Timon em Fatos

Jerry Mayner Jerry Mayner
Jerry Mayner -  Nasceu na cidade de Timon - Maranhão em 1964 - é  Comentarista politico na Rádio Cidadão FM em Timon, Professor e empresário do ramo educacional.

29/10/2009 às 09h06min

Me engana que eu gosto

Divulga o Banco Central estarem os juros em baixa, na ordem de 8.75% ao ano como base da remuneração dos títulos públicos. Não é isso que as empresas pagam quando vão buscar dinheiro nos bancos. A média fica em 30%, apesar de o BNDES emprestar, a longo prazo, a 6% anuais.

Mesmo assim, esse é o mundo da fantasia, onde se comemora a queda de uns poucos percentuais. O cidadão comum que caiu na desgraça de entrar no cheque especial paga 132% ao sistema bancário. Pior ainda para o que abusou do cartão de crédito: 230%, também ao ano.

Convenhamos, assim não dá. De Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio da Silva, de Dilma Rousseff a José Serra, foi e continuará sendo a mesma coisa: me engana que eu gosto…

( Carlos Chagas )

28/10/2009 às 09h14min

Debate sobre o desimportante

Carlos Chagas

Parece brincadeira, mas ultrapassam as raias do inimaginável o tempo, os recursos e a paciência roubados da sociedade pelos debates sobre o supérfluo. Por ingenuidade ou malandragem, deixa-se de discutir aquilo que realmente nos interessaria, em troca de firulas sobre o desimportante e o ridículo.

Tome-se a disputa em torno das viagens do presidente Lula pelo país, acompanhado da ministra Dilma Rousseff. Estaria caracterizada campanha eleitoral antecipada? Deveria o chefe do governo enclausurar-se num de seus palácios, proibido de visitar obras, fiscalizar e inaugurar realizações? Ou, matreiramente, estaria o primeiro-companheiro encenando um espetáculo explícito de visibilidade para sua candidata?

As oposições entram em paroxismo, a situação fica indignada e a Justiça oscila entre os dois extremos, conforme a inclinação de cada juiz. As semanas passam sem que se chegue a uma conclusão, a mídia abre espaços intermináveis para a arte de enxugar gelo e ensacar fumaça e os verdadeiros problemas nacionais vão sendo empurrados com a barriga.

No fundo, constatamos desenvolver-se uma farsa. Por que a lei determina que apenas meses antes das eleições os candidatos possam aparecer e pedir votos? A Constituição não assegura a liberdade de expressão do pensamento? Assiste quem quer as imagens televisadas, ouve quem quer as mensagens radiofônicas, lê quem quer o noticiário sobre as viagens presidenciais. Como a mesma coisa aconteceria, ou já acontece, com a movimentação de José Serra, Ciro Gomes, Marina Silva e outros. Se é campanha eleitoral antecipada ou não, tanto faz, mas por que tentar obstar o debate se vivemos numa democracia? O Lula está no governo porque ganhou as últimas eleições, detendo o direito de viajar para onde quiser e levar em sua companhia quem quiser. Vale o mesmo para seus adversários.

A única restrição para as campanhas eleitorais, antecipadas ou não, deveria restringir-se à poluição visual ou sonora, porque ninguém deve ser condenado aos exageros de alto-falantes e de out-doors. Melhor seria revogar esse monte de leis e regulamentações restritivas e inócuas à ação de candidatos que, com elas ou sem elas, continuarão sendo candidatos.

25/10/2009 às 11h18min

ENTRE O VALE-TUDO ELEITORAL E O ENIGMA DAS PESQUISAS

São cada vez mais inquietantes os cenários das eleições de 2010. Momento referencial no processo democrático quando os brasileiros elegerão o Presidente da República, governadores dos Estados, dois terços do Senado da República, a Câmara Federal e as assembléias legislativas estaduais.

E o mais grave é que partem do próprio Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestações que violam claramente a legislação e tendem a, em verdadeira afronta as regras do jogo, antecipar perigosamente a campanha eleitoral que, a rigor, só poderá ser iniciada nos primeiros dias de julho do próximo ano.

Na segunda semana do mês, o presidente Lula realizou, a pretexto de visitar as obras de transposição das águas do Rio São Francisco, uma verdadeira maratona eleitoral, levando a tiracolo a ministra-candidata Dilma Rousseff, Chefe da Casa Civil do seu governo.

A caravana – da quarta feira, 14, a sexta, 16 - foi composta por, pelo menos, cinco ministros, oito governadores, 150 funcionários federais, dois aviões da Presidência, três helicópteros e dezenas de jornalistas. Seus gastos estariam estimados em mais de meio milhão de reais.

O ôba-ôba eleitoral foi tão animado que atraiu até mesmo outros postulantes ao Planalto: Ciro Gomes e Aécio Neves que, sôfregos, buscaram uma carona no aconchego da popularidade e da contravenção presidenciais e marcaram presença em uma ou outra atividade dessa nova e confortável versão das antigas entradas e bandeiras.

O mal-estar com a excessiva desenvoltura presidencial foi tão forte que além dos protestos dos partidos e setores oposicionistas, vozes do próprio judiciário se manifestaram.

