Polícia

Redação do Gterra, 08/02/2010 às 12h05min

Em faixa, comerciante pede que ladrões suspendam assaltos

Por favor, não roube essa faixa".

Foto: Rose Mary de Souza/Terra Comerciante escreveu cartaz para que os ladrões retornassem em outra hora, em Paulínia
Comerciante escreveu cartaz para que os ladrões retornassem em outra hora, em Paulínia
Edição Gterra


São Paulo - Com um misto de indignação e humilhação, o comerciante Thiago Fernando Beraldo, 32 anos, de Paulínia, na região de Campinas, protestou contra a violência com um recado direto aos assaltantes. Na janela de vidro da loja, afixou um cartaz com a frase: "Srs. ladrões: pedimos a gentileza que aguardem ao menos a reposição do estoque para a próxima visita. Grato". Em uma grande faixa estendida sobre o muro do estacionamento, completou a mensagem: "Em menos de um mês fomos assaltados duas vezes. Por favor, não roube essa faixa".


Há dez anos atuando no comércio e venda de artigos de informática, Beraldo chegou a administrar seis lojas na cidade. Mas com o acúmulo de prejuízos causado pela onda de roubos e com empregados aterrorizados se recusando a voltar ao trabalho, ele se viu obrigado a fechar três empresas e dispensar 20 funcionários. No total, foram seis grandes assaltos e outros pequenos roubos que ele diz ter perdido a conta.

"Teve gente que ficou chocada falando do quanto é desagradável expor esses cartazes e outros até acharam engraçado. Isso é apenas uma forma de protesto", disse. A loja de Beraldo está ao lado de uma loja de lingerie e de uma lan house que nunca foram assaltadas.

O comerciante afirma que só quem passou por um assalto pode dimensionar o estresse que isso traz. "Eu, minha irmã e os funcionários ficamos na mira de bandidos fortemente armados. Eles faziam ameaças e nos insultavam. Fomos trancados em um quartinho enquanto eles levavam o que queriam daqui dentro", disse.

A gota d'água, segundo ele, foi no último dia 27 de janeiro. Por volta das 12h30, seis homens levaram em 15 minutos R$ 20 mil em mercadorias. Em dezembro, época de grande movimento e com a casa lotada de novidades de equipamentos, os assaltantes roubaram quase R$ 60 mil em artigos de informática. "Um dos homens trazia uma arma na cintura e outras em ambas as mãos. Nenhum escondeu o rosto. Nós temos câmeras de vigilância, tudo foi gravado, eles nem se importaram. Por isso nosso recado", afirmou.

Segundo a Guarda Municipal de Paulínia, o esquema de segurança na cidade será ampliado. No final do mês de janeiro, a corporação recebeu um lote de 100 novas armas calibre 380, munições e coletes à prova de bala, entre outros equipamentos. A GM tem em andamento uma licitação para aquisição de 23 novas viaturas.

Para o próximo semestre é planejada a contratação de 40 novos guardas municipais para aumentar o efetivo. O secretário de Segurança Pública de Paulínia, Ronaldo Pontes Furtado, está viajando e não pode falar com a reportagem. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informa que o aumento de casos de roubos e furtos na cidade em 2009, em comparação a 2008, está relacionado à crise econômica mundial.



Fonte: Rose Mary de Souza, do Terra

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