Política
Redação do Gterra, 10/10/2010 às 10h58minResultado das urnas pode marcar o fim de uma era
No Senado, as duas cadeiras foram renovadas. O senador Heráclito Fortes (DEM), por exemplo, não conseguiu se reeleger.
Edição: Gterra
A vontade popular depositada nas urnas nas eleições no dia 3 de outubro revelou surpresas para alguns, para outros nem tanto. Quando muitos davam como certa a vitória da candidata Dilma Rousseff ainda no primeiro turno, eis que surgem escândalos e entra a “verde” Marina Silva (PV) mostrando sua força política e conseguindo obter votação expressiva a ponto de levar a disputa para o segundo turno. Já em âmbito estadual, o segundo turno era fato esperado.
Enquanto ainda se aguarda os desfechos da sucessão presidencial e governamental, já é possível analisar o fim de uma era e o início de outra na representação piauiense seja no Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa.
No Senado, as duas cadeiras foram renovadas. O senador Heráclito Fortes (DEM), por exemplo, não conseguiu se reeleger. O democrata é tradicional na política piauiense, onde ocupa cargos eletivos desde 1979, quando foi suplente de deputado federal. Depois, Heráclito conseguiu se eleger para deputado federal, prefeito de Teresina, retornou à Câmara Federal em 1995, saindo só em 2003, por ocasião de sua eleição para o Senado. Já Mão Santa (PSC) teve seu
primeiro mandato eletivo ainda em 1978, como deputado estadual. De lá para cá, foi prefeito de Parnaíba, governador reeleito e senador desde 2003. Tentava a reeleição, mas não obteve êxito.
A influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo eleitoral e sua declarada vontade de barrar as investidas da oposição contra o Governo Federal no Senado surtiram o efeito desejado, pelo menos no Piauí, onde os dois senadores oposicionistas, Heráclito Fortes (DEM) e Mão Santa (PSC), considerados “figurões” no Senado brasileiro, foram derrotados nas urnas. Em seu lugar, entraram dois senadores governistas: Wellington Dias (PT) e Ciro Nogueira Filho (PP). O primeiro com currículo extenso na política piauiense; o segundo, nem tanto.
Os senadores oposicionistas, na visão do cientista político Vitor Sandes, tiveram como opositores, além do Governo Federal, a forte musculatura eleitoral em âmbito local do presidente Lula. “Esses concorriam com dois candidatos apoiados diretamente pelo Governo Federal, considerando que um deles, Wellington Dias, é ex-governador do Estado e foi apoiado pelo atual governador e candidato à reeleição Wilson Martins, que obteve a maioria expressiva da preferência do eleitorado no primeiro turno”, observou.
Mas o caso foi observado não só no Piauí, como pontua o cientista político Vitor Sandes. Nove senadores tentaram se reeleger e não terão mais uma cadeira garantida no Senado Federal. Dos nove, cinco eram políticos tradicionais que faziam oposição direta ao governo do presidente Lula. São eles: Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Marco Maciel (DEM-PE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Efraim Morais (DEM-PB).
O empenho do presidente Lula em reduzir a presença da oposição, sobretudo no Senado e Câmara Federal, tinha um propósito: garantir que a aprovação de projetos considerados importantes para o governo não deixassem de acontecer
em uma eventual vitória da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff (PT), que disputa a vaga com o tucano José Serra. Para isso, Lula não poupou esforços. Deu resultados. As gravações do presidente Lula pedindo votos para
seus aliados nos programas eleitorais ajudou a alavancar o percentual de votos obtidos por eles nas urnas.
A postura do presidente chegou a ser criticada veementemente pelos seus opositores. O senador Heráclito Fortes (DEM), por exemplo, chegou a afirmar que o presidente Lula usava seu prestígio e a própria posição de governo em “uma tentativa desenfreada” para barrar a oposição no País. “Eles não querem governar o País, querem reinar”, criticou.
Apesar da renovação, política não vive nova era
Apesar das renovações observadas tanto no Senado, quanto na Câmara e Assembleia Legislativa, não se pode considerar que a política piauiense vive uma “nova era”. Pelo menos é essa a visão do cientista político Cléber de Deus.
Para ele, a derrota de alguns parlamentares não significa necessariamente a entrada num novo cenário. “Um ciclo político é encerrado quando uma geração inteira de políticos e substituída por outra. No caso dessas eleições, tal fenômeno não ocorreu”, justificou. O pensamento do cientista político é fundamentado pelo elevado número de candidatos eleitos que já têm bases familiares na política.
Cléber de Deus acrescentou ainda que, alguns candidatos ligados a grupos políticos de períodos anteriores poderão retornar ao poder (parlamento), seja por meio de suplências ou por assumir algum cargo no executivo estadual, exemplo do que aconteceu em períodos anteriores. “Assim, a mudança é somente gradual”, observou.
Para ele, pode-se dizer que essa seja uma regra da política. “Grandes transformações em político só ocorrem em períodos específicos e em situações excepcionais”, avalia, reiterando que não foi o que foi constatado nas eleições gerais deste ano.
A opinião é compartilhada pelo cientista político Vitor Sandes. Para ele, enquanto se tem renovação de um lado, se tem continuidade de outro. “E isso é evidente pela taxa de renovação baixa que tivemos. O peso da base governista na eleição foi decisiva para a reeleição de parte significativa da bancada da Alepi”, argumentou.