O presidente do Tribunal de Contas da União, Ubiratã Aguiar, cearense e constituinte de 1988, em solenidade na presença do Presidente da República respondeu as reiteradas críticas que Lula tem feito ao órgão que dirige. Aguiar foi firme: “conforta-me saber que estamos exercendo a cidadania em nome da construção de um Estado de Direito”.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, foi além, qualificou a viagem presidencial de VALE-TUDO ELEITORAL e indagou:

“É lícito transformar um evento rotineiro de governo em um comício? E aí desequiparam-se as relações de oportunidade que deve haver no processo eleitoral”.

Enquanto isso, Lula e o Partido dos Trabalhadores aceleram as negociações de um lado com o PDDB e, por outro, com as demais legendas da base de sustentação de seu governo.

Na terça, em solenidade nos salões do Palácio da Alvorada, Lula e os principais dirigentes do PT firmaram o que denominaram um “pré-compromisso” com o PMDB. Com apoio de importantes lideranças peemedebistas, divulgaram uma Nota com quatro pontos em que afirmam que “os dois partidos comporão, necessariamente, a chapa de presidente e vice, a ser apresentada ao eleitorado brasileiro”.

Com o PMDB, Lula e o PT querem criar um fato consumado construindo uma aliança eleitoral que assegure a Dilma o apoio e o tempo de propaganda, no rádio e na televisão, dos dois maiores partidos nacionais. O problema é que as lideranças do PMDB no Congresso, em especial os presidentes da Câmara e do Senado, Michel Temer e José Sarney, não detêm o controle da maioria dos diretórios estaduais que se movimentam ao sabor do momento e dos interesses locais.

Em relação às demais bancadas e legendas governistas, o que Lula e seu coordenador José Dirceu buscam obsessivamente é inviabilizar a candidatura de Ciro Gomes desde o seu nascedouro ou, se este intento não vingar, torná-la uma postulação de um só partido, adstrita ao seu PSB.

Importa ainda destacar que na concepção de Lula-José Dirceu a aliança PT-PMDB haverá de ser formalizada não apenas nacionalmente (com o PMDB indicando o vice de Dilma Rousseff). Deverá ser estendida, compulsoriamente, aos Estados pelos conhecidíssimos e pouco republicanos métodos de Dirceu (que negam sua origem mineira, nascido que é na pacata e bucólica Passa Quatro).

No Maranhão, essa “aliança” só poderá ser concretizada por um golpe de força de uma minoria (a serviço da direção nacional) contra a imensa maioria da base petista historicamente contrária a oligarquia Sarney.

No campo das oposições maranhenses são visíveis certos sinais de perplexidade resultantes dos grandes enigmas contidos nos resultados de pesquisas recentes. Se tivermos coragem poderemos decifrá-los!

Basta perceber em suas entrelinhas um claro sentimento de frustração, de crítica face aos erros cometidos pelas oposições no curto espaço em que estivemos no governo.

Mas todos têm quer ler com seus próprios olhos, com a visão histórica dos que resistiram e combateram. E não com lentes emprestadas pela oligarquia como fizeram o super-secretário medíocre e sua meia dúzia de empoderados que toda a sociedade identifica.

Haroldo Saboia, economista, advogado, Constituinte de 1988

24/10/2009 às 13h12min

Deputado do MA entre os melhores do Brasil

O deputado federal Flávio Dino (PCdoB) está novamente em uma relação que aponta os melhores parlamentares brasileiros. Na sexta-feira, 16, o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) concluiu a pesquisa para eleição dos mais influentes parlamentares, na avaliação dos próprios deputados e senadores que foram recentemente escolhidos como os “Cem Cabeças” do Congresso Nacional. Para eles, Flávio Dino é o 13º melhor parlamentar numa lista encabeçada pelo presidente da Câmara, Michel Temer(PMDB).

A pesquisa foi respondida por 56 deputados e 19 senadores pertencentes aos seguintes partidos: 18 do PT, 11 do DEM e 11 do PSDB, oito do PMDB, cinco do PSB e cinco do PDT, quatro do PCdoB, três do PTB, e dois dos seguintes partidos: PP, PPS, PR, PSol e PV.

Para os deputados e senadores consultados, Flávio Dino é melhor avaliado que destacados parlamentares, como os senadores José Agripino Maia (DEM), Pedro Simon (PMDB) e Sérgio Guerra (PSDB). O parlamentar maranhense também aparece à frente dos deputados José Aníbal, líder do PSDB na Câmara; Antonio Carlos Magalhães Neto,que integra a Mesa Diretora da Câmara; e os veteranos Miro Teixeira (PDT) e Fernando Gabeira (PV).

24/10/2009 às 13h03min

Lula, a falha do Brasil

Lula, já escrevi isso aqui, é o melhor presidente que o Brasil já teve. Fez a melhor ponte, mesmo precária, entre pobres e ricos e fechou o consenso em torno da estabilidade econômica e do respeito às regras básicas do jogo capitalista.

É esse consenso, iniciado em 1994 com o Plano Real, que permite ao país dar um salto econômico transformador.

