiores escritores brasileiros. "Tragédia Burguesa" é monumental. Ele não pôde concluir. Projetada para 12 volumes, publicou 8. Genial.

Noutro dia escrevi: em São Paulo os Poderes municipal, estadual e federal, serão derrotados. Municipal, Kassab, que apóia a própria reeeleição. Serra, que garante Kassab. E Lula que luta por Dona Marta.
Responderam que "Lula elege até um poste". Agora a primeira pesquisa mostra: os três Poderes perderão também em Minas. Pode mudar. Mas no momento, Lula, Aécio e Fernando Pimentel estão sendo derrotados.

Senador sem votos, o suplente Wellington Salgado, disse em novembro de 2007: "Em janeiro deixo o Senado, vou cuidar da vida". Não deixou. Se lançou candidato a prefeito de Uberlândia, a pesquisa mostrou que é último, desistiu.
Em Juiz de Fora 5 candidatos, incluindo dois ex-prefeitos. (Garantidíssimo, Itamar não quis.) Já se sabe quem será o último colocado: Omar Peres, dono de restaurante no Rio.

Daniel Dantas espalha: foi aluno de Mario Henrique Simonsen (também chamado de Citisimonsen), o primeiro colocado e elogiado pelo ministro. Ninguém sabe disso, mas o ministro não pode desmentir.
Os Estados Unidos têm uma certeza e uma incerteza em relação a Olimpíada de Pequim. Será a maior da história. Os chineses garantem que conquistarão mais medalhas de ouro do que os americanos.

Gilberto Carvalho, chefe do "pequeno gabinete de Lula", entrou de licença. O superintendente da Polícia Federal, está de férias. O delegado Protógenes foi afastado.
Agora é o juiz De Sanctis que anuncia: hoje começa as férias, declara que está "exaurido". (Textual.) Que operação é essa que esgota a todos? Ou é o poderio dos acusados?

Independência da Justiça, competência do advogado milionário do cliente bilionário. Entrou com habeas-corpus a favor de Daniel Dantas em 11 de junho. Mas consultando calendário, constatou: faltavam 20 dias para o recesso do Supremo.
Paciente, esperou. Assim que o recesso começou, movimentou o habeas-corpus, ganhou duas vezes. Tem certeza de que ganhará a terceira: a liminar não será examinada. Ou vence fácil.

O Bolsa Família está distribuindo agora 900 milhões. (Arredondando.) Dizem que é muito, mas favorece 11 milhões de pessoas.
Enquanto isso, o Banco do Brasil "emprestou" à OI, mais de 4 bilhões. Sem autorização, favorecendo meia dúzia de poderosos.

Leitores aplaudem o artigo sobre a insegurança no Rio e pedem que insista. Argumentação: o governo paralelo que esmaga o Rio, ameaça milhões e assusta os que precisam sair de casa.
É mais importante do que Daniel Dantas, Nahas, Pitta, Eike Batista, Steinbruch e outros. Esses enriquecem com a impunidade geral, roubam e nada acontece, mas não apavoram a população. É um ponto de vista.

Beltrame fracassou, é impossível reprimir o crime com entrevistas tolas e diárias. Com ele o fracasso atinge Sérgio Cabral que não sabe de nada. A não ser tomar café da manhã com jornalistas ou almoçar com eles, esperando clemência e boa vontade.
Sérgio Cabral não vai à polícia, e mesmo com Beltrame só fala de tempos em tempos. Não vamos crucificá-lo, o governador precisa viajar. Tenta repetir o presidente Lula, sem sucesso.

Sérgio insiste que não pode demitir Beltrame, ele foi (ou teria sido?) indicado pelo próprio Lula. Ninguém confirma. Quando é que traficantes, milícias e policiais corruptos serão derrotados? Com Cabral e Beltrame?
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O jogador Pato, aos 18 anos, está realizado, admirado e milionário. Mas precisa pensar, ler, verificar o que fala. Por exemplo: dizer que "Berlusconi é uma pessoa extraordinária, estou feliz de jogar no time dele", não acrescenta nada. O silêncio seria melhor.

XXX

Manchete do jornalão: "Delegado Protógenes sai atirando". Queriam o quê? Resiste a suborno, trabalha durante 4 anos, quando prende os poderosos e pensa que é o "mocinho", descobre que o "vilão" é ele.

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O inglês Hamilton fez uma corrida fantástica, vencendo a Fórmula 1 da Alemanha, sem dúvida ou discussão. Mas a grande sensação foi o segundo lugar de Nelsinho Piquet. No primeiro ano, e com carro sabidamente mais frágil, andou em primeiro, chegou em segundo. Notável. E elogios também para Massa, que chegou em terceiro, continua candidato ao título.

XXX

No futebol, o Fluminense mal e mal aproveita a sorte. Superado pelo Figueirense, parecia que ia ter a "glória" de um empate. Mas aos 40 minutos, num descuido adversário, Thiago Neves, (o melhor jogador do Fluminense) marcou o gol da vitória.

19/07/2008 às 07h01min

Samba do crioulo doido ou pagote do País dos insanos ?

É hora de reler a letra da magistral criação de Stanislaw Ponte Preta, o "Samba do crioulo doido", personagem que de tanto desfilar nos carnavais entoando enredos históricos, concluiu que a princesa Isabel havia casado com Tiradentes, por sua vez filho de Floriano Peixoto e pai de Rui Barbosa. Ou coisa parecida.

Imagem melhor não há para definir as idas e vindas de Daniel Dantas para a prisão e sua tentativa de subornar delegado. Mais a concordância com o afastamento e logo depois a determinação do presidente Lula para que delegado Protógenes Queiroz permaneça à frente do inquérito, entre denúncias de grampos telefônicos no Palácio do Planalto. E as peripécias do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh junto ao chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho?

Sem esquecer o conflito virulento e a pacificação angelical entre o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O que dizer do apoio de quase duzentos juízes e procuradores ao colega Fabio de Sanctis, em confronto com a manifestação de importantes advogados paulistas em favor do presidente do Supremo? Sobressaem no enredo, também, o racha na cúpula da Polícia Federal pelo uso ou a dispensa de algemas para suspeitos de crimes contra a ordem financeira, assim como pela participação ainda indefinida da Abin nas investigações.

A cada dia novas lambanças somam-se às anteriores e levam à loucura qualquer repórter encarregado da cobertura de mais essa operação policial, aliás, apenas uma em dezenas desencadeadas recentemente.

Se não é o "Samba do crioulo doido", pode ser o "Pagode do País dos insanos". Logo um slogan dominará as campanhas das eleições de 2010: "Basta de intermediários: Daniel Dantas para presidente!".

O farisaísmo domina a sociedade brasileira
Depois da Lei Seca, promovida pelo Executivo, entra em campo a proibição da propaganda de bebidas alcoólicas na televisão, em debate no Congresso.

Não fossem os exageros, nada haveria a opor à lei que submete os bafômetros, cassa a carteira de habilitação, multa e até prende motoristas embriagados na direção de veículos. O diabo é que são punidos até os padres que acabaram de celebrar missa, tendo ingerido o sagrado cálice de vinho transmudado no sangue de Cristo. Como castigado será algum desavisado chocólatra motorizado depois de deglutir um bombom de licor.

Agora chega a vez da propaganda de bebidas ditas leves, como cerveja, porque as pesadas estão há tempos banidas dos vídeos, como cachaça. Não demora muito e, à maneira dos maços de cigarro, as latinhas serão obrigadas a estamparem dramáticas imagens de monumentais desastres rodoviários, com a exposição de vítimas estripadas.

É o tal exagero que nos assola, cujo nome correto deveria ser farisaísmo. Porque se o cigarro mata e deve desaparecer, que tenham a coragem de fechar as fábricas, em vez de humilhar os fumantes. Só que nesse caso os cofres públicos minguariam, sem os impostos recolhidos pela indústria do fumo.

E se deputados e senadores chegarem à conclusão de que pouparão os jovens do alcoolismo e as rodovias, da sombra da morte, pela proibição da publicidade das cervejarias? Talvez não se contentem com o inócuo "beba com moderação", previamente superado pela presença de belas mocinhas recomendando esta ou aquela marca de cerveja. Evitar exageros parece fórmula ideal para que qualquer lei seja acatada e cumprida.

Bancos públicos perdem cada vez mais sua função social
Está nos jornais. Para financiar a compra de uma megaempresa telefônica por outra, o Banco do Brasil emprestará à operadora Oi 4,3 bilhões de reais, certamente a juros subsidiados. O BNDES, antes, já havia liberado 2,5 bilhões.

Chega a constituir questão de menor importância saber que Daniel Dantas irá faturar um bilhão mesmo se, por milagre, tiver voltado para a cadeia. O grave nessa crônica do horror é que 330 bebês acabam de morrer num hospital de Belém do Pará, que o número de analfabetos multiplicou nos últimos anos, que metade da população carece de saneamento e água potável, que o crime organizado amplia suas atividades e que o desemprego, apesar da farta propaganda oficial, atinge 30 milhões de trabalhadores.

Se duas empresas privadas negociam seus ativos e seu patrimônio, que sejam felizes na negociação, cada qual correndo o risco de viver num sistema capitalista. Mas promover capitalismo sem risco seria cômico se não fosse trágico.

Ainda está para ser escrita a história das privatizações entre nós. A grande maioria das operações praticadas à beira da irresponsabilidade aconteceu com dinheiro público, sem falar nas polpudas comissões que transformaram ministros em banqueiros e bandidos em investidores. Só ignorávamos que a chicana continuaria depois da entrega do patrimônio público. Virou coisa privada, mas, da mesma forma, com o tesouro nacional à disposição das mesmas quadrilhas de sempre.

A reação continua
Mergulharam os principais dirigentes do PT, senão felizes, ao menos desafogados por conta da crise Daniel Dantas. Nenhum deles teve seu nome envolvido nos negócios escusos do banqueiro, admitindo-se que Luiz Eduardo Greenhagh deixou o clubinho faz tempo, depois de ser derrotado para a presidência da Câmara e, mais tarde, na tentativa de reeleger-se deputado. Virou o José Dirceu dos pobres, apesar de advogado regiamente remunerado. Não pertence mais ao grupo dos que se dedicam a traçar estratégias para a preservação do poder.

