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Polícia
Redação do Gterra, 14/03/2010 às 09h48minMotoristas dopados matam nas estradas
Eles ingerem grande quantidade de álcool e drogas
Foto: Divulgação
Os caminhoneiros são os mais vulneráveis ao uso de remédios que têm as anfetaminas
Todos os anos são registrados mais de 100 mil acidentes nas rodovias do país, sendo que 30% deles envolvem motoristas profissionais.
A carga excessiva de trabalho, aliada às condições de saúde, coloca esses condutores em perigo constante. Entre os fatores de risco ainda está o consumo de álcool e medicamentos que comprometem a atenção ao volante. Estes últimos são conhecidos como "rebites", nome popularmente dado principalmente às anfetaminas, drogas que fazem com que o cérebro trabalhe mais rápido e diminua a sensação de cansaço.
O uso dessas drogas, principalmente entre caminhoneiros, é comum, mas muitos não admitem. Os médicos alertam que a sensação de bem estar proporcionado pela substância é momentânea e os efeitos a curto e longo prazo podem ser drásticos. "O uso desses medicamentos aumentam a pressão, a arritmia cardíaca, deixa o motorista desorientado e irritado. Em dois meses o usuário fica dependente", diz o médico cardiologista, da Polícia Rodoviária Federal, Marcos Basílio.
Ele diz que a situação é bastante preocupante e reflete no número de acidentes. "O Brasil está entre os 10 países que concentram 50% das mortes no trânsito", completa. Dados do seguro obrigatório DPVAT revelam que 35 mil pessoas morrem por ano nas rodovias, apesar do número de seguros pagos representarem o dobro disso. "Muitas vezes só são levadas em consideração as mortes ocorridas no momento do acidente", justificou. O médico será o representante da PRF-PI durante um encontro que acontece em Brasília, com o intuito de discutir alternativas para reduzir os números de acidentes em dez países, incluindo o Brasil.
A PRF em todo o país já realiza o "Comando de Saúde", onde milhares de motoristas passam por vários exames clínicos. No Piauí, o comando é realizado seis vezes ao ano. Dados da Polícia Rodoviária Federal revelam que pelo menos 23% dos acidentes têm a ver com alterações na saúde dos condutores.
O uso de medicamentos está entre as chamadas "causas externas". O mais preocupante é que apenas 0,4% dos motoristas têm consciência de que tomam algum medicamento que interfere no seu desempenho ao volante.
O recomendável é que esses motoristas dirijam até oito horas seguidas, porém, cerca de 66% ultrapassam esse limite. "Muitas horas dirigindo já indicam o uso de alguma substância", diz. O medicamento mais utilizado entre os motoristas profissionais é o Fenoproporex, que é a anfetamina.
Em seguida, vem a sibutramina, um medicamento utilizado normalmente para perder peso. "Há motoristas que usam mais de um tipo de medicamento. Ainda tem aqueles que associam o uso com cafeína ou com álcool e outras drogas", completou.
O médico da PRF diz que não há exames para detectar o uso dessas substâncias, mas a Polícia não possui o suporte necessário para tal. Marcos Basílio defende que a lei regulamente a fiscalização em torno do uso dessas substâncias, cujo uso é proibido pelo Código Brasileiro de Trânsito.
"O Código proíbe o uso de substâncias psicotrópicas, mas não regulamenta a fiscalização, a exemplo do que fez com o álcool. Queremos propor uma mudança na lei para que os policiais sejam autorizados a deter pessoas suspeitas visualmente", diz.
A longo prazo a proposta seria investir na aquisição de equipamentos para garantir a realização dos exames específicos. "Um projeto piloto está sendo realizado em São Paulo, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). O projeto está em fase de teste e depois será avaliada sua viabilidade financeira", explicou o médico.
Enquanto isso não acontece, a PRF defende pelo menos a mudança na primeira etapa da fiscalização, que consiste em observar os sinais emitidos pelos motoristas.

Os caminhoneiros são os mais vulneráveis ao uso de remédios que têm as anfetaminas
Todos os anos são registrados mais de 100 mil acidentes nas rodovias do país, sendo que 30% deles envolvem motoristas profissionais.
A carga excessiva de trabalho, aliada às condições de saúde, coloca esses condutores em perigo constante. Entre os fatores de risco ainda está o consumo de álcool e medicamentos que comprometem a atenção ao volante. Estes últimos são conhecidos como "rebites", nome popularmente dado principalmente às anfetaminas, drogas que fazem com que o cérebro trabalhe mais rápido e diminua a sensação de cansaço.
O uso dessas drogas, principalmente entre caminhoneiros, é comum, mas muitos não admitem. Os médicos alertam que a sensação de bem estar proporcionado pela substância é momentânea e os efeitos a curto e longo prazo podem ser drásticos. "O uso desses medicamentos aumentam a pressão, a arritmia cardíaca, deixa o motorista desorientado e irritado. Em dois meses o usuário fica dependente", diz o médico cardiologista, da Polícia Rodoviária Federal, Marcos Basílio.
Ele diz que a situação é bastante preocupante e reflete no número de acidentes. "O Brasil está entre os 10 países que concentram 50% das mortes no trânsito", completa. Dados do seguro obrigatório DPVAT revelam que 35 mil pessoas morrem por ano nas rodovias, apesar do número de seguros pagos representarem o dobro disso. "Muitas vezes só são levadas em consideração as mortes ocorridas no momento do acidente", justificou. O médico será o representante da PRF-PI durante um encontro que acontece em Brasília, com o intuito de discutir alternativas para reduzir os números de acidentes em dez países, incluindo o Brasil.
A PRF em todo o país já realiza o "Comando de Saúde", onde milhares de motoristas passam por vários exames clínicos. No Piauí, o comando é realizado seis vezes ao ano. Dados da Polícia Rodoviária Federal revelam que pelo menos 23% dos acidentes têm a ver com alterações na saúde dos condutores.
O uso de medicamentos está entre as chamadas "causas externas". O mais preocupante é que apenas 0,4% dos motoristas têm consciência de que tomam algum medicamento que interfere no seu desempenho ao volante.
O recomendável é que esses motoristas dirijam até oito horas seguidas, porém, cerca de 66% ultrapassam esse limite. "Muitas horas dirigindo já indicam o uso de alguma substância", diz. O medicamento mais utilizado entre os motoristas profissionais é o Fenoproporex, que é a anfetamina.
Em seguida, vem a sibutramina, um medicamento utilizado normalmente para perder peso. "Há motoristas que usam mais de um tipo de medicamento. Ainda tem aqueles que associam o uso com cafeína ou com álcool e outras drogas", completou.
O médico da PRF diz que não há exames para detectar o uso dessas substâncias, mas a Polícia não possui o suporte necessário para tal. Marcos Basílio defende que a lei regulamente a fiscalização em torno do uso dessas substâncias, cujo uso é proibido pelo Código Brasileiro de Trânsito.
"O Código proíbe o uso de substâncias psicotrópicas, mas não regulamenta a fiscalização, a exemplo do que fez com o álcool. Queremos propor uma mudança na lei para que os policiais sejam autorizados a deter pessoas suspeitas visualmente", diz.
A longo prazo a proposta seria investir na aquisição de equipamentos para garantir a realização dos exames específicos. "Um projeto piloto está sendo realizado em São Paulo, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo). O projeto está em fase de teste e depois será avaliada sua viabilidade financeira", explicou o médico.
Enquanto isso não acontece, a PRF defende pelo menos a mudança na primeira etapa da fiscalização, que consiste em observar os sinais emitidos pelos motoristas.

Fonte: DP