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Redação do Gterra, 22/02/2012 às 20h59min

Sedet coordena projeto que dinamiza produção de Carnaúba com secador solar

A proposta de intervenção partiu de um projeto de Apoio a Arranjos Produtivos Locais apoiado pelo CNPq e atenderá Campo Maior e Coivaras.

Foto: Ascom Sedet coordena projeto que dinamiza produção de Carnaúba com secador solar
Sedet coordena projeto que dinamiza produção de Carnaúba com secador solar
Edição: Gterra

 A carnaúba sempre esteve presente na vida do piauiense. A palmeira está presente na estrutura das casas, na medicina popular, no artesanato, nas vassouras e sua cera é um dos principais produtos exportados pelo estado. Sabendo da importância da carnaúba para o Piauí, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (Sedet) está trabalhando com um projeto que irá dinamizar a produção dos derivados do vegetal.

A iniciativa trata da transferência de tecnologia para implantação de unidades demonstrativas tecnológicas de secador solar móvel em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nos municípios de Campo Maior e Coivaras. O projeto tem por objetivo principal reformular a base produtiva com a introdução de tecnologias apropriadas à extração do pó da cera, melhorando sua qualidade e evitando o desperdício do processo usual além de desenvolver produtos artesanais a partir da palha de carnaúba. A meta é aumentar a produtividade dos derivados da palmeira e, por consequência, gerar mais renda às famílias beneficiadas.

Isso será possível devido ao uso de um secador solar, espécie de estufa desenvolvida na Universidade Federal do Piauí, montado em uma estrutura metálica cujas paredes laterais são cobertas por um plástico flexível e resistente ao vento, chuva e temperatura elevada. Na parte superior há um exaustor e o piso de dentro é recoberto com lona plástica. Neste processo, as palhas são colocadas uma ao lado da outra, penduradas em varais e, sob temperaturas que chegam a 65°C, secam em 48h.

Em seguida, entra em cena a derriçadeira, que possui palhetas vibratórias que em contato com as palhas derrubam o pó, que cai sobre a lona plástica e é coletado e armazenado. O uso do secador solar, além de aumentar a produção do pó cerífero e da cera, resulta em um produto mais limpo (puro), de melhor qualidade e, por isso, com valor superior de mercado. Segundo pesquisas, em um hectare de carnaubal produz-se 160kg de pó pelo método tradicional e 209kg com o uso do secador.

Segundo a diretora de Indústria da Sedet, Ivani Gonçalves, o projeto, orçado em R$ 627 mil, também contempla a qualificação de produtores, a preservação dos carnaubais e a multiplicação da tecnologia para outras comunidades. Os recursos são oriundos do Ministério do Meio Ambiente através do Fundo Clima e do Governo do Estado do Piauí.

O projeto começou a ser executado neste mês de fevereiro com sua apresentação na cidade de Coivaras e será coordenado pela Sedet com o apoio de diversas instituições como Incra, Ministério do Meio Ambiente, UFPI, Uespi, SDR, Sebrae, Agência de Fomento,BNB, dentre outras.

A proposta de intervenção partiu de um projeto de Apoio a Arranjos Produtivos Locais apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), onde o pesquisador selecionou o APL da Carnaúba da Região de Campo Maior – Piaui. A introdução da tecnologia do secador solar móvel é um desafio para o Piauí, visto que, apesar de desenvolvida no estado, foi transferida inicialmente para o Ceará.

Experiência
Um projeto piloto foi realizado no povoado de São Domingos, município de Caridade, situado no semiárido cearense. As famílias da localidade já trabalhavam na atividade de extração do pó da carnaúba e artesanato com a palha da palmeira e foram receptivos à implantação da tecnologia.

No Piauí, as cidades selecionadas UDTs são Campo Maior e Coivaras que já possuem histórico com a atividade nos carnaubais e com o artesanato da palha da carnaúba. "Apresentamos o projeto aos produtores de Coivaras que foram muito receptivos. Eles já produzem vassouras de palha e cremos que será uma boa alternativa para a produção deles", avalia a diretora de Indústria da Sedet, Ivani Gonçalves.






Fonte: Ascom

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