A palavra de ordem do presidente Ricardo Berzoini, por sinal em vilegiatura por Cuba, é de pararem de criticar, mesmo à socapa, a possível candidatura de Dilma Rousseff em 2010. Não que concordem com ela, mas perceberam que sabotar ostensivamente a chefe da Casa Civil só vinha fazendo o nome dela crescer. Imaginam que acabará minguando por conta própria.

Estarão os caciques do PT, mesmo contrariando diretrizes do presidente Lula, dispostos a regar a horta de outro candidato saído de seus quadros? São poucas as possibilidades, por enquanto, mas é certo que rejeitarão qualquer alternativa fora de seus quadros. Ou alguém do PT, de preferência do sexo masculino. Ou, como opção derradeira, o terceiro mandato.
( Com a colaboração de Carlos Chagas- Tribuna da Imprensa )

18/07/2008 às 06h08min

O governador displicente, o secretário imprudente


A insegurança do Rio é de tal maneira calamitosa que o cidadão-contribuinte-eleitor não sabe se tem mais medo dos traficantes, das milícias ou dos policiais corruptos. São três vertentes que deveriam começar no secretário de Segurança, um inédito senhor Beltrame, e terminar no conhecido demais, o governador Sérgio Cabral.

Este, itinerante e insensível, só sabe falar depois dos fatos acontecidos. Agir está fora de suas cogitações e até de sua alçada. Quando o jovem Daniel foi morto pelo segurança de uma promotora, disse que isso era um absurdo, não podia acontecer. Não podia, mas aconteceu, o assassino está livre.

Os fatos criminosos e logicamente com enorme repercussão foram se repetindo. E o governador exibindo uma REVOLTA que não se transformou nunca em providência. Quando a polícia deu 31 tiros num carro particular, CONFUNDINDO esse carro com o dos bandidos, ele gritou "isso é um absurdo".

Menos de uma semana depois, a mesma polícia repetia esse crime, CONFUNDIA um carro particular com outro de bandidos (que na verdade nem existia), matou um menino de 3 anos, emocionando a cidade e o País. Nova "REVOLTA" do governador.

E o secretário Beltrame que já deveria estar fora do cargo há muito tempo? É um exibicionista, falastrão, que no seu vocabulário restrito e medíocre tem duas palavras que repete insensatamente: DESPREPARADOS e DESASTRADOS. Se ele é o comandante e dirige uma tropa DESPREPARADA e DESASTRADA, o que faz no cargo?

A cada entrevista, mais disparates desse secretário Beltrame. Garantiu que a solução estaria na criação de uma UNIVERSIDADE (do crime) para melhorar o nível policial. Quanto tempo levaria para formar, montar, inaugurar essa UNIVERSIDADE e melhorar o comportamento da polícia sob seu comando?

Depois, insensato e insensível, garante que "policial tem que revidar, não pode deixar de atirar". Mesmo que não consiga identificar os alvos? Atirem em carros que transportam famílias, nada a ver com bandidos?

Por que, estranhamente, esse incompetente e DESASTRADO Beltrame, inteiramente DESPREPARADO, continua no cargo?

Mas o mais responsável não é o secretário Beltrame e sim o governador itinerante. Em qualquer país do mundo, Beltrame teria sido afastado, atingido pela morte de centenas de inocentes. Sérgio Cabral não toma providências, prefere tomar café da manhã ou almoçar com jornalistas. Aí exibe suas bravatas e suas frases feitas e desfeitas.

Convidou a jornalista Monica Bergamo para almoçar, ela foi, contou na sua página na "Folha Ilustrada" o que aconteceu. O governador itinerante ficou em situação insustentável com o que ela narrou, textualmente. O governador tem que desmentir, ou fica nuzinho (mais ainda?) diante do público que tem pavor dos bandidos e de Sérgio Cabral.

Textual de Sérgio para Monica: "Estou absolutamente seguro quanto ao sucesso da política de confronto direto com os bandidos". Morrem inocentes e ele bravateia. Monica pergunta ao governador: "A morte do menino João Roberto, de 3 anos, metralhado pela polícia, faz parte dessa política?". Cabral fica irritado, usa o tom veemente dos que erram e não reconhecem, responde: "Fazer uma ilação (sic) entre a estupidez de dois policiais e a minha ação de confronto é uma canalhice, cretinice total".

Nova pergunta de Monica Bergamo: "Por que a polícia do Rio matou 528 pessoas só este ano?". Resposta assombrosa do governador: "Nada disso, o que aumentou foi o número de atos de resistência".

Diante da colocação de Sérgio Cabral, cabe a pergunta: o menino de 3 anos resistiu? O administrador Soares da Costa resistiu? E o ortopedista filho do Lidio Toledo resistiu? Ninguém fala mais nele, é o silêncio criminoso dos responsáveis, perdão, IRRESPONSÁVEIS. Parabéns à Monica Bergamo. Jornalismo é para isso.

PS - Depois do tiroteio de ontem no Leblon, Sérgio Cabral afirmou que OS BANDIDOS TÊM QUE SER ENFRENTADOS COM INTELIGÊNCIA. Então ele e Beltrame estão fora.


Dalmo Dallari
Jurista sem aspas, tem acertado sempre na questão da prisão e "desprisão" de Daniel Dantas. Devia ser ministro da Justiça.

A divergência Gilmar Mendes-Tarso Genro não tem nada a ver com a expressão do ministro do Supremo, "Tarso Genro não tem competência para opinar". A palavra incompetente é utilizada por juízes em relação a eles mesmos. Não é surpreendente encontrar num processo o juiz declarando "me julgo INCOMPETENTE para decidir a questão". Não é incompetência genérica e sim em relação à questão.
Na verdade, Tarso Genro foi INCOMPETENTE de fato e de direito. Não tinha nada a ver com a questão, e se tivesse não saberia como resolver. Genro é um desastrado ou aloprado, royalties para Lula.

Quando era prefeito de Porto Alegre e Olivio Dutra governador do Rio Grande do Sul (com direito à reeeleição), Tarso se jogou contra ele. Perderam os dois cargos. E foram derrotados pelo PMDB e PSDB.
Do "ministro" Edson Lobão: "Queremos a iniciativa privada como parceira nas usinas nucleares". E mostrando boa vontade: "O Edinho 30 pode baixar a comissão, passará a ser Edinho 20".

A Polícia Federal descobriu paredes falsas no escritório e no apartamento de Daniel Dantas. Nenhuma vantagem ou glória para a polícia. Em se tratando de Daniel Dantas, não são apenas as paredes que são falsas.
O presidente Lula acertou em cheio: o delegado Protogenes, que há 4 anos chefia a operação que demoliu em parte o esquema da corrupção Daniel Dantas, foi afastado pela cúpula da polícia.

Com a intervenção do presidente, seria (ou deveria ser) garantida a sua volta. Mas a cúpula da Polícia Federal não quer. E agora?
Sérgio Cabral publicou aviso: vai vender na Bovespa e BMF parte de 5 andares do Shopping Leblon por 75 milhões. Incluindo as vagas na garagem. Perguntinha ingênua, inócua, inútil: o Estado é dono dessa área?

O governo do estado precisa explicar a transação. A Santa Isabel, construtora do shopping e encarregada da administração, diz que não sabe de nada. E o governador?
Nessa sucessão de declarações, quem tem acertado sempre é o jurista Dalmo Dallari. Competente, correto, bravo, isento, sem ligação com ninguém, dá lições diárias, não aprende quem não quer.

A jornalista Cora Ronai acertou em cheio: "Daniel Dantas deve ir para o hospício e não para a cadeia". Problema: o Pinel fica pegado à Universidade Federal, Dantas tem horror à cultura.
Tem gente com gosto (maluquice) para tudo. Apenas um exemplo: comprar ações do senhor Eike Batista. Caíram barbaridade. E ainda por cima, foram desaconselhadas as compras. Muito justamente.

Gilmar Mendes está tranqüilo e certo do que irá acontecer: suas liminares soltando Daniel Dantas serão aprovadas por 11 a 0, unanimidade. Ele mesmo diz: "No próprio dia 1º pedirei ao plenário o exame das minhas liminares".
Não sei como ele pode saber, a não ser deduzindo com base no corporativismo. Ontem, só dois ministros estavam em Brasília, alguns viajaram para o exterior. Gilmar adivinha?

A questão que quase tira o delegado Protogenes da investigação que chefiava há 4 anos pode ser definida numa palavra simples e elucidativa, CIUMEIRA. As gravações liberadas mostram a intenção dele de continuar.
Ontem pela manhã, o presidente Lula chamou o ministro da Justiça (que aparentemente comanda a Polícia Federal) e o superintendente dessa polícia (que aparentemente é o chefe) e confirmou suas declarações corretas da quarta à noite.

Se o delegado Protogenes sair, como disse Lula, "ele fica em posição moral difícil". Não só ele, mas o próprio presidente.
Conforme tenho dito com insistência, quando os especuladores resolvem vender, Petrobras e Vale "sofrem". Foi o que aconteceu ontem. As duas empresas, as mesmas potências, caíram bastante.

Um dos melhores empreendimentos do Brasil é o chamado agronegócio. O País todo é obrigado a consumir o que eles produzem. Qualquer sinalzinho de que "pode haver" inflação aumentam os preços, transformando uma hipótese em realidade assustadora.
Também são grandes exportadores, vendem tudo o que produzem. Com o surgimento do biocombustível (etanol da cana-de-açúcar), aumentaram as fortunas que ganham com o esforço dos assalariados, que ganham misérias, isso quando ganham, sempre explorados.

Mas estão sempre lamentando, e o que é pior, os governos (todos, sem exceção) se rendem a essa "choradeira" e dão subsídios fantásticos. Acabaram de receber 75 BILHÕES e querem mais. E não é só isso: pretendem juros quase zero.
E são os maiores críticos do "Bolsa Família", uma miséria comparada com o que TOMAM (a palavra é essa) dos governos.