Mas seu mandato ficará manchado pela cumplicidade com o que há de pior no Brasil, na política brasileira, a corrupção e a impunidade. E esse outro horripilante consenso fechado por Lula e seu PT, de que a corrupção desembestada deve ser tolerada em nome da tal governabilidade, é a maior trava para o desenvolvimento do país hoje.

Na entrevista que deu a Kennedy Alencar (que você pode ler a íntegra aqui), Lula mais uma vez faz de conta que não é com ele. Repete a ladainha, que ele sabe falsa, de que todos são inocentes até que sejam julgados em definitivo pela Justiça brasileira, aquela que não julga nada em definitivo. Mais: Lula defende uma visão equivocada de que, uma vez eleito, o político pode tudo, como se o voto desse licença e legitimidade para qualquer ato, mais espúrio que seja.

"Não adianta falar mal do Congresso, porque ele foi votado pelo povo", disse o petista ao ser indagado sobre seu apoio a Sarney, Renan, Collor etc.

"O cidadão que admira o Lula tem de saber que essas pessoas foram eleitas democraticamente, e o eleitor dessas pessoas é tão bom quanto ele", acrescentou.

É uma lógica torpe, cínica, querendo transferir a crítica que se faz aos piores políticos brasileiros (que o próprio Lula vivia atacando antes de ascender) aos pobres eleitores que votaram nesses supostos representantes.

O pior é que são esses pobres eleitores, em grande parte analfabetos ou semialfabetizados, os que mais sofrem com os líderes que elegem, por ignorância, pressão ou mesmo coerção econômica. Lula, filho do Brasil, sabe de tudo isso, mas é incapaz de outro gesto de grandeza: a de romper com a única coisa que não muda no Brasil, a péssima qualidade de nossa liderança política, o lado B de Lula incluído.
(Sérgio Malbergier )

23/10/2009 às 16h53min

Seria deposto?

Conta o senador José Sarney que ao assumir a presidência da República, em 1985, não tinha ilusões a respeito da precariedade de seu governo. Afinal, exerceria o poder sem o respaldo de um partido forte, já que mesmo tendo ingressado no PMDB, vinha de uma dissidência do PDS. Carecia de apoio das entidades sindicais, não dispunha de esquemas militares, faltavam-lhe o empresariado e a mídia. Tudo o que o dr. Ulysses Guimarães dispunha ele não tinha. Poderia ter sido deposto em pouco tempo, como acontecido diversas vezes com outros, em nossa história.

Imbuído da necessidade de consolidar a transição da ditadura para a democracia, voltou-se para a necessidade de reforçar a área social. Estendeu a todos os brasileiros os benefícios do sistema de saúde, abrigou os trabalhadores rurais com aposentadorias da Previdência Social, criou o sistema de distribuição de leite para as famílias carentes, multiplicou a merenda escolar e, em paralelo, levantou as restrições à formação dos partidos políticos, inclusive o Partido Comunista, determinou o fim de restrições aos movimentos sociais, suspendeu os entraves à liberdade de informação e, no campo econômico, lançou o Plano Cruzado, com o congelamento de preços. Chegou a decretar a moratória na dívida externa. Preservou os direitos trabalhistas e sociais, não privatizou empresas públicas ligadas à soberania nacional.

Perguntado sobre o seu maior erro, não tem dúvidas em negar validade ao mote popular de que palavra de rei não volta atrás. Falhou, como diz, ao aceitar o Plano Cruzado Dois, que veio com a liberação dos preços. Por tudo isso, reivindica uma recordação na memória nacional, que lhe tem sido cruel nos tempos atuais.
( Carlos Chagas )

21/10/2009 às 09h05min

Laptop docente por R$ 56 mensais

Trinta e seis prestações de até R$ 56 separam professores das redes pública e privada de um computador portátil. O governo federal facilitou as condições de compra de notebooks em 24 ou 36 vezes com juros iguais aos do empréstimo consignado. Ativos podem aderir ao programa.

Três modelos de dois fabricantes estão em oferta com preços até R$ 1.400, já incluído frete nacional único e seguro para entrega. O interessado deve escolher o modelo no link Shopping da página www.correios.com.br e procurar uma agência dos Correios com Banco Postal. Quem quiser parcelar pode procurar ainda agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil com identidade, CPF, comprovante de residência, de renda e de vínculo com a escola registrada no Ministério da Educação. A venda a prazo está sujeita a análise de crédito.

O pedido é feito diretamente ao fabricante e o comprador recebe o computador no endereço que escolher. “Estamos conversando com outros fabricantes para aumentar a concorrência. Com o dólar mais baixo ficou mais fácil. Também teremos mais modelos”, avisa Rodrigo Figueiró, gerente do Banco Postal nos Correios.

A ação faz parte do Programa de Inclusão Digital da Presidência. “O objetivo é melhorar a qualidade do ensino. Temos investido também na capacitação de professores, laboratórios de informática e na banda larga nas escolas”, diz Nelson Fujimoto, especialista em Inclusão Digital.

Os juros variam de 1,89% a 2,2% ao mês na Caixa. O BB não divulgou suas taxas. Beatriz Lugão, diretora do Sindicato dos Professores do Estado (Sepe), lembra que a ferramenta pedagógica não pode substituir a política salarial. Para saber mais, ligue 0800 725 7282.