A vontade popular depositada nas urnas nas eleições no dia 3 de outubro revelou surpresas para alguns, para outros nem tanto. Quando muitos davam como certa a vitória da candidata Dilma Rousseff ainda no primeiro turno, eis que surgem escândalos e entra a “verde” Marina Silva (PV) mostrando sua força política e conseguindo obter votação expressiva a ponto de levar a disputa para o segundo turno. Já em âmbito estadual, o segundo turno era fato esperado.
Enquanto ainda se aguarda os desfechos da sucessão presidencial e governamental, já é possível analisar o fim de uma era e o início de outra na representação piauiense seja no Senado, Câmara Federal ou Assembleia Legislativa.
No Senado, as duas cadeiras foram renovadas. O senador Heráclito Fortes (DEM), por exemplo, não conseguiu se reeleger. O democrata é tradicional na política piauiense, onde ocupa cargos eletivos desde 1979, quando foi suplente de deputado federal. Depois, Heráclito conseguiu se eleger para deputado federal, prefeito de Teresina, retornou à Câmara Federal em 1995, saindo só em 2003, por ocasião de sua eleição para o Senado. Já Mão Santa (PSC) teve seu
primeiro mandato eletivo ainda em 1978, como deputado estadual. De lá para cá, foi prefeito de Parnaíba, governador reeleito e senador desde 2003. Tentava a reeleição, mas não obteve êxito.
A influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo eleitoral e sua declarada vontade de barrar as investidas da oposição contra o Governo Federal no Senado surtiram o efeito desejado, pelo menos no Piauí, onde os dois senadores oposicionistas, Heráclito Fortes (DEM) e Mão Santa (PSC), considerados “figurões” no Senado brasileiro, foram derrotados nas urnas. Em seu lugar, entraram dois senadores governistas: Wellington Dias (PT) e Ciro Nogueira Filho (PP). O primeiro com currículo extenso na política piauiense; o segundo, nem tanto.
Os senadores oposicionistas, na visão do cientista político Vitor Sandes, tiveram como opositores, além do Governo Federal, a forte musculatura eleitoral em âmbito local do presidente Lula. “Esses concorriam com dois candidatos apoiados diretamente pelo Governo Federal, considerando que um deles, Wellington Dias, é ex-governador do Estado e foi apoiado pelo atual governador e candidato à reeleição Wilson Martins, que obteve a maioria expressiva da preferência do eleitorado no primeiro turno”, observou.
Mas o caso foi observado não só no Piauí, como pontua o cientista político Vitor Sandes. Nove senadores tentaram se reeleger e não terão mais uma cadeira garantida no Senado Federal. Dos nove, cinco eram políticos tradicionais que faziam oposição direta ao governo do presidente Lula. São eles: Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Marco Maciel (DEM-PE), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Efraim Morais (DEM-PB).
O empenho do presidente Lula em reduzir a presença da oposição, sobretudo no Senado e Câmara Federal, tinha um propósito: garantir que a aprovação de projetos considerados importantes para o governo não deixassem de acontecer
em uma eventual vitória da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff (PT), que disputa a vaga com o tucano José Serra. Para isso, Lula não poupou esforços. Deu resultados. As gravações do presidente Lula pedindo votos para
seus aliados nos programas eleitorais ajudou a alavancar o percentual de votos obtidos por eles nas urnas.
A postura do presidente chegou a ser criticada veementemente pelos seus opositores. O senador Heráclito Fortes (DEM), por exemplo, chegou a afirmar que o presidente Lula usava seu prestígio e a própria posição de governo em “uma tentativa desenfreada” para barrar a oposição no País. “Eles não querem governar o País, querem reinar”, criticou.
Apesar da renovação, política não vive nova era
Apesar das renovações observadas tanto no Senado, quanto na Câmara e Assembleia Legislativa, não se pode considerar que a política piauiense vive uma “nova era”. Pelo menos é essa a visão do cientista político Cléber de Deus.
Para ele, a derrota de alguns parlamentares não significa necessariamente a entrada num novo cenário. “Um ciclo político é encerrado quando uma geração inteira de políticos e substituída por outra. No caso dessas eleições, tal fenômeno não ocorreu”, justificou. O pensamento do cientista político é fundamentado pelo elevado número de candidatos eleitos que já têm bases familiares na política.
Cléber de Deus acrescentou ainda que, alguns candidatos ligados a grupos políticos de períodos anteriores poderão retornar ao poder (parlamento), seja por meio de suplências ou por assumir algum cargo no executivo estadual, exemplo do que aconteceu em períodos anteriores. “Assim, a mudança é somente gradual”, observou.
Para ele, pode-se dizer que essa seja uma regra da política. “Grandes transformações em político só ocorrem em períodos específicos e em situações excepcionais”, avalia, reiterando que não foi o que foi constatado nas eleições gerais deste ano.
A opinião é compartilhada pelo cientista político Vitor Sandes. Para ele, enquanto se tem renovação de um lado, se tem continuidade de outro. “E isso é evidente pela taxa de renovação baixa que tivemos. O peso da base governista na eleição foi decisiva para a reeleição de parte significativa da bancada da Alepi”, argumentou.


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