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Mundo

Redação do Gterra, 01/06/2010 às 07h43min

O Rio de Janeiro continua lindo

Localizada no coração do Rio de Janeiro e resultado de reflorestamento, a Floresta da Tijuca é motivo de orgulho para cariocas

Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia A Vista Chinesa, em forma de pagode, de onde se tem uma das mais belas vistas do Rio
Edição Gterra


Rio - Imagine um lugar fresco, árvores e mais árvores, o sol aparecendo entre as copas, cheiro de terra e musgo, som de passarinhos, micos, quatis, barulho de água corrente... Deu vontade de viajar para o interior? Não precisa. Respire fundo, encha os pulmões. A Floresta da Tijuca é aqui

Localizada no coração da cidade do Rio de Janeiro, a Floresta da Tijuca é a maior floresta urbana do mundo, com 3.200 hectares. Ao contrário do que muita gente acredita, não é uma floresta atlântica nativa. Mas o resultado do trabalho de reflorestamento após intensa exploração de madeira e derrubada das árvores para lenha e carvão, nos séc. XVI e XVII. Assim como para plantio do café no séc. XIX.

O reflorestamento feito inicialmente sob responsabilidade do Major Gomes Archer. Começou em 1861, durou 13 anos e foram plantadas mais de 60 mil árvores de várias espécies, em uma área de 16 milhões de m². Os trabalhos foram retomados por outros administradores e, mais tarde, a floresta foi embelezada com pontes, mirantes e lagos.
No final do século XIX, já contava com mais de 100 mil árvores. O replantio, por ordem de D. Pedro II, foi realizado para preservar os mananciais e as nascentes dos rios que abasteciam a cidade, tornando-se uma das mais ricas florestas em espécies vegetais.

No plano de recuperação, além das melhorias implantadas, como serviços, sanitários e locais especiais de visitação, também foram introduzidas obras de arte e edificações. A Floresta da Tijuca é, atualmente, um cenário maravilhoso onde a natureza e a cultura se harmonizam e se completam.

SAIBA MAIS

Até 1967 o parque era conhecido como Parque Nacional do Rio de Janeiro. O nome passou a ser Parque Nacional da Tijuca em alusão à sua localização. Mas, para a maioria das pessoas, mapas, guias e mídia, é conhecido e chamado simplesmente de Floresta da Tijuca. Mesmo que a Pedra da Gávea, o Sumaré, as Paineiras, a Vista Chinesa e até mesmo o Corcovado não estejam na Floresta, para a maioria dos cariocas, tudo faz parte dela.

PORTINARI NA CAPELA MAYRINK

A Capela Mayrink passou por grandes reformas, entre 1943 e 1947. Em seu interior, encontram-se três painéis, pintados por Cândido Portinari (1903-1962), representando Nossa Senhora do Carmo, ladeada, à esquerda, por São Simão Stock, que teve a visão da Virgem no Monte Carmelo e, à direita, por São João da Cruz, fundador da Ordem do Carmo. Serviram de modelo para a Nossa Senhora a irmã do pintor, Inês, e para o Menino Jesus, seu filho, João Cândido.

UM PASSEIO PELA FLORESTA DA TIJUCA

ENDEREÇO. Praça Afonso Vizeu, Alto da Boa Vista Tijuca. Horário: 8h às 18h. Tel.: 492-2252, 492-5407.

COMO CHEGAR. Chegando à Praça Afonso Vizeu, entrar pelo Portão da Floresta, que dá acesso à área que se pode entrar de carro. É um portão simbólico, construído em 1943, durante o período de reformas do local. Seguindo o roteiro, com o mapa, é possível conhecer os principais pontos de interesse da Floresta.

CASCATINHA TAUNAY. A queda d’água de cerca de 30 m de altura é formada pelos rios Tijuca, Caveira e Cascatinha. A cascata tem esse nome em homenagem a Nicolas Antoine Taunay, pintor francês, membro da Missão Artística Francesa de 1816 que, por insistência de seu filho Charles, adquiriu um sítio junto à cascata, onde passou a residir com a família. O sítio de Taunay foi o marco inicial de ocupação da região, que passou a concentrar vários nobres franceses que se dedicaram à cultura do café e à plantação de árvores frutíferas.

