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Redação do Gterra, 26/12/2008 às 08h37minBonecas do Cariri no mercado internacional
Depois de reportagem, artesãs passaram a receber encomendas de outros Estados e até de fora do Brasil
Crato. No linguajar cearense, a expressão “botar boneco” significa “encher a cara de bebida” e sair por aí, fazendo desordens, ou resistir a alguma coisa, não aceitar conselho ou instrução. No Crato, porém, tem outro sentido, pois as mulheres “bonequeiras” são um exemplo de superação. Cansadas das atividades domésticas, um grupo de mulheres, com mais de 40 anos, resolveu restaurar uma atividade lúdica que as remete ao tempo de criança, tendo como ateliê a sombra amiga de um pé de manga. A idéia ganhou repercussão nacional e até internacional.
A reportagem publicada pelo Diário do Nordeste, no último dia 12 de julho, sobre as “mulheres bonequeiras do Crato”, desencadeou uma série de encomendas da maioria dos Estados do Brasil. Brevemente, as bonecas serão exportadas também para a Alemanha.
“Muito mais importante do que o crescimento das vendas foi o levantamento da nossa auto-estima”, diz a coordenadora do grupo, Gertrudes Leite de Oliveira, conhecida por “Tuda”, acrescentando que a reportagem incentivou as artesãs do pano que viviam no anonimato. Tuda diz que, antes, o trabalho era apenas uma terapia, uma forma de reunir as mulheres debaixo de uma mangueira para algumas horas de conversa e recordação do tempo de infância, quando as bonecas de panos alimentavam os sonhos e as fantasias das crianças.
Brinquedo didático
Com a reportagem, as mulheres descobriram que a arte pode contribuir para a descoberta de valores reais, desvinculados de modismos ou dos padrões estéticos e sociais da atualidade. As bonecas são utilizadas como equipamento didático de uma geração dominada pela onda dos brinquedos eletrônicos. Ao fazer esta análise, Tuda lembra que muitas pessoas visitam o ateliê com o objetivo de fugir da supremacia dos brinquedos industrializados.
O interesse do público pelas bonecas de pano aguçou a criatividade das mulheres bonequeiras que, além de melhorar a qualidade do trabalho, estão confeccionando outras peças originais. Neste fim de ano, elas fabricaram, com panos, linha e emoção, os personagens de um presépio. Também construíram uma árvore de Natal com bonecas.
Exposições
O mais importante, destaca Tuda, é que as bonequeiras estão sendo convidadas para expor nos principais eventos do Cariri. “Estivemos no IV Encontro Internacional de Negócios Cariri, realizado no mês de outubro, em Juazeiro do Norte. Participamos do Berro Cariri e da Exposição de Raças Nativas”, exemplifica.
O mesmo entusiasmo é reafirmado por Francisca Piancó, uma das integrantes do grupo. A artesã comenta que, depois da reportagem, apareceram outras mulheres querendo um pouco de espaço sob a sombra da mangueira.
A outra novidade é que, nesta época do ano, como a árvore está produzindo mangas, as artesãs se transferiram para um galpão. Não dá para misturar manga com boneca, diz Francisca, advertindo que a mangueira não será abandonada. Quando terminar a safra, elas estarão de volta porque foi a velha mangueira que lhes ofereceu abrigo para a construção dos seus sonhos.
Mais informações:
Bonequeiras do Crato: Avenida Perimetral, 235C, Bairro São Miguel (88) 9911.6617, (88) 8809.6838

A reportagem publicada pelo Diário do Nordeste, no último dia 12 de julho, sobre as “mulheres bonequeiras do Crato”, desencadeou uma série de encomendas da maioria dos Estados do Brasil. Brevemente, as bonecas serão exportadas também para a Alemanha.
“Muito mais importante do que o crescimento das vendas foi o levantamento da nossa auto-estima”, diz a coordenadora do grupo, Gertrudes Leite de Oliveira, conhecida por “Tuda”, acrescentando que a reportagem incentivou as artesãs do pano que viviam no anonimato. Tuda diz que, antes, o trabalho era apenas uma terapia, uma forma de reunir as mulheres debaixo de uma mangueira para algumas horas de conversa e recordação do tempo de infância, quando as bonecas de panos alimentavam os sonhos e as fantasias das crianças.
Brinquedo didático
Com a reportagem, as mulheres descobriram que a arte pode contribuir para a descoberta de valores reais, desvinculados de modismos ou dos padrões estéticos e sociais da atualidade. As bonecas são utilizadas como equipamento didático de uma geração dominada pela onda dos brinquedos eletrônicos. Ao fazer esta análise, Tuda lembra que muitas pessoas visitam o ateliê com o objetivo de fugir da supremacia dos brinquedos industrializados.
O interesse do público pelas bonecas de pano aguçou a criatividade das mulheres bonequeiras que, além de melhorar a qualidade do trabalho, estão confeccionando outras peças originais. Neste fim de ano, elas fabricaram, com panos, linha e emoção, os personagens de um presépio. Também construíram uma árvore de Natal com bonecas.
Exposições
O mais importante, destaca Tuda, é que as bonequeiras estão sendo convidadas para expor nos principais eventos do Cariri. “Estivemos no IV Encontro Internacional de Negócios Cariri, realizado no mês de outubro, em Juazeiro do Norte. Participamos do Berro Cariri e da Exposição de Raças Nativas”, exemplifica.
O mesmo entusiasmo é reafirmado por Francisca Piancó, uma das integrantes do grupo. A artesã comenta que, depois da reportagem, apareceram outras mulheres querendo um pouco de espaço sob a sombra da mangueira.
A outra novidade é que, nesta época do ano, como a árvore está produzindo mangas, as artesãs se transferiram para um galpão. Não dá para misturar manga com boneca, diz Francisca, advertindo que a mangueira não será abandonada. Quando terminar a safra, elas estarão de volta porque foi a velha mangueira que lhes ofereceu abrigo para a construção dos seus sonhos.
Mais informações:
Bonequeiras do Crato: Avenida Perimetral, 235C, Bairro São Miguel (88) 9911.6617, (88) 8809.6838


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