Formaram a chamada "bancada ruralista", e usam esses deputados para obterem mais favores. Que República.
XXX
A luta entre os consórcios Furnas-Odebrecht-Cemig (ex-estatal) e Suez-Camargo Corrêa-Eletronorte-Eletrosul irá mesmo para a Justiça comum. A Aneel, ontem, adiou para o dia 22 a sua decisão. Mas, seja ela qual for, não poderá ser a favor de Furnas-Odebrecht, pois ela mesma, agência reguladora, é que julgou a concorrência original. O processo vai para o Judiciário. Anteontem, no "Globo", o representante do primeiro consórcio, Irineu Meireles, anunciou o caminho. Não se conforma com a mudança das características do projeto que favoreceu a Suez-Camargo.

No mesmo espaço do "Globo", o presidente do consórcio vencedor, Victor Paranhos, rebate os argumentos de Meireles.

Como este repórter já disse, o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, vai ter que se pronunciar. Afinal, existe uma estatal de um lado, duas estatais de outro. O "ministro" Edison Lobão ("O Estado de S. Paulo" publicou também ontem) não quis se pronunciar. Mas como? Ele é o "ministro" de Minas e Energia, a quem a Eletrobrás está subordinada.

Solução visível: demissão de Lobão, que não devia ter sidonomeado. Arrastando José Antônio da Eletrobrás, outro que devia estar longe do serviço público. Que República.

( Com a colaboração de Helio Fernandes )

17/07/2008 às 08h15min

Sem licença do crime não há campanha

O escândalo da semana deixou de ser a caçada a Daniel Dantas, mesmo diante das evidências de que ele tentou subornar delegados da Polícia Federal com um milhão de reais. Mais grave do que as atividades criminosas do banqueiro foi o reconhecimento pelos candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro de que, para fazer campanha nas favelas da cidade, precisam pedir licença, negociar e aguardar convites expedidos pelos narcotraficantes e pelas milícias que os combatem. Em alguns casos encobertos por associações de moradores prisioneiras ou coniventes, mas, não raro, expressas diretamente.

Nenhuma degradação institucional pode ser maior do que o reconhecimento e a submissão a esses dois governos paralelos. A força do poder público dilui-se na subida dos morros e periferias, não obstante as incursões da polícia, quase sempre desastrosas, motivo do crescimento cada vez maior do crime organizado.

As regiões dominadas pelo tráfico e pelas milícias envolvem dois milhões de cidadãos, a imensa maioria constituída de trabalhadores e de desempregados, miseráveis quase todos, além, é claro de seus exploradores.

Acontece que os favelados votam e os candidatos não hesitam buscá-los, ao menos de quatro em quatro anos. Para isso, submetem-se à vergonha de buscar entendimentos com os fora da lei e seus prepostos. Pior do que tudo, os criminosos acabam tendo seus candidatos, aqueles que mais compreensão prometem aos bandidos, caso eleitos.

O crime organizado, no Rio e em outras capitais, faz muito deixou de constituir-se num problema municipal. Nem estadual. Trata-se de questão nacional, a exigir de Brasília medidas drásticas, cirúrgicas e imediatas, por razão bem simples: os tentáculos dos bandidos estendem-se pelo asfalto, tanto faz se através dos narcotraficantes ou dos pseudodefensores da ordem.

Entre eles haverá, se ainda não há, um estranho acordo de convivência quando se trata de preservar atividades, métodos e controle sobre as comunidades e as vizinhanças, sempre ampliadas. Importa menos se os candidatos tergiversam e negam estar negociando com o crime. Porque estão.

Quanto, a saber, como deve agir o governo constituído, torna-se um enigma dentro de uma dúvida. Pelo jeito, a utilização das forças armadas não dá certo. Multiplicar as polícias civis e militar, também não. Há quem suponha sucesso no chamado efeito dominó. Os traficantes existem porque existem usuários, e as milícias, porque existem traficantes.

Desmorona-se a estrutura caso os viciados venham a ser tratados como causa, não efeito. São eles que alimentam o comércio e a distribuição de drogas. Doentes? Sem dúvida, mas, também, sustentáculos do crime. Como adquirem cocaína, heroína, crack e tantos outros venenos? Ou vão comprar ou recebem em domicílio.

Estrangular o comércio e considerar os usuários passíveis de processo e até prisão, além de tratamento, seria mais do que a moda mais recente, de prender e processar quem tomou um chope antes de dirigir? A Lei Seca tornou-se uma necessidade para evitar a crescente sucessão de mortes e desastres no trânsito. Uma pena para quem gosta de relaxar tomando uma bebidinha, antes de ir para casa. Mas uma necessidade.

Não seria tão ou mais necessário agir com firmeza no combate ao uso das drogas? Muito mais vidas seriam poupadas nos tiroteios com a polícia, na disputa entre traficantes e no sacrifício de inocentes. Numa palavra, apenas: lei severa contra os usuários, ricos e pobres, desde expô-los na televisão até condená-los à prisão ou à prestação de serviços civis alternativos. Com tolerância zero. Apenas uma consideração final: quantos serão os usuários de drogas, no Rio? Um milhão? Dois? Será que eles votam?

Os três grandes e os quatro pequenos
Os presidentes Lula, do Brasil, e Hugo Chávez, da Venezuela, reúnem-se amanhã em La Paz com o presidente boliviano Evo Morales. Será o encontro dos três grandes, em termos de América do Sul, mesmo faltando outros de igual significação.

O encontro não se prestará à condenação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos, tendo em vista que a Bolívia não tem mar. Fosse para Lula e Chávez irrigarem com um pouco mais de dólares a frágil economia daquele país, o trajeto estaria errado. Morales é que deveria vir a Brasília e ir a Caracas. Posicionarem-se a respeito das eleições americanas também não parece viável, mesmo sabendo-se que os três, em particular, demonstram simpatia por Barak Obama.

Uma estratégia para enfrentar a questão das Farc, na Colômbia? Também não, caracterizaria intervenção nos negócios de Álvaro Uribe, quando as relações de seus vizinhos com ele melhoraram muito.

Há quem suponha que, muito de leve, os três presidentes avançariam alguns milímetros na idéia da criação de uma força sul-americana de paz, forma de mandar ao Hemisfério Norte um frágil recado de afirmação da soberania do subcontinente.

Quem quiser que especule, saberemos logo os motivos reais e pouco depois as razões encobertas desse encontro dos três grandes. Se não vier, em seguida, a reunião dos quatro pequenos...

Racha total
Autor não muito citado nos tempos de neoliberalismo, Lênin disse certa feita que não se faça omelete sem quebrar os ovos. Quem sabe se dessa intensa lambança que assola o Poder Judiciário não possa nascer o embrião da sua verdadeira reforma? Afinal, há décadas que assistimos tentativas, umas pífias, outras malandras, de alteração nas estruturas da Justiça, todas fracassadas.

Agora que se dividem como gregos e troianos juízes de primeira instância, procuradores, ministros de tribunais superiores, advogados e diletantes, quem sabe possa fluir do conflito uma aragem de bom senso, capaz de mudar e agilizar o arcaico Terceiro Poder da República? Afinal, é sempre bom lembrar que da população dizimada nos escombros de Tróia nasceu a todo-poderosa Roma.

Os ovos da omelete leninista estão sendo quebrados com sutileza elefantina, valendo registrar serem carecas, como os ovos, os dois maiores contendores da tertúlia, o ministro Gilmar Mendes e o juiz Fausto de Sanctis.

Por enquanto tem dado empate, porque se quase duzentos juízes solidarizaram-se com o colega da Sexta Vara Criminal da Justiça Federal, igual número de advogados de primeira linha formaram ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal.

O momento da trégua pode estar próximo, mas das ruínas do embate bem que poderiam surgir as bases de uma Justiça acorde com as necessidades nacionais. Legislativo, Executivo e o próprio Judiciário dispõem de condições para mudar tudo, desde que haja vontade política. Até mesmo recriarem o Poder Moderador, jamais conforme o modelo do Império, mas, quem sabe, delegando à sociedade atribuições até hoje separadas por uma falsa harmonia...

Sem algemas nem televisão
Ficou incompleto o noticiário da reunião do Conselho Político do governo, segunda-feira, quando o presidente Lula, pelo que foi divulgado, insurgiu-se contra o uso de algemas e contra a presença da televisão nas operações da Polícia Federal.

Terão sido apenas essas as observações do presidente da República, diante de uma das mais profundas convulsões institucionais registradas desde sua primeira posse? Parece óbvio que não. Pelo temperamento e pelas obrigações de chefe de um dos três poderes da União, o Lula terá avançado em comentários e até em diagnósticos mais profundos.

Como bom corintiano, ele não parece adepto do empate nos grandes jogos do campeonato. Torce sempre por um dos times. No caso, apenas como especulação, porque a partida não terminou, o presidente estaria mais próximo das razões do juiz de primeira instância do que do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal. E por motivo muito simples: deve estar sempre sintonizado com as arquibancadas.

E essas, se pudesse haver uma pesquisa honesta de opinião, se inclinariam pela prisão e punição de criminosos de colarinho branco, do tipo Daniel Dantas, além, é claro, de sua reação diante da postura recente do ministro Gilmar Mendes, antes da crise do habeas-corpus. Afinal, os três poderes da União são harmônicos e independentes, mas um deles é mais poderoso que os outros. Precisamente aquele que foi submetido ao voto universal.
( Com a colaboração de Carlos Chagas )

12/07/2008 às 08h03min

Queda de braço inócua e perigosa


Para justificar a extensão a Naji Nahas, Celso Pitta e outros, do habeas-corpus antes concedido a Daniel Dantas, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, sustentou que os direitos individuais dos detidos haviam sido violados. Com todo respeito, o cidadão comum que não é jurista fica sem entender o raciocínio.

