Polícia
Redação do Gterra, 04/07/2011 às 18h13minPolÃcia evita golpe de meio milhão de reais em cheques adulterados
Os detalhes da operação do grupo foram descobertos depois da prisão do cearense José Fábio Martins, de 29 anos, apresentado nesta segunda-feira
Edição Gterra
A polícia investiga uma quadrilha de adulteração de cheques que aplica golpes de pelo menos R$ 1 milhão por mês. O grupo compra informações das vítimas por meio de profissionais aliciados em estabelecimentos comerciais legais, que recebem os cheques como forma de pagamento, ao custo de R$ 12. Os dados são impressos em papéis de cheques em branco, adquiridos por meio de roubos ou pela corrupção de trabalhadores de gráficas, contratadas originalmente pelos próprios bancos, que vendem folhas em branco por até R$ 20 cada.
Os detalhes da operação do grupo foram descobertos depois da prisão do cearense José Fábio Martins, de 29 anos, apresentado nesta segunda-feira (4). O jovem, morador de São Paulo, principal estado onde a quadrilha atua, foi preso quando tentava depositar R$ 462.744, em cheques, em uma agência bancária do bairro da Ilha do Leite, no Recife. O dinheiro seria creditado em diversas contas de pessoas físicas de São Paulo. “Em depoimento, ele afirmou que o motivo da viagem para depositar os cheques aqui no Recife seria pela velocidade de compensação bancária, mas acreditamos que, na verdade, além das informações serem colhidas aqui, os cheques também teriam impressão em gráficas pernambucanas”, afirmou o delegado Jullyard Baquil.
De acordo com as investigações, José Fábio, que veio a Pernambuco pela segunda vez desde que começou a atuar no esquema, já recebia os envelopes lacrados, sem conhecimento da quantidade de dinheiro envolvida na ação. Pelo serviço, ele supostamente receberia R$ 600. Outras cinco agências da Região Metropolitana receberiam os depósitos que totalizavam 278 cheques adulterados. Entre os problemas identificados, estão raspagens de dados originais, números divergentes de identificação das folhas e impressão clandestina das informações, adulterações nem sempre identificadas pelas instituições bancárias, dado o grande volume diário de cheques negociados.
O jovem foi autuado por tentativa de estelionato, que pode resultar em pena que varia de 6 meses a 3 anos e meio de reclusão. No entanto, como o inquérito será entregue à Justiça nos próximos dez dias, quando as investigações deverão continuar, José Fábio ainda pode responder por falsidade ideológica, formação de quadrilha, além de estelionato propriamente dito, tendo em vista ter depositado outros cheques quando esteve pela primeira vez no Recife, na primeira quinzena de junho.
Prevenção – De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Informação, Verificação e Garantia de Cheques (Abracheque), cerca de 20% das devoluções de cheques no Brasil, em 2010, tiveram como causa roubos ou fraudes, como a clonagem. Segundo a Delegacia de Estelionato de Pernambuco, o número de casos de fraudes, manuais ou por gráficas, teve crescimento considerável no estado desde novembro do ano passado. O avanço das tecnologias, incluindo as de impressão, facilitam a ação das quadrilhas, apesar dos dispositivos de segurança presentes nas folhas de cheque.
No entanto, há métodos simples que podem ajudar o recebedor a identificar adulterações. Para isso, é preciso verificar se há raspagem ou violação da superfície do cheque, o que pode ser verificado a olho nu, mas que fica mais evidente ao ser colocado contra a luz. Além disso, a numeração do CNC-7, no rodapé da folha deve conter todos os dígitos de identificação do documento, como agência e número de conta. Por fim, verifica-se as chamadas ‘linhas loucas’, listras que servem como uma ‘impressão digital’ do cheque original e nunca se repetem de folha para folha, mas que podem ser idênticas no caso de adulteração.
De acordo com o delegado titular de estelionato, Rômulo Aires, o cheque é um formato válido de pagamento à vista e não necessariamente precisa ser deixado de lado, mas que pode ser utilizado com mais cuidado para evitar ser vítima desse tipo de golpe. “É preferível não passar cheques a profissionais que os negociam, ou seja, que os passam a frente para troca ou pagamento de dívidas do próprio negócio. É assim em casos de alguns postos de gasolina e restaurantes”, recomenda.