(POR TAMARA MENEZES, /O Dia RJ )

18/10/2009 às 09h49min

DUAS VAGAS EM DISPUTA PARA O SENADO

A eleição de dois dos três senadores no próximo ano aumenta enormemente a importância das eleições de 2010 e torna ainda bem mais complexa a disputa pelos governos estaduais.

O Senado, como sabemos, é composto por três representantes de cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal. São 81 membros eleitos para um mandato de oito anos; a cada quatro essa representação é renovada, alternadamente, por um ou dois terços.

O momento histórico em que vivemos no Maranhão aguça, acirra, de modo especial a contenda que se aproxima.

A simples presença dos nomes de Jackson Lago e Roseana Sarney Murad na corrida para o governo do Estado encerra por si só uma carga simbólica imensa; portadora de traumas (vivos na memória), feridas (sem cicatrizes), gritos (abafados), revoltas (contidas), gestos (esboçados) enfim muitas histórias espezinhadas pelos erros e equívocos de uns, ou pela truculência, pela arrogância, pelo deboche e pela impunidade da Oligarquia.

É um grave, gravíssimo, erro pensar que os maranhenses esquecerão fatos tão recentes que marcaram fortemente a vida, o dia-a-dia, de cada um. E isto vale para todos.

Para os que, pelo golpe judicial, usurparam a vontade expressa nas urnas e, com quatro votos dos eros graus da vida, colocaram a Oligarquia de volta aos Leões.

E também, temos que ter a coragem de reconhecer, para aqueles que compuseram o arco de aliança vitorioso em 2006. É inegável que, no exercício do poder, os setores à esquerda não tiveram força política para impedir que o governo do Dr.Jackson Lago, eleito pelo povo com o apoio da Frente de Libertação do Maranhão, se transformasse quase que inteiramente em monopólio do autoritarismo, da incompetência e dos caprichos do supersecretario Abdalaziz Aziz Aboud Santos.

Temos que, imediatamente, levantar a poeira, dar a volta por cima e deixar claro para a sociedade quais são as forças que exercerão a liderança das oposições em 2010, o comando político da campanha, e partir para a luta.


Se o Jackson Lago, nome natural, está de fato decidido a voltar ao Palácio dos Leões levado pela mesma vontade popular que o elegeu governador em 2006 só tem um caminho, seguir sua estrada de Damasco.

Reconhecer os erros e equívocos cometidos. Afastar politicamente aquelas figuras notoriamente responsáveis pela quebra de confiança de importantes setores da sociedade em sua administração (como por exemplo, os funcionários públicos, professores e policiais especialmente).

Em 1987, assisti ao espetáculo histórico da volta de Arraes, levado pelos braços de uma multidão, à sede do governo de Pernambuco após anos de cassação pelo arbítrio do regime militar.

Centenas de milhares de pessoas entoavam como uma única voz:

“Arraes vai entrar pela porta que saiu!”

Governador em 1964, Miguel Arraes foi cassado e preso no próprio Palácio das Princesas, sede do governo. Queriam levá-lo pelas portas dos fundos: Arraes reagiu. Preso, saiu pela porta principal.

Jackson deixou o Palácio do Governo pela porta da frente, cassado por uma trapaça judicial. Poderá voltar se tiver pulso e firmeza para reconstruir a esperança dos maranhenses, sobretudo da Ilha Rebelde de São Luis, na transformação do nosso Estado.

A realização desse enorme desafio de Jackson não depende diretamente do fracasso já visível do desgoverno de Roseana Sarney Murad, e toda a brigalhada dos ricardos, césares, joãoalbertos e coadjuvantes. As regras da política não são cartesianas.

A oligarquia já escalou sua equipe. Roseana candidata ao governo. Edson Lobão e Mauro Fecury candidatos às duas vagas de senador.

Podem até fazer uma mudança que não representa absolutamente nada. A troca de Lobão por Roseana: ele para o governo, ela para o senado. Do ponto de vista da Oligarquia, esse troca-troca não teria quase nenhum reflexo político-eleitoral. Financeiro, com certeza, Lobão Filho assumindo os árduos afazeres do marido Jorge Murad; sem traumas, provavelmente.

O grupo Sarney vai para a disputa tendo como patamar cerca de trinta por cento de votos e o apoio conhecidíssimo das máquinas dos governos estadual e federal.

Por outra senda, caminhará o ex-governador José Reinaldo, nome natural ao Senado, que não jogará o peso de sua liderança na candidatura Jackson movido não por desavença pessoal ou política, mas, até onde podemos perceber, por construções no campo da lógica eleitoral.

A Jackson portando resta partir para o recomeço, a retomada. Poderá, amanhã, voltar ao Palácio dos Leões levado pelo voto popular. E entrar pela porta que saiu!

Para tal, há que impor ao cenário que aí está sua própria agenda política. Em nenhuma hipótese se deixar levar por calendários de candidaturas alheias! E muito menos aceitar, como ontem no governo, conselhos e prioridades impostos por mero e diminuto secretário chinfrim...

