Assassinos rezam com a vítima - Polícia - Gterra

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Redação do Gterra, 27/11/2008 às 16h22min

Assassinos rezam com a vítima

'Cearazinho' e diz que assistiu à missa perto do advogado

Capturados pela Polícia Rodoviária Federal na última segunda-feira em Chorozinho, no Ceará, Emerson Viana, o 'Cearazinho', autor dos disparos que mataram o advogado José Francisco Vieira, do Grupo Líder, Almir Brito e Marcelo Santiago chegaram a Belém ontem. 'Cearazinho' e Marcelo foram autuados por latrocínio (roubo seguido de morte) e formação de quadrilha. Almir vai ficar preso por cinco dias enquanto a Polícia investiga seu envolvimento no crime. Detalhe que a Polícia não sabia foi revelado ontem por Cearazinho: dois dos assassinos participaram de uma missa celebrada na igreja Santo Antônio de Lisboa ao lado das vítimas.

'Cearazinho' e Almir chegaram no Aeroporto Internacional Val-de-Cans às 11h05 de ontem. Três viaturas do Grupo de Polícia Metropolitana (GPM) estavam à espera dos bandidos. Marcelo chegou às 14h em outro vôo. Encaminhados à Seccional da Cremação, onde o crime foi registrado, 'Cearazinho' e Almir prestaram depoimento no início da tarde. Depois, foram entrevistados por um grupo jornalistas acompanhados do delegados Paulo Tamer, Éder Mauro - que viajou para o Ceará para recambiar os presos - e Walter Resende, que estão à frente das investigações. Eles estavam vestidos com as roupas do dia do crime. Diante dos acusados, a Polícia pôs dois revólveres apreendidos com os bandidos - um deles, de calibre 38, utilizado no latrocínio.

Segundo 'Cearazinho' relatou ao delegado Éder Mauro, ele e os demais acusados Walber Santana Muniz Franco (o 'Negão), Diego Carvalho da Conceição ('Bisteca'), Marcelo Santiago e Raimundo do Remédio Rodrigues (este ainda foragido) decidiram assaltar a residência de José Francisco Vieira após observações minuciosas de uma série de mansões localizadas no Jurunas e na Cremação. Eles garantiram que só tinham um objetivo: roubar objetos de valor e dinheiro da residência escolhida, a casa de José Francisco.

Durante toda a semana anterior ao crime, os acusados passaram a estudar a rotina e os horários da família da vítima - tudo com a ajuda de Marcelo, que por algum tempo morou próximo à casa, que fica na rua Fernando Guilhon, no Jurunas. Almir entra no inquérito policial por ter sido visto com a quadrilha dois dias antes do crime, além de ter fugido com os bandidos após a morte do advogado, mas sua participação direta no crime ainda não foi comprovada.


MISSA


No dia do assassinato, José Francisco Vieira e a esposa, Neuza Maria Rodrigues, saíram de casa ainda cedo para ir à missa celebrada na capela da igreja Santo Antônio de Lisboa. O bando seguiu o veículo da vítima em um Astra até a porta da igreja, em Batista Campos. O que até então não se sabia é que 'Cearazinho' e Marcelo, para não levantar suspeitas, entraram no templo e participaram da missa bem perto do casal, segundo relatou o autor dos disparos ao delegado Éder Mauro.

'Os dois entraram na igreja, o Marcelo ficou nos fundos e Cearazinho sentou-se no banco atrás da vítima e de sua mulher. Eles achavam que iam ser motivo de suspeita parados na frente do local. Chegaram até a afirmar que Neuza teria olhado para o carro como se estivesse suspeitando', disse o delegado.

Depois da missa, o bando seguiu o carro do casal até a porta de sua residência, onde o latrocínio ocorreu de forma rápida e atrapalhada. Cearazinho afirma que atirou no advogado logo após ele tentar pegar um revólver que estava dentro do veículo, assim que jogou o controle do portão eletrônico da garagem no chão, para o acusado pegar. A esposa da vítima também não foi mirada pelo revólver do criminoso, o que indica que não havia intenção prévia de matá-los.

Cearazinho pede desculpas. Advogado da família da vítima fala em justiça.

Cearazinho disse estar arrependido e consciente da gravidade do crime que cometeu. 'Num assalto, ninguém pensa em matar. A gente foi primeiramente só para roubar, não esperava a reação deles. Agora, a gente tem que pagar mesmo pelo que aconteceu. Eu pessoalmente peço desculpas à família dele, peço desculpas a todo mundo que sofreu por isso', disse.

Segundo o diretor de Polícia Metropolitana, delegado Paulo Tamer, ainda falta que Raimundo do Remédio Rodrigues, o 'Raimundo dos Remédios', seja capturado e que a participação de Almir Brito no crime seja comprovada. Além disso, não se descarta a possibilidade de um sexto envolvido no caso e uma mudança nos rumos da investigação.

'As câmeras de segurança da residência captaram apenas alguns deles, mas já temos indícios da participação e detalhes de cada um. Os depoimentos que já coletamos reforçam em muito a tese de um assalto atrapalhado, no qual eles não esperavam a reação e acabaram matando a vítima por acidente. Mesmo assim, ainda é preciso cruzar os depoimentos e ver que conclusão tomar', explica o delegado.


NEGOCIAÇÃO


O delegado Éder Mauro disse que a negociação para recambiar 'Cearazinho', Almir e Marcelo ao Pará foi complicada e repleta de detalhes burocráticos. Primeiramente, porque os acusados já haviam sido autuados no município de Novo Horizonte, a 70 km de Fortaleza, por porte ilegal de armas, e também pelo fato de que eles foram capturados pela Polícia Rodoviária Federal após longa perseguição na BR-116, no trecho entre a capital cearense e o município de Chorozinho, por volta das 13 horas de segunda-feira.

'O veículo no qual eles estavam, o Astra, foi levado até o Maranhão numa ‘cegonha’ (caminhão que transporta automóveis) e depois conduzido por eles mesmos até o Ceará, segundo eles relataram. Todo esse percurso foi estudado pela Polícia Federal, até chegar na hora de prendê-los, nesse trecho da rodovia. Só que eles tentaram fugir e acabaram sendo perseguidos até bater o carro, após perder a direção por conta do nervosismo. Como já estavam autuados pela Polícia do Ceará, tivemos que negociar a vinda deles com todo um processo burocrático', explica. 'Trouxemos eles de volta o mais rápido que pudemos', conclui Eder Mauro.


JUSTIÇA


O advogado do Grupo Líder e da família de José Francisco Vieira, Clodomir Araújo, esteve na Seccional da Cremação para acompanhar a chegada dos acusados a Belém e elogiou a rapidez da Polícia para elucidar o caso e trazer os acusados de volta. 'Não só eu, mas toda a família está parabenizando a ação da Polícia nessa investigação. Mesmo com a fuga, eles conseguiram capturar quatro dos cinco bandidos em menos de um mês. Agora só falta o quinto elemento', disse.

Segundo Araújo, os familiares da vítima não desejam vingança, mas querem que a Justiça trate de punir todos os envolvidos no crime. 'O Cearazinho chegou a pedir desculpa aqui, mas é preciso saber que uma situação destas não tem a ver com desculpa, tem a ver com sofrimento, com algo que não pode ser desfeito. A família não quer se vingar dele, quer apenas que eles sejam julgados e punidos exatamente pelo que fizeram, e as esperanças estão sendo correspondidas', diz o advogado.




Fonte: PortaL orm

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