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Polícia
Redação do Gterra, 16/03/2010 às 11h08minLinchamento e provocação causa terror no Coqueiro
A vítima aparenta 25 anos, mede cerca de 1,70m. Usava short e camiseta pretos, um brinco dourado na orelha esquerda e um pequeno adereço de juta no tornozelo. Não portava nenhum documento que pudesse facilitar sua identificação
Edição Gterra
Belém-Os cabelos pretos e longos e a pele morena clara revelam a descendência indígena do homem que foi apedrejado até a morte no final da noite de domingo na passagem Coletiva, bairro do Coqueiro, em Ananindeua, próximo da estrada do 40 Horas e da sede do Sesc/Ananindeua.
A vítima aparenta 25 anos, mede cerca de 1,70m. Usava short e camiseta pretos, um brinco dourado na orelha esquerda e um pequeno adereço de juta no tornozelo. Não portava nenhum documento que pudesse facilitar sua identificação.
Estendido próximo à vala, ao lado de duas grandes pedras de cimento sujas de sangue, o jovem de traços indígenas tinha no peito um cartaz com uma frase em tom de advertência: “quem é o próximo ladrão?”.
No local, ninguém soube dizer quem colocou a advertência. Policiais militares da 3ª ZPol se deslocaram para a área e acionaram o Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” para fazer a remoção do corpo.
POPULARES
A passagem Coletiva, no perímetro entre as passagens Santo Antônio e Santa Terezinha, ficou cheia de populares. Mesmo assim, era inútil o esforço dos policiais e do repórter em tentar conseguir informações sobre o que havia acontecido. As respostas a esse questionamento não variavam muito: “não sei de nada”; “eu cheguei agora”; “nunca vi esse sujeito”.
O sargento Martins, comandante da viatura 2100, pouco pôde apurar sobre o homicídio. “A única informação que temos é de que o homem já vinha em fuga, correndo. ‘Fecharam’ ele aqui”, afirmou.
Uma criança de colo assistia atenta ao movimento dos curiosos ao redor do corpo. Dois homens chegaram à cena do crime e olharam o cadáver. Um homem pergunta: “é ele?”. O outro responde que não, “não é ele”. Um morador do bairro diz em voz alta: “agora esse aí vai roubar junto com o ‘demo’!”.
INVESTIGAÇÃO
As circunstâncias do linchamento serão apuradas na Seccional da Cidade Nova pela delegada Cláudia Pimentel. Ontem, a delegada confirmou que o homem morto a tiros teria tentado roubar um morador de um conjunto habitacional da localidade e ele estaria armado de um revólver e reagiu. Já o suposto assaltante portava uma faca.
O morto foi atingido com pelo menos três tiros. Um deles no peito e que lhe causou morte imediata. O fato ocorreu pouco antes das 23h de anteontem.
O suposto ladrão continua sem identificação no Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”. Investigadores da Polícia Civil suspeitam que o atirador é um policial que estaria de folga, retornando para casa, quando ocorreu a tentativa de assalto

Fonte: Diário do Pará