Haroldo Saboia, economista, advogado, Constituinte de 1988

16/10/2009 às 07h54min

Lula secretário da ONU, prencheria os 4 anos de ausência

Ontem tratei da formação do primeiro governo Lula, em janeiro de 2003, mas lógico, pensado desde a vitória em outubro de 2002. E mais do que isso, sendo a quarta eleição de Lula, é visível que muita coisa já estava estabelecida, só faltava colocar em ação.

O fato de Luiz Inácio Lula da Silva, ser o único homem no mundo ocidental , que perdeu três eleições presidenciais seguidas e ganhou na quarta, (também seguida) não o prejudicava, pois alguma coisa ficou e se acumulou dessas campanhas.

Ontem na última linha, escrevi: há ainda muito a falar sobre o assunto, formação de governo, e desagregação do governo, com receio da própria equipe forte que iria construindo e que poderia se voltar contra ele.

Afirmei que iria tratando do assunto com o passar do tempo, por causa dos construídos, desconstruídos, demitidos e depois reconstruídos, personagens ainda vivos e visíveis, embora com pouca força, em razão de quem inventara a todos e se afastara de todos. Mas tanta gente se comunicou comigo, concordando, discordando, sugerindo, que retomo o assunto imediatamente.

S. Moraes Rego (não sei se homem ou mulher) diz abertamente que não concorda comigo. Que Dirceu, Palocci, Gushiken, fizeram por merecer a demissão, lula não tem culpa das irregularidades praticadas por eles.

Chegou a ser hostil, terminou mais cordial, dizendo que “Lula não pode ser tão maquiavélico assim”.

Norberto Guimarães critica minha obsessão em insistir que “Lula deseja e trabalha para o terceiro mandato”, que considera uma forma cansativa de fazer oposição. Termina: “Felizmente o senhor não trata Lula como tratou, merecidamente, o presidente Fernando Henrique Cardoso”. E fulmina: “Se o senhor dissesse de Lula o que disse do outro, eu não lhe escreveria”.

Muita gente, muita gente mesmo, (impossível citar os nomes) insiste na redundância: elogiar o repórter ou criticar o repórter. O problema não é esse, não acrescenta nada à solução do que foi colocado, e está explícito e implícito: por que Lula desfez uma equipe que ele mesmo formou? Não estaria correspondendo, apesar de serem todos companheiros? As acusações que ele aceitou, os temores que acumulou tinham base, sentido e conclusão?

Antonio Santos Aquino que viveu intensamente e participou durante muito tempo, (do lado bom) faz algumas revelações, que precisam ser comentadas. Algumas são assombrosas, concordem ou discordem, a vez é de vocês.

1- Dirceu, Palocci, Mercadante, o casal Suplicy foi preparado para governar o país. O esquema era o mesmo de Golbery-Geisel.

2- Quando assumiu o PTB, Brizola convidou Lula para entrar no partido. Ainda era sindicalista e não fundara o PT. Lula recusou, Aquino não explica o motivo. Mas Lula teria dito: “Jamais serei político, apenas sindicalista”. Viajou para os EUA, na volta fundou o PT.

3- Não sei se como sugestão, intuição ou antevisão, diz: “Helio, não se surpreenda se Lula acabar secretário das Nações Unidas. Não precisa ter curso superior, apenas apoio político, que ele tem que sobra”. (Aí concordo. Quando Tony Blair perdeu o cargo de Primeiro Ministro, quis esse cargo nas Nações Unidas, não teve apoio).

4- Aí uma surpresa total: Aquino conta que sem nenhuma razão lógica, Lula vai ao Oriente Médio, conversa longamente com Kadaffi. Uma semana depois Kadaffi destrói todas as armas mortais, sabidamente nucleares.

5- Logo depois, Lula vai à ONU, Kadaffi fica o tempo todo atrás dele, não larga o presidente do Brasil. Ditador ou não ditador, está há 40 anos no Poder na Líbia, esse é o sonho de Lula. Contando 1989, já se passaram 20 anos, bastariam mais 20. Estaria com 83 anos, mocíssimo.

6- Aquino se despede com mais uma bomba. Lula teria dito a Kadaffi: “Destrói as armas da Líbia, senão você será destruído”. E garante: “Lula que era um ator de segunda grandeza, agora é estrela com quem todos querem aparecer”.

***

PS- Ontem afirmei que o assunto renderia muito. E renderá. Pelo menos até o fim de março, com a desincompatibilização.

PS2- A ida de Lula para secretário da ONU, levaria FHC ao haraquiri. E preencheria os 4 anos de ausência de Lula, se não conseguisse permanecer no Planalto-Alvorada.
Helio Fernandes

14/10/2009 às 08h54min

Submergir ou ascender

Divide-se a cúpula do PT: uns sustentam que Dilma Rousseff deve livrar-se o mais breve possível dos encargos da Casa Civil e lançar-se de corpo inteiro na campanha presidencial, até aproveitando para descolar-se um pouquinho do presidente Lula. São os que duvidam da transferência de popularidade e de votos.