Por Ed Wanderley

A polícia investiga uma quadrilha de adulteração de cheques que aplica golpes de pelo menos R$ 1 milhão por mês. O grupo compra informações das vítimas por meio de profissionais aliciados em estabelecimentos comerciais legais, que recebem os cheques como forma de pagamento, ao custo de R$ 12. Os dados são impressos em papéis de cheques em branco, adquiridos por meio de roubos ou pela corrupção de trabalhadores de gráficas, contratadas originalmente pelos próprios bancos, que vendem folhas em branco por até R$ 20 cada.
Os detalhes da operação do grupo foram descobertos depois da prisão do cearense José Fábio Martins, de 29 anos, apresentado nesta segunda-feira (4). O jovem, morador de São Paulo, principal estado onde a quadrilha atua, foi preso quando tentava depositar R$ 462.744, em cheques, em uma agência bancária do bairro da Ilha do Leite, no Recife. O dinheiro seria creditado em diversas contas de pessoas físicas de São Paulo. “Em depoimento, ele afirmou que o motivo da viagem para depositar os cheques aqui no Recife seria pela velocidade de compensação bancária, mas acreditamos que, na verdade, além das informações serem colhidas aqui, os cheques também teriam impressão em gráficas pernambucanas”, afirmou o delegado Jullyard Baquil.
De acordo com as investigações, José Fábio, que veio a Pernambuco pela segunda vez desde que começou a atuar no esquema, já recebia os envelopes lacrados, sem conhecimento da quantidade de dinheiro envolvida na ação. Pelo serviço, ele supostamente receberia R$ 600. Outras cinco agências da Região Metropolitana receberiam os depósitos que totalizavam 278 cheques adulterados. Entre os problemas identificados, estão raspagens de dados originais, números divergentes de identificação das folhas e impressão clandestina das informações, adulterações nem sempre identificadas pelas instituições bancárias, dado o grande volume diário de cheques negociados.
O jovem foi autuado por tentativa de estelionato, que pode resultar em pena que varia de 6 meses a 3 anos e meio de reclusão. No entanto, como o inquérito será entregue à Justiça nos próximos dez dias, quando as investigações deverão continuar, José Fábio ainda pode responder por falsidade ideológica, formação de quadrilha, além de estelionato propriamente dito, tendo em vista ter depositado outros cheques quando esteve pela primeira vez no Recife, na primeira quinzena de junho.
Prevenção – De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Informação, Verificação e Garantia de Cheques (Abracheque), cerca de 20% das devoluções de cheques no Brasil, em 2010, tiveram como causa roubos ou fraudes, como a clonagem. Segundo a Delegacia de Estelionato de Pernambuco, o número de casos de fraudes, manuais ou por gráficas, teve crescimento considerável no estado desde novembro do ano passado. O avanço das tecnologias, incluindo as de impressão, facilitam a ação das quadrilhas, apesar dos dispositivos de segurança presentes nas folhas de cheque.
No entanto, há métodos simples que podem ajudar o recebedor a identificar adulterações. Para isso, é preciso verificar se há raspagem ou violação da superfície do cheque, o que pode ser verificado a olho nu, mas que fica mais evidente ao ser colocado contra a luz. Além disso, a numeração do CNC-7, no rodapé da folha deve conter todos os dígitos de identificação do documento, como agência e número de conta. Por fim, verifica-se as chamadas ‘linhas loucas’, listras que servem como uma ‘impressão digital’ do cheque original e nunca se repetem de folha para folha, mas que podem ser idênticas no caso de adulteração.
De acordo com o delegado titular de estelionato, Rômulo Aires, o cheque é um formato válido de pagamento à vista e não necessariamente precisa ser deixado de lado, mas que pode ser utilizado com mais cuidado para evitar ser vítima desse tipo de golpe. “É preferível não passar cheques a profissionais que os negociam, ou seja, que os passam a frente para troca ou pagamento de dívidas do próprio negócio. É assim em casos de alguns postos de gasolina e restaurantes”, recomenda.
Por Ed Wanderley

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