Política
Redação do Gterra, 23/10/2011 às 10h12min‘Esporteduto’ montado por PC do B controla verba do governo federal
A presença de comunistas nas duas pontas do “esporteduto” não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo
Edição Gterra
O mapa de repasses do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, revela que o ministro Orlando Silva alimentou com verbas federais a rede de militantes que, nos últimos anos, o PC do B instalou em postos-chave do nicho esportivo no setor público. Nos últimos dois anos, prefeituras e secretarias municipais de Esporte controladas pelo partido estiveram entre as maiores beneficiadas por recursos do Segundo Tempo, criado para promover atividades físicas entre estudantes.
A presença de comunistas nas duas pontas do “esporteduto” não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo praticamente todas as reivindicações de cargos nas esferas federal, estadual e municipal.
Entre as prefeituras, de janeiro a outubro de 2011, a que recebeu o maior repasse per capita do Segundo Tempo foi a de Sobral (CE), cidade em que o coordenador do programa é um ex-candidato a vereador e dirigente municipal do PC do B. Foi quase R$ 1,5 milhão para uma população de cerca de 188 mil moradores, segundo levantamento do Contas Abertas, entidade especializada na análise de contas públicas.
Militantes do PC do B também administram os recursos liberados pelo ministério em Goiânia (R$ 2,2 milhões) e Fortaleza (R$ 980 mil), duas capitais nas quais o partido conseguiu nomear os secretários de Esporte por causa de acordos com o PT, que governa as duas cidades. Na capital cearense, o secretário é suplente de vereador e professor de história; em Goiânia, advogado e dirigente partidário.
Em Goiás, secretaria de aliado está sob suspeita
Auditoria da Controladoria-Geral da União, regional de Goiás, encontrou diversas irregularidades no processo de licitação para construção do Parque Mutirama de Goiânia. O relatório aponta superfaturamento na obra e sugere a suspensão dos repasses do Ministério do Turismo. O caso, que está sob investigação do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas dos Municípios, lança no olho do furacão o secretário Luiz Carlos Orro, de Esportes e Lazer de Goiânia, vinculado ao PC do B, e o prefeito da cidade, Paulo Garcia (PT).
A obra foi orçada em R$ 56 milhões. A maior parte dos recursos, cerca de R$ 46 milhões, é bancada pelo Ministério do Turismo. O restante, R$ 10 milhões, é a contrapartida da Prefeitura de Goiânia. A auditoria da CGU, encerrada há duas semanas, pede ao Ministério do Turismo para suspender todos repasses e indica que uma nova licitação deve ser feita. O documento foi entregue, há dois dias, ao secretário municipal de Turismo, Barbosa Neto. Procurados, o prefeito e os secretários Luiz Carlos Orro e Barbosa Neto não responderam às ligações da reportagem.
A constatação da CGU, à qual o Estado teve acesso exclusivo, já provocou reação. O procurador da República, Marcelo Santiago Wolffe, que investiga a licitação, anunciou que vai requerer a suspensão da obra na Justiça Federal. “Vou pedir, novamente, a paralisação da construção do parque”, disse.
PC do B expande no Rio hegemonia sobre setor
O comando do Ministério do Esporte por mais de oito anos deu corpo e status ao PC do B para pleitear pastas nas prefeituras fluminenses. Apesar de não governar nenhum município do Rio, a sigla está em oito secretarias de Esportes do Estado, com cinco secretários e três subsecretários. Essa participação representa quase metade das 17 pastas com presença do partido no Rio.
O gabinete mais relevante do PC do B fluminense é a Secretaria de Esportes da capital, ocupada desde novembro de 2010 por Romário Galvão Maia, presidente do comitê municipal do partido. Apesar do espaço concedido à legenda, a Prefeitura do Rio não recebeu nenhum repasse do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, desde que os comunistas assumiram a pasta.
Em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, o subsecretário de Esportes é Manoel Jayme Ramos de Souza, presidente do comitê municipal do PC do B. Em agosto, ele recebeu o secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar Silva de Souza, para a assinatura de um convênio de R$ 759 mil entre a prefeitura e o governo federal para a reforma de um clube da cidade.
O município de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense, recebeu R$ 529 mil do Ministério do Esporte em 2009, quando o prefeito era Lindbergh Farias, atual senador pelo PT e ex-integrante do PC do B.