Porque se foram algemados sem necessidade, submetidos ao constrangimento de ver a Polícia Federal chegar de madrugada às suas casas, levados de camburão e até confinados a celas sem conforto, a solução seria punir os agentes que assim agiram, bem como seus chefes. Jamais, porém, colocar em liberdade os acusados de formação de quadrilha, evasão e lavagem de dinheiro, manipulação de informações sigilosas, corrupção ativa e outras denúncias devidamente apuradas. Ou por apurar completamente.

Parece estar se registrando um conflito pessoal entre o presidente do Supremo, de um lado, e a Polícia Federal e a primeira instância da Justiça Federal, de outro, na medida em que Gilmar Mendes mandou soltar Daniel Dantas e o juiz Fausto de Sanctis renovou a ordem de prisão. Como réplica, Gilmar Mendes soltou Naji Nahas e Celso Pitta. E mais: mandou soltar Dantas de novo

Onde estão os direitos individuais lesados, se a lei permite ao juiz decretar a prisão temporária e a prisão preventiva, claro que em estabelecimentos compatíveis com a dignidade humana?

Em boa coisa não vai dar essa queda de braço, em especial porque, conforme noticiam os jornais, a Polícia Federal montou uma operação de vigilância no gabinete do presidente do Supremo, filmando e fotografando advogados dos réus que buscavam medidas de soltura. Para fazer baixar a bola, só o Conselho Nacional de Justiça, ainda que, faz pouco, seu então presidente tenha renunciado por divergências com Gilmar Mendes.

O perigo é de o corporativismo prevalecer, mesmo dentro do Poder Judiciário. A maioria dos ministros do STF solidariza-se com seu presidente, ao tempo em que, na primeira instância, Fausto de Sanctis é elogiado.

Afasta-se a questão de seu aspecto crucial, no caso, as denúncias contra o banqueiro, o megaespeculador, o ex-prefeito e outros. As investigações entram em sua fase final, com a Polícia Federal de posse de arquivos, computadores e demais documentos relativos às atividades supostamente irregulares. Em torno desse material é que deveriam centrar-se as decisões judiciais.

Agora, para concluir, vale uma incursão no reino dos direitos individuais. Se os acusados devem dispor da prerrogativa de não serem expostos aos holofotes da mídia, ao menos enquanto não se lhes prove a culpa, no reverso da medalha a sociedade tem o direito de saber como opera o poder público. Quem está sendo acusado, e por quê?

Apareceu a Margarida
Coincidência ou não, só na viagem ao Vietnã, diante do lendário general Giap, é que ficamos sabendo que a ministra Dilma Rousseff acompanhava o presidente Lula em seu périplo pelo Extremo Oriente. Uma fotografia da chefe da Casa Civil cumprimentando o vencedor dos franceses e dos americanos revela sua presença na comitiva. Certamente os repórteres encarregados da cobertura da viagem já tinham flagrado dona Dilma, mas nenhum deles procurou ouvi-la, fosse a respeito da reunião de Lula com os países ricos, fosse sobre eventos acontecidos no Brasil.

A presença da candidata, no outro lado do mundo, demonstra continuar o presidente Lula empenhado em inflar o balão da sua candidatura. Vamos aguardar a divulgação das próximas pesquisas eleitorais.

A Quarta Frota ficou longe
Ignoramos se na meteórica conversa reservada entre o presidente Lula e o presidente George W. Bush, na ilha de Hokaido, no Japão, houve tempo para examinarem a criação da Quarta Frota da Marinha americana, encarregada de patrulhar as costas da América do Sul e do Caribe.

Pelo jeito, não. Como o presidente Lula havia anunciado que pediria explicações não a Bush, mas à secretária de Estado, Condoleezza Rice, e os dois não dialogaram, a bola passa para o chanceler Celso Amorim. Teria ele indagado dela sobre a coincidência de a Quarta Frota ter sido recriada logo depois de o Brasil anunciar a descoberta de imensas reservas de petróleo em nosso litoral?

De tudo, fica a impressão de que, mesmo agastado com essa nova iniciativa bélica de nossos irmãos do Norte, o governo brasileiro evita receber alguma resposta atravessada, como a de que "não se trata de assunto de vocês"...

Está no páreo
Engana-se quem supõe estar a futura disputa sucessória entre Dilma Rousseff, José Serra, Ciro Gomes e, quem sabe, Aécio Neves. Falta um curinga no baralho, sem falar daqueles exóticos candidatos que sempre se apresentam em busca de quinze minutos de glória.

Trata-se do ex-presidente e senador Fernando Collor, que mesmo tendo nascido no Rio e feito política em Alagoas, dá agora a impressão de haver solicitado cidadania mineira, aquela de quem trabalha em silêncio. O tempo branqueou-lhe os cabelos e deu-lhe uma experiência que não teve, quando no Palácio do Planalto. À primeira vista parece impossível a hipótese do retorno, mas, apenas por cautela, é bom prestar atenção.
( Com a colaboração de Carlos Chagas )

11/07/2008 às 16h36min

Contrariando a natureza das coisas



Pudesse ter sido feita uma pesquisa nacional de opinião na madrugada de ontem, logo depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal haver libertado Daniel Dantas, e não surpreenderia ninguém a indignação de no mínimo 90% dos consultados. Não se debite essa suposta reação à maior corte nacional de justiça do país, como instituição, mas, apenas, a um de seus ministros, por coincidência o presidente.

Foi Gilmar Mendes que concedeu o habeas-corpus ao banqueiro acusado de formação de quadrilha, tráfico de influência, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e tentativa de corrupção de delegados da Polícia Federal.

Mesmo assim, está sendo sobre o Supremo, e mais do que o Supremo, sobre o Poder Judiciário, que cai a pecha de elitismo e tolerância para com os supostos ladravazes de colarinho branco. É uma pena essa generalização, mas poderia ser diferente?

De jeito nenhum. "A polícia prende, a Justiça solta" - era o comentário mais ouvido ontem de Norte a Sul, Leste a Oeste. Com a óbvia ressalva de que caso se tratasse de um ladrão de galinhas ou de uma doméstica flagrada roubando um creme num supermercado estariam ambos condenados não apenas a cinco dias de prisão preventiva, mas a meses de xadrez, antes mesmo da formação dos respectivos processos.

Ignora-se se Gilmar Mendes agiu por formalismo jurídico, irritação diante dos métodos da Polícia Federal, neoliberalismo ou simpatia por Daniel Dantas, mas a verdade é que se inscreveu na crônica dos que se insurgem contra a natureza das coisas. Dos que remam contra a maré. Com todo o respeito, dos que não entendem nada de Brasil.

O Supremo Tribunal Federal é uma corte política, acima e além de ser jurídica. Tem cometido seus pecados ao longo da História, o último deles de aceitar sem reagir à imposição dos governos militares sobre serem "os atos revolucionários insusceptíveis de apreciação judicial". Agora, pelo jeito, mudaram apenas os agentes: os atos das elites financeiras, mesmo criminosos, também ficam à margem do Judiciário.

Aí está para não deixar ninguém mentir comentário atribuído ao dono do Opportunity, de que só temia juízes de primeira instância, porque nos tribunais superiores resolveria tudo... Sequer sensibilizaram o presidente do Supremo as imagens de um milhão de reais, em espécie, quantia apreendida no apartamento de um esbirro ligado a Daniel Dantas, que seria utilizada para corromper a Polícia Federal. Felizmente, os policiais armaram o alçapão para flagrar os corruptores. Cumpriram o seu dever. Terá feito o mesmo o ministro Gilmar Mendes?

Os pessimistas não se cansam de apregoar que se Fernandinho Beira-Mar adquirir um desses bancos fajutos especializados em tramóias e lambanças, mais um apartamento na Vieira Souto, casas de campo e ligações com montes de deputados e senadores, logo será beneficiado com um habeas-corpus. Parece imenso o mal que o presidente do Supremo fez às instituições, porque democracia é antes de tudo credibilidade nas instituições.

Degrau por degrau
Agora, a ninguém será dado negar: os principais líderes do PT reconheceram de público, quarta-feira, estarem patrocinando a iniciativa de mudança na Constituição, extinguindo a reeleição e ampliando os mandatos presidenciais de quatro para cinco anos. Emenda poderia ser votada no Congresso ainda este ano. Por enquanto, fazem a ressalva de que a alteração não vale para o presidente Lula, mas para o seu sucessor.

A quem pensa enganar? O primeiro passo para o terceiro mandato do Lula já foi dado, no reconhecimento de que nem passará ao segundo turno qualquer companheiro ou companheira lançado na disputa sucessória de 2010. Como não admitem perder o poder, e não aceitam apoiar um aliado de outro partido avançaram em silêncio.

Não faltará oportunidade para, quando da votação da emenda constitucional, parlamentares do PT ou da linha auxiliar acrescentarem que pelo estabelecimento de um mandato de cinco anos, sem reeleição, o apagador foi passado no quadro negro, começando tudo de novo, podendo candidatar-se todo brasileiro no gozo de seus direitos políticos. Inclusive ele...

Recadastramento
Determinou o ministro da Justiça, Tarso Genro, o recadastramento de todas as ONGs estrangeiras que atuam em território nacional. É óbvia a existência de ONGs que prestam excelentes serviços a causas fundamentais, cujos integrantes sacrificam-se em favor do meio ambiente, da melhoria de condições de vida de comunidades minoritárias e carentes, e muita coisa a mais.

Nota-se, porém, em especial na Amazônia, a presença de organizações sustentadas com dinheiro de multinacionais e de associações alimentadas por governos interessados na internacionalização da região. ONGs que tentam seduzir povos indígenas, quer dizer, tribos brasileiras, para transformá-las em "nações". Não são poucos os índios transportados para cursar universidades na Europa, capazes de retornar na condição de candidatos a presidentes de fictícias repúblicas que alguma entidade internacional se encarregará de reconhecer.

Abre-se a oportunidade de o governo brasileiro investigar a fundo essas iniciativas sediciosas que, comprovadas, determinariam a expulsão das respectivas ONGs do território nacional. Haverá vontade política para isso?
( Carlos Chagas )

08/07/2008 às 08h32min

Um problêma nacional


Com o presidente Lula no Extremo Oriente e o Congresso devagar, quase parando, abre-se a oportunidade para o exame de questões mais amplas e mais agudas do que a reforma política ou as eleições municipais. Tome-se aquela que se multiplica nas grandes cidades, o caos no trânsito.

