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Política

Redação do Gterra, 22/02/2012 às 10h36min

Governo enfrenta ressaca

Presidenta enfrenta dor de cabeça com inflação persistente, indústria fragilizada e importações em alta, além da paralisia no Congresso e das ameaças de greve do funcionalismo,

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Dilma lembrou que quem bebe fica com os reflexos mais lentos no trânsito.
Dilma lembrou que quem bebe fica com os reflexos mais lentos no trânsito.
Edição Gterra




A quarta-feira de cinzas é quando, diz a tradição popular, o ano realmente começa. Para a presidente Dilma Rousseff, este 2012 iniciado ao meio-dia de hoje traz a ressaca da inflação persistente, da indústria fragilizada e das importações em alta. Para completar, ela ainda sofre as dores de cabeça de votações paradas no Congresso e das ameaças de greve do funcionalismo.

Será uma quaresma intraquila para o governo. A equipe econômica já se sente frustrada pelo crescimento minguado de 2011, em torno de 2,7%.Quando miram o futuro, os economistas do governo ainda veem o fantasma da crise europeia assombrar investidores e a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país em determinado período).

O carnaval, encerrado ontem, foi a trégua de todos esses males. Hoje, porém, a realidade bate à porta novamente. A inflação, apesar de ter desacelerado no acumulado de 12 meses, continua alta: na prévia da carestia oficial de fevereiro, a taxa acumulada está em 5,98%, longe do centro da meta, definida em 4,5%. Apesar da política monetária e da crise que derruba preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional), os serviços não cederam e continuam apertando o bolso do consumidor.

Só em janeiro, as matérias-primas encareceram 1,05% — o dobro do registrado em dezembro. Nos últimos 12 meses, a alta no setor de serviços foi de 9,2%. “Esse grupo não deu trégua, mas veio dentro do esperado. Essa parte demora mais para ceder e será a última a cair”, diz Carlos Thadeu de Freitas, economista da gestora de recursos Franklin Templeton. Tiago Curado, da Tendências Consultoria, explica que o governo está disposto a bancar um pouco mais de inflação em troca de um empurrãozinho no PIB.

Indústria preocupa

As sucessivas quedas do dólar — acompanhadas de perdas de mercado dos produtos nacionais para importados e a piora no saldo da balança comercial — deram novo ânimo aos críticos da desindustrialização. Para alguns analistas, a guerra cambial denunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Organização Mundial do Comércio (OMC) é a principal causa do recuo no percentual de participação da indústria nas exportações e no Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país em determinado período). Outros, contudo, preferem culpar o Custo Brasil, que abrange saturação da infraestrutura, o peso da carga tributária sobre os negócios e a burocracia.

O tema levou à mobilização na Câmara para criação uma frente parlamentar em defesa da indústria nacional, por iniciativa do deputado Newton Lima (PT-SP). Em sua justificativa para colher assinaturas, ele informa que o movimento busca reunir representantes de empresas, trabalhadores e governo para reagir à crescente redução da participação dos produtos nacionais no mercado interno e na pauta de exportações. “Vamos discutir e propor leis e políticas públicas que intensifiquem a inovação e valorizem o conteúdo nacional nas linhas de produção”, discursou Lima.

Avaliação de projetos sob suspeita

A contratação de profissionais do mercado cultural como peritos técnicos foi apresentada como a solução para a demora do Ministério da Cultura (MinC) em avaliar quais projetos podem ser beneficiados por leis de incentivo. Mas o sistema de pareceristas chega a seu terceiro ano de existência envolvido em suspeitas de conflitos de interesses que ameaçam a isenção dos pareceres emitidos e a eficácia da ideia. Pareceristas ouvidos pelo Correio relatam como a falta de critério do MinC leva a distorções, em que peritos trocam informações entre si e se valem do cargo para benefício próprio. Sem filtro, o ministério já chegou a pedir um parecer para o próprio autor do projeto.

Criado ainda na gestão do ex-ministro Juca Ferreira, o banco de pareceristas tem a missão de escrutinar cada detalhe dos projetos, como orçamento, impacto social e cultural, e a capacidade de o proponente executar a ideia. Seguindo uma tabela de preços que varia entre R$ 122 e R$ 1.649, de acordo com o valor do patrocínio que será dado, cabe ao parecerista dizer se o produtor de um show, peça de teatro, filme ou qualquer outro projeto cultural deve ou não ter sua ideia beneficiada pela Lei Rouanet.




Fonte: Correio Braziliense

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