O mapa de repasses do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, revela que o ministro Orlando Silva alimentou com verbas federais a rede de militantes que, nos últimos anos, o PC do B instalou em postos-chave do nicho esportivo no setor público. Nos últimos dois anos, prefeituras e secretarias municipais de Esporte controladas pelo partido estiveram entre as maiores beneficiadas por recursos do Segundo Tempo, criado para promover atividades físicas entre estudantes.
A presença de comunistas nas duas pontas do “esporteduto” não é casual: mesmo antes de fincar bandeira na Esplanada dos Ministérios, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o partido havia estabelecido como estratégia concentrar no setor esportivo praticamente todas as reivindicações de cargos nas esferas federal, estadual e municipal.
Entre as prefeituras, de janeiro a outubro de 2011, a que recebeu o maior repasse per capita do Segundo Tempo foi a de Sobral (CE), cidade em que o coordenador do programa é um ex-candidato a vereador e dirigente municipal do PC do B. Foi quase R$ 1,5 milhão para uma população de cerca de 188 mil moradores, segundo levantamento do Contas Abertas, entidade especializada na análise de contas públicas.
Militantes do PC do B também administram os recursos liberados pelo ministério em Goiânia (R$ 2,2 milhões) e Fortaleza (R$ 980 mil), duas capitais nas quais o partido conseguiu nomear os secretários de Esporte por causa de acordos com o PT, que governa as duas cidades. Na capital cearense, o secretário é suplente de vereador e professor de história; em Goiânia, advogado e dirigente partidário.
Em Goiás, secretaria de aliado está sob suspeita
Auditoria da Controladoria-Geral da União, regional de Goiás, encontrou diversas irregularidades no processo de licitação para construção do Parque Mutirama de Goiânia. O relatório aponta superfaturamento na obra e sugere a suspensão dos repasses do Ministério do Turismo. O caso, que está sob investigação do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas dos Municípios, lança no olho do furacão o secretário Luiz Carlos Orro, de Esportes e Lazer de Goiânia, vinculado ao PC do B, e o prefeito da cidade, Paulo Garcia (PT).
A obra foi orçada em R$ 56 milhões. A maior parte dos recursos, cerca de R$ 46 milhões, é bancada pelo Ministério do Turismo. O restante, R$ 10 milhões, é a contrapartida da Prefeitura de Goiânia. A auditoria da CGU, encerrada há duas semanas, pede ao Ministério do Turismo para suspender todos repasses e indica que uma nova licitação deve ser feita. O documento foi entregue, há dois dias, ao secretário municipal de Turismo, Barbosa Neto. Procurados, o prefeito e os secretários Luiz Carlos Orro e Barbosa Neto não responderam às ligações da reportagem.
A constatação da CGU, à qual o Estado teve acesso exclusivo, já provocou reação. O procurador da República, Marcelo Santiago Wolffe, que investiga a licitação, anunciou que vai requerer a suspensão da obra na Justiça Federal. “Vou pedir, novamente, a paralisação da construção do parque”, disse.
PC do B expande no Rio hegemonia sobre setor
O comando do Ministério do Esporte por mais de oito anos deu corpo e status ao PC do B para pleitear pastas nas prefeituras fluminenses. Apesar de não governar nenhum município do Rio, a sigla está em oito secretarias de Esportes do Estado, com cinco secretários e três subsecretários. Essa participação representa quase metade das 17 pastas com presença do partido no Rio.
O gabinete mais relevante do PC do B fluminense é a Secretaria de Esportes da capital, ocupada desde novembro de 2010 por Romário Galvão Maia, presidente do comitê municipal do partido. Apesar do espaço concedido à legenda, a Prefeitura do Rio não recebeu nenhum repasse do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, desde que os comunistas assumiram a pasta.
Em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, o subsecretário de Esportes é Manoel Jayme Ramos de Souza, presidente do comitê municipal do PC do B. Em agosto, ele recebeu o secretário executivo do Ministério do Esporte, Waldemar Silva de Souza, para a assinatura de um convênio de R$ 759 mil entre a prefeitura e o governo federal para a reforma de um clube da cidade.
O município de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense, recebeu R$ 529 mil do Ministério do Esporte em 2009, quando o prefeito era Lindbergh Farias, atual senador pelo PT e ex-integrante do PC do B.

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