Não dá para continuar do jeito que as coisas vão, por mais que determinadas prefeituras e governos estaduais façam o dever de casa, investindo em viadutos, pontes e túneis, até em detrimento da saúde, da educação e da segurança pública. Milhares de veículos são incorporados à frota nacional, todos os dias. Não há rua para tantos, muito menos garagens e estacionamentos.

Qualquer dia desses São Paulo vai parar, literalmente, ficando impossível trafegar em suas principais avenidas e transversais. No Rio, um único nó imobilizará bairros e subúrbios, da Tijuca ao Leblon, do Meyer a Jacarepaguá. E assim em outras capitais.

Fazer o quê? Importa menos registrar que o mercado, nesse caso, funciona ao contrário, porque o natural seria a elevação no preço dos carros para diminuir o ritmo de sua produção. O que vemos, no entanto, é o crédito cada vez mais fácil e a desenfreada competição entre as montadoras. Afinal, fica difícil negar o conforto pessoal ou pregar o desemprego.

Saída só existe uma: o poder público investir nos transportes coletivos, com ênfase para o metrô, sem esquecer ônibus e trens suburbanos. Demonstrar às populações ser melhor e mais barato deslocar-se comunitariamente, mas desde que em condições satisfatórias, jamais como se assiste hoje.

Porque, com raríssimas exceções, só usa o transporte coletivo quem carece de condições financeiras para adquirir o transporte individual. Como são milhões, aumentar o seu número sem condições mínimas só aumentará as agruras gerais. O problema transcende a competência das prefeituras e até dos governos estaduais. Tornou-se nacional. Só que com um século de atraso. O presidente Lula dispõe de dois anos para tentar a volta por cima. E quem for disputar sua sucessão deve, desde já, preparar alternativas.

Fracasso mais do que anunciado
Antes mesmo de começar já estava condenada ao fracasso a reunião dos países ricos e de alguns remediados, no Japão, ontem, hoje e amanhã. Porque cada um dos participantes chegou com a disposição de fazer seus interlocutores mudarem de postura e de interesses, mas nenhum deles mostrando-se disposto a abrir mão de seus interesses e posturas.

Puxou a fila George W. Bush, que foi logo avisando: os Estados Unidos só admitiriam restringir a emissão de gases em seu território caso a China e a Índia fizessem o mesmo. O primeiro-ministro japonês, com rara coragem, completou: "Então não vai dar certo..."

A gente fica pensando se valeu a pena o presidente Lula sacrificar quase trinta horas de viagem para chegar à ilha de Hokaido, no extremo Norte do Japão, para participar de convescotes, banquetes e recepções, bem como algumas conversas, sem ter garantido sequer a oportunidade de falar aos demais dirigentes reunidos. E se falar, amanhã, será com a certeza de que nada vai mudar, ou seja, seu samba de uma nota só, o etanol, pouco sensibilizará os demais presidentes e primeiros-ministros.

Um risco adicional ronda o hotel de luxo onde todos se reúnem: de que depois de criticar Índia e China, os participantes voltem suas críticas para o Brasil, tanto por "queimar a Amazônia" quanto por "substituir plantações de grãos pelo cultivo da cana-de-açúcar". Sabemos que não é assim, ou não é bem assim, mas pouco interessa os fatos para aqueles que fazem das versões o escudo protetor de suas idiossincrasias.

Do Japão, o Lula viajará ao Vietnã, a Timor Leste e à Indonésia, mas, como na terra do sol nascente, apenas para enxugar gelo e ensacar fumaça...

E as zebras, vão aparecer?
Em todas as capitais e principais cidades já surgem os candidatos favoritos às prefeituras, na maior parte dos casos, dois ou três em cada uma. São agraciados por maiores espaços na mídia, bafejados pelas pesquisas e saudados pelas ruas como vencedores.

A política tem suas surpresas, mesmo cada vez mais raras, mas já imaginou o leitor se as eleições de outubro vierem a ser conhecidas, no futuro, como as eleições da zebra?

Porque o eleitorado dá sinais de exaustão diante do que se repete no País desde a redemocratização: muitas esperanças sempre seguidas de imensas frustrações. Quem sabe venha a varrer o País uma tempestade de indignação zoológica? Para que votar em candidatos que, de antemão, sabemos incapazes de corresponder às expectativas? Tanto faz seus nomes, seus partidos ou seu passado, é sempre a mesma coisa.

A hipótese inusitada, assim, seria de o eleitor reagir e protestar votando nas zebras. Naqueles candidatos que por humor, demência, ilusão e até algum idealismo lançou-se em busca de quinze minutos de fama. No passado, São Paulo já elegeu um rinoceronte, e Belo Horizonte, um bode. Para continuarmos no reino animal, que tal demonstrar inconformismo buscando as zebras, mas com cuidado para não escolher jumentos?

Uma aliança instável
No Congresso, ou melhor, entre os caciques partidários, esquentou a disputa futura pelas presidências da Câmara e do Senado, que apesar de só se realizarem em fevereiro do ano que vem, deverão estar decididas antes do próximo Natal. Porque, conforme os costumes e os regimentos cabem às maiores bancadas indicar os candidatos. Se fosse levar a escrita ao pé-da-letra, o PMDB indicaria os dois, no Senado e na Câmara.

Como o outrora partido do dr.Ulysses parece haver perdido a coragem, o rumo e até o amor próprio, as especulações indicavam que indicaria Michel Temer, na Câmara, deixando para Tião Viana, do PT, a presidência do Senado. A aliança funcionaria entre os companheiros e os peemedebistas, claro que premiada com a manutenção de ministros, altos funcionários e verbas destinadas pelo presidente Lula ao PMDB.

Só que nos últimos dias a coisa enrolou. Ou esquentou, porque entre os deputados do chamado baixo clero cresce a candidatura do deputado Ciro Nogueira, do PP, uma espécie de herdeiro do indigitado Severino Cavalcanti. Diante da possibilidade de não emplacar Michel Temer, o PMDB reage com a possibilidade de indicar o presidente do Senado, que pode ser Romero Jucá, José Sarney ou Pedro Simon, entre outros. Estaria desfeita a aliança com o PT.

É cedo para conclusões, mas se o presidente Lula não começar a se mexer, essa confusão poderá respingar na sucessão de 2010.
( com a colaboração de Carlos Chagas )

19/06/2008 às 07h05min

Os rios correm para o mar

A um grupo chamado de "intelectuais", selecionados sabe-se lá por quem, o presidente Lula repetiu o mote milenar do cidadão espanhol que, perguntado se acreditava em bruxas, respondeu: "Não creio nelas, mas que existem, existem"...

Porque entre mil e um conceitos expressos diante de indagações que mais pareciam discursos, o presidente negou outra vez que vá disputar o terceiro mandato, mas acrescentou estar preocupado com a continuidade das políticas públicas criadas em seu governo.

Traduzindo: a primeira parte da oração é anulada pela segunda. O Lula não disputa, mas exige a continuação de suas metas, seus propósitos e seus objetivos. Objetivo que talvez só seja alcançado pelo terceiro mandato.

Ora, caso Dilma Rousseff não se afirme como candidata, pelo menos em condições de ganhar a eleição, e se nenhum outro companheiro apresentar perspectiva de vitória, o que fará o presidente para assegurar a permanência das políticas públicas de seu governo?

Convencer José Serra, depois de velho, a mudar concepções políticas e administrativas será perda de tempo. Esperar que Ciro Gomes ou Aécio Neves venham a polarizar as forças governistas implicaria em dissolver o PT, que não admite a hipótese por julgar todo não-companheiro inconfiável.

Logo, tanto para o PT salvar-se da débâcle que seria a perda do poder quanto para o presidente Lula ver consolidadas as políticas públicas que criou, abre-se uma única saída: o terceiro mandato.

Quem quiser que negue a lógica desse raciocínio com base nas negativas do chefe do governo, mas os rios continuam correndo para o mar. Cairão as máscaras na hora em que as premissas se tornarem inevitáveis, a começar pela certeza de que o PT não dispõe de outro candidato senão ele. Porque entregar o poder aos tucanos ou, mesmo, a outras penosas, os companheiros jamais aceitarão.

Pelo menos, sem buscar o último artifício possível, aliás, bem simples: um plebiscito a se realizar no primeiro semestre do ano que vem e a aprovação pelo Congresso da emenda constitucional decorrente. Sem faltar, é claro, o convencimento do personagem principal de que suas preocupações se transformarão em pesadelo caso não se disponha ao sacrifício de mais uma eleição...

Fecha-se o círculo
No caso, em torno do ex-ministro José Dirceu. A Polícia Federal vai ouvi-lo a respeito de supostas ligações com o ex-prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani. Gravações de som e imagem revelam o indigitado renunciante anunciando encontro com o ex-chefe da Casa Civil no dia em que, por coincidência, ele se encontrava na cidade para uma palestra. Cifras são referidas, com base em comissões.

Dirceu, pelo menos, está na obrigação de desmentir formalmente aquilo que vem fazendo através da imprensa, ou seja, que jamais viu Bejani. Será palavra contra palavra, mesmo sem acareação, mas com o adendo de que o ex-prefeito, para livrar-se de penas maiores, poderá colaborar.

A propósito, uma pergunta começa a pairar sobre Brasília: e o processo contra os quarenta mensaleiros, entre eles José Dirceu, tramitando no Supremo Tribunal Federal? O ministro relator anda adoentado, sofre de problemas de coluna, mas, de pé ou sentado, parece continuar em pleno uso da caneta.

Todos os réus já depuseram, apresentaram defesas, testemunhas foram ouvidas e os processos encontram-se prontos para conclusões, isto é, para serem apreciados pelo plenário da mais alta corte nacional de Justiça.

