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Redação do Gterra, 18/01/2012 às 10h07min

Polícia investiga máfia por comando de cartórios

Devido ameaça de morte feita a Juiza Lucimary Campos e dois tabeliães, polícia apura disputa acirrada pelo controle de cartórios na capital

Edição Gterra



 São Luis - Uma suposta disputa por titularidade de cartórios no estado será alvo das investigações policiais sobre denúncia de ameaça de morte à juíza Lucimary Castelo Branco Campos dos Santos e dois tabeliões - Ana Carolina Brasil Campos Maciel, do Cartório de São Mateus e o substituto do Cartório de Maranhãozinho que não teve o nome revelado.

A denúncia veio a público ontem, com confirmação durante depoimento do analista de sistemas Paulo Araújo Ferreira, preso como principal suspeito da execução plano. Segundo Paulo Ferreira, os assassinatos foram encomendados por Alice Ribeiro Brito, que é presidente da Associação dos Notários do Maranhão, e Luiz de França Belchior, titular do 3º Ofício de Notas da Capital.

O caso está sob investigação da Secretaria Estadual de Investigação Criminal (Seic) com apoio da Polícia Federal (PF) e Corregedoria Geral de Justiça (CGJ). Segundo o depoimento colhido na Seic, Paulo Ferreira havia dito que todo o plano foi discutido em um estabelecimento comercial na Cohab, entre Alice Brito, Luiz Belchior e o tabelião Fernando Cassionato. Pelo serviço, Paulo receberia cerca de R$ 70 mil, segundo disse em depoimento.

Segundo o analista de sistema, a juíza era alvo por interferir no concurso de notários e por querer o controle do cartório do 1º Ofício de São José de Ribamar, cuja titular Luciene Castelo Branco é sua própria mãe.

Quanto à tabeliã Ana Carolina Brasil, o motivo seria porque Luiz Belchior pretendia ocupar o cartório do 3º Ofício de Notas da Capital. Mas, em durante acareação com a Alice Brito, o analista de sistema desmentiu todo o depoimento e explicou nunca ter falado sobre tal assunto com as pessoas por ele citadas como mandantes e tudo ter sido fruto de sua imaginação.

A Corregedoria Geral da Justiça já havia sido informada dos fatos pela própria juíza supostamente ameaçada. Ela teria dito que foi procurada pelo matador de aluguel que lhe pedia dinheiro para não matá-la.

O inquérito sobre o caso ainda está em andamento e as informações estão sendo repassadas ao corregedor-geral da Justiça, desembargador Cleones Cunha, que está acompanhando todos os fatos, segundo a assessoria da entidade. A reportagem tentou contato com o desembargador, mas foi informada que qualquer pronunciamento será feito após a conclusão das investigações policiais.

O analista de sistema continua preso, à disposição da polícia. Além de uma suposta briga por comando nos cartórios, a polícia investigará ainda o motivo da cobrança de cerca de R$ 600 à Alice Brito e a possível utilização de programas de computador para prática de fraudes.

Paulo teria criado 13 programas com objetivo de cometer crimes ilícitos pela internet. O financiador dos programas, que teriam custado cerca de R$ 15 mil, foi Luiz Belchior, segundo denunciou o analista de sistemas. Paulo disse ter montado um computador para invadir sistemas, todos com nomes femininos.

Segurança de magistrados

De férias e fora do estado, a juíza Lucimary Castelo Branco, por meio da CGJ, também disse que só falará sobre as ameaças de morte após encerrar os trabalhos da polícia. A juíza esclarece que já havia feito comunicado formal das ameaças desde o início do mês, à CGJ e à Polícia Federal (PF).
Segundo ela, não houve mudança em sua rotina de atividades e nem reforço em sua segurança pessoal. O Tribunal de Justiça e o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança Pública, sinalizaram a assinatura de convênio para intensificar medidas de proteção a desembargadores e juízes - vítimas ou não de ameaças. A parceria enfatiza ações em caráter preventivo e prevê, inclusive, a oferta de cursos de defesa pessoal. O assunto volta a ser discutido amanhã, pelo presidente do TJMA, desembargador Antônio Guerreiro Júnior, e o secretário Aluísio Mendes. Conta com segurança a juíza da Comarca de Santa Quitéria, Elaine Silva Carvalho.
Ela foi ameaçada por assaltantes de banco cuja prisão foi por ela decretada. À sua disposição há um policial militar em tempo integral. O acordo prevê ainda que militares da reserva poderão atuar na segurança dos fóruns. Segundo secretário Aluisío Mendes, o efetivo de vigilância nos fóruns das comarcas do interior serão reforçados e treinar policiais.




Fonte: O Imparcial

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