Outros, porém, defendem estratégia oposta. A candidata deveria aproveitar o quanto puder sua condição de principal auxiliar do presidente da República, estando presente em cada momento das atividades do Lula, colada nele para angariar votos e popularidade.

Os companheiros sabem que as decisões são tomadas a quilômetros de distância de suas salas de reunião, centralizadas no principal gabinete do palácio do Planalto, mas insistem em dar palpites. Estariam os dois grupos apenas prevenindo um possível malogro da candidatura oficial? Afinal, nada tiveram com a indicação de Dilma. Deveriam, mesmo, é ficar quietos.
( Carlos Chagas )

13/10/2009 às 06h24min

O País pode muito mais

Brasil precisa ampliar a oferta de vagas em universidades públicas

Flávia Café: Presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE/RJ)


A aprovação, pela Comissão de Educação do Senado, da proibição de duplicidade de matrícula em universidades públicas deve ser comemorada por todos. Mas não deve servir de cortina de fumaça para a necessária democratização do acesso ao ensino superior.

O Brasil possui uma das mais medíocres taxas de participação da juventude no ensino superior. Aqui, apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos estão na universidade. A Argentina e o Chile, por exemplo, possuem uma taxa de aproximadamente 40%.

Segundo Maurício Rands, autor do projeto que proíbe a duplicidade, “o limite vem para permitir que maior número de estudantes possa chegar às universidades públicas”. Mas o que precisa ser dito é que, por mais avançado que o projeto seja, não altera a estrutura educacional.

Precisamos investir em ensino superior público de qualidade para todos. E garantir que o investimento em educação salte de 5% do PIB para 10%.

Precisamos inverter rapidamente a lógica perversa de apenas 20% das vagas em universidades públicas e 80% nas privadas. Temos que reestruturar as unidades já existentes, criando mais cursos noturnos. E acelerar a interiorização dos campi. Enfim, precisamos que a universidade pública seja de fato do nosso povo.

Uma Nação que se pretende soberana precisa investir em um amplo e diversificado Plano de Nacional Desenvolvimento. E ele passa, indubitavelmente, pela produção nacional de conhecimento científico.

Conhecimento que tem seu berço nas universidades públicas. A proibição da duplicidade de matrículas é bem-vinda. Mas o Brasil ainda pode muito mais!

11/10/2009 às 05h52min

Cidadã ou consumista?

Frei Betto: Autor de “A Arte de Semear Estrelas”



O Dia da Criança é o momento de refletir sobre o que temos feito com as nossas. Estamos formando futuros cidadãos ou consumistas? Pesquisas indicam que as crianças brasileiras costumam passar quatro horas por dia na escola e o dobro de olho na TV. Impressiona o número de peças publicitárias destinadas a crianças ou que as utilizam como isca de consumo.

Susan Linn, da Universidade de Harvard, constatou que o excesso de publicidade causa nas crianças distúrbios comportamentais e nutricionais. De obesidade, pela ingestão de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas, à anorexia provocada pela obsessão da magreza digna de passarela.

Sexualidade precoce e desajustes familiares são outros efeitos da excessiva exposição à publicidade. São menos felizes, constatou a pesquisadora, as crianças influenciadas pela ideia de que a felicidade reside na posse de bens materiais.

Causa-me horror o orgulho de pais que exibem seus filhos em concursos de beleza. Uma criança instigada a, precocemente, prestar demasiada atenção ao próprio corpo, tende à esquizofrenia de ser biologicamente infantil e psicologicamente “adulta”. Encurta-se, assim, seu tempo de infância.

Criança precisa de afeto, de sentir-se valorizada e acolhida, mas também de disciplina. Só assim aprenderá a conhecer seus limites e respeitar os direitos do outro.

É preciso conversar com elas, através da linguagem adequada, sobre situações-limites da vida: dor, perda, ruptura afetiva, fracasso, morte. Se você incutir apreço aos bens infinitos – generosidade, solidariedade, espiritualidade – certamente serão adultos felizes.

Saber educar é saber amar.

10/10/2009 às 17h14min

Decidir o caminho acadêmico é um desafio terrível para a mai

Regina de Assis, Mestra e doutora em Educação e Consultora em Educação e Mídia

Rio - Decidir o caminho acadêmico é um desafio terrível para a maioria dos jovens. Se você está no meio do Ensino Médio e não sabe para onde ir, fique atento às dicas da nossa professora.

PERGUNTA E RESPOSTA

Sou bom aluno, muito disciplinado e tiro boas notas na escola. Estou no 2º ano do Ensino Médio e ano que vem quero cursar uma faculdade. Mas não sei qual fazer. Ora quero fazer Nutrição, ora Comunicação, ora Geografia. Um teste vocacional pode ajudar na escolha? Leonardo Vieira, por e-mail

Você já tem, como se diz popularmente, ‘meio caminho andado’ para ter sucesso no curso superior que decidir fazer, pois tem bom aproveitamento no Ensino Médio.

Imagino que seja bem jovem e que, por isso, tenha dúvidas que são naturais nesta etapa da vida, tão cheia de escolhas. Sugiro que converse com seus parentes, aconselhando-se em casa, e também com os professores no colégio.