Mais confiável?
Circula versão de que o presidente Lula gostaria de ver na presidência do Senado o seu líder Romero Jucá, do PMDB. No caso, é evidente, de o PT não conseguir furar a blindagem do maior partido com maior bancada na casa, obtendo a indicação em troca da escolha de um peemedebista para presidente da Câmara. Lealdade é o que não falta para Jucá, em seu relacionamento com o Palácio do Planalto.

Tião Viana é o candidato do PT, no Senado. Michel Temer do PMDB, na Câmara, mas em política nem tudo consegue ficar arrumadinho por muito tempo.

As cartas poderão ser embaralhadas, porque entre os senadores do PMDB nem tudo parece claro para Romero Jucá. Jarbas Vasconcelos, Pedro Simon, Mão Santa e outros insurgem-se contra uma hipotética candidatura do líder. E no governo existe quem não confie tanto em Tião Viana, por conta de sua independência. Já deu provas disso quando assumiu interinamente a presidência, depois da renúncia de Renan Calheiros.

Na Câmara, o chamado baixo clero costura a candidatura de Ciro Nogueira, que poderia contar com o apoio do PT, caso, no Senado, fosse negado espaço ao partido. Convém aguardar, em especial o resultado das eleições municipais de outubro.

Único na História
O presidente Lula costuma repetir que nunca na História do Brasil alguém realizou inúmeros objetivos, como ele. Só o futuro dirá, mas num detalhe, pelo menos, o presidente tem razão, mesmo nunca tendo lembrado de público. É o primeiro governante, desde a Independência, que dispõe apenas de diplomatas nos cargos de embaixador junto a entidades e a governos estrangeiros. Nem um único deles encontra-se fora da carreira. Os últimos, Tilden Santiago, em Cuba, e Paes de Andrade, em Portugal, faz muito que se viram rifados.

Ao longo dos tempos os dois imperadores, os regentes, os presidentes da República e até as juntas militares sempre nomearam embaixadores de origens diversas. Políticos, intelectuais, militares, até jornalistas ocuparam embaixadas. Pela primeira vez o Itamaraty emplacou todas, graças, certamente, ao zelo do chanceler Celso Amorim.

Nos Estados Unidos é ao contrário. As embaixadas, de um modo geral, servem para contemplar aliados políticos do presidente, empresários ou ex-parlamentares. Na maioria dos países, aplicam-se fórmulas mistas.

Será corporativismo ou, no reverso da medalha, aprimoramento do serviço diplomático? Tanto faz, mas importa registrar que isso jamais aconteceu. Até mesmo o Ministério da Guerra (do Exército) e o Ministério da Marinha foram ocupado por civis, no caso Pandiá Calógeras e Raul Soares, no governo Epitácio Pessoa.
( com a colaboração de Carlos Chagas )

18/06/2008 às 17h13min

Crise americana ? E eu com isso ?



Não especulo nas bolsas de valores, no mercado financeiro, no setor imobiliário, não tenho um dólar sequer em casa nem nos cofres personalizados dos City Bank do ramo, não sou adepto do consumismo nem a curto e nem longo prazos, não me chamo Allan Grepeace, então, quem pariu Mateus e apostou nos seus filhotes, agora que os embalem e se virem. Por falar no mister Allan, guru dos "caixas fortes" do mercado especulativo, até há pouco tempo, corria o mundo todo serelepe de si, inclusive o Brasil, onde tem uma plêiade de discípulos e admiradores, ganhando cerca de US$ 100 mil por palestra, para difundir isso, que ele próprio já sabia que se tratava de ilusionismo econômico.

Se um banqueiro americano quebrou, ele que segue sua onda, assuma os riscos e responsabilidade dos seus atos, mesmo porque, na trajetória dos banqueiros, eles vivem nadando em dinheiro. Aliás, deveria existir uma espécie de lei do talão para banqueiro que falisse, cujo castigo seria o fuzilamento sumário, uma vez que levam pânico para o mundo inteiro, quando isso acontece.

Assim, pensariam 100 vezes na hora de gananciar o alheio. O que não pode ocorrer, são os povos miseráveis da Cochincina, ou mesmo os daqui, sofrerem mais do que já sofrem por causa de negócios mal sucedidos de especuladores de fora e de dentro do País.

O FMI, que sempre foi cioso em defender os direitos de suas águias, deveria criar um mecanismo, desta vez, não para proteger seus poderosos agentes financeiros, mas para indenizar os países em desenvolvimento todas as vezes que eles fossem prejudicados por uma crise provocada por um desses seus afiliados. A irresponsabilidade dos ricos não pode privar naqueles países milhões de pessoas do essencial para a sobrevivência.

Mas como o FMI é controlado pelos Estados Unidos, não adianta nem apelar para o Tribunal de Defesa dos Direitos Humanos da ONU, porque isso não vai acontecer nunca. No mais, toda minha preocupação no momento se concentra no aede aegypti que tem matado no Rio de Janeiro, crianças e adolescentes principalmente de famílias sem recursos, pela inoperância do sistema público de saúde, resultado da política do descaso e insensibilidade das autoridades maiores dos governos federal, estadual e municipal.

Que quando era para agir e combater o mau, preferiram os holofotes da mídia na hora de priorizar os investimentos públicos, deram as costas para o povo e não erradicaram o mosquito da dengue. Estou me lixando para banqueiro americano, pensando, de qualquer nacionalidade, são todos vinho estragado da mesma pipa.
( Com a colaboração do jornalista Antonio Avelar- TI )

17/06/2008 às 07h28min

Aliança só em torno deles...

 Dos 26 estados onde haverá eleição para prefeito das capitais, dispõe-se o PT a apresentar candidatos próprios em vinte. Poderá apoiar indicados por outros partidos em seis, ou menos, porque em cada um deles os companheiros ainda vão tentar o vôo solo.

Significa o quê, essa tendência voluptuosa do PT?
Primeiro que segue à risca a doutrina milenar de ser a busca do poder o objetivo fundamental dos partidos políticos. Depois, que pouca atenção e até algum desprezo vêm sendo dados ao entendimento costurado pelo presidente Lula com outras legendas, única forma encontrada para conseguir a governabilidade necessária. Também fica evidente uma espécie de soberba ao sustentar que aceita alianças, mas em torno dos seus candidatos.

O fundamental, nessa postura elitista, é que o PT pretende aproveitar os ventos favoráveis da popularidade do Lula, mas, no reverso da medalha, demonstrar que o presidente pode muito, mas não pode tudo. No caso de sucesso, claro que não em vinte capitais, mas na maioria delas, a conseqüência seria um peso maior do partido na hora das definições sobre a sucessão de 2010. Uma forma de dizer, por exemplo, que Dilma Rousseff só será candidata se o PT quiser, não apenas por vontade imperial do Lula.

Assim como ficaria óbvia a estratégia para eliminar, o mais rápido possível, a hipótese de o presidente inclinar-se por alguém dos partidos da base, supostamente com mais chances de vitória do que a chefe da Casa Civil. "Nem Aécio, nem Ciro, mas apenas quem nós indicarmos", será a resultante de uma boa performance petista em outubro, ainda que possa exprimir suicídio com data marcada, daqui a dois anos.

Em suma, o PT pretende pôr o pé no acelerador, daqui por diante, mesmo que o presidente Lula torça o nariz e alerte para os perigos do imponderável. No caso, um natural afastamento dos partidos da base governista, já na hora da escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado. Porque se prevalecer o cada um por si nas eleições municipais, por que não seguir os regimentos das duas casas, que concedem às maiores bancadas a prerrogativa de indicar seus presidentes? O PMDB é majoritário em ambas...

Imagine-se, também, o resultado oposto. E se o PT eleger poucos prefeitos, pior ainda, nenhum numa grande capital? O malogro em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife, por exemplo, seria o ensaio-geral para a derrota em 2010? Nessa hora, uma única tábua de salvação emergiria das profundezas para permitir sobrevida ao partido. Nem vale a pena referi-la, mas não erra quem pensar no terceiro mandato. Seria tudo uma armação, engendrada desde já?

Caminho sem volta?
Pesquisas são pesquisas, sujeitas a todo tipo de equívocos, para dizer o mínimo. Porque boa parte delas é encomendada, ou seja, pagas, numa realidade em que o freguês precisa ter sempre razão, caso contrário não volta. Mesmo assim, como regra, pesquisas constituem indicativos de tendências.
No fim de semana foi divulgada uma que dá o que pensar, sobre o MST e penduricalhos, não obstante haver sido encomendada pela mineradora Vale um dos alvos prediletos dos sem-terra.

Entre mil preconceitos e questões deles decorrentes, salta aos olhos um número indiscutível: 60% dos consultados consideram que as organizações camponesas estão se aproximando da criminalidade.

Não há como contestar essa evidência, que dia a dia mais se enraíza no consciente coletivo. Afinal, invadir usinas hidrelétricas, depredar laboratórios, ocupar prédios públicos urbanos, fechar ferrovias e rodovias e até cercar supermercados nada tem a ver com a reforma agrária. Aceitam-se invasões de propriedades rurais, em especial quando improdutivas, mas baderna, de jeito nenhum.

É esse o entendimento que se amplia pelo País. Talvez nem fosse necessário realizar uma pesquisa para se chegar a tal resultado. Não é a mídia que tem associado as organizações camponesas ao crime e à violência. As imagens falam sem necessitar de interpretações. À mídia, cabe divulgá-los. Se a maioria da população condena a interrupção do tráfego ferroviário, não faltando bandeiras do MST no alto das locomotivas, se postos de pedágio são ocupados, como negar as imagens?

A truculência das polícias e a existência de milícias de jagunços liderados por fazendeiros não apagam a evidência de que a lei e a ordem foram desrespeitadas. É isso que os 60% traduzem. E passarão a 70%, ou mais, se as cosas continuarem como vão...
(Carlos Chagas- Tribuna da Imprensa )

16/06/2008 às 07h26min

Os velhinhos que se danem

Anuncia o presidente Lula a disposição de vetar a concessão a aposentados e pensionistas do mesmo reajuste dado ao salário mínimo, se a Câmara vier a aprovar projeto já votado no Senado nesse sentido. O argumento é de que não há dinheiro.

