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Redação do Gterra, 16/11/2009 às 07h40min

Pobre compra mais que rico

Os brasileiros das classes mais pobres do Norte e Nordeste do país estão consumindo mais do que os ricos da região Sudeste.


Os brasileiros das classes mais pobres do Norte e Nordeste do país estão consumindo mais do que os ricos da região Sudeste. Estudo recente da LatinPanel, maior empresa de pesquisa domiciliar da América Latina, revela que nos últimos 12 meses, até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste gastaram R$ 8,8 bilhões com cesta de alimentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. Já os gatos das camadas A e B que vivem no Sudeste do país não ultrapassaram a casa dos R$ 8,4 bilhões no mesmo período, ou seja, 5% a menos do que o montante desembolsado pelos pobres do Norte e Nordeste. Os dados da pesquisa foram obtidos a partir de visitas semanais a 8,2 mil domicílios para auditar o consumo de 65 categorias de produtos.

Mas no mesmo intervalo de tempo entre os anos de 2007 e 2008, a situação era exatamente inversa. O gasto com bens não duráveis das camadas que compõem o topo da pirâmide social do Sudeste brasileiro era 5% maior do que o das classes D e E do Norte e Nordeste. Agora em 2009, houve uma reversão do quadro. Pelo menos é o que afirma Christine Pereira, diretora da empresa e responsável pela pesquisa. A justificativa apresentada pela diretora se baseia em fatores conjunturais como a redução da inflação, que resulta na abertura do mercado para o consumidor. O estudo mostra que, com o poder de compra nas mãos, o cliente costuma priorizar a aquisição de bens de consumo familiar, preferencialmente não duráveis. Christine lembra ainda que os trabalhadores que recebem salário-mínimo tiveram ganhos de renda. Ela explica que, além disso, a crise não afetou as camadas de menor renda, o que possibilitou aos mais pobres ampliar o consumo dos produtos oferecidos nas gôndolas dos supermercados.

O empresário do setor supermercadista Alaci Corrêa avalia que as redes de supermercados de Belém já observaram o crescimento das compras feitas pelos públicos D e E - e boa parte das campanhas publicitárias foi adaptada para esta classe. Com a crise, segundo Alaci, os mais impactados foram os consumidores das camadas A, B e C.

'Os clientes mais ricos colocaram o pé no freio. Ninguém deixou de comprar comida, por questões óbvias. Porém, o consumo dos chamados ‘produtos supérfluos’ retraiu fortemente, ou seja, quem comprava uísque passou a levar cerveja', brinca. Alaci lembra ainda que, apenas 15% dos consumidores paraenses se enquadram nas camadas A, B e C - porém, são justamente estes que mais aquecem a economia.





Fonte: orm