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Redação do Gterra, 23/05/2010 às 06h33minArtesanato do Piauí conquista mais espaços e reinventa a arte
O artesanato piauiense vem se reinventando e conquistando espaço não só por aqui, mas em Estados vizinhos, onde nossa arte já é conhecida e reconhecida.
Foto: Divulgação
Adailton Ferreira: suas peças já ultrapassaram as fronteiras do paíss
Edição Gterra
No Pólo Cerâmico do Poti Velho o avanço é percebido num breve passeio por algumas das 23 lojas que reúnem os melhores trabalhos dos artesãos locais. Os filtros e os potes de cerâmica deram lugar aos objetos de decoração, que assumem formas diferentes e garantem a sobrevivência de quem vive exclusivamente da arte. "Tudo que sei hoje aprendi aqui e sustento minha família com a arte. Nunca fiz curso. Trabalho aqui das 7 às 17 horas, todos os dias", conta o artesão Adailton Ferreira, de 31 anos.
Trabalhando há três anos com artesanato, ele diz que a produção diária chega a 60 peças. Entre elas, destaque para a mandala - de R$ 25 - e um con-junto de garrafas de cerâmica, vendidas a R$ 30. Adailton Fer-reira conta que veio do Mara-nhão e aprendeu a transformar cerâmica em arte com o primo. Por mês, ele conta que dá para faturar cerca de um salário mínimo, o que sustenta seus dois filhos. O artesão se orgulha em dizer que algumas das suas peças já ultrapassaram as fronteiras do país e chegaram à África e aos Estados Unidos.
Mesmo assim, ele nunca recebeu uma grande encomenda. "Há dias onde não vendemos nada. Nós também fabricamos peças para lojas de decoração", conta. O mestre de Adailton é o artesão Francisco das Chagas Barbosa, de 37 anos. Ele, mais conhecido como Tico, também é maranhense e trabalha há 22 anos com artesanato. Francisco diz que suas peças costumam ser mais valorizadas pelos turistas, apesar dele achar que faltam mais atrativos para atender a esse público. "O Pólo ain-da é mal divulgado. Tem gente que compra uma peça aqui, vende bem mais caro e nem diz onde a peça foi produzida.
Se eu tivesse oportunidade de trabalhar em outro Estado tenho certeza que estaria bem melhor", completa.
Francisco das Chagas diz que já chegou a vender uma mandala por R$ 90, mas que hoje não consegue vender por mais de R$ 30. "Para os clientes de Teresina, nossas vendas são baixas", diz. O artesão não deixa de ressaltar as mudanças trazidas com a inauguração do Pólo Cerâmico. "Antes só confeccionava filtros, potes e jarros. Hoje, só faço peças de artesanato. Com o pólo ganhamos um espaço melhor para trabalhar. Antes, as peças ficavam jogadas, quebravam e tínhamos muito prejuízo", lembra.
Tanto Francisco como Adai-lton colocam em suas peças um pouco da história do nosso Estado, traduzida através de pinturas rupestres. "Vi os desenhos numa revista e tentamos fazer igual", diz. Em todas as lojas do pólo o formato é quase sempre o mesmo. A oficina funciona na parte de trás e na frente há uma loja onde os produtos são expostos e comercializados. Nas oficinas, a maioria dos artesãos é homem. Na verdade eles ficam responsáveis pela criação das peças, enquanto as mulheres cuidam do acabamento.
Em um dos espaços a reportagem encontrou as artesãs Eli-zângela Ribeiro, de 22 anos, e Malhana Gonçalves, de 21 anos. As histórias das duas são bem diferentes. Elizângela conta que cresceu no Poti Velho, no local onde funciona o Pólo. "Desde criança trabalho com pintura. Consigo ganhar cerca de R$ 250 por mês. Meu marido trabalha também, mas o que ganho aqui ajuda bastante", diz, enquanto pintava uma coruja que será vendida por R$ 150.
Malhana começou na arte por acaso e se identificou com o ofício. "Estavam precisando de uma pessoa e eu vim aprender. Hoje já gosto do que faço, me identifiquei com a arte", diz. Enquanto falava com a reportagem, Malhana pintava um garrafão de barro, que seria vendido por R$ 90, juntamente com mais duas peças. A técnica utilizada por ela nessa peça foi a pintura de saco, onde um saco plástico é utilizado para dar um efeito diferente. Malhana e Elizângela dividem a mesma opinião e defendem que o pólo seja mais divulgado.
