Ricardo Coelho

Ricardo Barros Coelho Ricardo Barros Coelho
Ricardo Coelho e estudande de direito,funcionário da Assembleia Legislativa do Estado do Piaui.

13/08/2010 às 19h30min

TROCA-TROCA ELEITORAL

José Estrella

Nunca entendi o que seja "fidelidade partidária. Já perdi muito tempo procurando assimilar as razões que levam deputados e senadores a mudar de partido, embora desconfie que a razão esteja no bolso, no reforço da conta bancária ou quando muito na sinecura para um familiar. Exemplos disso temos aqui mesmo no Piauí aos montes. Veja-se, por exemplo, o caso do PMDB, que se partiu ao meio, abandonando a própria sorte seu candidatura a governador.
É bem verdade que esse candidato não conseguiu reunir a unanimidade do partido, não tinha programa definido, marchava para as umas na base de um populismo ultrapassado que não mais conquistaria sequer a periferia da velha Parnaíba. Mas, se o candidato era ruim, por que o partido não se apressou em arranjar outro que dentro de suas fileiras, empolgasse o eleitorado com um programa sério, embasado na verdade, sem os vícios do passado e menos ainda com uma postura própria de opera bufa.
A montoeira de leis que disciplinam as eleições e aquelas que traçam a norma a ser seguida pelos partidos são letras mortas. Ninguém as respeita. Os políticos mudam de partido como quem muda de camisa e nada acontece. Diante disso pergunta-se: não há dispositivos legais que impeçam essa dança macabra que desqualifica a obrigatoriedade de respeitar-se a legenda? Há, mas é letra morta. O espírito dessas leis é causuísta, não foi editado para ser comprido, mas apenas para possibilitar essa pouca vergonha das mudanças providenciais.

Uma parte do PMDB composta por deputados oportunistas jogou-se nos braços do PT, não por convicção, mas apenas para assegurar a reeleição de uns pouco dessa meia dúzia de pessoas ávidas de mando e que não admitem a convivência com o ostracismo. Há um deles que já sentiu os efeitos da derrota e, hoje, tem como norma o slogan "suplente nunca mais". São procedimentos difíceis de entender, principalmente pelo povo, essa pobre gente que se compraz com a miséria em que vive. Há um verdadeiro troca-troca no mercado eleitoral.