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Salomão
Redação do Gterra, 14/02/2012 às 19h54minO PT quer inventar privatização que não privatiza
( Augusto Nunes )
Desde 1997, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu reduzir o peso e aumentar a eficácia do mamute estatal, o PT fez o que pôde para transformar a privatização no oitavo pecado capital.
Sempre de olho na próxima eleição e de costas para as próximas gerações, a seita chefiada por Lula passou 15 anos enxergando mais uma perfídia infiltrada na 'herança maldita' no que foi um notável avanço civilizatório. Graças ao governo FHC, o Brasil ficou menos primitivo.
A privatização dos três principais aeroportos informa que os pastores do atraso enfim capitularam. A teimosia insensata da 'companheirada' custou muitos bilhões de reais, desperdiçados pelo governo em remendos, puxadinhos e outros monumentos ao improviso erguidos para distrair a atenção de eleitores tapeados por promessas que seguem acampadas nos palanques.
Os defensores do Estado obeso também consumiram o estoque de paciência de multidões de passageiros flagelados por congestionamentos nos saguões, nas salas de embarque, nas imediações das esteiras de bagagens, nas filas de táxi.
O tempo que se perdeu é irrecuperável. Mas antes tarde do que nunca. 'O reposicionamento dos petistas em relação aos aeroportos nos livrou, para todo o sempre, do estelionato eleitoral em torno das privatizações', registrou o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB paulista.
Ainda não, avisa a discurseira de oficiais do PT decididos a provar que, embora os aeroportos tenham sido privatizados, não houve privatização nenhuma. 'Querem confundir uma coisa com outra', ensina o inevitável José Dirceu. 'O que houve foi uma concessão'. O guerrilheiro de festim vive criticando o governo paulista por ter entregue à iniciativa privada, em regime de concessão, a administração das rodovias estaduais. 'Os tucanos privatizaram o patrimônio rodoviário', berra desde o século passado. É o que acaba de fazer o governo federal com a fatia mais valiosa do patrimônio aeroportuário, mas para isso existe a novilíngua companheira. 'Privatização', no dicionário do PT, virou 'concessão'.
O rebanho vai balir como ordenam os guias. Tomara que o eleitorado não seja tão paspalho, ou que já não sejam tantos os brasileiros idiotizados com direito a voto.
(*) Jornalista