"Tem gente de Teresina que não sabe o que funciona aqui. No ano passado, realizamos uma feira e ficamos decepcionados, pois esperávamos um público maior. Faltou divulgação", afirma uma delas.

Adailton Ferreira: suas peças já ultrapassaram as fronteiras do paíss
Edição Gterra
No Pólo Cerâmico do Poti Velho o avanço é percebido num breve passeio por algumas das 23 lojas que reúnem os melhores trabalhos dos artesãos locais. Os filtros e os potes de cerâmica deram lugar aos objetos de decoração, que assumem formas diferentes e garantem a sobrevivência de quem vive exclusivamente da arte. "Tudo que sei hoje aprendi aqui e sustento minha família com a arte. Nunca fiz curso. Trabalho aqui das 7 às 17 horas, todos os dias", conta o artesão Adailton Ferreira, de 31 anos.
Trabalhando há três anos com artesanato, ele diz que a produção diária chega a 60 peças. Entre elas, destaque para a mandala - de R$ 25 - e um con-junto de garrafas de cerâmica, vendidas a R$ 30. Adailton Fer-reira conta que veio do Mara-nhão e aprendeu a transformar cerâmica em arte com o primo. Por mês, ele conta que dá para faturar cerca de um salário mínimo, o que sustenta seus dois filhos. O artesão se orgulha em dizer que algumas das suas peças já ultrapassaram as fronteiras do país e chegaram à África e aos Estados Unidos.
Mesmo assim, ele nunca recebeu uma grande encomenda. "Há dias onde não vendemos nada. Nós também fabricamos peças para lojas de decoração", conta. O mestre de Adailton é o artesão Francisco das Chagas Barbosa, de 37 anos. Ele, mais conhecido como Tico, também é maranhense e trabalha há 22 anos com artesanato. Francisco diz que suas peças costumam ser mais valorizadas pelos turistas, apesar dele achar que faltam mais atrativos para atender a esse público. "O Pólo ain-da é mal divulgado. Tem gente que compra uma peça aqui, vende bem mais caro e nem diz onde a peça foi produzida.
Se eu tivesse oportunidade de trabalhar em outro Estado tenho certeza que estaria bem melhor", completa.
Francisco das Chagas diz que já chegou a vender uma mandala por R$ 90, mas que hoje não consegue vender por mais de R$ 30. "Para os clientes de Teresina, nossas vendas são baixas", diz. O artesão não deixa de ressaltar as mudanças trazidas com a inauguração do Pólo Cerâmico. "Antes só confeccionava filtros, potes e jarros. Hoje, só faço peças de artesanato. Com o pólo ganhamos um espaço melhor para trabalhar. Antes, as peças ficavam jogadas, quebravam e tínhamos muito prejuízo", lembra.
Tanto Francisco como Adai-lton colocam em suas peças um pouco da história do nosso Estado, traduzida através de pinturas rupestres. "Vi os desenhos numa revista e tentamos fazer igual", diz. Em todas as lojas do pólo o formato é quase sempre o mesmo. A oficina funciona na parte de trás e na frente há uma loja onde os produtos são expostos e comercializados. Nas oficinas, a maioria dos artesãos é homem. Na verdade eles ficam responsáveis pela criação das peças, enquanto as mulheres cuidam do acabamento.
Em um dos espaços a reportagem encontrou as artesãs Eli-zângela Ribeiro, de 22 anos, e Malhana Gonçalves, de 21 anos. As histórias das duas são bem diferentes. Elizângela conta que cresceu no Poti Velho, no local onde funciona o Pólo. "Desde criança trabalho com pintura. Consigo ganhar cerca de R$ 250 por mês. Meu marido trabalha também, mas o que ganho aqui ajuda bastante", diz, enquanto pintava uma coruja que será vendida por R$ 150.
Malhana começou na arte por acaso e se identificou com o ofício. "Estavam precisando de uma pessoa e eu vim aprender. Hoje já gosto do que faço, me identifiquei com a arte", diz. Enquanto falava com a reportagem, Malhana pintava um garrafão de barro, que seria vendido por R$ 90, juntamente com mais duas peças. A técnica utilizada por ela nessa peça foi a pintura de saco, onde um saco plástico é utilizado para dar um efeito diferente. Malhana e Elizângela dividem a mesma opinião e defendem que o pólo seja mais divulgado.
"Tem gente de Teresina que não sabe o que funciona aqui. No ano passado, realizamos uma feira e ficamos decepcionados, pois esperávamos um público maior. Faltou divulgação", afirma uma delas.

Fonte: Juliana Nogueira/DP