Nem haverá que discutir a injustiça do governo ao limitar os reajustes de pensionistas e aposentados que recebem acima do salário mínimo. Menos, é claro, as chamadas carreiras de Estado, privilegiadas. Basta referir que quem anos atrás aposentou-se com cinco salários mínimos, porque descontou a vida inteira percentual equivalente, hoje vê seu benefício reduzido a dois e breve estará limitado por um. Importa mais, hoje, discutir a alegação do chefe do governo de que não há dinheiro.

Com todo o respeito, há sim. Primeiro, para pagar juros cada vez mais altos aos especuladores nacionais e estrangeiros, sem esquecer a farra dos bancos. Depois, para subsidiar mais de 50 mil ONGs que mamam nas tetas do Tesouro Nacional, boa parte delas fajutas, integradas por companheiros dependurados em ministérios e empresas estatais. Como, também, para a criação de um fundo destinado a utilizar milhões de dólares, lá fora, para o ministro Guido Mantega atender exigências de multinacionais.

Dinheiro também há para pagar 36 mil aquinhoados com cargos DAS federais, por coincidência quase todos militantes do PT. Sem falar nos recursos do BNDES doados a empresas privadas para a aquisição de empresas estatais ou, simplesmente, para acobertar sinecuras com prefeituras ocupadas pelos amigos.

Até para comprar mais dois aviões que servirão para escoltar o Aerolula não falta numerário. Por último, centenas de milhões de reais existem para atender a liberação das emendas individuais ao orçamento apresentadas por deputados amigos e senadores amestrados, daqueles capazes de valorizar seu voto em favor do governo.

Só não há dinheiro para aposentados e pensionistas, dentro daquela execrável concepção difundida desde os tempos de Fernando Henrique, contra a paridade com os que trabalham porque, afinal, pensionistas e aposentados não saem de casa e não precisam gastar com transporte, vestuário e lazer. E têm saúde perfeita, prescindindo de remédios.

Caso venha mesmo a ser aprovado o projeto, aliás, de autoria do senador petista Paulo Paim, e se o veto for aplicado, podem os velhinhos esquecer o sonho da eqüidade. Derrubar vetos presidenciais constitui missão impossível, mesmo se houver vontade política por parte de deputados e senadores. Centenas de vetos de muitos presidentes, desde os tempos de José Sarney, encontram-se engavetados, sem apreciação parlamentar. Para derrubá-los exige-se quorum qualificado.

A gente fica pensando como promessas e propostas mudam de acordo com a posição onde se encontram as pessoas. Sindicalista de peso, líder da oposição, presidente do PT e candidato derrotado três vezes à presidência da República, o Lula dedicou horas sem fim iludindo pensionistas e aposentados.

Prometeu o céu a quantos se encontravam nessa situação e à imensidão dos que, ainda trabalhando, sonhavam com um fim de vida menos amargo. O resultado aí está: os velhinhos que se danem. Que não incomodem. Se puderem, até, que providenciem logo sua passagem para o além.

O mágico permanece no centro do palco
Senão encerrados, estão minimizados os episódios dos cartões corporativos e da venda da Varig, naquilo que diz respeito à ministra Dilma Rousseff. A chefe da Casa Civil saiu-se muito bem, no primeiro caso, e não foi nem de longe atingida, no segundo, pelos petardos de pólvora seca arremessados pela estranha Denise Abreu. Como vinha acontecendo antes, a dama de ferro conseguiu sair incólume, mesmo chamuscada.

A pergunta que se faz é sobre qual será a próxima investida contra a candidata do presidente Lula à sucessão de 2010. Porque até uma criança de jardim da infância perceberá alguma coisa errada nesse novo tipo de esporte praticado em Brasília, o "Tiro à Dilma".

Não se cometerá a injustiça de supor, na operação, a presença do presidente Lula. É demais imaginar que tudo consiste em manobra dele para queimar Dilma, ou melhor, queimar quantos pareçam capazes de emergir no PT para candidatar-se. Mas que a candidata sofre o bombardeio de fogo amigo, nem haverá que duvidar. Podem ser os companheiros da direção do partido, podem ser as viúvas de José Dirceu. Quem sabe até os iludidos pseudocandidatos colocados atrás dela, nessa fila exposta ao sol e ao sereno.

De graça, porém, essas coisas não acontecem. Bastou que a chefe da Casa Civil fosse citada como uma alternativa sucessória para sofrer permanente barragem de artilharia, dessas que jamais as oposições teriam capacidade de desencadear. Até porque, tanto tucanos quanto democratas e penduricalhos esfregam as mãos de satisfação diante da hipótese de José Serra ou Aécio Neves enfrentarem Dilma nas urnas.

Mais do que as pesquisas, falam os ventos. Só por um passe de prestidigitação ela poderia tornar-se conhecida e querida no País inteiro, em prazo tão curto. Acresce que o mágico permanece no centro do palco, mesmo sem serrar a candidata ao meio, mas atento ao clamor da platéia para que reprise seus números, em especial o de retirar o terceiro mandato da cartola.
( Com a colaboração de Carlos Chagas )

14/06/2008 às 07h22min

Não passa no Senado

Assentada a poeira da apertada aprovação na Câmara do novo imposto sobre o cheque, dedicaram-se os líderes do governo a projetar a votação no Senado. Trocando impressões, ontem e anteontem, concluíram todos, a começar pelos senadores governistas, que se a votação acontecer agora, a frio, o projeto não passa. Assim, salvo alterações posteriores, só depois das eleições municipais de outubro a mesa do Senado pensará em colocar a CSS na pauta do plenário. Imaginam os líderes, acolitados pelos ministros com gabinete no Palácio do Planalto, estar a CSS condenada caso não aconteça reviravolta profunda na tendência parlamentar.

Traduzindo a linguagem simbólica que costuma cruzar a Praça dos Três Poderes: só abrindo o cofre o governo poderá esperar a aprovação dessa nova contribuição. Haverá que cimentar, um a um, os votos dos senadores da base oficial. E desde logo, quer dizer, relacionar já as emendas ao orçamento apresentadas por Suas Excelências e não hesitar um minuto na liberação dos recursos.

Essa será a primeira fase, mas uma segunda não demorará muito, na forma de tentativas de "convencimento" de alguns senadores não enquadrados na maioria, mas susceptíveis de cooptação.

Tudo ficou claro a partir da análise da votação de quarta-feira, na Câmara. Apenas dois votos separaram a vitória da derrota, mesmo detendo o governo expressiva maioria entre os 513 deputados. E isso depois do atendimento de quase todas as emendas de partidários e aliados. Centenas de milhões de reais foram liberados e, mesmo assim, foi um susto. Os senadores que preparem suas reivindicações, porque serão atendidos...

As esquerdas, para onde foram?
Vamos descontar o PT, afinal, mesmo dito de esquerda, é o partido do governo. Deve cumprir suas determinações. Dos 80 deputados de sua bancada, 69 aprovaram a CSS.

A pergunta que se faz é sobre a performance dos demais partidos de esquerda, ou tidos como tal. No PC do B, doze votos, numa bancada de treze. No Partido Socialista, 21 em 29. No PDT, 14 em 25. Mesmo desprezando-se os demais penduricalhos, fica difícil entender como tantos "progressistas" admitiram votar pela criação de mais um imposto, e, no caso, daqueles que incidirão indiscriminadamente sobre cidadãos ricos e pobres. Exceção foi o Psol, porque nenhum dos integrantes de sua reduzida bancada aprovou o projeto.

Faz muito que doutos cientistas políticos e outro tanto de sociólogos sustentam o naufrágio das ideologias. Não há mais esquerda e direita, no conceito clássico de tempos idos. Pode não ser bem assim, mas, apesar da mistura de ações e de doutrinas, confundindo conceitos anteriores, salta aos olhos que aumentar impostos constitui prática conservadora.

Um tiro na água
Vinte e quatro horas depois de Denise Abreu haver falado no Senado, ficou clara a conclusão de que seu depoimento equivaleu a um tiro na água. De suas palavras não saíram e nem sairá mais qualquer ameaça ao governo, muito menos a Dilma Rousseff. Não foi cumprida a promessa da apresentação de provas documentais de pressão da chefe da Casa Civil sobre a Anac, no caso da venda da Varig.

Como dificilmente o outro acusado, advogado Roberto Teixeira, se deixará prender em arapucas, caso venha a depor, pode-se dar por encerrado mais esse capítulo da novela tão mal escrita pelas oposições, intitulada "De como perdemos o trem da História".

Nem arranhado o governo sai, apesar da mala de trinta quilos de documentos que dona Denise levou para a sala onde se reuniu a Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Nenhuma folha de papel serviu para relacionar Dilma Rousseff com ações pouco éticas na operação de venda da outrora maior empresa aérea brasileira. Continuando como vão as oposições, logo serão responsabilizadas pela elevação da popularidade da ministra aos dois dígitos, nas próximas pesquisas de opinião.

A Ilha dos Avestruzes
Brasília já foi injustamente chamada de "Ilha da Fantasia", muito pela contrariedade de paulistas e cariocas precisarem vir ao Planalto Central para apresentar e resolver suas questões. Chegou-se a apresentar a capital federal como antro de corrupção, esquecidos os acusadores de que a imensa maioria dos corruptos vem de fora, chega aqui às terças-feiras e, nas quintas, voam para seus estados.

Feita a ressalva, porém, é de justiça referir que Brasília, hoje, transformou-se na "Ilha dos Avestruzes", aquelas estranhas penosas que costumam enfiar a cabeça na areia em meio à tempestade.

O preâmbulo se deve ao fato de que nenhuma autoridade federal dá mostras de estar preocupada ou, mesmo, de ter conhecimento da organizadíssima baderna promovida pelo MST no País inteiro. Só esta semana, ocuparam usinas hidrelétricas, laboratórios, prédios públicos, ferrovias e rodovias. Para não falar no assalto a supermercados. Convenhamos, organiza-se a criação de um estado paralelo, com suas próprias regras, sem fazer caso da lei e da ordem que, mesmo de forma sofrível, vem sendo praticada entre nós.

