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Redação do Gterra, 16/01/2010 às 12h01min

Condições precárias da cadeia revoltam detentas

Presas do Crisma protestam contra precariedade da unidade prisional

Foto: Divulgação Detentas reclamam das condições do Crisma
Detentas reclamam das condições do Crisma
Edição Gterra

Cerca de 80 presas do Centro de Reeducação e Inclusão Social de Mulheres Apenadas (Crisma), no bairro Olho d’Água, se organizaram, ontem à tarde, para protestar contra algumas situações, segundo elas, precárias vividas pelas detentas da unidade. Entre as reclamações anunciadas na manifestação, que ocorreu no pátio interno da pequena casa de detenção, está a falta de ambulância, o atraso no pagamento dos serviços desenvolvidos pelas internas, e principalmente pela substituição dos agentes penitenciários por monitores de uma empresa terceirizada.

Durante quase três horas, as detentas contaram sua dificuldades. Como não foi autorizada a entrar no Crisma, a equipe de reportagem do Jornal Pequeno precisou ouvir as presas do portão externo da unidade. A primeira a desabafar foi Maria Silma Frazão, 32 anos, mãe de três filhos, sendo que um deles, uma menina de apenas três meses de idade, convive dentro do centro com os problemas da casa.

“Eles querem trocar os agentes pelo monitores só para nós ficarmos trancadas 24 horas nas celas. Aqui, nunca houve conflito. As presas são educadas e trabalhadoras. Não tem necessidade de haver essa mudança. Na verdade, eles deveriam se preocupar com a nossa saúde, pois até a ambulância que atendia o centro queimou recentemente”, denunciou a presa, que é moradora do bairro Jordoa, e há sete meses está no Crisma.

Outra reclamação das detentas é a falta, conforme elas, de mutirões carcerários – grupos compostos por magistrados para analisar a situação dos presos de Justiça. De acordo com as presas, muitas internas já cumpriram a pena e não receberam a liberdade, nem foram beneficiadas por bom comportamento. É o caso de Genilza Araújo, 22 anos. Natural do estado do Acre, ela foi presa em 2005 por tráfico de drogas, quando chegava ao aeroporto de São Luís com entorpecentes.

“Fui condenada a quatro anos de prisão. O problema é que já cumpri três anos, 11 meses, e 28 dias, e ninguém ainda veio aqui me dizer se vou ou não continuar presa. Para o que precisa realmente ser feito, isso eles não se importam. Eles querem apenas gastar o dinheiro público à toa”, protestou a detenta que não tem familiares na capital, e só depende de ajuda dos pais que ficaram no Norte, e que dificilmente mantém contato com a presa.

Raquel Melo, 30 anos, foi condenada a 20 por latrocínio (roubo seguido de morte). No início do protesto, ela havia sido levada para ser atendida em um hospital da capital por sofrer com a presença de três cistos no útero. Antes do fim da manifestação, a detenta chegou, acompanhada dos agentes penitenciários, e antes de conduzida para dentro do Crisma descreveu rapidamente os problemas das presas que organizavam o protesto.

“Aqui no Crisma existem 10 celas abafadas. A maioria das presas tem filhos, então como essas crianças vão ser criadas com tanto calor? Além disso, queremos dizer que não somos vagabundas. Aqui todas trabalham com artesanato, costura, e lava. A bolsa de R$ 200 que recebíamos da secretaria de segurança está atrasada em quatro meses”, denunciou a detenta, antes de ser trancada na área de banho de sol da unidade prisional.

Promessa e alerta – Após uma longa conversa com as presas, o supervisor da penitenciária, João Bispo Serejo, conseguiu convencer as detentas para que cessassem a manifestação. Ele não se pronunciou sobre o assunto para alguns veículos de imprensa que acompanharam o protesto na porta do Crisma, porém, algumas internas reproduziram o que teria sido a promessa dada por ele. “Ele disse que até a próxima quarta-feira, 20, resolve o nosso problema. Mas nós queremos avisar que, se isso não acontecer, nós vamos esquecer que somos educadas”, alertou uma das presas pelo portão da unidade




Fonte: JP

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