Procure ainda, se possível, conversar com profissionais das áreas que o atraem, como nutricionistas, profissionais de Comunicação ( jornalistas, com habilitação para rádio, TV, cineastas, produtores) e geógrafos, que podem ser professores.

Busque ler sobre estes contextos em revistas, jornais ou sites na Internet. E, certamente, faça um bom teste vocacional, com profissionais qualificados. Eles, certamente, o ajudarão a definir melhor como aplicar seus talentos, interesses e possibilidades de estudo. Sucesso em sua escolha!

sucesso@odia.com.br

09/10/2009 às 08h42min

Do Senhor do Bonfim ao Círio de Nazaré

Dona Dilma parece não perder tempo. Desde ontem na Bahia, vai hoje à igreja do Senhor do Bonfim, amanhã percorre o interior do estado e domingo, em Belém, participará da procissão do Círio de Nazaré.

Encontrou-se, esta semana, com líderes e bancadas do PDT e do PT, recebendo também um grupo de mulheres parlamentares.
Acompanhou de longe a reunião da cúpula do PMDB que sinalizou o rápido engajamento do partido em sua candidatura e nos intervalos examinou documentos do pré-sal.
 
Como para o Norte e o Nordeste viajou no avião do presidente Lula, aproveitou para discutir com ele a situação em alguns estados onde o PT e os aliados não se acertam.

Teve tempo para mais uma entrevista, desta vez a uma revista semanal e ainda fez sua caminhada matinal, em Brasília e Salvador, como fará na capital do Pará. Breve vai receber um conselho: “devagar, senhora, que mesmo sem ser de barro, o santo não é de ferro…”

( Carlos Chagas )

08/10/2009 às 10h21min

A Justiça é para todos

Duas caras da mesma moeda. Numa temos um coroa brilhante e famoso, um dos maiores cineastas vivos, Roman Polanski, 76 anos. Ele está preso na Suíça para prestar contas à Justiça americana, que o condenou por obrigar uma menina de 13 anos a manter relações sexuais. Foi condenado e fugiu.

Lá, a Justiça prendeu e deve extraditá-lo, pois foi condenado. É o império da lei, independentemente da grana, da genialidade, da ideologia e da fama.

Aqui, a outra face, a nossa cara, revelada na dificuldade de extraditar um italiano que foi condenado porque matou algumas pessoas na Itália. Mas não estamos sozinhos na tarefa de deslocar o sentido igualitário que deve marcar o Estado de direito.

Anda por aí um abaixo-assinado internacional de intelectuais e artistas famosos pedindo que libertem Polanski. A despeito da solidariedade com a dor do cineasta, o que pedem essas pessoas? Que ele seja considerado excepcional, que tenha direitos que as outras pessoas não têm.

Mas por quê? Por ser um artista genial? E a menina? Devemos esquecê-la? E as famílias dos italianos mortos? O que me impressiona é isso: a intenção implícita de que esqueçamos as vítimas.

A única coisa que remedeia a dor é o emprego da justiça, ação que não desqualifica as vítimas. A moeda tem duas caras, mas tem o mesmo valor, ou deve ter.

Roman Polanski realizou um dos meus filmes prediletos, “O Pianista”, uma história emocionante sobre o horror do Holocausto. Que paradoxo! Sofro por conta de seu infortúnio pessoal, mas acima dele deve estar aquilo que nos civiliza e nos iguala: a Justiça.

(Moacyr Goes:Diretor de teatro e cineasta )

07/10/2009 às 16h31min

Santander mais forte do que o BB

Esse banco globalizado e explorador, (como todos) fica badalando o “recolhimento da maior importância já obtida numa subscrição”.

De onde veio o dinheiro?

Essa é uma perguntinha inútil, inócua, ingênua. Quem entregou tantas reservas a esse banco? E os que eram acionistas e não tiveram dinheiro para subscrever, terão suas ações “aguadas”? E a CVM, o que dirá ou fará? (Exclusiva)

O banco globalizado, ultrapassou
o Banco do Brasil, que é do cidadão

Os amestrados não param de festejar. “O Santander agora tem PATRIMÔNIO maior do que BB”. Quer dizer que esse dinheiro de ações já é contabilizado como patrimônio? Que República.

Helio Fernandes

06/10/2009 às 11h21min

Não existe mais prazo

Venceu sábado o prazo para o troca-troca de partidos, sobressaindo da data a impossibilidade de o governador Aécio Neves deixar o PSDB. Aliás, há muito que ele havia abandonado a sugestão feita por alguns amigos. Transferir-se para o PMDB seria um risco dos diabos, já que o maior partido nacional, entre outros adjetivos mais carregados, é inconfiável. Poderia tirar-lhe o tapete em quinze minutos, depois da mudança.

Sendo assim, Aécio continuará postulando a indicação tucana, mas estreitamente ligado a José Serra, favorito na disputa interna e na de outubro do ano que vem. Sabem, os dois governadores, que um não existe sem o outro, ou seja, Serra candidato sem apoio de Aécio arriscar-se-ia a colher desagradável surpresa nas urnas. E vice-versa, até com mais intensidade.