Se eles podem, quem não poderá? Corre a versão de que a Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, tem levantadas as ações do MST, em andamento e em preparo. Se for assim, uma pergunta não pode calar: para quem são enviados os relatórios? O que faz deles o governo? Chegam ao gabinete do presidente da República? São lidos por ele? ( Carlos Chagas )

13/06/2008 às 07h30min

O Luis de lá e o Luiz daqui


 Na noite de 14 de julho de 1789 um nobre procurou Luís XVI em Versailles. Sua majestade recolhera-se cedo, depois de extenuante caçada, mas, mesmo de camisolão, estava acordado, na cama, deglutindo vasta ceia. O nobre irrompeu pelos aposentos adentro e relatou os acontecimentos daquele dia, em Paris, desde a queda da Bastilha à confraternização de tropa armada com os assaltantes e a ocupação das principais ruas da capital pela população. O rei ouviu placidamente e comentou: "Então é a revolta"?

Resposta: "Não, majestade, é a revolução".

Guardadas as proporções, faltou alguém na noite de terça-feira para entrar pelo Palácio da Alvorada, acordar o presidente Luiz Inácio da Silva, se ele estivesse dormindo, participando-lhe que em treze estados, de forma muito bem organizada, integrantes do MST e penduricalhos invadiram e depredaram empresas e usinas hidrelétricas, laboratórios e prédios públicos, também interrompendo o tráfego rodoviário e ferroviário em variadas regiões do País.

Terá sido uma revolta, apesar de estranha, por que a baderna nada teve a ver com a reforma agrária? Muita gente acha o fenômeno mais grave. Será o início de uma revolução, onde os revolucionários atropelaram a lei e a ordem para protestar contra o aumento no preço dos alimentos?

Vale repetir pela milésima vez que o MST é o mais importante movimento social e popular surgido entre nós desde o restabelecimento da democracia: autêntico, necessário e moderno, na medida em que deu voz e ação a milhões de excluídos do direito de possuir seu pedaço de terra.

O problema, porém, é que o MST transformou-se num partido político revolucionário, tanto faz se bolchevique ou nazi-fascista. Talvez fosse essa a intenção inicial de seus criadores. Seus objetivos iniciais foram reorientados.

De truculento, mas justificável invasão de propriedades improdutivas e da luta contra o latifúndio, tornou-se contestador das instituições, que pretende mudar pela força. Essas experiências nunca deram certas, mesmo quando promovidas para opor-se a ditaduras. Acabam impondo outras. Costumam tornar as coisas ainda piores para a população, substituindo regimes muitas vezes cruéis pelo caos.

Ainda a tempo de conter a revolução dos aflitos manipulados por radicais. E por malandros, também. A História nos ensina que o Luís de lá deixou passar a oportunidade, enquanto o Luiz de cá segue no mesmo caminho. O resultado inexorável será o surgimento de algum Napoleão...

Nunca, em tempo algum
Como a demonstrar que os tempos tornam-se rapidamente turbulentos por falta de autoridade de quem deveria exercê-la e preservá-la, basta registrar mais dois movimentos acontecidos no mesmo dia da baderna organizada pelo MST em treze estados. Sem pertencerem às tropas de João Pedro Stédile, foram para a rua, em Brasília, os oficiais de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores. Percorreram a Praça dos Três Poderes em bem organizada passeata. Enquanto isso, nas ruas centrais do Rio, outra manifestação igual, agora dos funcionários civis das Forças Armadas.

Democraticamente, todos têm direito de protestar por seus direitos, em especial em se tratando de vencimentos que deixam a desejar, quando cotejados com o trabalho desenvolvido. As passeatas não estão proibidas, graças a Deus.

O que chama a atenção é que nunca, em tempo algum, mesmo nos períodos mais convulsionados do País, essas duas categorias animaram-se em passar das reivindicações feitas por escrito para o protesto físico. Sinal de que as instituições começam a ser contestadas por conta da inércia dos que têm por obrigação preservá-las e aprimorá-las. É preciso tomar cuidado, porque essas coisas pegam feito sarampo pegava, quando não havia vacina.

Bom senso, enfim
Decidiu o Tribunal Superior Eleitoral, mesmo pela escassa maioria de um voto, que apenas os condenados por sentença judicial transitada em julgado terão negados os pedidos de registro para candidatar-se às eleições municipais de outubro. De outubro e todas as demais a realizar-se daqui por diante.

Muita gente poderá irritar-se com a decisão, que abre oportunidade para bandidos e malandros entrarem ou permanecerem na vida pública quando respondem a processos criminais ainda em andamento. Apesar de justas indignações, é assim que devem funcionar as instituições democráticas. Porque a alternativa seria tétrica, podendo prestar-se a perseguições a candidatos honestos. Diz o bom direito que todo mundo é inocente até que se lhe prove a culpa.

Agora, no reverso da medalha, seria necessário aplicar a lei ao pé-da-letra, ou seja, não há motivo para a interrupção de processos, nem mesmo para a concessão de foro especial a quantos detentores de mandatos respondam perante a Justiça. Se forem culpados, pau neles, com a rapidez que até hoje nossos tribunais não adquiriram. Deveria ser até mesmo razão de se agilizar as ações envolvendo parlamentares e detentores de cargos executivos.

Quer deixar de ser ministro?
Estranha foi a sugestão ironicamente feita na Suíça pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Participando de uma reunião internacional, ele transcendeu os temas trabalhistas para opinar que o candidato do governo à sucessão do presidente Lula deve ser o governador Jacques Wagner, da Bahia.

Será que Lupi anda buscando pretexto para deixar de ser ministro? Porque enfrentar tão desabridamente Dilma Rousseff, só de caso pensado. A chefe da Casa Civil e, também, o presidente Lula, pai da candidatura da ministra.

Jacques Wagner apressou-se em declarar que não é candidato e que apóia dona Dilma em gênero, número e grau, mas mesmo ele poderá ser posto sob suspeição. Não terá tido conhecimento antecipado do súbito lançamento de seu nome? Poderia ter calado o ministro do Trabalho, antes do singular apoio?

O governador baiano tem, são evidentes, todas as condições para disputar a indicação presidencial em seu partido, o PT. Mas pela experiência adquirida nos anos de militância, sabe muito bem que, quando o vento começa a soprar, é preferível buscar abrigo.
( Carlos Chagas )

10/06/2008 às 15h48min

A rebelião dos trouxas



Há quem sustente que sempre foi assim, isto é, que a corrupção constitui presença permanente na História do Brasil. Apenas, tanto nos períodos de autoritarismo quanto nos de liberdade, a imprensa deixava de denunciar os escândalos como deveria. Outros, porém, preferem identificar de ano para ano, ou de governo para governo, o avanço da transformação da coisa pública em coisa privada, ou seja, da sofisticação da roubalheira como conseqüência natural da impunidade e do avanço da tecnologia, tanto quanto da perda de valores morais por um número cada vez maior de cidadãos empenhados em levar vantagem em tudo. Se os outros fazem, por que todos deixarão de fazer?

Importa menos, porque a verdade é que jamais se teve notícia de tanta corrupção no País como agora. Não se passa um dia sem que novas denúncias cheguem à opinião pública, envolvendo práticas criminosas no setor privado, no setor público e, geralmente, entre os dois. Geograficamente, vemos gente roubando do Rio Grande do Sul à Amazônia, do Ceará ao Mato Grosso, do Rio de Janeiro a São Paulo.

As elites e as camadas menos favorecidas aplicam golpes de toda espécie, maiores e menores, tanto pela esperteza quanto pela violência. Não há um setor capaz de escapar à avidez dos corruptos, da educação à saúde, dos transportes às obras públicas, das comunicações ao comércio, à indústria e aos serviços. Do Legislativo ao Executivo e ao Judiciário, também.

Entre políticos e governantes, empresários e funcionários públicos, dos bem-nascidos aos miseráveis, a palavra de ordem parece uma só: promover e intermediar negócios escusos, corromper, assaltar, traficar, sonegar e, em maior ou menor grau, enriquecer. Sempre à custa dos cofres públicos e da sociedade.

É bom tomar cuidado, porque a corrupção se institucionaliza a passos rápidos. Quem não rouba, quem não se envolve em maracutaias, quem não aproveita a oportunidade de burlar a lei, passa a ser considerado anacrônico. Será que um dia assistiremos à rebelião dos trouxas, dos que não roubam? Mas, existirão eles em número suficiente para explodir as atuais estruturas postas em frangalhos?

O círculo se fecha
Significativa foi a reação de Aécio Neves em entrevista à televisão, no fim de semana. Ele parece haver chegado ao limite de sua boa vontade e de sua tolerância diante do governo e do PT. Mesmo preservando relacionamento amável com o presidente Lula, o governador mineiro chegou ao limite.

Não dá para aceitar a postura dos companheiros, que apenas admitem alianças com outros partidos se for para serem apoiados, jamais para apoiar. A armação imaginada em torno da Prefeitura de Belo Horizonte faz água por todos os lados, tornando-se difícil o entendimento entre PSDB e PT, mesmo sob o compromisso de o partido do presidente da República indicar o candidato ao governo de Minas, em 2010.

Transferir-se para o PMDB é hipótese cada vez mais remota, para Aécio Neves. Ainda que tivesse garantida sua candidatura presidencial pelo partido que o avô ajudou a fundar, só por milagre assistiria o presidente Lula e o PT fechando com ele. Ainda que sabendo de antemão da derrota de um candidato ou candidata do partido oficial, eles não abrem mão do sonho. Ou estariam, desde já, envolvidos no pesadelo do terceiro mandato?

Tanto faz, porque, do jeito que as coisas vão, sobrará para Aécio Neves uma única alternativa, ironicamente em condições de selar por antecipação o retorno dos tucanos ao poder: compor-se com José Serra e aceitar a vice-presidência na chapa encabeçada pelo governador paulista. Uma aliança entre Minas e São Paulo, nessa possível dobradinha puro-sangue, deixaria os companheiros desesperados...
( Carlos Chagas -Tribuna da Imprensa )