CAPELA MAYRINK. A área fazia parte da Fazenda Boa Vista, propriedade do Conde Aymar Marie Jacques Gesta, encarregado dos negócios da França junto a D. João IV e a D. Pedro I. A fazenda, muito visitada pela Imperatriz Leopoldina, possuía uma grande plantação de café, além de frutas aclimatadas à região, como maçã, uva, morango e baunilha. Em 1850, a propriedade passou ao Visconde Alves Souto que mandou construir a capela, em 1860, em louvor a Nossa Senhora de Belém. Com o fim do ciclo do café, a fazenda acabou sendo dividida em chácaras. A área referente à capela foi adquirida, então, pelo Barão de Mesquita que, mais tarde, a vendeu ao Conselheiro Mayrink, em 1888. Este a reformou e a consagrou a Nossa Senhora da Conceição. Quando a fazenda do Conselheiro Mayrink foi desapropriada em 1897, todas as construções existentes foram demolidas, mas a Capela foi preservada.

LAGO DAS FADAS. Pequeno lago artificial cercado de eucaliptos, cedros, bananeiras, palmeiras e uma compacta cobertura de flores, com área para piqueniques e lazer para as crianças.

BOM RETIRO. A 658 m de altitude, este é o ponto mais alto das estradas asfaltadas da Floresta da Tijuca. A partir daí, inicia-se a subida que leva ao Pico da Tijuca (1.021 m), passeio que deve ser orientado por um guia experiente. A área foi totalmente reformada, com local para piqueniques, além de um pequeno playground para crianças. No local, há um obelisco em homenagem ao Visconde do Bom Retiro, proprietário de uma chácara no local e defensor do reflorestamento da área, com os principais dados de sua vida esculpidos na rocha.

GRUTA DE PAULO E VIRGÍNIA. É uma formação rochosa de cerca de 6 m de altura, cuja superfície côncava dá a impressão de uma gruta, tendo, à sua volta, várias pedras e grandes árvores que tornam o ambiente sombreado e úmido.

OS ESQUILOS. O local passou a ser a residência do 2º administrador da Floresta, Barão de Escragnolle, em 1874, quando este assumiu os trabalhos de reflorestamento da região. O Barão era descendente de nobres franceses que a Revolução Francesa obrigou ao exílio, tendo seu pai e avô chegado ao Rio junto com o Príncipe Regente D. João, em 1808. O Barão amava a natureza e deu à floresta um toque de arte, aproveitando os acidentes naturais e transformando-os em recantos, aos quais deu nomes de pessoas de sua família e de obras literárias de seu agrado, como a Gruta Paulo e Virgínia, em homenagem ao livro homônimo de Bernardin de Sant-Pierre, uma de suas preferências literárias.

A casa onde o Barão morou passou a ser, mais tarde, a residência de todos os administradores da floresta. Em 1945, a casa estava praticamente em ruínas e tinha perdido todas as suas características originais. Assim, uma nova casa foi construída para ser um restaurante chamado Os Esquilos. No pátio interno as lajes do chão vêm das calçadas da antiga Rua São Pedro, que desapareceu ao ser construída a Avenida Presidente Vargas.

AÇUDE DA SOLIDÃO. Último ponto de visita do roteiro, antes da saída dos limites do parque. No período de grandes reformas feitas entre 1943 e 1944, o local foi limpo, com introdução de novas espécies botânicas, transformando a represa insalubre em um lago rodeado de plantas tropicais.

FORA DOS LIMITES DO PARQUE
Saindo do portão à esquerda, seguir as indicações para o Museu do Açude

MUSEU DO AÇUDE. 8h-17h (a residência fecha às 3ªs). O Museu está em plena Floresta da Tijuca, no bairro do Alto da Boa Vista, em uma área de 150 mil m2, que foi a residência de verão de Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894- 1968), empresário, mecenas e colecionador que deixou diversas obras de arte. A casa, em estilo neocolonial, é cercada de belos jardins e de exuberante mata.

No interior da residência, nas varandas, fontes e bebedouros, jardins e anexos, estão espalhados diversos painéis de azulejos e estátuas em porcelana, de diversas procedências e épocas, do século XVII ao XIX, formando uma das maiores coleções de azulejaria.

Outro precioso acervo exposto no Museu é o mobiliário luso-brasileiro, peças de prata, cristais, porcelana da Companhia das Índias, utensílios de cozinha, esculturas em bronze, ferro e pedra, e uma coleção de arte oriental.
Instalações permanentes de artistas brasileiros contemporâneos como Iole de Freitas, Anna Maria Maiolino, Helio Oiticica, Nuno Ramos, Lygia Pape e José Resende encontram-se também expostas no parque do Museu.

O museu oferece atividades específicas para crianças, chás e concertos, segundo uma programação que deve ser consultada junto à instituição





Fonte: O Dia/RJ