Por enquanto não é hora do movimento fundamental no tabuleiro sucessório, mas a natureza das coisas indica que oportunamente o PSDB anunciará a formação da chapa pura, ou seja, Serra para presidente, Aécio para vice. Senão imbatível, seria quase isso, porque o neto do dr. Tancredo levaria com ele 20 dos 22 milhões de votos mineiros, e o paulista, nunca menos do que 15, dos 30 milhões de seu estado. Uma dupla que começa com 35 milhões de votos assusta todo mundo.

05/10/2009 às 07h54min

Que se cumpra a lei

(João Pedro Stédile:

A sociedade brasileira sabe distinguir quem são os trabalhadores e exploradores


A Constituição de 1988 é clara: a propriedade da terra está condicionada ao seu uso, em favor da sociedade. Se não for cumprida essa condição, a terra deve ser desapropriada, paga e entregue a quem quiser trabalhar. No Brasil, não há direito absoluto sobre a propriedade rural. Ela precisa estar produzindo, respeitar o meio ambiente e as relações trabalhistas, não ter trabalho escravo, não ter plantações de drogas e, portanto, estar a serviço do bem comum.

A lei agrária de 1993 definiu a propriedade produtiva. Dividiu o Brasil em mais de 500 microrregiões. E estabeleceu que em cada uma fosse calculada a média de produtividade por produto, definida a cada dez anos, pelo IBGE.

Os fazendeiros que produzirem abaixo da média deveriam ter as terras desapropriadas e indenizadas. O Incra calculou, então, a média por região, baseada nos dados disponíveis do censo de 1975. E, desde então, nunca mais atualizou.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST, pediu que o governo cumpra a lei e atualize a média. Fazendeiros atrasados se juntaram a parte da imprensa e parlamentares e pediram uma CPI contra o MST, em represália. No fundo, querem esconder sua incompetência e que usam as terras para especular e ganhar dinheiro.

A pobreza no meio rural, a desigualdade e as injustiças sociais não são causados pelos trabalhadores, pelo MST, mas pela concentração da propriedade. Os fazendeiros são apenas 36 mil e controlam 46% de todas as terras do Brasil! Excluem quatro milhões de famílias de trabalhadores rurais sem terra. A sociedade brasileira sabe quem são os exploradores e quem são os trabalhadores.

03/10/2009 às 16h34min

O Iate Clube dá bom exemplo

Carlos Chagas

Um pequeno parágrafo publicado numa revista da capital federal, “Brasília Em Dia”, mostra que nem tudo está perdido. Como requisito para ingresso no Iate Clube local, destaca-se a exigência de que o pretendente não tenha sido condenado em primeira instância da Justiça por crime capitulado no Código Penal.

No Congresso pode. No Iate Clube, não. Os sócios da agremiação dispõem de mais segurança, mais cuidados e até mais honradez do que o Congresso, tendo em vista a decisão do presidente da Câmara, Michel Temer, de modificar a proposta popular encaminhada no sentido de negar registro de candidato a criminosos. Para o parlamentar paulista, a situação só deve caracterizar-se diante de condenações na segunda instância, transitadas em julgado, quer dizer, com sentenças condenatórias confirmadas e exaradas pelos tribunais de Justiça dos Estados. Serão desconsideradas as penas, cumpridas ou não, que o candidato tiver recebido nos juízos singulares, mesmo por assassinato, roubo, seqüestro, pedofilia, tráfico de drogas, contrabando e outros crimes.

Agora, se quiser freqüentar a piscina, o restaurante e os eventos promovidos pelo Iate Clube de Brasília, o condenado em primeira instância será barrado. Trata-se, pelo menos, de um bom começo. De um exemplo dado por um clube de recreação, sem vinculações políticas ou pretensões de poder.

02/10/2009 às 08h43min

Oscar Niemyer,102 anos, intrépida unanimidade

É injustiça e das mais surpreendentes, que o arquiteto do mundo (a sede da ONU saiu da sua cabeça, do seu planejamento, do seu traço, e do seu coração e da sua mesa de trabalho) e não existe nada mais universal do que isso.

Viveu e continua vivendo uma existência de luta, de convicção e de crença na humanidade, sempre acreditou que juntos se pode fazer tudo. Por tudo isso, o fato de ser unanimidade nacional.

Digo a um amigo que descobrir um câncer aos 102 anos é até uma injustiça do destino, e o amigo intimíssimo do arquiteto, me diz: “Helio, o surpreendente é que em 102 anos o Oscar não tenha tido coisa alguma, viveu sempre com uma esplêndida saúde”. Concordo, o que posso discordar nessa afirmação?

É tão grande a predestinação, a influência, (até mesmo indireta) e a repercussão de tudo que acontece com Oscar Niemeyer, que os profissionais que o atenderam, constataram um tumor, não souberam dizer se era maligno.

Lógico que não foi descuido, certamente não queriam confirmar o pior, preferiram esperar, (sem tentar saber) que o próprio tumor se definisse. À hora que escrevo, o famoso arquiteto está na UTI, não há mais nada a dizer. Só o que me dizem de lá, às 5:15 da tarde, quando este sol inicial da primavera vai se deitando placidamente.

Helio Fernandes