'Marajá' que mediu forças com Collor em Alagoas se diz sobrevivente - Política - Gterra

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Redação do Gterra, 31/08/2010 às 08h12min

'Marajá' que mediu forças com Collor em Alagoas se diz sobrevivente

Contra a opinião pública, Barros foi o único, diz ele, a recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para reaver o salário integral. E ganhou

Edição Gterra



"Sou um sobrevivente", diz o advogado e ex-procurador-geral da Assembleia alagoana Luiz Gonzaga Mendes de Barros, 76, sobre sua disputa com Fernando Collor de Mello (PTB) desde 1986.

Há 24 anos, Barros iniciou um confronto que tinha, de um lado, o então candidato ao governo de Alagoas e seu mote de combate aos marajás --servidores que recebiam supersalários inflados por gratificações-- e, de outro, um assumido marajá.

Barros foi apontado pelo próprio Collor (à época, filiado ao PMDB), ainda em 1986, como modelo de servidor público a ser combatido.


No poder, já com projeção nacional e o apelido de caçador de marajás, o governador cortou pela metade os vencimentos de cerca de 300 servidores de carreira jurídica do Estado --Barros incluído.

Contra a opinião pública, Barros foi o único, diz ele, a recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para reaver o salário integral. E ganhou.

Para isso, Barros vestiu a carapuça de marajá. Fez até protesto contra Collor, que propalava haver congelado os salários. Barros colocou seu cheque numa caixa de isopor como protesto. "Para não derreter até chegar ao banco", conta, rindo.

O mote de caça aos marajás se repetiu na campanha presidencial de Collor (no PRN, em 1989). Sua eleição também projetou nacionalmente Barros, que personificou de vez a figura de marajá.

Apesar da exposição, não se constrangia. "Só lamentava pelo fato de marajás da Índia serem comparados a um servidor alagoano, mestiço de índio, negro e europeu."

ANTI-COLLOR

A fama que ele ganhou, na verdade, não foi negativa, diz Barros. "[Até] Dei autógrafos em São Paulo e Brasília. Ele me transformou no anti-Collor", afirma.

Sobre os salários em questão, Barros diz não se lembrar ao certo o valor. Fala em Cz$ 40 mil _cerca de 40 vezes o salário mínimo de março de 1987 (Cz$ 964,80).

Ironicamente, o ex-procurador-geral diz que nunca concordou com o modelo de gratificação que dava até 140% de aumento aos servidores da área jurídica do Estado. "Sempre achei um absurdo." Como tinha direito, porém, não recusou.

O advogado se orgulha pelo fato de ter sido "um mísero procurador da Assembleia de um Estado pequeno" que entrou na Justiça contra um governador (posteriormente eleito presidente da República) e ganhou a causa. "Hoje, se perguntam qual é a minha profissão, digo que sou um sobrevivente."

Barros se aposentou em 2000 com o vencimento integral. Sem a legislação que fixa em cerca de R$ 22 mil o teto do funcionalismo público, estaria recebendo em torno de R$ 30 mil.

Recebe hoje R$ 15 mil, após novo cálculo da Assembleia. "É um bom salário [o de R$ 30 mil]", reconhece. Por ter essa opinião, recorreu novamente ao STF, mas ainda não foi julgado.

Hoje, tem um escritório de advocacia com um filho, um neto e outros três jovens advogados. Faz de tudo. Mas diz adorar o serviço público. "Mas não escreva isso porque vai parecer demagogia."

Diz que nunca votou em Collor e que só diverge dele politicamente. Afirma que não votará na petista Dilma Rousseff para a presidência. "Ela é o Lula de saias."

Seria melhor se isso tudo não tivesse acontecido? "Não sei. Se não tivesse acontecido, você não estaria aqui me entrevistando. O homem só pode o que sabe."

OUTRO LADO

A Folha procurou a assessoria do gabinete do senador Fernando Collor (PTB-AL), candidato a governador de Alagoas. Foi informada de que o senador não está dando entrevistas.

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da campanha eleitoral do petebista.




Fonte: Folha

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